O dia internacional do livro infantil celebra-se em todo o mundo o dia 2 de abril. Infelizmente somos ainda poucos os que lhe damos a devida importância à leitura na infância. Que importante é que as crianças amem os livros e a leitura! Nenos e nenas que gostam de ler desde que adquirem a aprendizagem leitora, vão ter sucesso logo e felicidade nas suas vidas. Em primeiro lugar vão ter bons resultados académicos e vão ter bons ofícios, ocupando lugares destacados na nossa sociedade. Vão aprender a ocupar de forma adequada o seu tempo de lazer, e isso há de ser bom para eles e para a sua envolvente. Vão ter curiosidade pelas cousas, pela sociedade, pela vida e pelos seus semelhantes. Vão desenvolver a sua imaginação e a sua criatividade. Vão adquirir valores humanos positivos. Porque os livros são como os bons amigos. A amizade com os livros há que fomentá-la já nas crianças desde que nascem. Sentando-os mamã e papá no seu colo para ler-lhes contos e lendas, pequenos poemas e quartetos, lengalengas, adivinhas e ditos populares infantis. Porque as crianças aprendem muito do que vem e do que vivem. Existem uns livros de plástico muito interessantes que podem meter-se na banheira junto com as crianças. Desde pequenos devem acostumar-se a conviver com os livros. Mesmo a dormir rodeados de livros na sua cama. Os melhores presentes para as crianças têm que ser livros. Para que adquiram carinho e apreço por eles e pela sua leitura. Sabendo escolher bem quais são mais ajeitados. Com muitas imagens quando as crianças são pequenas. Aumentando os textos literários à medida que as crianças vão medrando. Motivando também para a leitura dos mesmos. Com estratégias de dinamização leitora. Nas quais não podem faltar os contadores de histórias, as dramatizações, os trabalhos manuais, a música, as cantigas… Em referência aos conteúdos dos livros. Nos quais têm que aparecer os temas mais apreciados na infância. A natureza e o que esta contém: árvores, flores, frutos, animais… Isto já o tinham muito claro na antiguidade. Quintiliano na época romana. Que se adiantou séculos à educação moderna, dizendo que a melhor maneira para que as crianças aprendam é brincando. Mais tarde, na Renaixença, Comênio inventou o livro do mundo sensível em imagens que denominou Orbis Sensualium Pictus. Depois foram Pestalozzi, Decroly e Maria Montessori. A grande pedagoga da escola infantil, junto com Rosa e Carolina Agazzi.
Mestres e mestras da escola infantil e primária devem dar muita importância à leitura. Utilizando estratégias didáticas adequadas para conseguir que os seus estudantes amem os livros e tenham prazer por ler. Não impondo livros concretos, prática errada tantas vezes repetida. Convencendo antes, motivando, animando a ler, explicando a temática de cada livro e conseguindo logo que sejam as próprias crianças as que escolham. Há que sugerir, sugestionar com alegria e nunca impor, nem fazer logo um exame sobre o livro. Técnica tão habitual, por desgraça, tão funesta como antididática. As estratégias têm que ser motivadoras, alegres, dinâmicas, divertidas… que cheguem ao coração e aos sentimentos. Seria bom que funcionassem as bibliotecas escolares em todos os estabelecimentos de ensino com pessoal qualificado e preparado. Que domine técnicas de expressão dramática e artística, técnicas de conta-contos. Tal como acontece na Catalunha. Onde existem bibliotecários/as escolares no quadro de pessoal em todos os estabelecimentos de ensino, e especializados. Ou como existiam nas Missões Pedagógicas republicanas. Experiência única e magnífica para fomentar entre as crianças o amor pela leitura. No momento atual haveria que combinar os tempos livres. Um para ler e outro para ver da televisão o que realmente merece a pena. Por desgraça bem pouco.
A literatura infantil é a porta de entrada para um universo lúdico e cheio de possibilidades. Uma criança que recebe o estímulo à leitura certamente será um adulto leitor, e todos nós sabemos dos incontáveis benefícios que o hábito de ler proporciona em diversos aspetos da nossa vida. Para divulgar a literatura e assim conquistar novos adeptos, foi instituído o Dia Internacional do Livro Infantil, celebrado a cada 2 de abril. A data não foi escolhida ao acaso, já que o dia 2 de abril é o aniversário de nascimento de um dos mais importantes nomes da literatura infantil, o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen. Andersen não foi o primeiro a escrever para o público infantil, mas é considerado o primeiro autor a adaptar fábulas já existentes para uma linguagem mais adequada ao universo dos pequenos. Foi dele a ideia de transmitir, por intermédio de antigas histórias, moral e valores, conceção que ainda não havia sido abordada por Charles Perrault, considerado o pai da literatura infantil, e pelos Irmãos Grimm, que apenas adaptavam as histórias cujos finais não eram tão felizes assim…
Já mais recente, outro grande escritor de literatura infantil, Roald Dahl, escreveu lindos livros para crianças e jovens, que tiveram um grande sucesso, e muitos foram levados às telas do cinema. Com este depoimento da série As Aulas no Cinema queremos render-lhe uma merecida homenagem, depois que no passado ano de 2016 se celebrasse o centenário do seu nascimento.
ANTOLOGIA FILMOGRÁFICA DE ROALD DAHL:
Diretor: Henry Selick (EUA, 1996, 80 min., cor). Produtora: Walt Disney Pictures.
Roteiro: Karey Kirkpatrick, Jonathan Roberts e Steve Bloom, segundo o livro de Dahl publicado em 1961. Fotografia: Pete Kozachik e Hiro Narita. Música: Randy Newman.
Atores: Animação e Paul Therry, Pete Postlethwaite, Miriam Margolyes, Joanna Lumley, Steven Culp, Mike Starr e Susan Turner-Cray.
Argumento: Segundo o famoso livro de Dahl, publicado em 1961. James é um menino de 5 anos que tem a vida virada de cabeça para baixo depois que seus pais são comidos por um rinoceronte em pleno Londres. Isso força o menino a morar com suas duas tias cruéis, Espiga e Esponja, que por três anos inteiros, maltratam o pobre James sem motivo. Um dia, James encontra um senhor que parece saber tudo sobre ele e que dá ao jovenzinho sementes, afirmando que elas misturadas com água e fios do cabelo de James trariam felicidade e aventuras para o menino. Por acidente, James derruba as sementes debaixo de uma pessegueira, o que faz um pêssego gigante nascer e as tias do menino aproveitam para lucrar em cima do pêssego gigante. E, história vai e história vem, James acaba fazendo amizade com uns insetos gigantes que moram no pêssego e acaba dentro da mesma fruta a caminho de Nova Iorque.
- A fantástica fábrica de chocolate (Willy Wonka and the Chocolate Factory).
Diretor: Mel Stuart (EUA, 1971, 98 min., cor). Produtora: Paramount Pictures.
Roteiro: Roald Dahl, segundo seu livro publicado em 1964.
Fotografia: Arthur Ibbetson. Música: Leslie Bricusse e Anthony Newley.
Atores: Gene Wilder, Jack Albertson, Peter Ostrum, Roy Kinnear, Michael Bollner e Aubrey Woods.
Argumento: Charlie nasceu em um família paupérrima e mora com seus pais e seus avós em uma casa minúscula que fica em uma cidade onde a maior atração é uma fábrica de chocolate criada por Willy Wonka, um homem misterioso e desconfiado (ele acha que todos são espiões tentando roubar suas invenções de doces). Charlie é encantado pela fábrica, porque desde sempre, seu avô Joe conta histórias de quando ele trabalhava lá e sobre como Wonka mudou bastante, despedindo todos e fechando as portas da fábrica para que ninguém entrasse e roubasse seus segredos, o que cria um mistério ainda maior entorno da fábrica de Willy Wonka. O mundo entra em furor quando Willy Wonka coloca cinco bilhetes dourados em cinco chocolates e anuncia que os sortudos que achassem tais bilhetes participariam de um tour dentro de sua fábrica, depois de manter as portas fechadas por anos. Entre os ganhadores, está Charlie (não me venham com “isso é spoiler”, porque isso é óbvio) que finalmente realizará seu sonho de conhecer a Fantástica Fábrica de Chocolate de Willy Wonka e seu excêntrico dono.
Diretor: Tim Burton (EUA, 2005, 116 min., cor). Produtora: Warner Bros Pictures e Village Roadshow.
Roteiro: John August, segundo o livro de Roald Dahl publicado em 1964.
Fotografia: Philippe Rousselot. Música: Danny Elfman.
Atores: Johnny Depp, Freddie Highmore, David Kelly, Deep Roy, Helena Bonham Carter,Noah Taylor, James Fox, Julia Winter, Missi Pyle, AnnaSophia Robb, Adam Godley,Jordan Fry, Christopher Lee, Franziska Troegner, Philip Wiegratz, Eileen Essell, Liz Smith, David Morris e Nitin Ganatra.
Argumento: Charlie Bucket, um rapaz muito bom de uma família muito pobre, ganha um concurso para desfrutar de uma visita dum dia à gigantesca fábrica de chocolate do excêntrico Willy Wonka e sua equipa de Oompa-Loompas. Quatro crianças mais de diferentes partes do mundo o acompanham através dum mundo fantástico e mágico cheio de diferentes sabores.
- O fantástico Sr. Raposo (Fantastic Mr. Fox).
Diretor: Wes Anderson (EUA, 2009, 87 min., cor). Cinema de desenhos animados.
Roteiro: Wes Anderson e Noah Baumbach, segundo o livro de Dahl publicado em 1970.
Fotografia: Tristan Oliver. Música: Alexandre Desplat.
Produtoras: American Empirical Pictures, Blue Sky Studios, Indian Paintbrush, Twentieth Century Fox Animation e Twentieth Century-Fox Film Corporation.
Argumento: O Sr. Raposo é um raposo que mora em uma toca com sua esposa, a Sra. Raposa e seus quatro filhotes. Para alimentá-los, todas as noites, o Sr. Raposo rouba comida de uns fazendeiros malvados da região, que cansados de se darem mal com a esperteza do Sr. Raposo, decidem que vão matá-lo de qualquer forma. Eles tentam atirar nele, mas acertam apenas o rabo do Sr. Raposo, o que os irrita a ponto de destruir a toca do raposo. Por sorte, a esposa dele e seus filhotes conseguem escapar a tempo, só que agora eles estão sem nenhuma comida e moradia. Cabe, então, ao Sr. Raposo solucionar esse problema com seus filhotes e esposa…
- As bruxas (The Witches). Produtoras: Warner Bros e Lorimar Film Entertainment.
Diretor: Nicolas Roeg (EUA, 1990, 90 min., cor).
Roteiro: Allan Scott, Segundo o livro de Dahl publicado em 1983.
Fotografia: Harvey Harreson. Música: Stanley Myers.
Atores: Anjelica Huston, Mai Zetterling, Jasen Fisher, Jane Horrocks, Anne Lambton, Rowan Atkinson, Bill Paterson, Brenda Blethyn e Charlie Potter.
Argumento: Um jovem garoto passa a morar com sua avó depois de seus pais falecerem em um acidente nas montanhas norueguesas. Em uma noite, a avó avisa ao menino para tomar cuidado com as bruxas que são demônios na forma humana e odeiam crianças. O menino não acredita, mas mesmo assim ouve sua vó que conta também quais são os sinais para reconhecer uma bruxa. Em uma viagem de volta para a Inglaterra para a leitura do testamento de seus pais, a avó que pede para que o menino não se afaste por conta das bruxas. O jovem ainda não acredita até identificar uma bruxa e descobrir que está havendo uma convenção delas e elas estão planejando eliminar o máximo de crianças possíveis…
- Matilda a espalha brasas (Mathilda). Produtoras: TriStar Pictures e Jersey Films.
Diretor: Danny De Vito (EUA, 1996, 98 min., cor).
Roteiro: Robin Swicord, Segundo o livro de Dahl publicado em 1988.
Fotografia: Stefan Czapsky. Música: David Newman.
Atores: Mara Wilson, Danny DeVito, Rhea Perlman, Embeth Davidtz, Pam Ferris, Brian Levinson e Paul Reubens.
Argumento: Matilda é uma jovenzinha de 4 anos superdotada que adora ler e que tem pais implicantes que achavam muito estranho uma menina gostar tanto de ler e não assistir televisão como eles. Matilda, passa a maior parte do seu tempo na biblioteca pública, lendo mais e mais livros e descobrindo mais e mais coisas, o que ela em certo momento percebe que pode ser um problema: seus pais não a levam a sério e a diretora de sua escola não acredita que uma menina na idade dela saiba de tantas coisas. As coisas ficam mais difíceis quando a jovenzinha descobre que tem poderes sobrenaturais. A salvação de Matilda aparece na forma da gentil professora Srta. Honey que percebe a inteligência da menina e tenta fazer de tudo para ela passar para uma série superior e cuidar dela.
Diretor: Dearbhla Walsh (Reino Unido, 2015, 87 min., cor, para TV).
Roteiro: Richard Curtis e Paul Mayhew-Archer, Segundo o livro de Dahl publicado em 1989.
Fotografia: Ben Smithard. Música: Tim Phillips.
Nota: Pode ver-se dobrado em português entrando em:
https://www.youtube.com/watch?v=8IZmb8ZJtbQ
Atores: Dustin Hoffman, Judi Dench, James Corden, Lara Rossi, Jimmy Akingbola, Richard Cordery, Pixie Davies, Geoffrey McGivern, Katie Lyons e Anna Cannings.
Argumento: Um solteirão aposentado tem uma queda por sua vizinha que só demonstra carinho por sua tartaruga de estimação.
PEQUENA BIOGRAFIA DE UM MAGNÍFICO ESCRITOR PARA CRIANÇAS E JOVENS:

O escritor britânico, Roald Dahl nasceu a 13 de setembro de 1916, em Llandaff, no País de Gales. Oriundo de uma família de comerciantes noruegueses, o pai faleceu quando tinha apenas quatro anos. Para que tivesse uma boa educação, a mãe vendeu as suas joias a fim de o enviar para um colégio particular em Derbyshire, que o marcou pela brutalidade instituída. Concluídos os seus estudos aos dezoito anos de idade, preferiu juntar-se a uma expedição pesqueira à Terra Nova em vez de prosseguir para a universidade. Regressando a Inglaterra, começou a trabalhar em 1933 nos escritórios de Londres de uma conceituada companhia petrolífera europeia, sendo destacado para a Tanzânia em 1937. Com a deflagração da Segunda Guerra Mundial, alistou-se na Real Força Aérea, voando em missões sobre a Grécia, sobre a Síria (onde ficou ferido) e a Líbia (onde fraturou o crânio após a sua aeronave ter sido abatida). Em convalescença do seu traumatismo, terá tido sonhos estranhos cuja recordação procurou anotar. Assim, instigado por C. S. Forester, publicou o seu primeiro conto A Piece Of Cake, no Saturday Evening Post.
Em 1942 foi destacado para Washington como adido de aeronáutica para o Serviço de Segurança Britânico, sendo promovido a comandante de esquadrão no ano seguinte. Nesse mesmo ano de 1943 publicou o seu primeiro livro infantil, The Gremlins, destinado a servir de argumento a um filme para os estúdios de Walt Disney. Em 1954 publicou Someone Like You (1953), uma compilação de contos que constituiu um sucesso de vendas considerável, repetido com o aparecimento de Kiss, Kiss (1959). Grande número de contos de ambas as obras foi adaptado para televisão, nomeadamente para a famosa série Alfred Hitchcock Presents.
Regressou à literatura infantil em 1961 com James And The Giant Peach, a que se seguiu Charlie And The Chocolat Factory (1964). Não obstante, revelou-se um escritor de cunho sólido mas bem-humorado com o aparecimento de My Uncle Oswald (1979), o seu primeiro romance, em que conta a história de um jovem aventureiro que descobre em terras de África um misterioso pó que lhe concede o dom infalível de seduzir o sexo oposto. Galardoado com vários prémios literários de renome, Roald Dahl faleceu a 23 de novembro de 1990, em Oxford.
OBRAS DE LITERATURA INFANTIL ESCRITAS POR ROALD DAHL :
- The Gremlins (1943).
- James e o pêssego gigante– no original James and the Giant Peach (1961).
- Charlie e a fábrica de chocolates– no original Charlie and the Chocolate Factory (1964)
- 4. O dedo mágico– no original The Magic Finger (1966).
- O fantástico Sr. Raposo– no original Fantastic Mr Fox (1970).
- Charlie e o grande elevador de vidro– no original Charlie and the Great Glass Elevator (1972).
- Danny, o campeão do mundo– no original Danny, the Champion of the World (1975).
- O enorme crocodilo– no original The Enormous Crocodile (1978).
- Os Pestes– no original The Twits (1980).
- 10. O remédio maravilhoso do Jorge– no original George’s Marvellous Medicine (1981).
- 11. O Bom Gigante Amigo– no original The BFG (1982).
- As bruxas– no original The Witches (1983).
- A girafa, o pelicano e eu– no original The Giraffe and the Pelly and Me (1985).
- 14. Matilde– no original Mathilda (21 Abril 1988).
- Agura Trat– no original Esio Trot (1989).
- 16. Poesia infantil: Histórias em verso para meninos perversos– no original Revolting Rhymes (1982).
- Conto: A grande artimanha– no original Switch Bitch (1974).
TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:
Servindo-se da técnica do Cinema-fórum, analisar e debater sobre a forma (linguagem cinematográfica: planos, contraplanos, panorâmicas, movimentos de câmara, jogo com o tempo e o espaço, truques cinematográficos, etc.) e o fundo dos filmes antes resenhados, baseados em obras de literatura infantil de Roald Dahl.
Organizamos na nossa escola uma amostra dedicada a Roald Dahl, com cartazes, desenhos, murais, fotos, pequenos textos e redações dos escolares sobre a hipotética leitura por eles de alguns dos livros de Dahl. Na mesma é importante expor livros da autoria de Dahl publicados na nossa língua, especialmente no Brasil e alguns em Portugal.
De comum acordo, escolhemos para ler um livro de Dahl, de que exista filme com roteiro baseado nesse livro. Vemos o filme e antes lemos o livro. Posteriormente, comparamos livro e filme e organizamos, com a participação de todos, uma reunião ou um debate-papo.



