Aurélio Lopes (*) – Um novo centro social abre as suas portas na comarca de Vigo. O colectivo ‘O Guindastre’ instala-se na Rua de Juliám Esteves, em Teis, para dignificar este bairro operário e dar continuidade entre a gente nova à tradiçom mais reivindicativa do associacionismo vizinhal.
A sua legenda «O Guindastre para todos!» define bem a intençom de ser um local de referência para a vizinhanza de Teis. Falamos com Iago Pereira e Roi Lamas, que nos detalham os seus objectivos.
— Como nasce ‘O Guindastre’?
Iago Pereira: Falávamos de que queriamos fazer algo no bairro, e começamos com o ‘Mundialinho Anti-Racista’, que figemos antes do Verao. Depois começamos a termos reunions com a ideia do local social.
— Por que um ‘Mundialinho Anti-Racista’? Como decorreu esta actividade?
Roi Lamas: Os impedimentos dos políticos, sobretodo do Bloco, fôrom mui grandes.
IP: Falamos com o tenente alcalde de que nos queriamos autogerir e ergueu-se dizendo “entom que fazemos falando?”. Queriamos pedir-lhe a luz, e ele ofereceu-nos umhas taças que nós nom queriamos dar para nom fomentar a competitividade.
RL: O motivo de que o mundialinho fora anti-racista som certas agressons racistas que tivérom lugar no bairro, pintárom a furgoneta da loja de uns imigrantes africanos, pintárom o carro a um companheiro do Guindastre na porta da sua casa… Teis começou a ter fama de ser um bairro fascista, de nazis, e nós nom podemos consentir isso. Também o figemos para lhes fazer frente.
— Que mais actividades tendes pensado fazer?IP: Como já chegárom multas a algumha gente pola Reconquista da Ilha de Toralha, e pola protesta contra a Powerboat, temos pensado fazer umha jornada para tirar dinheiro para ajudar a pagá-las.
RL: Pensamos convidar colectivos a dar charlas. Queremos que venham ‘Vozes polo Litoral de Teis’, vamos dar um obradoiro de boxeo, montar um rocódromo e fazer excursons. Achamos que este momento, mais que reivindicativo, vai ser para chamar a gente do bairro com ofertas culturais, sem perder nunca a perspectiva de fazer política, claro.
IP: Os vizinhos vam entrado e perguntam que actividades se vam fazer, quando começamos.
— Sodes o quinto centro social que abre na comarca, como analisades estas iniciativas?
IP: Deveria haver um centro social em cada bairro para que os vizinhos poidam reunir-se. Sempre gostei de esta ideia: algo que nom tenha a ver com ningum partido político e onde cada quem poida exprimir o que pensa.
RL: Eu penso que, anida que pareçam muitos cinco centros sociais na comarca de Vigo, com a movida que há por aqui ainda som poucos. Vigo sempre foi umha cidade mui criativa e inovadora em muitos sentidos.
— Começades com a campanha ‘Fala com os vizinhos e nom de eles’, o que é que quer dizer?RL: Nom queriamos que o centro social fosse um sítio para os que fazemos todas as actividades e vamos a todos os concertos, motivado só na cousa cultural, mas chegarmos à gente normal. O máximo nexo de uniom que temos é que somos vizinhos. Este é um bairro proletário, sempre foi mui rebelde, nom queremos que isso se perda.
RL: Agora, muitos estamos no desemprego, mas o Guindastre é mui significativo do bairro, porque aqui todos somos ‘curritos’, e isso queremos que fique imprimido no local.
— A situaçom da língua na comarca é dramática, tendes pensado algo para fazer frente ao problema?
RL: Este vai ser um sítio monolíngüe por completo e, ainda que a situaçom na comarca seja dramática, também há muito movimento em defesa da língua. Aqui é onde mais se planta cara aos colectivos que querem exterminar o galego. Muitos dos e das jovens que venhem por aqui falam habitualmente em espanhol, mas nas assembleias procuram falar em galego tendo de fazer um esforço.
Iago Pereira e Roi Lamas, do C. S. ‘O Guindastre’
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(*) Entrevista publicada originalmente no n.º 72 do Novas da Galiza.
+ Ligações relacionadas:
- Novo Centro Social ‘O Guindastre’ em destaque no Novas da Galiza [PGL, 03/12/08]
- Blogue do Centro Social ‘O Guindastre’
- Sítio web do Novas da Galiza
