PGL Portugal – Duas expressões culturais de dois países lusófonos, o fado português e o rito amazónico yaokwa foram designados na última semana património imaterial pela UNESCO. O fado é, aliás, o primeiro bem português a entrar na lista.
No caso do fado, a decisão foi unânime, segundo Rui Vieira Nery, presidente da comissão científica desta candidatura. «Já não acreditávamos que fosse aprovada hoje», declarou. O fado foi a última candidatura avaliada na sessão de ontem, dia 27 de novembro, depois de terem passado à votação mais de 30 propostas.
Em opinião de Nery, resultou fulcral o discurso de António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, entidade que formalizou a candidatura junto da UNESCO. «O Dr. António Costa decidiu terminar as suas palavras, já a fechar a intervenção de Portugal, chegando o seu iPhone ao microfone e deixando que a sala ouvisse Amália cantar ‘Estranha forma de vida’. Foi uma emoção acabar com a voz de Amália num fado de [Alfredo] Marceneiro. A sala levantou-se num enorme aplauso», explicou Nery em declarações que recolhe o Público.
Em 2010, o fado apresentou-se à UNESCO como «símbolo da identidade nacional» e «a mais popular das canções urbanas» portuguesas, tendo por embaixadores dois intérpretes que, por motivos bem diferentes, fazem parte da sua história de forma incontestada: Carlos do Carmo e Mariza.
Rito amazónico
O ritual yaokwa da tribo amazônica Enawenê-nawê, que vive no Mato Grosso, entrou também a formar parte do património imaterial da humanidade. Neste caso, já desde o passado dia 24. Ao lado de outras sete manifestações de todo o mundo forma parte de uma lista de expressões que precisam «proteção urgente».
Para a UNESCO, o rito yaokwa «e a biodiversidade que celebra» representam um «ecossistema extremamente delicado e frágil, cuja continuidade depende diretamente da conservação deste último».
Todo ano, durante os sete meses da estação seca, os Enawenê-nawê honram os espíritos yakairiti através deste ritual, com o fim de manter a ordem social e cósmica. Divididos em dois clãs, alternam-se nas duas partes do rito: enquanto alguns organizam expedições de pesca por toda a região, os outros preparam oferendas para os espíritos, além de tocarem e dançarem.
