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Grandes obras literárias e fílmicas para celebrar o Dia do Livro (aproximação a uma filmografia básica)

A polémica entre a literatura, concebida como uma arte, e o cinema, qualificado como espetáculo, é igual de antiga que a primeira adaptação realizada no cinema, quer dizer, igual de velha que o próprio cinema. De alguma maneira, estas duas artes e disciplinas têm o mesmo objetivo: contar histórias, e um dos seus elementos básicos foi o mesmo: a palavra. Se lembrarmos, a linguagem cinematográfica desenvolveu-se perante o repto de contar com claridade uma história num tempo determinado, sintetizando numa hora de projeção, centos de páginas que constituem um roteiro. Ao longo dos anos, fomos testemunhas de múltiplas fitas, que baseadas em grandes obras da literatura, evidenciaram a difícil tarefa de representar para a tela do cinema, as imagens literárias; isto sem dúvida, teve acertos e erros, embora resulte primordial reconhecer, que se bem sejam dous meios diferentes, isto não os faz incompatíveis, mas complementares. Hoje, do mesmo modo que nos princípios do século XX, há os que consideram que o cinema é um modo de expressão tão novo que, necessariamente deve ser diferente da literatura, com expressividade distinta, linguagem diferente, que contribui com uma nova terminologia e focagem à arte. Outros, pelo contrário, cada vez menos, consideram que o cinema é um produto da literatura, uma nova expressão dela. Em qualquer caso, cinema e literatura estão intimamente unidos e condenados a encontrar-se. O cinema recebeu da literatura relatos, argumentos, formas e estilos. A literatura, em todo o último século, vai recebendo do cinema diferentes modos de olhar, uma conceição narrativa distinta, que acomoda nos autores literários, por ocasiões, o seu olhar e o seu estilo.

Umas vezes realiza-se a adaptação de obras literárias ao cinema, que tem a mesma tradição centenária que a sétima arte e, quase sempre renova a eterna polémica: costuma-se não aceitar o filme lamentando que a complexidade do texto literário fora desprezada pela superficialidade das imagens. Em ocasiões, faz-se um roteiro, que não deixa de ser uma obra literária, exclusivamente para o cinema. Às vezes, as menos, depois do filme, escreveu-se a obra literária. Há filmes que reproduzem uma época histórica literária determinada, ou a vida dum literato, ou o relato de como é que se fez um romance… O cinema é rico em imaginação e qualquer ideia a pode converter, com maior ou menor fortuna em imagens e som.

Desde o seu nascimento, há mais de um século, o cinema bebeu em quase que todas as fontes da literatura. E o fez, tanto com o objetivo de apoiar-se na popularidade dos romances ou peças teatrais, como com o fim de extrair temas, argumentos e personagens. Diz-se que hoje se lê pouco, mas o selo da obra escrita continua a ser um valor seguro na hora de gerar novos projetos fílmicos. Se esse encontro entre a literatura e o cinema continua vigente, hoje assiste-se a um fenómeno inverso, já que muitos roteiros de filmes que obtêm o apoio do público acabam nas livrarias (ou pelo menos nos quiosques) em forma de relato novelado. O cinema pode ser um excelente instrumento para ilustrar e complementar atividades de leitura com os nossos estudantes e, se trabalharmos a fundo o tema, uma boa ferramenta para fomentar a leitura, para apreciar os livros, para animar a ler a crianças e jovens e conseguir assim algo muito importante: o gosto por ler. Todas as experiências escolares que neste sentido se têm realizado em inúmeros estabelecimentos de diferentes países, de que existem dados, foram todas positivas, conseguindo aumentar o número de leitores e o interesse pelas obras literárias e a própria literatura em geral. Na maioria dos casos, a visualização de um filme baseado numa obra literária, é utilizada para complementar a leitura dum livro em concreto, já que muitos docentes consideram que o sentido contrário nem sempre estimula os escolares a ler o livro, embora, bem usado, o filme, e especialmente cenas do mesmo e fragmentos, se revelem quase sempre como um excelente recurso didático para os docentes que pretendem contagiar aos jovens discípulos a paixão, ou pelo menos o gosto, pela leitura.

A forte tradição do texto escrito no nosso sistema educativo e intelectual sustenta um tópico muito estendido, especialmente entre os docentes: que as adaptações cinematográficas são quase sempre inferiores ao livro que lhes deu vida. Essa ideia complementa-se com aqueloutra pela qual de livros medíocres às vezes nascem bons filmes. Tema que se tem demonstrado com filmes concretos realizados por diretores inteligentes. A realidade é que na história filmográfica existe toda a variedade: filmes excelentes baseados em obras medíocres, filmes medíocres baseados em grandes obras da literatura universal e obras-mestras do cinema baseadas em obras-mestras literárias. Ao final fica claro que literatura e cinema, dentro das Belas Artes, são, respetivamente, a sexta e a sétima arte. E que os docentes têm, dentro da cinematografia mundial, inúmeros e formosos filmes baseados em obras literárias de importantíssimos escritores e escritoras. Que podem projetar nas aulas, para conseguir que os seus estudantes adquiram o amor pela literatura e o gosto por ler, o que não é de somenos importância. E isto o devem fazer muito especialmente ao redor da data do Dia do Livro, que no nosso país se costuma celebrar cada 23 do mês de abril. Para isto, realizei uma escolha de filmes baseados em importantes e famosas obras literárias, tendo em conta também a qualidade fílmica das obras cinematográficas. Em posteriores depoimentos utilizarei outros filmes, pois existem infinidade, e é de tudo impossível esgotar todos os que existem. Por exemplo, é importante publicar depoimentos sobre obras literárias levadas ao cinema como: a literatura greco-latina, os clássicos castelhanos, o teatro de Shakespeare, a literatura russa, a literatura japonesa, os autores premiados com o Nobel, os famosos contos da literatura universal, a literatura de Latino América, a literatura portuguesa, a obra do húngaro Lajos Zilahy e mesmo depoimentos monográficos sobre escritores concretos que tiveram a sorte de que muitos dos seus livros fossem levados ao cinema.

FICHAS TÉCNICAS DE FILMES BASEADOS EM OBRAS LITERÁRIAS (FILMOGRAFIA BÁSICA):

  1. Il Gattopardo (O Leopardo).
  • 1- o leopardoDiretor: Luchino Visconti (Itália, 1963, 205 min., cor).
  • Roteiro: Suso Cecchi d´Amico, Pasquale Festa Campanile, Massimo Franciosa, Enrico Medioli e L. Visconti, baseado no livro do mesmo título de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, publicado em 1958.
  • Música: Nino Rota. Fotografia: Giuseppe Rolunno.
  • Atores: Burt Lancaster, Claudia Cardinale, Alain Delon, Paolo Stoppa, Rina Morelli, Romolo Valli, Terence Hill, Pierre Clémenti, Lucilla Morlacchi, Giuliano Gemma, Ida Galli e Ottavia Piccolo.
  • Argumento: 1860, Sicília. Durante o período do “Risorgimento”, o conturbado processo de unificação italiana, o príncipe Don Fabrizio Salina testemunha a decadência da nobreza e a ascensão da burguesia. Num cenário caótico de fortes contradições políticas, ele luita para manter seus valores.
  1. Il nome della rosa (O nome da rosa).
  • Diretor: Jean-Jacques Annaud (Itália-França-alemanha, 1986, 131 min., cor).
  • Roteiro: Andrew Birkin, Gérard Brach, Howard Franklin e Alain Godard, segundo o romance de Umberto Eco, recentemente falecido.
  • Música: James Horner. Fotografia: Tonino Delli Colli.
  • Atores: Sean Connery, Christian Slater, F. Murray Abraham, Michael Lonsdale, Valentina Vargas, Ron Perlman, Feodor Chaliapin Jr., William Hickey, Volker Prechtel, Leopoldo Trieste, Helmut Qualtinger, Elya Baskin, Michael Habeck, Urs Althaus, Vernon Dobtcheff e Andrew Birkin.
  • Argumento: Em 1327 William de Baskerville, um monge franciscano, e Adso von Melk, um noviço, chegam a um remoto mosteiro no norte da Itália. William de Baskerville pretende participar de um conclave para decidir se a Igreja deve doar parte de suas riquezas, mas a atenção é desviada por vários assassinatos que acontecem no mosteiro. William de Baskerville começa a investigar o caso, que se mostra bastante intrincando, além dos mais religiosos acreditarem que é obra do Demónio. William de Baskerville não partilha desta opinião, mas antes que ele conclua as investigações Bernardo Gui, o Grão-Inquisidor, chega no local e está pronto para torturar qualquer suspeito de heresia que tenha cometido assassinatos em nome do Diabo. Como não gosta de Baskerville, ele é inclinado a colocá-lo no topo da lista dos que são diabolicamente influenciados. Esta batalha, junto com uma guerra ideológica entre franciscanos e dominicanos, é travada enquanto o motivo dos assassinatos é lentamente solucionado.
  1. Doctor Zhivago (Doutor Jivago).
  1. The Egyptian (O Egípcio).
  • Diretor: Michael Curtiz (EUA, 1954, 140 min., cor).
  • Roteiro: Philip Dunne e Casey Robinson, segundo o romance Sinuhé, o egípcio, de Mika Waltari.
  • Música: Bernard Herrmann e Alfred Newman. Fotografia: Leon Shamroy.
  • Atores: Jean Simmons, Victor Mature, Edmund Purdom, Gene Tierney, Peter Ustinov, Michael Wilding, John Carradine, Judith Evelyn e Henry Daniell.
  • Argumento: Nos tempos da décima oitava dinastia do Egito, Sinuhé, um pobre órfão, torna-se um brilhante médico. Junto a seu amigo Horemheb ele é apontado para servir ao novo Faraó. Vivendo na corte, Sinuhé começa a perceber coincidências entre acontecimentos que marcaram as dinastias faraônicas e tragédias que marcaram sua própria vida. Cada vez mais absorto pelas intrigas da corte, ele passa a conhecer bizarros segredos de seus governantes e muitas respostas para perguntas que ele carregou consigo durante toda a sua vida.
  1. La vingt-cinquième heure (A hora 25).
  • 3- hora 25 (fotograma)Diretor: Henri Verneuil (França, 1967, 130 min., cor).
  • Roteiro: Henri Verneuil, Françoise Boyer e Wolf Mankowitz, segundo o romance do romeno Constant Virgil Gheorghiu.
  • Música: Maurice Jarre e Georges Delerue. Fotografia: Andréas Winding.
  • Atores: Anthony Quinn, Virna Lisi, Grégoire Aslan, Michael Redgrave, Marcel Dalio, Jan Werich, Harold Goldblatt, Alexander Knox e Liam Redmond.
  • Argumento: Segunda Guerra Mundial, Johann Moritz um simples camponês romeno e Suzana, sua linda esposa, são envolvidos num emaranhado de situações, que não conseguem entender. O chefe de polícia deseja sua mulher e sob a falsa alegação de ser ele judeu, é enviado a um campo de concentração. Entre as incoerências da era nazista, tem início sua terrível saga. Porém em uma avaliação pelos nazistas de seu biótipo, Johann é considerado um “exemplar-modelo da raça Ariana”. Em sua busca para conseguir de volta sua esposa e sua família e sem entender as verdadeiras razões do conflito, ele luita contra os dous lados da guerra.
  1. The Good Earth (Terra dos deuses, ou A Boa Terra).
  • Diretor. Sidney Franklin (EUA, 1937, 138 min., preto e branco).
  • Roteiro: Talbot Jennings, Tess Slesinger e Claudine West, segundo o romance da Prémio Nobel de Literatura Pearl S. Buck.
  • Música: Herbert Stothart. Fotografia: Karl Freund.
  • Atores: Paul Muni, Luise Rainer, Walter Connolly, Charley Grapewin, Jessie Ralph, Tilly Losch e Keye Luke.
  • Argumento: A saga de um casal, O-Lan e Wang Lung, na China antes da Revolução Comunista. Eles têm uma modesta propriedade rural, mas a seca abate-se sobre a região de forma impiedosa e faz com que o casal, juntamente com os filhos, tentem a vida em outra região. Porém não há empregos, o que faz com que os filhos mendiguem e roubem comida. Quando a Revolução Chinesa acontece, em meio aos distúrbios de rua O-Lan acha um pequeno saco de joias. Era a passagem de volta para as terras, que ainda eram deles e agora estão férteis, pois a seca acabara.
  1. The Grapes of Wrath (As vinhas da ira ou As uvas da ira).
  • Diretor; John Ford (EUA,1940,128 min., preto e branco).
  • Roteiro: Nunnally Johnson, segundo o romance de John Steinbeck, Prémio Nóbel de Literatura.
  • Música: Alfred Newman. Fotografia: Gregg Toland.
  • Atores: Henry Fonda, Jane Darwell, John Carradine, Charley Grapewin, Dorris Bowdon,Russell Simpson, John Qualen, O.Z. Whitehead, Eddie Quillan e Zeffie Tilbury.
  • Argumento: Oklahoma, Grande Depressão. Tom, filho mais velho de uma pobre família de trabalhadores rurais, retorna para casa após cumprir pena por homicídio involuntário. Ele planeja levar os parentes até a Califórnia, onde dizem que trabalho não falta. Durante a viagem eles passam por diversos tipos de provações e quando finalmente chegam na “Terra Prometida” descobrem que é um lugar bem pior do que aquele que deixaram.
  1. Madame Bovary.
  • 4- bovaryDiretora: Sophie Barthes (Reino Unido, 2014, 118 min., cor).
  • Roteiro: Rose Barreneche e Sophie Barthes, segundo o romance de Gustave Flaubert.
  • Música: Evgueni Galperine e Sacha Galperine. Fotografia: Andrij Parekh.
  • Atores: Mia Wasikowska, Ezra Miller, Paul Giamatti, Rhys Ifans, Logan Marshall-Green,Laura Carmichael, Henry Lloyd-Hughes, Olivier Gourmet e Morfydd Clark.
  • Argumento: Na França do século XIX, Emma Bovary é a jovem e bela esposa de um tradicional médico de uma pacata cidade. Ela dá início a uma relação extraconjugal para tentar se promover na sociedade e melhorar seu status social. Porém, suas atitudes levam-na ao oposto deu seus objetivos. Adaptação de obra homónima de Gustave Flaubert.
  • Nota Importante: Baseados neste romance de Flaubert foram realizados outros filmes dirigidos por Jean Renoir (1933), Carlos Schlieper (1947), Vincente Minnelli (1949), Claude Chabrol (1991) e Tim Fywell (2000, para TV).
  1. Thérèse Raquin (Teresa Raquin).
  • Diretor: Marcel Carné (França-Itália, 1953, 102 min., preto e branco).
  • Roteiro: Charles Spaak e Marcel Carné, segundo o romance de Émile Zola.
  • Música: Maurice Thiriet. Fotografia: Roger Hubert.
  • Atores: Simone Signoret, Raf Vallone, Roland Lesaffre, Jacques Duby, María Pía Casilo,Marcel André e Martial Rébe.
  • Argumento: Thérèse casou-se muito cedo com o primo Camille, levando uma vida monótona e sem alegrias com o marido egoísta e a tia autoritária. A chegada de Laurent, um belo italiano amigo de Camille, mudará a vida de Thérèse, pois os dous se apaixonam. Camille recusa-se a dar o divórcio. Ele é empurrado de um trem em movimento por Laurent, depois de uma violenta discussão.
  • Nota: Existem outras duas versões, a realizada em 2013 por Charlie Stratton, sob o título de In Secret, e a da Simon Langton, em 1980, para a TV.
  1. The Godfather (O Padrinho ou O Poderoso Chefão).
  1. Doña Bárbara (Dona Bárbara).
  1. La tregua (A trégua).
  • Diretor: Sergio Renán (Argentina, 1974, 108 min., cor).
  • Roteiro: Aída Bortnik e S. Renán, segundo o romance de Mario Benedetti.
  • Música: Julián Plaza. Fotografia: Juan Carlos Desanzo.
  • Atores: Héctor Alterio, Ana María Picchio, Luis Brandoni, Marilina Ross, China Zorrilla, Cipe Lincovsky, Oscar Martínez, Luis Politti, Norma Aleandro e Antonio Gasalla.
  • Argumento: Martin Santomé é um homem que está prestes a se aposentar e se sente um tanto solitário. Ele é viúvo e tem três filhos. Martin decidiu escrever suas observações cotidianas num diário para enfrentar o tédio até que uma bela jovem chamada Laura Avellaneda surge na sua casa e desperta nele um sentimento adormecido. A partir daí os dous vão lidando com a diferença de idade e começam a formar um novo laço de amor e afeto.
  • Nota: Existem outras 3 versões fílmicas, as de Francesco Rosi (1997), Alfonso Rosas Priego (2003) e a de Sigfrid Monleón para TV (2008).
  1. The House of Spirits (A casa dos espíritos).
  1. Como agua para chocolate (Como água para chocolate).
  • 6- água para chocolateDiretor: Alfonso Arau (México, 1992, 105 min., cor).
  • Roteiro: Laura Esquivel, segundo o seu próprio romance homónimo.
  • Música: Leo Brouwer. Fotografia: Emmanuel Lubezki e Steve Bernstein.
  • Atores: Marco Leonardi, Lumi Cavazos, Regina Torné, Ada Carrasco, Yareli Arizmendi,Mario Iván Martínez, Claudette Maille, Pilar Aranda, Rodolfo Arias, Margarita Isabel, Farnersio de Bernal, Joaquín Garrido, Sandra Arau e Arcelia Ramírez.
  • Argumento: Tita nasceu na cozinha do rancho de sua família, quando sua mãe estava cortando cebolas. Logo em seguida seu pai morre de um ataque cardíaco fulminante, por ter sua paternidade questionada. Com isso Tita é vítima de uma tradição local, que diz que a filha mais nova não pode se casar para que cuide da mãe até sua morte. Ao crescer Tita se apaixona por Pedro Muzquiz, que deseja se casar com ela. Sua mãe veta o matrimónio, devido à tradição, e sugere que ele se case com Rosaura, a irmã dous anos mais velha de Tita. Pedro aceita, pois apenas assim poderá estar perto de Tita.
  1. El siglo de las luces (O século das luzes).
  • Diretor: Humberto Solás (Cuba, 1992, 130 min., cor).
  • Roteiro: Humberto Solás, Jean Cassies e Alba de Céspedes, segundo o romance de Alejo Carpentier. Fotografia: Livio Delgado.
  • Atores: François Dunoyer, Jacqueline Arenal, Rustam Urazayev, Frédéric Pierrot, Alexis Valdés e Mireya Chapman.
  • Argumento: Na Havana colonial do século XVIII, três jovens aristocratas chamados Sofia, Carlos e Esteban, descobrem a vida numa época plena de singulares acontecimentos. Nisso é determinante a presença de Victor Hughes, comerciante marselhês radicado em Port-au-Prince, que vai incorporar os jovens às ideias do Iluminismo francês e à Revolução. Devido a este encontro vão dar-se diversas peripécias, que nos conduzirão do Paris jacobino a umas Caraíbas que se transformarão com os ecos do derrube do antigo regime.
  1. Samrtno prolece (Primavera mortal).
  • Diretores: Stevan Petrovic e Miguel Iglesias (Jugoslávia-Espanha, 1973, 105 min., cor).
  • Roteiro: Lajos Zilahy, segundo o seu próprio e famoso romance homónimo.
  • Música: Tibor Polgár. Fotografia: Petar Latinovic e Julio Pérez de Rozas.
  • Atores: Milena Dravic, Bruce Pecheur, Patty Shepard, Mira Stupica, Sonja Josic, Josip Tatic, Nikola Simic, Rafael Guerrero e José Amor.
  • Argumento: O popular escritor e dramaturgo húngaro Lajos Zilahy escreve e produz este filme baseando-se num dos seus romances mais formosos. Narra uma história ambientada nos princípios do século XX, tratando temas como o adultério, através do protagonista, um diplomata sérvio. Parte da fita decorre em Espanha, falada em castelhano, parte da qual se encarregou de dirigir o espanhol Miguel Iglesias.
  1. Die Blechtrommel (O tambor ou O tambor de folha-de-lata).
  • Diretor: Volker Schlöndorff (Alemanha, 1979, 142 min., cor).
  • Roteiro: Jean-Claude Carrière, Franz Seitz e Volker Schlöndorff, segundo o romance de Günter Grass, Prémio Nóbel de Literatura.
  • Música: Maurice Jarre. Fotografia: Igor Luther.
  • Atores: David Bennent, Mario Adorf, Angela Winkler, Daniel Olbrychski, Charles Aznavour,Andréa Ferréol, Heinz Bennent e Otto Sander.
  • Argumento: Danzig, Alemanha, anos 1920. Oskar Matzerath, uma criança excecional, ganha um tambor de sua mãe ao completar três anos. Incomodado com alguns acontecimentos familiares e com o que acontece ao seu redor, incluindo a ascensão do nazismo, Oskar decide não mais crescer.
  1. The Trial / Le Procès (O Processo).
  • 7- o processoDiretor: Orson Welles (França, 1962, 118 min., preto e branco).
  • Roteiro: Orson Welles, segundo o romance de Franz Kafka.
  • Música: Jean Ledrut. Fotografia: Edmond Richard.
  • Atores: Anthony Perkins, Romy Schneider, Jeanne Moreau, Orson Welles, Elsa Martinelli,Akim Tamiroff, Suzanne Flon, Madeleine Robinson, Arnoldo Foà, Fernand Ledoux e Michael Lonsdale.
  • Argumento: Joseph K. é um homem reservado, que vive na pensão da senhora Grubach e se dá bem com todos os demais moradores do local. Um dia ele é acordado por um inspetor de polícia, que lhe informa que está preso mas não o leva sob custódia. Durante o processo Joseph segue com suas atividades normais, tendo apenas que ficar à disposição das autoridades a qualquer hora do dia. Incomodado por não saber do que está sendo acusado, ele decide investigar em busca de uma resposta.
  1. Ghore-Baire / The Home and the World (A casa e o mundo ou O mundo de Bimala).
  • Diretor: Sotyojit Ray (Índia, 1984, 140 min., cor).
  • Roteiro: Sotyojit Rai, segundo o romance de Robindronath Tagore, Prémio Nóbel de Literatura.
  • Música: Sotyojit Ray e Robindronath Tagore. Fotografia: Soumendu Roy.
  • Atores: Soumitra Chatterjee, Victor Banerjee, Swatilekha Chatterjee, Manoj Mitra, Indrapramit Roy, Bimala Chatterjee, Jennifer Kapoor e Gopa Aich.
  • Argumento: Bengala Ocidental, início do séc. XX: Bimala relembra os eventos que moldaram sua visão de mundo. Anos atrás, seu marido Nikhil, um moderno e rico latifundiário, desafiou a tradição ao dar-lhe educação e ao convidá-la para sair da reclusão na qual as mulheres casadas eram mantidas na época, para o espanto dos outros parentes. Ao conhecer Sondip, colega revolucionário do marido, ela se envolve nesta causa política apesar dos avisos de Nikhil. Conforme a história se desenvolve, a relação entre Bimala e Sondip vai além do platonismo e as batalhas políticas, colocando ricos contra pobres e hindus contra muçulmanos, revelam-se mais complexas do que todos imaginavam.
  1. Pedro Páramo.
  • Diretor: Carlos Velo (México, 1967, 105 min., preto e branco).
  • Roteiro: Manuel Barbachano Ponce, Carlos Velo e Carlos Fuentes, segundo o romance de Juan Rulfo.
  • Música: Joaquín Gutiérrez Heras. Fotografia: Gabriel Figueroa.
  • Atores: John Gavin, Ignacio López Tarso, Pilar Pellicer, Julissa, Graciela Doring, Carlos Fernández, Augusto Benedico, Beatriz Sheridan, Claudia Millán, Rosa Furman e Narciso Busquets.
  • Argumento: Em meio à época da Revolução Mexicana, Juan Preciado chega à cidade de Comala, após a morte de sua mãe, em busca de seu pai, Pedro Páramo. Mas muita dor e sofrimento já passou por aquele local, transformando-o numa espécie de cidade fantasma. Enquanto desaparece o limite entre o real e o sobrenatural, passado e presente se misturam para contar a história de Páramo.
  • Nota: Com o mesmo título, o diretor Salvador Sánchez realizou em 1981 outro filme baseado na obra de Juan Rulfo.

Nota: Muitos dos filmes desta listagem podem ser baixados do Youtube.

CINEMA PARA INCENTIVAR A LEITURA:

As 20 obras cinematográficas anteriormente resenhadas, e outras muitas que existem dentro da filmografia mundial, são um magnífico recurso didático que pode ajudar os docentes de Literatura na sala de aula, e chamar a atenção dos escolares para a importância da literatura. Além de se constituir num incentivador à leitura, através do cinema podemos despertar a curiosidade dos alunos sobre as obras literárias que foram cinematografadas. Numa sociedade que oferece pouco ou quase nenhum incentivo à leitura, objetiva-se gerar jovens habituados a ler, algo fundamental para o desenvolvimento da formação e consciência críticas. Além de fazermos uma análise crítica através da observação detalhada dos textos literários adaptados para o cinema, podemos conseguir também observar minuciosamente aspetos referentes no que diz respeito ao enredo (situação inicial, desenvolvimento, clímax e desfecho), estrutura da narrativa (ação principal, ação secundária), sequência (encadeamento, encaixe e alternância), construção de personagens (protagonistas, antagonistas, secundários e figurantes), composição (modelada, plana/desenhada, personagem-tipo e coletiva), construção do ambiente e do espaço (físico, social e psicológico), do tempo (cronológico, histórico, psicológico, do discurso), caracterização (autocaracterização, heterocaracterização e indireta), narrador (participação: heterodiegético, autodiegético e homodiegético), focalização (onisciente, interna, externa, neutra, restritiva e interventiva), sucessão e integração e totalidade de significação, para encontrar um ponto de equilíbrio, e os mecanismos que são e/ou possam chegar a ser utilizados dentro da junção do cinema e da literatura.

As adaptações cinematográficas de obras literárias representam um importante meio de trabalhar a literatura na escola, pois propiciam um diálogo entre diferentes formas de manifestação artística, o que torna a atividade de leitura literária mais produtiva. Existem experiências educativas neste campo que confirmam o valor do uso de filmes baseados em obras literárias como um excelente recurso didático, tanto para conseguir o apreço pela literatura como arte, como para incentivar a leitura de crianças e jovens. Embora o papel da escola como pilar da formação de leitores não se restrinja ao ensino de uma leitura mecânica, isto é, a capacidade de reproduzir enunciados. O trabalho significativo da escola está principalmente na possibilidade de tornar o leitor capaz de questionar, assumir seu papel de ser que entende e interage com as ideias que lhe são apresentadas. Por exemplo, através de filmes que têm como roteiro grandes obras da literatura. Pois a literatura e o cinema são dous campos artísticos que têm realizado uma relação ampla de mútua contribuição.

O professor José Luis Sánchez Noriega, no seu livro Da literatura ao cinema. Teoria e análise da adaptação, com acerto, fala de uma tipologia das adaptações literárias às telas do cinema. E assinala que as adaptações dos romances literários, segundo a dialética fidelidade-criatividade, podem ser de adaptação como ilustração, transposição, interpretação ou adaptação livre. Segundo o tipo de relato podem ter coerência estilística (de romance clássico a filme clássico, e de romance moderno a filme moderno), ou divergência estilística (de romance clássico a filme moderno e vice-versa). Segundo a extensão, a adaptação pode ser por redução, equivalência ou ampliação. E, por último, segundo a proposta estético-cultural, pode dar-se infidelidade ou «saqueio» (simplificação, dulcificação…), modernização ou atualização criativa. A tipologia citada antes pode ser utilizada para analisar cada um dos 20 filmes da listagem filmográfica anteriormente resenhada neste depoimento.

SUGESTÕES DIDÁTICAS PARA ANALISAR UM FILME COMPARANDO-O COM A OBRA LITERÁRIA NO QUE ESTÁ BASEADO O SEU ROTEIRO:

Os passos que se podem dar para analisar, depois de o ver, um filme baseado numa obra literária, podem ser os seguintes:

– Ver o filme e ler o livro, e depois compará-los.

– Procurar um fragmento do romance e comparar o mesmo com a sequência ou sequências correspondentes no filme.

– Analisar os resultados no filme quanto a ambientação, paisagens, ambientes, comportamentos das personagens, semelhanças e diferenças com o romance e resultado final.

– Comparar os diversos tipos de narrativa: a literária e a fílmica.

– Em quais momentos a imagem supera o texto e o texto a imagem?

– Extrair diálogos da linguagem coloquial.

– Realizar análise de textos do romance.

– Realizar análise de sequências do filme.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

Servindo-se da técnica do Cinema-fórum, analisar e debater sobre a forma (linguagem cinematográfica: planos, contraplanos, panorâmicas, movimentos de câmara, jogo com o tempo e o espaço, truques cinematográficos, etc.) e o fundo dos filmes que vejamos da listagem antes resenhada.

Organizamos nos estabelecimentos de ensino dos diferentes níveis educativos, uma amostra-exposição de livros ou obras literárias que foram levadas às telas do cinema por diferentes realizadores. Completamos a mesma com DVDs de filmes em que os seus roteiros pertencem a obras literárias importantes. E finalmente, tomando como base a listagem dos 20 filmes resenhados no presente depoimento, democraticamente escolhemos 6 ou 7 filmes e organizamos um ciclo cinematográfico com eles, incluindo o cartaz do mesmo, que podem desenhar os estudantes, e um programa com críticas dos filmes. Os quais serão apresentados, antes de ser projetados, e organizamos, depois de os ver, os oportunos cinema-fórum para cada um.

Entre todos, alunos e docentes, de comum acordo, escolhemos um dos vinte filmes citados, lemos  todos o livro em que está baseado, vemos o filme, e posteriormente passamos a analisar livro e filme, para o qual podemos usar as propostas de análise citadas mais acima. Também depois podemos elaborar uma monografia, que se pode editar ou policopiar.

 

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