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EXPLICAR AOS ESCOLARES O ABSURDO DO RACISMO

                                             

semana-contra-o-racismo-cartaz00 Ao redor da data de 24 de março celebra-se em muitos lugares do mundo a denominada Semana contra o racismo. Tema, o do racismo, que é necessário tratar adequadamente nas aulas dos nossos estabelecimentos de ensino. Para conseguir estudantes com uma educação isenta do preconceito racista, tão infame e tão negativo. Trabalhar com o racismo é muito importante na sala de aula, sendo que o racismo não está só na cor, mas também na classe social, na cultura e origem que nos rodeia e até mesmo no desporto. Hoje ainda podemos ver com muita frequência atitudes, quer nas ruas, quer nas escolas, e até mesmo na televisão cenas ou imagens que amostram claramente que vivemos em sociedades bastante racistas e com desigualdades. Por esse motivo podemos trabalhar na sala de aula com crianças como não sermos racistas, e aprender a respeitar uns aos outros. Dessa forma temos a sugestão para um trabalho sobre racismo. Para enriquecer as atividades o professor poderá sugerir para o aluno pesquisar na internet, revistas, jornais, trazer recortes de cenas que mostrem racismo. O material coletado poderá ser trabalhado de forma interdisciplinar, fazendo cartazes, textos, pesquisando regiões onde é mais provável que ocorra o maior índice de racismo.

As pessoas que não conseguem deixar de ser preconceituosas podem vir a se tornar racistas. Um racista acredita que existe raças superiores às outras, o que é grande tolice, pois na espécie humana não podemos dizer que existam raças; a cor da pele, a forma do nariz, o tipo do cabelo, o tipo do sangue, o formato e cor dos olhos, a espessura dos lábios, não são suficientes para estabelecer diferentes tipos de raças entre os seres humanos, que biologicamente são iguais em quase tudo, restando pequenas diferenças externas pouco importantes e que não servem para fazer com que uns sejam superiores ou inferiores aos outros e vice-versa. A pessoa que faz isso, geralmente, quer valorizar a si próprio e diminuir os demais mesmo “de brincadeira”. É insegura porque não tem capacidade de conviver com os outros e aceitar as diferenças naturais entre os seres humanos. Os preconceituosos e racistas têm dificuldades em aceitar e conviver com a diferença e, às vezes, suas atitudes chegam ao delírio e como são medrosos e inseguros, projetam sobre os outros que são inferiores a eles e que não podem ter os mesmos direitos. Quando os racistas e preconceituosos agem dessa maneira estão tratando os que eles julgam como inferiores a ele de maneira discriminatória. Discriminação é portanto tratar os outros com inferioridade, se julgando superior.

O mundo já é cheio de problemas embora haja muitos recursos para resolver tudo: como a tecnologia, informática, etc. Para que todos vivamos melhor e seguros, sem precisarmos desconfiar dos outros ou de viver competindo contra tudo e contra todos, deveríamos construir a sociedade dos nossos sonhos, justiça, liberdade, igualdade para todos. Quando o ser humano vive bem surge o melhor que ele tem e pode oferecer: ciência, arte, filosofia, cultura, lazer, prazer e felicidade de nível elevado. Se nós combatermos o preconceito, racismo e discriminação estaremos dando um grande passo para a melhoria do mundo, de nós mesmos e dos demais, que são apenas nossa imagem e semelhança.

Na escola podem observar-se muitos casos de racismo, de preconceitos e discriminação, onde muitas vezes o profissional não consegue minimizar o problema por falta de experiência, de qualificação e, até mesmo, por incapacidade em lidar com a diversidade, pois ele fica perdido, sem saber como reagir em momentos em que exigem a sua intervenção para que o problema não se torne uma agressão mais séria. Essa falta de preparo que, devemos considerar com reflexo do nosso mito de democracia racial compromete, sem dúvida o objetivo fundamental de nossa missão, no processo de formação dos futuros cidadãos responsáveis de amanhã. Sabemos que muitos professores não têm a oportunidade de fazer um curso de qualificação voltado para relação étnico-racial, por esse motivo os mesmos deixam a desejar quando se trata da temática em questão, e muitas vezes, por falta de preparo ou por preconceitos introjetados, alguns professores não sabem aproveitar-se das situações flagrantes de discriminação racial na escola. Há momentos pedagógicos privilegiados para discutir a diversidade e conscientizar alunos sobre sua importância e riqueza, onde o objetivo de todos é dar sua contribuição e ajudar nesse processo transformador tão necessário e urgente.

Para o presente depoimento escolhi um muito lindo filme realizado na África do Sul em 2010. Sob o título de Um mestre em minha vida, conta a história de um mestre preto e seu discípulo branco.

 

FICHA TÉCNICA DO FILME:

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    Título original: Master Harold and the Boys (Um mestre em minha vida).

Diretor: Lonny Price (África do Sul, 2010, 87 min., cor).

Roteiro: Nicky Rebelo, segundo a peça teatral de Athol Fugard.

Fotografia: Lance Gewer. Música: Barry Donnelly.

    Nota: O filme pode ser visto dobrado entrando em:

Atores: Ving Rhames (Sam), Freddie Highmore (Hally Ballard), Patrick Mofokeng (Willie), Jennifer Steyn (Betty Ballard), Michael Maxwell (Harold Ballard), Redd-Valentino Debray (Hally de jovem), Zoliswa Kawe (Myriam), Bongo Mbutuma (Elias), Nceba Mpiliswana (Owigi), Vuyisili Pandle (Winston) e Danny Keogh (Sr. Prentice).

um-mestre-em-minha-vida-foto  Argumento: Hally é um adolescente branco que vive na áfrica do Sul dos anos 50 e cresceu na companhia afetuosa de Sam e Willie, dous rapazes negros que trabalham no salão de chá de sua mãe em Port Elizabeth. Seu intolerante pai o obriga a rir de piadas racistas que humilham e expõem Sam e Willie. Um dia Hally é terrivelmente humilhada por seu pai e Sam mostra a ele, como se orgulhar de algo que ele pode alcançar na vida. Hally é um adolescente branco e filho de um homem racista de classe média. O filme fala sobre o relacionamento de um jovem branco e trabalhadores negros durante o Apartheid na África do Sul. Uma história comovente sobre um filho que é forçado a virar adulto antes do tempo, tendo que conviver com um pai alcoólatra e uma mãe submissa e sem amigos, acaba encontrando refúgio nos empregados negros Sam e Willie do restaurante da família.

Resenha e comentário: O autor da peça teatral em que o filme se baseia é um renomado dramaturgo sul-africano, que vivenciou todos os horrores do apartheid e incluiu este tema em muitas de suas peças, inclusive nesta, acenado para uma gama de sentimentos que mostra o ser humano desnudo em suas perceções da vida. Ao contrário do que se possa deduzir em situações conflituantes, extraordinárias e limites, o homem é um ser comum, quase medíocre, capaz de amar e odiar, sofrer toda a sorte de adversidades em que pese às circunstâncias desfavoráveis. Através de um discurso inconformado e eivado de lutas de resistência ao apartheid, Athol Fugard tenta refletir as transformações das relações pessoais através do contexto político-social. Afinal, o homem é produto do seu meio e age em conformidade com seus sentimentos arraigados e obsessivos, internalizados desde a tenra idade.

um-mestre-em-minha-vida-foto2Tanto na peça, quanto no filme, a história mostra com perfeição as relações inter-raciais durante a época do apartheid, na África do Sul, neste caso, nos anos 50. As personagens principais são Hally, um adolescente que cresceu na companhia afetuosa de Sam e Willie, dous rapazes negros que trabalham na Casa de Chá de sua mãe, na cidade de Port Elizabeth. Vivem na realidade do sistema de segregação racial, onde havia bancos de praça somente para brancos, e as casas dos negros deveriam ser construídas em lugares distantes das dos cidadãos brancos. Entretanto, as duas personagens negras convivem com esta situação tirando o proveito que vem de suas tendências artísticas, como dançar, além da sabedoria de construir um mundo onde pudessem viver em paz e conciliação com o próximo. Esta relação sadia impressiona o adolescente, de tal forma que os momentos em que Sam e Hally cultivaram juntos foi de extrema satisfação e conhecimento interior. O mundo é hostil, mas eles sabiam desanuviar as dificuldades, contribuindo para um relacionamento saudável e próspero. Entretanto, embora Hally e Sam sejam muito amigos, confidentes e gostem muito um do outro, Hally  pelo motivo mais fútil, retoma o preconceito arraigado que traz dentro de si, sendo capaz de ofender e subjugar o amigo da maneira mais cruel e desumana. Desta forma, ocorre o conflito da peça e do filme, pois todo o afeto desenvolvido é destruído em segundos, dando margem a uma série de confrontos intensos, apresentando, deste modo,  ao público,  as nuances psicológicas das personagens. Se de um lado, Hally pensa que é forte, autoritário e senhor de si, por outro se sente atordoado, amedrontado e cheio de remorsos pelos sentimentos obtusos que experimenta. Sam ao contrário, é forte e parcimonioso em seus sentimentos, dotado de uma paciência e experiência de vida que o torna um homem confiante e seguro, mas tanto quanto o amigo adolescente, sente-se abandonado e triste, com dificuldade em retomar a amizade tantas vezes fragilizada. Os diálogos de Sam, Hally e Willie (que aos poucos amostra uma personalidade inesperada, no decorrer da trama) são extremamente bem construídos, dando ao espectador a sensação de que as situações realmente ocorrem naquele momento. Não se tira os olhos, nem o pensamento, nem o coração da tela. Tudo é tão perfeito e verdadeiro, que as palavras fluem tal como a chuva torrencial que cai lá fora, vista pelas vidraças embaçadas da casa de chá (aqui, uma metáfora, entre a realidade glamorosa dos brancos e o cotidiano “apagado” e sem encanto dos negros). A atmosfera triste da chuva, por sua vez, evidencia  bem a amargura das personagens. Na verdade, o sofrimento de Hally se justifica pela intolerância racista do pai, que ao mesmo tempo em que expõe Sam e Willie a humilhações, através de piadas de mau gosto, também o envergonha por ser um homem desajustado e fraco, consumido pelo álcool. Halli sente-se dividido entre a inabilidade em lidar com os sentimentos em relação ao pai, a concordância submissa da mãe e o encontro com o novo mundo, cheio de vida e alegria ao lado dos amigos que o viram crescer. Novamente, ao final, a chuva amostra os dous mundos que se dividem, a chuva lá fora, fria e densa, atrapalhando o percurso de Hally na bicicleta, que pode significar além do sofrimento, do remorso e do medo de perder o amigo, também um fio de esperança, um batismo para uma nova vida, lavado pela água que lhe encharca a roupa empoça as ruas. Aqui dentro, através das vidraças embaçadas da casa de chá, o som ensurdecedor da chuva torrencial faz coro para a dança de Sam e Willie. São dous mundos que se separam ou que se completam dali para a frente? Uma estrada paralela que se afasta ou uma encruzilhada que os une? É um filme emocionante, repleto de descobertas e pontos de vista para serem analisados.

O IMPORTANTE PAPEL DA ESCOLA:

    A escola não é neutra. Ela é capaz de reproduzir a discriminação racial de várias maneiras, mas também é capaz de contribuir para uma convivência pacífica entre as várias etnias. Os docentes sensíveis podem realizar uma intervenção pedagógica e refletir sobre a experiência de maneira a contribuir para a ação de outros educadores. Com tal reflexão se pode perceber que trabalhar os conceitos de discriminação e preconceito é importante, mas é preciso associar estes a exemplos do cotidiano. Ultrapassando, assim o viés dos apelidos, muito enfatizado pelas crianças e tentando mostrar que a discriminação racial gera desigualdades. Podemos constatar a importância de partir das experiências vivenciadas pelas crianças, pois a partir do discurso elas expõem suas conceções, suas vivências e se posicionam sobre o assunto. Com a realização de semelhante trabalho se compreende que é possível trabalhar sobre o racismo  com atividades diversificadas, desde que alguns eixos temáticos não deixem de ser abordados tais como, identidade étnico-racial, história da África e da Ásia, os africanos em América e Europa e o que é preconceito e discriminação racial nos diferentes contextos e no contexto mundial. Por fim, o trabalho com este tema pode colocar-nos diante do compromisso que cada um de nós assumimos com a luita pela igualdade, pois, como diz Paulo Freire pensar certo é a rejeição mais decidida a qualquer forma de discriminação e isso só é possível quando não nos omitimos e fazemos da sala de aula um campo de pesquisa.

Utilizando por exemplo o vídeo “Racismo é Burrice” de Gabriel o Pensador, podemos trabalhar muitas atividades com alunos, das séries iniciais, basta o professor saber se o conteúdo está apropriado para a série que ele deseja trabalhar. Trabalhar com o racismo é muito importante na sala de aula, sendo que o racismo não está só na cor, mas também na classe social, na cultura e origem que nos rodeia e até mesmo no esporte. Hoje ainda podemos ver com muita frequência atitudes, tanto nas ruas, escolas, e até mesmo na televisão cenas ou imagens que mostram claramente, em que vivemos ainda cenas racistas e com desigualdades. Por esse motivo podemos trabalhar em sala de aula com crianças de como não sermos racistas, e aprender a respeitar uns aos outros. Dessa forma temos a sugestão para um trabalho sobre racismo. Para enriquecer as atividades o professor poderá sugerir para o aluno pesquisar na internet, revistas, jornais, trazer recortes de cenas que mostrem racismo. O material coletado poderá ser trabalhado de forma interdisciplinar, fazendo cartazes, textos, pesquisando regiões onde é mais provável que ocorra o maior índice de racismo.

PLANO DE ATIVIDADES PARA COMBATER O PRECONCEITO:

As professoras brasileiras Lucimar Rosa Dias, especialista em Educação e relações raciais, doutoranda em Educação pela Universidade de São Paulo e membro da Comissão Técnica Nacional de Diversidade para Assuntos Relacionados à Educação dos Afro-Brasileiros, do Ministério da Educação, e Waldete Tristão Farias Oliveira, coordenadora pedagógica do Centro de Educação Infantil Jardim Panamericano e formadora de professores, sugerem as seguintes atividades para promover ações afirmativas e combater o preconceito e a discriminação em sala de aula:
1. Rodas de Conversa:
    Reunir os pequenos em uma roda abre espaço para conhecê-los melhor. Para entender as relações de preconceito e identidade, vale a pena apresentar revistas, jornais e livros para que as crianças se reconheçam (ou não) no material exposto. A roda é o lugar de propor projetos, discutir problemas e encontrar soluções. Também é o melhor espaço para debater os conflitos gerados por preconceitos quando eles ocorrerem. Nessa hora, não tema a conversa franca e o diálogo aberto.
2.-Vídeos e Contos:
A contação de histórias merece lugar de destaque na sala de aula. Ela é o veículo com o qual as crianças podem entrar em contato com um universo de lendas e mitos e enriquecer o repertório. Textos e imagens que valorizam o respeito às diferenças são sempre muito bem-vindos.
3. Bonecos pretos:
As crianças criam laços com esses brinquedos e se reconhecem. É interessante associar esses bonecos ao cotidiano da escola e das próprias crianças, que podem se revezar para levá-los para casa. A presença de bonecos negros é sinal de que a escola reconhece a diversidade da sociedade brasileira. Caso não encontre bonecos industrializados, uma boa saída é confecioná-los com a ajuda de familiares.
4. Toque:
Mexer nos cabelos e trocar pequenos carinhos é uma forma de cuidar das crianças e romper possíveis barreiras de preconceitos. O trabalho com o cabelo abre caminho para estudar tamanho, textura, cor e permite aprender que não existe cabelo ruim, só estilos diferentes.
5. Comida:
Pesquisar a história de alimentos de origem africana é um jeito de valorizar a cultura dos afrodescendentes, dos latino-americanos ou dos asiáticos. Melhor ainda se houver degustação, com o apoio da comunidade. As aulas de culinária são momentos ricos para enfocar as heranças culturais dos vários grupos que compõem as nossas sociedades.
6. Música e artes plásticas:
A música desenvolve o senso crítico e prepara as crianças para outras atividades. Conhecer músicas em diferentes línguas, e de diferentes origens, é um bom caminho para estimular o respeito pelos diversos grupos humanos. E isso se aplica a todas as formas de Arte.

  1. Organização de encontros lúdicos de jogos tradicionais:

    As diferentes comunidades têm seus próprios e caraterísticos jogos populares e brincadeiras. Organizar na escola encontros com estes jogos pode favorecer muito o respeito pelos diferentes grupos humanos que convivem nas nossas sociedades.

    TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

Servindo-se da técnica do Cinema-fórum, analisar e debater sobre a forma (linguagem cinematográfica: planos, contraplanos, panorâmicas, movimentos de câmara, jogo com o tempo e o espaço, truques cinematográficos, etc.) e o fundo do filme antes resenhado.

Organizamos na nossa escola uma magna amostra sobre o racismo, seus problemas, seus absurdos e os seus aspetos e caraterísticas. Na mesma serão expostos cartazes, textos, desenhos, fotos e mesmo trabalhos elaborados pelos escolares.

De comum acordo entre os estudantes e os docentes do nosso centro educativo, levamos à prática nas nossas aulas e nos nossos pátios de recreio um plano de atividades educativo-didáticas, tomando como base as resenhadas anteriormente, por proposta de duas educadoras brasileiras.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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