Por Adela Figueroa Panisse
Por quem é que estamos a ser governadas/os?
Esta é a pergunta que me vem à cabeça, depois de contemplar o desastre ecológico no Monte Pindo. De chorar pelo verde a ser suplantado pelo negro.
Quem conheça a Costa da Morte, sabe da vida que nela lateja, admira a sua força e fica presa da sua formosura.
Com o fogo, lá vai a grande riqueza ambiental que o maciço do Pindo guardava. A Asociación Monte Pindo Parque Natural leva mais de três anos pedindo ser declarado Parque e protegido. Ainda, muito tempo antes, a Associaçom de Vizinhos de Quilmas e ADEGA lutam pela sua preservação. Muitas de nós temos feito inúmeros roteiros reivindicativos guiadas/os por Xosé Manuel Casais e muitos vizinhos de Quilmas, que defendiam o seu território da invasão da indústria da piscicultura. Em que o Monte Pindo todo o dominava desde a sua massa granítica cor de rosa. Uma rocha em que as raiolas de sol do solpor tinham prendido ao longo dos tempos para lhe dar essa cor do feldespato com óxido férrico.
A valorização das riquezas do Pindo era um argumento mais na defesa da Terra e das suas agras que corajosamente tem feito a vizinhança.
Lá temos conhecido vários exemplares botânicos considerados como endemismos, tal como o carvalho enano do Pindo, uma variedade de Quercus Lusitânia, ou iniciativas como a de repovoar com a cabra autóctone, ou a lenda da águia Xoana que tinha habitado, junto com uma povoaçom de águias reais no Maciço.
Certamente que o Monte tem ardido mais vezes. Mas o que me alerta, neste verão, é a coincidência de que tantas áreas que deveriam ser declaradas de proteção, o tenham feito agora. Como o Galinheiro, ameaçado por vários parques eólicos e por mineiria em aberto para minérios raros, a reserva da biosfera Oscos-Eu destruído já o seu ambiente de bosque mediterrâneo em plena serra do interior da Galiza, e este flagrante caso de destruição ambiental antes que fosse declarado Monte Pindo Parque Natural.
Este desastre, por sim só, deveria custar o posto ao governo (desgoverno) desta Xunta . Mas é que não é o único.
A ecologista doi-se imenso da perda de riqueza e patrimônio natural comum.
Mas também não posso menos que reclamar contra um Presidente que, depois do acidente de Angrois declarava que era importante sinalar que o trem que nos mandaram para aqui nunca era de Alta Velocidade. Tínhamos que dizer de Velocidade Alta, porque Espanha estava pendente dum contrato com o Brasil e isso poderia prejudicar os negócios dos Espanhóis. Ele nunca reclamou acerca da “chapuza” de trem que nos venderam e da sua insegurança. Nunca atuou como Presidente defensor dos galegos/as. A sua foi mais uma atuação de Delegado do Governo da Espanha do que Presidente da Galiza.
Também agora nunca o tem feito. Fechou os ouvidos às advertências. Fechou os olhos às evidências, em quanto presumia da sua “boa política” de redução de gastos, tardando em constituir as brigadas de luta contra os incêndios e , ainda mais grave, trasladou aos pobres concelhos uma parte importante da responsabilidade na contratação das quadrilhas contra os incêndios.
Como no caso do caminho de ferro, tarde, mal e lastrado pelos acontecimentos.
A realidade sempre se impõe com a sua teimosia. Depois de julho e agosto sem chover, e duma primavera viçosa , só faltava a chispa. Para tudo arder.
Qualquer governante tinha que ter previsto o que aconteceu. Nada diria eu se se tivessem articulado as defesas a tempo como aconselhavam os expertos.
Da sociedade galega muitas têm sido as reclamações acerca da falta de dispositivos de prevenção de incêndios .
No anos 2006, depois daqueles desastres incendiários, em que se queimaram mais de 68.000 hectares , constituíram-se dispositivos permanentes de atuação, tais como Voluntariado em Defesa do Monte Galego e brigadas que se formavam já na primavera.
Agora fomos vitimas da política de Terra Queimada sobre todo o anteriormente construído. O trabalho de pesquisa, de estudos e de prevenção que se tentara fazer desde o Governo bipartito foi desestimado, desprezando todo o que se tinha concluído acerca de políticas florestais e de luta de defesa do monte e da riqueza que este pode representar para a Galiza. Esta riqueza tem de ir para além dos diferentes governos. É o nosso patrimônio e tem de ser independente de quem governe.
Nada vale andar a botar agora a culpa aos pirómanos assassinos. Verdadeiros terroristas. Que os há, e sempre os pode haver. Há que contar com isso. E na luta contra deles toda a cidadania tem de colaborar. E bem que o demonstrou na participação que houve no Voluntariado em Defesa do Monte Galego. Neste caso, Sr Feijoo, o barato é caro, como nos ensinaram na casa.
Se não vai ser capaz de governar o País, Galiza, demita, e deixe fazer a outros/as.
Mas deixe-nos algo do nosso País. De outro modo também lhe aconselho um pouco mais de humildade. Desculpe-se agora das suas declarações após os terríveis incêndios de 2006. Reconheça que, nisso dos incêndios, como noutras muitas cousas, não se pode cuspir ao céu, porque lhe pode cair na cara. Tem de ter altura de governante e chamar a colaboração da cidadania. Não apenas para a denuncia dos criminosas/os, mas para aplicar os estudos já feitos e as experiências anteriores.
Levamos falando destes temas cerca de 40 anos. Nos anos 80, já tenho participado em nome de ADEGA em varias jornadas sobre incêndios em Louriçam, e voltei participar no ano 2007 nas jornadas auspiciadas pelo Conselho da Cultura galega. Sempre é a política florestal a protagonista que está por trás dos incêndios.
Quantos anos mais vamos continuar a falar de incêndios? Quanto mai dinheiro vamos ter que desbaldir em extinção? Quando vamos celebrar a vitória sobre deles por termos sabido aplicar todo o que esta pobre Terra leva aprendido acerca deste tema quente?
As causas estão de sobra analisadas, consensuadas, assumidas.
Já sabemos todas/os que os incêndios do verão apagam-se no inverno. Que a prevenção é mais barata e mais eficaz que apagar as chamas (ainda que lesiva para o negocio do lume).
Escute, Sr Presidente!!
Aos vizinhos, aos cientistas, aos proprietários/as florestais, aos Montes vizinhais de mão comum, aos/ás ecologistas. Tudo está já escrito. Tudo está já falado. Só falta ouvir (em querendo).
E, quanto antes e , por via de urgência, decrete Monte Pindo Parque Natural, e também Monte do Galinheiro, e providencie meios para a sua regeneração e conservação.
Já verá como nunca vai arder Galiza se se cuida dela.
Anexo 1:
Incluo o chamado do Monte Pindo, por se valer de ajuda nesta causa que apoio:
“COMUNICADO PÚBLICO
A Asociación Monte Pindo Parque Natural, reunida en Comisión Rectora de urxencia hoxe, día 12/09/13, comparece publicamente ante a sociedade galega para trasladar as seguintes reflexións:
Ás 21:36 horas de onte, 11 de setembro de 2013, declarouse un incendio na Cima de Arca que ao cabo duns minutos as autoridades locais e os medios de extinción xa anticipaban que sería imparábel, e as consecuencias catastróficas. En efecto, á hora de emisión deste comunicado, arderon xa 1.600 hectáreas segundo cifras oficiais, o que supón a práctica totalidade do macizo granítico e parte das marismas de Carnota.
Ademais o incendio ameazou durante horas os domicilios e as vidas de moitos dos nosos veciños e veciñas.
O feito de que se prendera nun sitio de dificil acceso, xusto á hora en que deixan de ser efectivos os medios de extinción aéreos, e aproveitando un vento fortísimo de nordés, aclara non so a intencionalidade do incendio senón que se trata dun atentado ecolóxico co obxectivo claro de destruir por completo o Monte Pindo como finalmente aconteceu.
Este atentado e as súas brutais consecuencias non sería posibel unicamente pola intencionalidade dunha ou varias persoas, senón que foi necesario a existencia doutros dous factores fundamentais: a meteoroloxía adversa e a carencia máis absoluta de medidas de prevención, sendo esta última unha causa totalmente subsanábel.
En setembro de 2010, hai agora exactamente 3 anos, xurdía un movemento social para declarar o Monte Pindo coma Parque Natural, pois é a única figura que obriga legalmente a comprometer un investimento real e anual, crear unha rectora coa participación de todos os interesados e incluso un corpo de vixiancia do monte. Os partidarios desta iniciativa aglutináronse en torno á Asociación Monte Pindo Parque Natural, un colectivo nacido para ese fin por vontade de veciños de Carnota sensibilizados coa problemática específica do Monte Pindo, que rapidamente aglutinou no concello, na comarca, en Galiza e en todo o mundo o apoio de centos de entidades sociais de todo tipo, milleiros de persoas a título individual e ducias de científicos, investigadores e profesores universitarios.
Desde o nacemento de dita plataforma a Xunta de Galicia, e nomeadamente a área de goberno responsábel da declaración de Parque Natural, a Dirección Xeral de Conservación da Natureza, dependente da Consellería de Medio Ambiente dirixida por Agustín Hernández Fernández de Rojas, non atendiu en ningún momento esta demanda alegando que o Monte Pindo xa estaba suficientemente protexido baixo a figura de Rede Natura 2000, e incluso que desde as distintas administracións se tiñan destinando ata 360 mil euros nese período 2010-2013 para actuacións no Monte Pindo, dos cales non coñecemos a que se destinou un só euro se é que se gastou. O que é certo é a falta de base e argumentos desta negativa, que primeiro aludía á pouca superficie do espazo a protexer (a pesar de que sería o 5º parque galego en extensión), para logo argumentar que o custe da declaración sería excesivo, etc.
Nos últimos anos a Xunta vén distribuindo anualmente entre 2 e 2,2 millóns de euros a repartir entre os seis parques naturais existentes en Galiza. Cunha ínfima parte destes podería terse creado e activado a pleno rendemento o Parque Natural do Monte Pindo, e calculamos que coas actuacións que poderían terse levado a cabo en todo este tempo serían máis que suficientes para minimizar agora os efectos dun incendio coma este, e evitar uns custos en extinción que consideramos moito maior que o gasto de crear o espazo natural protexido que viñamos solicitando.
Vivimos varios avisos tanto no ano 2012, cun incendio pequeno no entorno do encoro de Santa Uxía, como hai tan só unha semana na zona de Arcos (Mazaricos), en ambos casos a rápida acción dos contraincendios e as mellores condicións meteorolóxicos fixo posíbel detelos antes de que afectara gravemente ao espazo natural do Monte Pindo. Porén, supuxeron 2 avisos importantes do extremo risco existente, e asi llos transmitimos tanto ás Administracións coma á opinión pública. Nada se fixo ao respecto.
No ano 2005 houbo no Monte Pindo un incendio gravísimo que arrasou aproximadamente 550 hectáreas, a terceira parte do que se leva arrasado a esta hora. Pouco despois, sendo lider da oposición no Parlamento de Galicia Alberto Núñez Feijóo (PP) declarou publicamente o seguinte “Canto do queimado se debe aos pirómanos e canto á imprevisión, indolencia e irrespondabilidade do goberno?” Tamén dixo que “É probábel que as condicións meteorolóxicas sexan peores, e é certo que non é doado apagar o lume, pero en situacións coma esta é na que se mide a eficacia dos gobernos”.
En vista de todo o anterior, entendemos que o gravisimo alcance da catástrofe vivida onte e hoxe no Concello de Carnota tamén ten as súas causas fondamente enraizadas no factor humano, concretadas no desleixo e falta de preocupación dos nosos representantes políticos nas cuestións do seu ámbito de incumbencia, como asumía o propio Feijóo no ano 2006, e que son as que levaron á destrución total do Monte Pindo.
Polo dito, a Asociación Monte Pindo Parque Natural ESIXE:
A declaración inmediata do Monte Pindo como Parque Natural.
A dimisión de Agustín Hernández Fernández de Rojas, conselleiro de Medio Ambiente, Territorio e Infraestructuras, por ser o máximo responsábel da consellería que decide as novas declaracións de parques naturais en Galiza.
A dimisión de Rosa Quintana, Conselleira de Medio Rural, por ser a máxima responsábel da consellería da Xunta de Galicia responsábel da xestión de espazos naturais protexidos.
Ademais, a Asociación Monte Pindo Parque Natural COMUNICA
Convocamos un Roteiro reivindicativo de subida ao Monte Pindo o día sábado 28 de setembro de 2013, con saída simultánea ás 11:00 horas desde O Pindo (Carnota), Caldebarcos (Carnota), e o Fieiro (Mazaricos)..
Chamamos a toda a cidadanía galega e as organizacións sociais a concurrir nunha gran Manifestación Nacional, propoñendo como data o domingo día 6 de outubro de 2013, ás 12:00 horas na Alameda de Santiago de Compostela, con obxecto de esixir un cambio radical na política forestal da Xunta de Galicia e no tratamento das problemáticas dos espazos naturais protexidos.
Agradecemos o esforzo obstitnado dos medios contraincendios por minimizar esta catástrofe poñendo incluso en risco as súas vidas para facer todo o posíbel por salvar o espazo natural e os domicilios da nosa veciñanza, e lamentamos todos os danos materiais que esta traxedia ten ocasionado.
Ante a unanimidade dos presentes, asinamos no lugar do Pindo (Carnota) o 12 de setembro de 2013 sendo as 18:00 horas.
Subscrito polo alcalde de Carnota Ramón Noceda Caamaño.
Subscrito pola Comunidade de Montes Veciñais en Man Común de Caldebarcos.”
Anexo 2:
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