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Entrevista ao professor Joseph Ghanime, da Associação de Docentes de Português na Galiza

PGL / AGLP – Continuamos com a sequência de entrevistas realizadas pelo Portal Galego da Língua e a Academia Galega da Língua Portuguesa durante o II Seminário de Lexicologia, realizado em Compostela no passado 25 de setembro. Desta volta o entrevistado é o professor Joseph Ghanime, da Associação de Docentes de Português na Galiza.

O professor Ghanime começa explicando os motivos do nascimento da associação e os seus fins. Informa de que a situação do ensino do português na Galiza é residual e não estrutural, porque «não existe no ensino secundário na Galiza um único professor de português que tenha sido contratado como tal, bem como não existe uma lista de substituições e interinidades profissionais» nesta matéria, sendo que o ensino da nossa língua vê-se relegado às Escolas Oficiais de Idiomas, e não a todas pois «falta avançar neste sentido, porque há escolas como Viveiro, Ribadeu, ou seções de escolas como Ordes, Noia ou Monforte que não têm português».

Contrariamente, na Extremadura espanhola a situação do português é estrutural: «Em dez anos, de 1996 a 2006, a Extremadura passou de 600 a 10.000 alunos». «Aí houve um trabalho em muitos âmbitos, não se trabalhou apenas o ensino, trabalharam muito a comunicação social, cada vez há mais notícias referentes a Portugal na imprensa extremenha e trabalharam também espaços de diálogo, de intercâmbio, etc.»

O professor adverte que em matéria de língua portuguesa «o nosso desafio é lutar contra o desconhecimento». A sociedade galega poderia tirar muitas vantagens do aprendizado do português, sempre que soubesse quais são, pelo que afirma que «temos que falar muito, com a sociedade civil, com as pessoas que estão a trabalhar, com as que estão desempregadas, com os sindicatos, com todos os atores sociais, e explicar as vantagens do português».

Da Docentes insistem em que é necessário «seduzir a sociedade galega para que escolha o português». «Facilitar, fornecer as informações necessárias» e «satisfazer a gente», isto último «depende muito da qualidade de ensino», pelo que afirmam que devem ser «pioneiros em estratégias didáticas». O tipo de alunado variou bastante nos últimos anos, explica Ghanime, posto que de um perfil mais galeguista, ligado de jeito emocional a Portugal, passou-se a um perfil em que predomina a visão prática, mais conhecedora dos aspetos económicos ou de prestígio da língua portuguesa.

Dentro dessa visão prática, não excludente da emocional, Joseph lembra que a nossa é «Uma língua de 200 milhões de falantes. Somos fronteirizos com Portugal, país com o qual existem muitíssimas relações comerciais. E o Brasil é um país de 180 milhões de habitantes, em termos macroeconómicos é uma das economias com maior produto interno bruto do mundo».

 

Ver vídeo-entrevista

 

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