José Paz Rodrigues (*) – O dia 5 de junho de cada ano ficou institucionalizado como “Dia Mundial do Ambiente”, por ser o aniversário da abertura da conferência sobre este tema das Nações Unidas, celebrada em 1972 em Estocolmo. Pola primeira vez, os poderes públicos nesta reunião, refletiram sobre os problemas ambientais gerados pola atuação dos seres humanos na nossa sociedade.
E mais adiante começou a andar uma nova ciência da pedagogia da educação ambiental. Que levou a repensar todo o currículo escolar do ponto de vista da ecologia. Para não só transmitir conhecimentos, também para criar umas atitudes de respeito e amor para a natureza tão ameaçada. Apartir desta sensibilização, até os nossos dias, foram surgindo temas tão importantes sobre a ecologia como o chamado efeito de estufa, a poluição do ar, a lixeira planetária, o aquecimento da atmosfera, o buraco do ozono, o uso indevido de aerossóis e inseticidas, o esgotamento de mares e rios, a deflorestação das grandes selvas, os problemas da energia nuclear, e já mais ao final a mudança ou alteração climática que nos está a afetar muito.
Para promover entre os estudantes sensibilidade por todos estos temas, escolhi o filme “O Livro da Selva”. No mesmo, a aula – uma grande aula ecológica – é a selva, e os docentes são diferentes animais que nela moram, em especial o urso que ensina ao rapaz do conto, amamentado antes na “escola maternal” por uma loba. No seu dia, este esplêndido filme de desenhos animados, baseado na famosa obra do mesmo título de Rudyard Kipling, teve grande sucesso e serve para que dele desfrutem tanto os adultos como as crianças.
Ficha Técnica do Filme:
Título original: The Jungle Book (O Livro da Selva / O menino lobo)
Diretor: Wolfgang Reitherman (USA, 1967, 78 min., desenhos animados a cores)
Produtora: Walt Disney.
Música: George Bruns, Terry Gilkyson e Richard M. Sherman.
Roteiro: Baseado no livro do mesmo título do Prémio Nobel R. Kipling
Argumento: A aventura começa quando Mogli, um rapaz pequeno, criado por lobos e que mora na selva, é convencido polo sua amiga Baguira, velha e esperta pantera, a buscar segurança no mundo dos homens. Resistindo à sua ideia, Mogli resolve seguir a filosofia do urso Balu, que gosta de curtir a vida e ser feliz, fazendo o que gosta. Juntos, dão início a uma grande jornada em direção à civilização e encontram no meio do caminho um orangotango maluco, uma cobra com poder de hipnotizar, um grupo de abutres e elefantes, e outro de macacos e Sherkham, um tigre ameaçador.
O que se pode fazer desde a Escola :
Apoiada desde a “primeira escola”, que é a família, e desde a “terceira escola”, que são os meios de comunicação, com a TV à cabeça, nas nossas escolas poderia e deveria organizar-se um plano de atividades sensibilizadoras, entre as que proponho as seguintes:
– Elaboração por grupos de um “Decálogo da Natureza”.
– Trabalhar de forma lúdica, atrativa e dinâmica, com atividades artísticas variadas, os três grandes centros de interesse: a floresta (árvores, plantas e animais), o campo (o jardim, os cultivos e a quinta) e a ribeira (mares, rios e lagos).
– Organização de concursos variados entre os escolares sobre o ambiente: cartazes, desenhos, ensaios, pinturas, faixas, autocolantes, poesias, contos e relatos, separadores de livros, selos, fotografias e postais.
– Desenho de um mural coletivo para a aula alusivo à data que se comemora.
– Realizar alguma saída ou passeio às zonas circundantes, visitando: um jardim, uma fraga, a ribeira dum rio, uma quinta… e fazendo recolhas e fotografias.
– Organizar entre todos uma campanha de defesa da natureza, com todo o tipo de elementos e múltiplas atividades.
– Organizar um cinema-fórum projetando algum filme. Ademais do que comentamos no nosso artigo de hoje, outros filmes que se podem visionar, alusivos ao ambiente, podem ser: Dersu Uzala (A. Kurosawa, 1975), A selva esmeralda (J. Boorman, 1985), Quando o vento sopra (D.A. de T. Murakami, 1986), Os dentes do diabo (N. Ray, 1960), Silkwood (M. Nichols, 1983), O rio da vida (R. Redford, 1992), Microcosmos (Documentário de C. Nuridsany e M. Perennou, 1996), A missão (R. Joffé, 1986), O bosque animado (D.A. de A. de la Cruz e M. Gómez, 2001) e muitos e formosos documentários que existem, como os de Félix Rguez. de la Fuente e os da BBC, por exemplo.
– Não esquecer-se tampouco de organizar atividades teatrais e dramáticas, dramatização dum conto ou relato, ou do diálogo entre o chefe da tribo índia Suwamish de Seattle e o presidente de USA em 1854. Completar as dramatizações com alguma audição musical (O carnaval dos animais de C. Saint-Saëns, As estações de Vivaldi, ou Os sonhos na gaiola de Manuel Maria, cantados por Suso Vaamonde).
– E ter presente, como todos sabemos, que a melhor atividade que há é que os rapazes tenham um jardim ou horto escolar, onde possam fazer plantações e cuidar plantas e também animais.
Proposta para os nossos Docentes :
Depois de visionar o filme, junto com os alunos, organizar um colóquio sobre o mesmo, em que os estudantes comentem com que personagem se identificam mais, realizem desenhos e inventem cantigas, procurem na biblioteca da aula informações sobre as plantas e os animais da selva, e levem a cabo uma pequena dramatização sobre o formoso conto escrito por Kipling. Pode fazer-se também uma leitura pública deste livro e também do do mesmo autor O livro das Terras Virgens. Podem buscar-se poemas sobre temas ecológicos, ademais dos que inventem os rapazes, e organizar um recital dos mesmos, entre alunos e alunas.
(*) Didata e pedagogo tagoreano. Autor, igualmente, da coluna de opinião Dizer e Fazer.



