Galegadas

Partilhar

Por Adela Figueroa Panisse

Mas, que cousa têm os espanhóis connosco?

Tinha pensado fazer este artigo, sem conhecer a já famosa entrevista que o jornalista Iñaki Gabilondo lhe fez à Sra. Rosa Díez, funcionária pública.
O meu mal-estar vinha de ter escutado, na televisão espanhola, uma expressão depreciativa a propósito dos galegos por parte de outro elemento, também espanhol: o Sr. Angel Expósito, diretor do jornal ABC.

Aconteceu isto durante o programa de debate da TV pública (1) “ 59 segundos”, na noite de 24 para 25 de fevereiro. A mesma em que a tal Rosa Díez ficou coberta de glória para o futuro. Este homem, ao fazer referência ao Sr. Corbacho, Ministro do Trabalho, indicou que, na semana passada, no mesmo programa, este lhe respondera com uma “galegada” à uma pergunta sua. Ainda continuo a dizer que ele ficara muito surpreendido, pois julgava que aquele homem, de origem catalã, lhe iria responder diretamente. Muito pelo contrário contestou-lhe com uma “GALLEGADA”, que, para o Sr. director do ABC deve ser algo pouco sério ou, sei lá o que pensa que são GALLEGADAS o Angel Expósito.

Está a haver muitas ofensas repetidas e em muito pouco tempo.

Há um semana enviei para os jornais uma carta aberta ao Sr. José Bono queixando-me do seu esquecimento acerca da nossa condição de Nacionalidade Histórica (disse, também no programa “Hoy” do Sr. Gabilondo, que as duas autonomias com direitos adquiridos eram, unicamente, Euskadi e Catalunya )
Ontem a Rosa Díez ofendeu a dignidade dos galegos com as suas declarações. Como dizemos cá  “meteu a soca” irrespeitosamente. Esperemos que se lembre disso quando por cá venha procurar votos.

Também gostaria que os galegos e galegas soubessem estar à altura e respondessem à ofensa do  Sr. diretor do ABC deixando de comprar o seu jornal dada a opinião que ele tem de nós.

Mas muito me temo que isso não vai ser assim.

O Sr. Bono poderá continuar opinando que a Galiza não merece ter a mesma consideração que Euskadi ou Catalunya , embora tivesse entrado pelo mesmo artigo que estas por reconhecimento histórico. Por termos aprovado o nosso Estatuto em refendo no ano 1936.

A Rosa Díez virá procurar os seus votos tranquilamente pescando entre os “galegos” que não o queiram ser, e o Sr. Expósito Diretor do ABC continuará a vender os seus jornais entre a gente que ele mesmo despreza.

Unicamente aqueles que se respeitam a si próprios é que são respeitados.

O Sr. Feijoo pode agora rasgar as vestes diante do público, perante o barulho que se armou pelas controvertidas declarações da Rosa Díez, mas não apoiou a reforma do Estatuto de autonomia que o Sr. Tourinho junto com o Sr. Quintana queriam fazer. Fez, sim, um decreto em contra do idioma galego.
O Sr. Manuel Vazquez, Secretário Geral do PSOE galego, deveria exigir ao seu companheiro de partido, o Sr. Bono, que rectificasse no seu desprezo pela Galiza e deveria ter uma política mais coerente com respeito à língua e à economia da Galiza.

Quando se despreza a língua e a cultura próprias, não podemos esperar que outros povos sintam respeito por nós. Se mijam por nós não temos que dizer que é que chove. Teremos que nos defender. E teremos que o impedir com as armas democráticas e de dignidade ao nosso alcance.

Eu vejo sinais perigosas para a Galiza, em todos os políticos e representantes públicos, nomeadamente da Espanha, mas também as vejo cá. Pelo abandono da língua pelos falantes, pela falta de orgulho e cultura no próprio das gentes deste povo. Pela passividade diante das ofensas. Por se ver a si próprios com o espelho que outros nos construíram, aceitando tópicos e preconceitos acerca de nós mesmos/as de jeito natural. Desejaria estar equivocada.