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Héitor Mera: «Duvido que a UNED aceite o galego sem problema a partir de agora»

Novas da Galiza (*) – O filólogo canguês Héitor Mera foi o primeiro aluno galegoda Universidade Nacional de Educaçom à Distáncia (UNED) a ler umha tese de doutoramento no seu idioma.

Após anos de batalhas administrativas e políticas, em Junho conseguiu defender o trabalho Vida e obra de Bernardino Graña, polo qual recebeu a máxima qualificaçom cum laude, e fechar perto de umha década de entraves ao seu labor investigador por empregar a nossa língua.

Já em 2003 lhe rejeitaram umha tese de mestrado que finalmente pudo apresentar por ter chegado o assunto aos Parlamentos galego e espanhol. O Conselho de Governo da UNED tivo que reconhecer que os doutorandos podem entregar os seus escritos “em qualquer língua oficial das comunidades autónomas e dos Estados sempre que o tribunal o autorize e os seus membros tenham conhecimento do referido idioma para poder avaliá-lo justamente”.

P: Quando começam os problemas por empregar o galego?

R: No ano 2000, quando finalizei Filologia Galega e decidim fazer os cursos de doutoramento na Universidade Nacional de Educaçom à Distáncia (UNED) porque, por ciscunstáncias da vida, me parecia mais cómodo. Fum com umha ingenuidade que depois se transformou num grande enfado, porque entendia que numha faculdade de Filologia as línguas seriam respeitadas. Sabia que se figeram trabalhos de investigaçom em muitas línguas minorizadas em praticamente todas as universidades sérias do mundo. Pensei que na UNED nom haveria problema nesse sentido, mas os primeiros sintomas começárom depois de iniciar os cursos. Houvo trabalhos com que nom tivem problemas, como os que figem sobre as Cantigas de Alén, de José Ángel Valente, ou o Hamlet de Cunqueiro.

Mas a cousa mudou quando tivem que fazer um sobre as Cantigas de Santa Maria de Afonso X O Sábio. Lembro ainda o comentário escrito do ínclito doutor da matéria: “Você é um fascista e jamais fará o doutoramento comigo”. Tratava-se de um trabalho codicológico, e deu-lhe para tirar essa conclusom sobre o seu aluno. Tomei-no como umha rareza, mas ao ano seguinte nom me aceitam a tese de mestrado, sobre o “Vinte mil pesos crime”, de Bernardino Graña, por estar escrita em galego.

P: Decides entom denunciar o tema…

R: Ponho-me em contacto com os parlamentares do BNG, que fam umha interpelaçom no Congresso espanhol. O porta-voz do Governo responde dizendo que na UNED nom passava nada disso e que esta instituiçom era respeitosa com as línguas cooficiais do Estado. Finalmente, e depois de perder um ano, dam o visto de aprovaçom para que defenda o primeiro trabalho de investigaçom em galego na UNED, com um júri formado por um basco, umha catalá e um galego. Esse dia falárom-se os três idiomas e foi um pequeno prazer para os que entendemos a Universidade de outro modo. O precedente estava já aí e relaxei-me.

P: Que acontece a seguir?

R: Depois dessa batalha apresentei o projecto de tese de doutoramento, dando por suposto que nom ia haver problema depois do que sucedera. Quando fago o depósito do trabalho saltam com umha norma de 27 de Março de 2008 que di que na UNED nom se podem apresentar teses de doutoramento que nom estejam redigidas em castelhano ou em línguas oficiais de outros Estados. Foi a mesma norma que esgrimiram anteriormente com o assunto da tese de mestrado. Retomárom-na com a força que lhes deu o Manifiesto por la Lengua Común, Galicia Bilingüe e os meios de comunicaçom da direita espanhola mais rançosa. Quigérom complicar-me, para que a traduzisse, mas recusei-me e o tema foi de novo para os Parlamentos galego e espanhol. Entom figemos valer de novo os direitos lingüísticos de galegos, bascos e cataláns.

P: É o sucedido um facto isolado?

R: A universidade é umha instituiçom imobilista e os poderes fácticos nom aguardavam que acontecesse algo assim, por isso rejeitárom o meu trabalho até o fim. Dim que nom tenhem nada contra os idiomas, que empregam o espanhol por comodidade. Atrás do que me aconteceu encontram-se grupúsculos de extremadireita. No Departamento de Filologia, sem irmos mais longe, há umha série de pessoas da órbita de UPyD. Por isso, duvido que se alguém volta a apresentar um trabalho em galego, o aceitem sem problema. Penso que nom duvidariam em derrogar a norma de novo. Entom haveria que retomar a pressom institucional, porque ao final som hierárquicos como a Igreja. O que vai ser difícil é poder empregar o galego nos cursos universitários. Contodo, estivo bem como precedente.

 


(*) Entrevista publicada originalmente no n.º 82 do Novas da Galiza.

 

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