Ao redor do dia 21 de março, e até 22 de abril, celebramos muitas jornadas sobre temas relacionados com a vida e a natureza, coincidindo com o equinócio da primavera. Entre elas, a do Dia da Árvore, o Dia da Água, e já em abril o Dia da Terra. Mas também, o Dia da Poesia e o Dia do Teatro, atividades que de alguma maneira têm a ver com a vida. Todas estas jornadas é muito importante que, para sensibilizar crianças e jovens, sejam organizadas com atividades educativo-didáticas, lúdicas e artísticas, nos estabelecimentos de ensino dos diferentes níveis escolares, durante os meses da estação primaveral. Que no hemisfério sul (por exemplo, no Brasil) coincide com o nosso outono.
O ser humano está cada vez mais insensível ao ambiente natural, devido a correria do dia a dia e as informações aceleradas que muitas vezes exige toda a nossa atenção; deixamos de perceber a essência e importância que o ambiente natural nos proporciona, com isso perdemos a oportunidade de prestigiar e sentir os seus benefícios e beleza. Precisamos estudar, para melhor conhecer e entender todo esse processo de vida e relação, ambiente natural e ser humano. Conscientes, voltamos para uma educação em construção de um ser em conexão com a natureza, com as outras pessoas, e principalmente consigo mesmo. Assim, vamos através da preservação, continuar a ser essa fonte inesgotável de energia que emana a mãe natureza, sentir um com ela, pois somos e fazemos parte deste contexto maior de vida. Um dos objetivos do nosso ensino deve ser o perceber a importância dos quatro elementos da Natureza e a sua interação com os seres vivos.
A importância da água na natureza e para a nossa vida é essencial. Muitos não sabem que sem água não existiria vida. Pois aqueles que verdadeiramente não se importam com a escassez da água, é porque nunca passaram sede ou nunca precisaram caminhar quilómetros e quilómetros para pegar água com baldes na cabeça. Se pararmos para pensar um pouco, a água é o bem mais valioso que a Terra oferece a todos os seres vivos, desde a plantinha pequenina até os maiores animais do planeta. O corpo humano é 70% composto por água. A água exerce função vital no organismo, porque regula a temperatura do corpo e é capaz de eliminar toxinas através da transpiração e urina. Se não existir água, não existirá comida, nem chuva. O dia em que a água começar a faltar as pessoas vão começar dar o devido valor que até então não davam. A água não serve somente para matar a sede, mas para as plantas fazerem o seu ciclo e produzir oxigénio, serve para matar a sede dos animais, para mantermos higiene, nos refrescarmos, para o bom desenvolvimento de todos os alimentos. Em todo o planeta Terra a água ocupa 97%, mas essa percentagem é de águas salgadas de oceanos e mares, apenas 3% do mundo todo é água potável. Quando a água faltar ninguém vai querer tomar água salgada. Por isso, cuide para a água não faltar, não a desperdice lavando carros, calçadas e no banho, pois essa água que muitos desperdiçam hoje sairá muito caro no futuro. Num futuro próximo uma garrafinha de água sairá muito caro e muitos não poderão comprar.
Atualmente, há em todos os segmentos de nossa sociedade a preocupação com o meio ambiente e com a saúde pública, por que a cada dia que passa temos visto que nosso planeta está ameaçado pela poluição, e o pior de tudo isso, nós, seres humanos, somos os responsáveis por esse grande mal. O homem, de forma inconsequente, tem provocado diariamente a destruição de seu habitat natural, o que tem colocado em risco a sua própria existência nesse planeta, tal como em 2009 sinalara Salerna. Através das novas técnicas de industrialização do aumento populacional e da febre de consumo que impera no mundo, onde cada pessoa busca incansavelmente satisfazer seus desejos e necessidades, estamos transformando cada vez mais recursos naturais em bens de consumo. A escola é o espaço social e o local onde o aluno dará sequência ao seu processo de socialização. O que nela se faz se diz e se valoriza representa um exemplo daquilo que a sociedade deseja e aprova. Comportamentos ambientalmente corretos devem ser aprendidos na prática, no cotidiano da vida escolar, contribuindo para a formação de cidadãos responsáveis.
Considerando a importância da temática ambiental e a visão integrada do mundo, no tempo e no espaço, a escola deverá oferecer meios efetivos para que cada aluno compreenda os fenómenos naturais, as ações humanas e sua consequência para consigo, para sua própria espécie, para os outros seres vivos e o ambiente. É fundamental que cada aluno desenvolva as suas potencialidades e adote posturas pessoais e comportamentos sociais construtivos, colaborando para a construção de uma sociedade socialmente justa, em um ambiente saudável. Ao trabalhar os quatro elementos da natureza de forma contextualizada e dinâmica as crianças construirão saberes que ultrapassam o senso-comum e construirão atitudes ecológicas pautadas em conceitos significativos. Para poder tratar um tema tão importante escolhi três filmes realizados pela diretora indiana Deepa Mehta, que, sob os títulos de Água, Terra, Fogo, constituem a denominada sua trilogia fílmica dos elementos da natureza ou da vida.
TRILOGIA DOS ELEMENTOS: FICHAS TÉCNICAS DOS 3 FILMES:
- Título original: Water (Água / Rio da lua ou Às margens do Rio Sagrado).
Diretora: Deepa Mehta (Canadá-Índia, 2005, 112 min., cor).
- Roteiro: Deepa Mehta e Anurag Kashyap.
- Música: Mychael Danna e A. R. Rahman. Fotografia: Giles Nuttgens.
- Atores: Seema Biswas (Shakuntala), Lisa Ray (Kalyani), John Abraham (Narayan), Waheeda Rehman (Bhagavati, mãe de Narayan), Sarala Kariyawasam (Chuyia), Buddhi Wickrama (Baba), Ronica Sajnani (Kunti), Manorama (Madhumati), Rishma Malik (Snehalata), Meera Biswas (Gyanvati), Vidula Javalgekar (Patiraji), Daya Alwis (Saduram), Raghuvir Yadav (Gulabi), Vinay Pathak (Rabindra), Kulbhushan Kharbanda (Sadananda), Gerson Da Cunha (Seth Dwarkanath), Mohan Jhangiani (Mahatma Gandhi) e Zul Vilani (voz de Mahatma Gandhi).
- Argumento: Considerado um dos filmes mais bonitos dos últimos anos, Rio da Lua passa-se na Índia nos anos 30. Aos oitos anos de idade, Chuyia não é apenas casada, mas também já é viúva. E nunca conheceu o marido. De acordo com a tradição, ela é enviada para uma casa onde as viúvas são obrigadas a ficar, isoladas da sociedade, até o final de suas vidas, sem que possam alguma vez voltar a casar. Lá, conhece Kalyani, uma bela e jovem mulher de quem se torna amiga. Kalyani ousa desafiar as rígidas regras apaixonando-se por um jovem com estudos.
- Título original: 1947 Earth (Terra).
Diretora: Deepa Mehta (Canadá-Índia, 1998, 110 min., cor).
- Roteiro: Deepa Mehta, baseado num romance autobiográfico da escritora paquistanesa Bapsi Sidhwa, intitulado Cracking India. Música: A. R. Rahman. Fotografia: Giles Nuttgens.
- Nota: Pode olhar-se entrando no Youtube.
- Atores: Aamir Khan (Dil Navaz, o Ice Candy Man), Nandita Das (Shanta, a Ama), Rahul Khanna (Hassan, o massagista), Maia Sethna (Lenny Sethna), Shabana Azmi (voz de Lenny), Kitu Gidwani (Bunty Sethna), Arif Zakaria (Rustom Sethna), Kulbhushan Kharbanda (Imam Din), Rajendra Kumar (Polícia refugiado) e Pavan Malhotra (Açougueiro).
- Argumento: O filme relata a divisão entre a Índia e o Paquistão e as consequências humanas dessa separação. Lenny é filha de uma abastada família parse. Alguns minutos depois do início do filme ela deixa cair um prato, que se parte em pedaços. Pensativa, ela pergunta à mãe, «Será possível fraturar um país?» A ama de Lenny é Shanta, uma amável jovem hindu. Shanta é amiga de todos os outros empregados da família parse (o cozinheiro, o guarda do zoo, o jardineiro e o massagista). Eles eram uma mistura de hindus, muçulmanos e sikhs e refletiam a sociedade indiana dessa altura. Vão regularmente ao parque local para falar e comer juntos. Lenny aprecia realmente os piqueniques multiculturais. Dil Navaz, chamado Ice Candy Man, é um muçulmano e o favorito de Lenny e fica cada vez mais apaixonado por Shanta. Mas ele não é o único. Hassan, o massagista e também muçulmano, tem o mesmo dilema. Esses bons tempos não irão durar. À medida que a situação política se intensifica e a sociedade é atormentada com a violência entre grupos étnicos, crescem as tensões dentro desse círculo de amigos, até que uma série de incidentes desencadeia um inferno de ódio e vingança.
- Título original: Fire (Fogo).
Diretora: Deepa Mehta (Canadá-Índia, 1996, 108 min., cor).
- Roteiro: Deepa Mehta. Música: A. R. Rahman. Fotografia: Giles Nuttgens.
- Prémios: Em Toronto (1996), prémio do público, e no de Chicago à melhor atriz.
- Nota: Pode olhar-se entrando no Youtube.
- Atores: Karishma Jhalani (Radha jovem), Javed Jaffrey (Jatin), Nandita Das (Sita), Vinay Pathak (Guia no Taj Mahal), Kushal Rekhi (Biji), Shabana Azmi (Radha), Ranjit Chowdhry (Mundu), Kulbhushan Kharbanda (Ashok), Alice Poon (Julie) e Ram Gopal Bajaj (Swamiji).
- Argumento: O filme aborda o tema dos casamentos arranjados, muito comuns entre os indianos, a insatisfação sexual e o lesbianismo. Sita e Jatin são vítimas de um acordo entre duas famílias e vivem um casamento frio. Mudam-se para a casa do irmão de Jatin em Nova Deli, onde mora com sua esposa Radha. Radha não pode ter filhos e o seu marido, com o que leva 15 anos casada, se esquiva de qualquer tipo de contacto, dizendo que sexo sem fins reprodutivos é pecado. Do outro lado, Sita descobre que o seu marido tem uma amante. Abandonadas e insatisfeitas, as duas cunhadas envolvem-se num romance secreto. No seu momento, a diretora comentou que seu filme não é sobre lesbianismo, mas sobre escolhas que temos que fazer na vida.
DEEPA MEHTA E A SUA TRILOGIA DOS ELEMENTOS:
A natureza e os seus elementos não só coexistem com o ser humano, como também guardam simbolismos que são representados em rituais, animais e estados de ânimo. Deepa Mehta, nascida na Índia em 1950, radicada em Canadá desde 1973, critica não só a discriminação de género, como também as aspirações da mulher em diferentes circunstâncias e problemáticas, sejam políticas, sociais ou emocionais. Tudo isto na cultura hindu em que o género feminino é condenado muitas vezes a casamentos arranjados desde a infância por culpa do dote e, em outros casos mais sérios, discriminando de forma imoral e injusta a mulher. A diretora consolida o seu retrato feminino na que é a sua obra mais reconhecida: a chamada «Trilogia dos Elementos». Para isto, mistura o passado com o presente na tradição.

No caso do seu filme Fogo, em Nova Deli mora Radha, casada desde há bastantes anos com Ashok. Pela sua estreita situação económica, com o negócio da família, consistente num videoclube e uma pequena estalagem, bastante em crise, esta mulher está obrigada a viver não só com o seu esposo, mas também com Jatin, irmão do seu marido, recém-casado com a jovem Sita, acompanhados pela mãe dos dous homens, incapaz de valer-se por si mesma pela sua precária condição física. As duas esposas estão sujeitas a uma vida muito anódina. Jatin ignora a Sita, ao manter em segredo o seu amor com outra mulher. Radha padece de uma doença incurável que não lhe permite ter filhos e, por isto, é-lhe negado o contacto sexual com o seu esposo, que considera o desejo como caminho do sofrimento. A tradicionalidade no casamento hindu quebra-se pelo amor que nasce entre Radha e Sita, originado pela sua respetiva soidade e a indiferença dos seus companheiros respetivos. Na Índia, o romance entre mulheres é um tabu pelos estigmas sociais e culturais, onde inclusive é considerado crime. Para Deepa Mehta, a realizadora do filme, a mulher, sem importar a adversidade, deve decidir por ela mesma o seu destino e quebrar os grilhões sociais que a impedem de viver em plenitude. O fogo evoca a paixão, o consumo deste, alcançando o seu ponto mais alto pela decisão de Radha em busca da sua almejada liberdade.
Por sua vez, o choque da modernidade e da antiguidade prevalece no filme Terra, neste caso transferido para a política e a diferença de religião. Na segunda parte da trilogia, a partição da Índia em 1947, surgida pela sua independência do império britânico, é observada do ponto de vista de Lenny, uma menina com pólio que pertence a uma família parse abastada, sob os cuidados de Shanta, uma jovem hindu. Será testemunha de como a amizade no grupo de amigos de Shanta, todos eles pertencentes a diversas comunidades religiosas indianas, se quebra pelas revoltas no país provocadas por paquistaneses e hindus, além de constatar o triângulo amoroso que a sua ama vive com Hassan e Dil Navaz, ambos de origem muçulmana. Uma adulta Lenny reflete o acontecido, assumindo as consequências das suas decisões desde os seus primeiros anos, a respeito da sua lealdade com Shanta e o meio que a rodeia. A divisão dum território (a referida terra do título) é o veículo do desenvolvimento das personagens. O ódio e a violência são o motivo pelo que se destrui um amor sincero, e pelo que a inocência na infância pode quebrar-se apesar da proteção dos pais. As diferenças das fações políticas que rodeiam uma sociedade influem em numerosas ocasiões nos indivíduos que a integram, manifestando-se neles a intolerância e a violência para qualquer opositor, sem importar o círculo social mais próximo a que este pertença.
Para o filme Água, Deepa Mehta defronta uma problemática social, mais uma vez, pouco convencional ao debruçar-se sobre a sociedade hindu e, à sua vez, precária para a mulher do seu país: a marginalização das viúvas, muitas delas obrigadas a viver num ashram, convento de clausura em que o seu sari branco e a cabeça rapada são vestígios do esquecimento a que estão obrigadas a viver, ganhando umas míseras rúpias por mendigar pelas ruas. Chuyia, uma menina de oito anos, é enviada a um destes ashram depois da morte do seu marido, e convive com outras viúvas de mais idade, entre elas Kalyani (uma jovem que destaca pela sua beleza), Shakuntala (em conflito pelos paradigmas da sua condição de vida) e Madhumati, a líder do lugar, com tratos ilícitos para poder subsistir. Ademais, ao surgir um romance entre Kalyani e Narayan, jovem médico idealista que apoia a doutrina de Gandhi, a situação das tradições antigas enfrenta-se com a modernidade, convidando à reflexão da mudança iniciada pela procura da independência que realizava a Índia em finais dos anos trinta. Inclusive, entre mulheres, a crueldade vê-se refletida também na prostituição a que é obrigada Kalyani sob as ordens de Madhumati, esta última não só ordenando-a para manter o ashram, mas também para se adjudicar um dinheiro extra para se custear o seu vício em marijuana. Chuyia observa e comprova tudo isto, e a sua inocência vai sucumbindo pouco a pouco à realidade, rodeada pela água que não só purifica, mas também afoga, embora um pequeno caudal predisponha em numerosas ocasiões à adaptabilidade e à esperança. A realizadora indiana, perante a desigualdade de género, amostrada claramente na sua trilogia fílmica, oferece às suas heroínas a oportunidade de decidir com o peso das consequências que essa decisão envolve, perante uma sociedade em que o abuso contra a mulher, infelizmente, é um pecado de cada dia em qualquer recanto do mundo, e não só na Índia.
O 22 DE MARÇO É O DIA MUNDIAL DA ÁGUA:

O Dia Mundial da Água foi instituído pela ONU em 22 de março de 1992 e visa à conscientização da população a respeito dessa valiosa substância. Sabemos que a água é um recurso essencial para a sobrevivência de todos os seres vivos. Ela atua mantendo nosso corpo hidratado, ajuda no transporte de substâncias, funciona como solvente, regula a nossa temperatura, participa de reações químicas, entre várias outras funções. Apesar de o nosso planeta ser repleto de água, estima-se que apenas 0,77% esteja disponível para o consumo humano em lagos, rios e reservatórios subterrâneos. Vale destacar, no entanto, que essa quantidade não está distribuída igualmente por todo o território, consequentemente, existem locais onde esse recurso é considerado bastante valioso. Em virtude dessa desigualdade de distribuição, em várias regiões ocorrem verdadeiros conflitos por água. Além da escassez de água em algumas regiões, enfrentamos ainda o problema da baixa qualidade. A poluição causada pelas atividades humanas faz com que a água esteja disponível, porém não esteja própria para o consumo. Estima-se que 20% da população mundial não tenha acesso à água limpa e, segundo a UNICEF, cerca de 1.400 crianças menores de cinco anos de idade morrem todos os dias em decorrência da falta de água potável, saneamento básico e higiene. Diante da importância da água para a nossa sobrevivência e da necessidade urgente de manter esse recurso disponível, surgiu o Dia Mundial da Água. Essa data, comemorada no dia 22 de março, foi criada em 1992 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e visa à ampliação da discussão sobre esse tema tão importante. No dia 22 de março de 1992, a ONU, além de instituir o Dia Mundial da Água, divulgou a Declaração Universal dos Direitos da Água, que é ordenada em dez artigos. Coloco a seguir alguns trechos dessa declaração:
- A água faz parte do patrimônio do planeta;
- A água é a seiva do nosso planeta;
- Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados;
- 4. O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos;
- 5. A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores;
- 6. A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo;
- 7. A água não deve ser desperdiçada nem poluída, nem envenenada;
- 8. A utilização da água implica respeito à lei;
- 9. A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social;
- 10. O planeamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.
Como toda a população necessita da água para a sua sobrevivência, em julho de 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou, através da Resolução A/RES/64/292, que a água limpa e segura e o saneamento básico são direitos humanos. Sendo assim, a água de qualidade e o saneamento básico passaram a ser um direito garantido por lei. O uso racional e a sua preservação são fundamentais para garantir qualidade de vida para a nossa geração e para as futuras. Temos que fazer uso consciente da água!
O 22 DE ABRIL É O DIA DA TERRA:
O Dia da Terra foi criado pelo senador norte-americano Gaylord Nelson, no dia 22 de Abril de 1970.
Tendo por finalidade criar uma consciência comum aos problemas da contaminação, conservação da biodiversidade e outras preocupações ambientais para proteger a Terra.
A primeira manifestação teve lugar em 22 de abril de 1970. Foi iniciada pelo senador Gaylord Nelson, ativista ambiental, para a criação de uma agenda ambiental. Para esta manifestação participaram duas mil universidades, dez mil escolas primárias e secundárias e centenas de comunidades. A pressão social teve seus sucessos e o governo dos Estados Unidos criaram a Agência de Proteção Ambiental (Environmental Protection Agency) e uma série de leis destinadas à proteção do ambiente.
Em 1972 celebrou-se a primeira conferência internacional sobre o ambiente: a Conferência de Estocolmo, cujo objetivo foi sensibilizar os líderes mundiais sobre a magnitude dos problemas ambientais e que se instituíssem as políticas necessárias para erradicá-los.
- O Dia da Terra é uma festa que pertence ao povo e não está regulada por somente uma entidade ou organismo, tampouco está relacionado com reivindicações políticas, nacionais, religiosas ou ideológicas.
- O Dia da Terra refere-se à tomada de consciência dos recursos naturais da Terra e o seu manejo, à educação ambiental e à participação como cidadãos ambientalmente conscientes e responsáveis.
- No Dia da Terra todos estamos convidados a participar em atividades que promovam a saúde do nosso planeta, tanto a nível global como regional e local.
- “A Terra é a nossa casa e a casa de todos os seres vivos. A Terra mesma está viva. Somos partes de um universo em evolução. Somos membros de uma comunidade de vida independente com uma magnífica diversidade de formas de vida e culturas. Sentimo-nos humildes ante a beleza da Terra e compartilhamos uma reverência pela vida e as fontes do nosso ser…”
Surgiu como um movimento universitário, o Dia da Terra converteu-se num importante acontecimento educativo e informativo. Os grupos ecologistas o utilizam como ocasião para avaliar os problemas do ambiente do planeta: a contaminação do ar, água e solos, a destruição de ecossistemas, centenas de milhares de plantas e espécies animais dizimadas, e o esgotamento de recursos não renováveis. Utiliza-se este dia também para insistir em soluções que permitam eliminar os efeitos negativos das atividades humanas. Estas soluções incluem a reciclagem de materiais manufaturados, preservação de recursos naturais como o petróleo e a energia, a proibição de utilizar produtos químicos danosos, o fim da destruição de habitats fundamentais como as florestas tropicais e a proteção de espécies ameaçadas. Por esta razão é o Dia da Terra.
Este dia não era reconhecido pela ONU até 2009, quando a mesma reconheceu a importância da data e instituiu o Dia Internacional da Mãe Terra, celebrado em 22 de abril.
Entre ambas datas – 22 de março e 22 de abril – temos que organizar também o Dia da árvore e outro dia a comemorar a festa do sol e da energia solar, com atividades educativo-didáticas, lúdicas e artísticas, apropriadas a realizar nas nossas aulas escolares.
TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:
Servindo-se da técnica do Cinema-fórum, analisar e debater sobre a forma (linguagem cinematográfica: planos, contraplanos, panorâmicas, movimentos de câmara, jogo com o tempo e o espaço, truques cinematográficos, etc.) e o fundo dos filmes da trilogia de Deepa Mehta anteriormente resenhados.
Organizar nos estabelecimentos de ensino uma exposição sobre os 4 elementos da vida e da natureza. Tal mostra deveria oferecer fotos, desenhos, frases, aforismos, poemas, pequenos textos e trabalhos dos estudantes. Com todo o material pode-se editar ou policopiar uma monografia.
Entre todos, estudantes e docentes, fazemos uma recolha na internet de textos educativos, de propostas metodológicas e de atividades didáticas referidas às comemorações dos dias mundiais da água, a terra, a árvore e a energia do sol. No Brasil existem formosas páginas e webs dedicadas a elas, com propostas muito interessantes. Depois de lidos os textos por todos, organizamos um debate-papo com a participação coletiva do grupo, e tiramos conclusões. Também podemos comentar a linda história de uma gotinha de água que a seguir reproduzo.
HISTÓRIA DE UMA GOTINHA DE ÁGUA
Era uma vez uma gotinha de água pequenina e transparente. Juntamente com outras, formava a água de um lago. Um dia, o Sol brilhante aqueceu a água do lago. As gotinhas separaram-se, subiram e formaram o vapor de água . Já não se viam as gotinhas. No céu, a gotinha juntou-se a muitas outras e formaram as nuvens. O vento empurrou as nuvens e a Gotinha viajou por muitas terras. Quando a nuvem ficou mais pesada e encontrou ar mais frio, algumas gotinhas caíram em forma de chuva . Ao passar pela montanha, o ar era muito, muito frio e a gotinha juntou-se a outras e formaram água sólida. Caíram na terra em forma de neve . O calor do sol derreteu a neve e as gotinhas voltaram a ser água líquida. Parte da água introduziu-se na terra e alimentou as plantas. Outra parte infiltrou-se no solo. Quando encontrou rochas impermeáveis formou um lençol de água. A gotinha, com outras companheiras, correu debaixo da terra e formou uma nascente. A gotinha de água foi ter ao rio onde conheceu os peixes. O curso da água levou a gotinha até ao mar. Agora a gotinha faz parte do mar. Vive numa onda à espera que o Sol a aqueça para de novo poder subir e começar uma nova viagem.


