José Carlos da Silva – O governo federal vai adiar para 2016 a obrigatoriedade do uso do novo acordo ortográfico. Em decreto publicado no passado 28 de dezembro no Diário Oficial, a presidenta Dilma Rousseff determina que o período de transição para a implementação das novas regras vai até 31 de dezembro de 2015, quando originalmente expirava em finais de 2012.
De acordo com assessoria do Senador Cyro Miranda, um dos parlamentares que está a frente do projeto, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisy Hoffman disse que o projeto passará pro um decreto presidencial para ser agilizado.
As novas regras, adotadas pelos setores público e privado desde 2008, deveriam ser implementadas de forma integral a partir de 1º de janeiro de 2013. O senador Cyro Miranda (PSDB-GO) disse que o novo acordo ortográfico da língua portuguesa deverá ter vigência obrigatória só a partir de 31 de dezembro de 2015.
“O Novo Acordo Ortográfico, não teve o amadurecimento necessário para ser publicado”, critica a professora Maria Helena de Moura Neves, da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp (Universidade Estadual Paulista).
A linguista explica que a lista elaborada pela ABL, que deveria conter as principais mudanças nas palavras da ortografia brasileira, não cumpre completamente o seu objetivo. De acordo com ela, palavras muito usadas e que geram incertezas sobre o emprego de hífen, como macrorregião, não estão presentes no Volp.
O gramático Evanildo Bechara, membro da ABL, explica que as palavras com a mesma estrutura morfofonética devem, de fato, ser usadas por analogia. Para o caso de macrorregião, explicou Bechara, serviriam macrorranfo, macrorranfoso, macrorrino e macrorrizo. “Nenhum dicionário de língua alguma contém todas as palavras existentes nesse idioma”, defendeu.
Buscando uma uniformização de procedimentos, o governo brasileiro indicou que vai sugerir aos outros países que adiem a vigência do novo acordo para que todos possam fazer uma total reformulação. Ele diz que em Portugal o acordo só vai valer a partir de 31 de dezembro 2015. Em Cabo Verde a vigência do acordo está programada para 2016.
Com Fernanda Cruz – Agência Brasil
