Por proposta da Unesco, cada 8 de setembro celebra-se o “Dia Internacional da Alfabetização”. Junto com o brasileiro Paulo Freire, considero a pedagoga argentina Emília Ferreiro como uma das maiores especialistas do mundo no tema da alfabetização. E elaborei este depoimento para sensibilizar sobre a data e o importante que é a alfabetização, nomeadamente em lugares onde existe uma alta taxa de iletrados, especial e infelizmente mais mulheres que homens, e também para incluir esta pedagoga, por merecimento próprio, dentro da série de Grandes Educadores/as, que durante estes meses estou a publicar no PGL.
Emília Beatriz Maria Ferreiro Schavi nasceu em Buenos Aires no ano 1936. É uma psicóloga e pedagoga argentina, radicada no México, doutora pela Universidade de Genebra, sob a orientação de Jean Piaget. Em 1970 depois de se formar em psicologia pela Universidade de Buenos Aires, estudou na Universidade de Genebra, onde trabalhou como pesquisadora-assistente de Jean Piaget e obteve a sua tese de doutoramento sob a orientação do psicopedagogo suíço. Retornou a Buenos Aires em 1971. Formou um grupo de pesquisa sobre alfabetização e publicou a sua tese “Les relations temporelles dans le langage de l’enfant” (As relações temporais na língua da criança). No ano seguinte, recebeu uma bolsa da Fundação Guggenheim (EUA). Em 1974 afastou-se de suas funções docentes na Universidade de Buenos Aires. Em 1977, após o golpe de Estado na Argentina passou a viver em exílio na Suíça, lecionando na Universidade de Genebra. Iniciou com a espanhola Margarita Gómez Palacio uma pesquisa em Monterrey (México) com crianças que apresentavam dificuldade de aprendizagem. Em 1979 passou a residir no México com o marido, o físico e epistemólogo Rolando Garcia, com quem teve dous filhos. Atualmente reside na Cidade do México, onde foi Professora Titular do Centro de Investigação e Estudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional.
Ao contrário de grandes pensadores influentes na educação como Piaget, Vygotsky, Montessori e Paulo Freire, todos falecidos, Emília Ferreiro está viva e continua trabalhando regularmente. Voltou em 1971 à Universidade de Buenos Aires, como já comentei antes, onde constituiu um grupo de pesquisa sobre alfabetização do qual faziam parte Ana Teberosky, Alicia Lenzi, Suzana Fernandez, Ana Maria Kaufman e Lílian Tolchinsk. No ano de 1974, Ferreiro acabou afastada de suas funções docentes na universidade (a situação política na Argentina ia-se deteriorando progressivamente), mas mesmo sob tão difíceis condições o grupo manteve-se e as pesquisas continuaram durante os anos de 1975 e 1976. Em 1977, após o golpe de estado na Argentina foi abrigada a se exilar, e leva na bagagem os dados das entrevistas que ela e sua equipa tinham realizado, cuja análise está na origem da psicogênese da língua escrita. Passa a viver na Suíça em condição de exilada e a lecionar na universidade de Genebra, onde inicia uma pesquisa com a ajuda de Margarida Gómez Palacio sobre as dificuldades de aprendizagem das crianças de Monterrey (México). Em 1979 publica o livro Los sistemas de escritura em el desarrollo del niño, em co-autoria com Ana Teberosky, quem ajudou na análise exaustiva dos dados obtidos em Buenos Aires, numa ponte entre Genebra onde se encontrava Ferreirro, e Barcelona onde se encontrava Teberosky, pois o duro exílio estendeu-se por alguns anos, até mesmo para a maioria das pesquisadoras desse grupo que foram obrigadas a espalhar-se pelo mundo. Em 1982 publica com Margarida Gómez Palácio o livro Nuevas perspectivas sobre los proceesos de lectura y escritura, fruto de pesquisa com mais de mil crianças em que distingue oito níveis de conceitualização da escrita. Nos anos de 1985, 1986 e 1989 publica obras que reúnem ideias e experiências inovadoras na área de alfabetização realizadas na Argentina, no Brasil, no México e na Venezuela: La alfabetización em proceso; Psicogênese da língua escrita, Los hijos del analfabetismo (propuestas para la alfabetizacíon escolar em América Latina). Em 1992 recebe o título de doutora Honoris causa da Universidade de Buenos Aires; em 1999, pela Universidade Nacional de Córdoba (Argentina); em 2000 pela Universidade Nacional de Rosário (Argentina) e em 2003 é novamente homenageada com o título pela Universidade de Comahue (Argentina) e Atenas (Grécia). No Brasil, em 1994, recebe da Assembleia Legislativa da Bahia a medalha “libertador da Humanidade” que anteriormente fora atribuída ao líder sul-africano Nelson Mandela e ao educador brasileiro Paulo Freire. Em 1995 foi novamente homenageada com o título de doutor Honoris causa atribuído pela Universidade estadual do Rio de Janeiro (Uerj). E em 2001 recebe do governo brasileiro a Ordem Nacional do Mérito educativo.
E ainda continua a desenvolver projetos de pesquisa, orientar teses e participar de reuniões académicas no mundo todo. Estamos falando de uma personalidade que dentro do contexto significativo da educação, aparece não só como uma pesquisadora revolucionária, que apresenta novas convicções para recriar a realidade a partir de uma revisão crítica do conhecimento, mas que pelo mérito de sua iniciativa e magnitude de sua obra merece ser considerada como verdadeira educadora da humanidade. Preocupada com as minorias, com a diversidade cultural, com o direito à palavra, com o impacto de suas descobertas, capaz de não só ousar no plano teórico, mas de assumir com humildade o diálogo com os educadores.
FICHA TÉCNICA DOS 5 DOCUMENTÁRIOS DEDICADOS A EMÍLIA FERREIRO:
- Título original: Emília Ferreiro (Grandes Educadores).
Produtora: Atta Mídia e Educação (Brasil, 2011, 43 min., a cores, documentário).- Editora: Paulus Editora. Coleção: Grandes Educadores.
- Roteiro e Apresentação: Telma Weisz. Fez seu doutorado sob a orientação da Dra. Emília Ferreiro. É a coordenadora do Curso de Especialização em Alfabetização no Instituto Superior de Educação Vera Cruz e professora do mestrado Escritura y Alfabetización na Universidade de La Plata, Argentina. É também autora do livro “O Diálogo entre o Ensino e a Aprendizagem” (Ática).
- Argumento: A psicogénese da língua escrita, de Emília Ferreiro, causou uma verdadeira e profunda revolução no modo como compreendemos o processo de alfabetização. As suas repercussões no mundo todo e particularmente no Brasil reorientaram as discussões sobre um dos mais graves problemas nacionais: o fracasso escolar. Se antes de Emília Ferreiro debatia-se como ensinar, a partir de sua obra começamos a refletir sobre como se aprende. A sua obra faz com que educadores tenham elementos fundamentais para que possam repensar as suas práticas e, assim, tentar transformar a educação. A apresentação do conteúdo fica aos cuidados da professora universitária Telma Weisz, que também se encarregou da coleção “Emilia Ferreiro”, composta de quatro DVDs e lançada pela PAULUS.
- Conteúdos do documentário: Biografia e contexto. Psicogénese da língua escrita. Permanência e estabilidade. Intervenções didáticas. Transformação do contrato didático. O erro. Didática: dois eixos. Nome próprio. Listas. Evolução de escrita: dois exemplos.
- Título original: Emília Ferreiro: Biografia e contexto.
Produtora: Atta Mídia e Educação (Brasil, 2008, 38 min., a cores, DVD documentário).- Editora: Paulus Editora. Coleção: Emília Ferreiro Vol. 1.
- Argumento: As pesquisas que geraram a psicogénese da língua escrita, de Emília Ferreiro, tiveram grande repercussão entre educadores em diversos países, inclusive no Brasil. Por que isso aconteceu? Por que de forma tão rápida? Fundamentalmente, o que a obra de Emília Ferreiro traz é uma descrição de como a criança transforma a língua escrita em objeto de conhecimento. Saber isso pode ser a chave para importantes mudanças nas práticas pedagógicas e ter influência decisiva no combate ao fracasso escolar.
- Conteúdos do documentário: Biografia de Emília Ferreiro. Motivações iniciais. A psicogénese da língua escrita: significado, criação e influência. A repercussão no Brasil. Piaget. Construtivismo. Depoimentos de Emília Ferreiro e de diversos educadores.
- Título original: Psicogênese da língua escrita e a didática.
Produtora: Atta Mídia e Educação (Brasil, 2008, 60 min., a cores, DVD documentário).- Editora: Paulus Editora. Coleção: Emília Ferreiro Vol. 2.
- Argumento: A psicogénese da língua escrita, de Emília Ferreiro, causou uma verdadeira e profunda revolução no modo como compreendemos o processo de alfabetização.
- As suas repercussões no mundo todo e, particularmente no Brasil, reorientaram as discussões sobre um dos mais graves problemas nacionais: o fracasso escolar. Se antes de Emília Ferreiro debatia-se como ensinar, a partir da sua obra começamos a refletir sobre como se aprende. A sua obra faz com que educadores tenham elementos fundamentais para que possam repensar as suas práticas e, assim, tentar transformar a Educação.
- Conteúdos do documentário: A psicogénese da língua escrita: significado, criação e influência. Psicogénese da língua escrita e a didática. Entrevistas com crianças.
- Título original: Desdobramentos da psicogênese da língua escrita.
Produtora: Atta Mídia e Educação (Brasil, 2008, 98 min., a cores, DVD documentário).- Editora: Paulus Editora. Coleção: Emília Ferreiro Vol. 3.
- Argumento: Uma mostra do vigor das descobertas de Emília Ferreiro é que elas, além de reorientar práticas pedagógicas, estão na base de uma série de trabalhos científicos em diversos países. São teses de mestrado e de doutorado, muitos delas a partir da análise de práticas de sala de aula, que revigoraram e aprofundaram os avanços que a psicogénese da língua escrita causou nas décadas seguintes da sua publicação, em 1979. Neste DVD, algumas das pesquisadoras falam dos seus trabalhos atuais, de experiências em sala de aula e da influência de Emília Ferreiro nos seus trabalhos.
- Conteúdos do documentário: Novas pesquisas: enunciação, pontuação, formatos de textos, simultaneidade, oralidade. A prática da pesquisa. Pesquisas didáticas. Distância entre universidade e escola.
- Título original: Introdução à cultura escrita.
Produtora: Atta Mídia e Educação (Brasil, 2008, 98 min., a cores, DVD documentário).- Editora: Paulus Editora. Coleção: Emília Ferreiro Vol. 4.
- Argumento: Em uma entrevista a Telma Weisz, Emília Ferreiro fala sobre a cultura escrita. Um material inédito, fundamental para os educadores que buscam compreender o processo de aprendizagem de leitura e escrita em toda a sua riqueza e complexidade.
- Conteúdos do documentário: Entrevista de Emília Ferreiro. Letramento e alfabetismo. História da Cultura Escrita. Fracasso escolar. Multiplicidade de textos e cartilha. Código. Caligrafia. Articulação entre leitura e escrita. Constituição de uma escrita oficial.
- Nota: ISBN: 978-85-7530-287-3. Volumes: 04 DVD’s + 01 Livro Texto. Duração: 294 minutos. DVDs Coordenados por Emília Ferreiro, Ana Mª Kaufman, Alejandra Pelicer, Delia Lerner, Mirta Castedo, Mónica Alvarado, Regina Scarpa e Sofia Vernon. Supervisão: Telma Weisz (Doutora em Psicologia da Aprendizagem pela Universidade de São Paulo).
RENOVAÇÃO DA METODOLOGIA DO ENSINO DA LEITURA E DA ESCRITA:
De uma entrevista que no seu dia lhe realizaram a Emília Ferreiro, tiro algumas palavras próprias suas para entender melhor as ideias educativas que tem a respeito do ensino da leitura e escrita entre as crianças. A nossa pedagoga diz-nos:
Na atualidade mudou a conceção social do alfabetizado. O que se requer de uma pessoa alfabetizada hoje em dia é bem diferente do que em meados do século XX. Não é mais suficiente saber assinar o nome e conseguir ler instruções simples, como era na época da 2ª Guerra Mundial. Do ponto de vista dos usos sociais da escrita no mundo contemporâneo, temos uma complexidade cada vez maior. As circunstâncias de uso de leitura se tornaram muito frequentes e variadas. O que não mudou é o tipo de esforço cognitivo exigido por esse sistema de marcas que a sociedade apresenta em espaços muito variados e a instituição escolar é obrigada a transmitir. O problema da relação entre essas marcas escritas e a língua oral continua sendo um mistério total nos primeiros momentos da alfabetização.
E quanto ao seu ensino, continua a dizer-nos:
Uma mudança positiva é que já não se consideram as produções das crianças de 4 ou 5 anos como tentativas erradas ou rabiscos, a exemplo do que se dizia antigamente, mas sim como uma espécie de escrita. Parece-me que agora há uma atitude positiva, como sempre houve em relação aos primeiros desenhos. Outro avanço tem a ver com não se assustar quando crianças pequenas querem escrever. Antes elas eram desestimuladas porque se achava que não “estavam na idade”. Também se reconhece a importância de ler em voz alta para elas desde muito cedo. Já se sabe que existe uma diferença grande entre ler e contar uma história. Há um pequeno avanço – não tanto quanto deveria haver – na prática de ler textos distintos e na valorização da biblioteca de sala de aula. A simples atividade de ordenar os livros com as crianças, usando critérios múltiplos, já as aproxima muito da leitura e enriquece a escrita.
É muito interessante ler a totalidade desta entrevista que lhe fez Márcio Ferrari, na qual aparecem também as suas opiniões sobre as novas tecnologias no ensino da leitura e da escrita, matérias instrumentais muito importantes, para as quais os avanços tecnológicos (computadores, internet, os correios eletrónicos…) são mais positivos que negativos nas suas aprendizagens, e há que saber aproveita-los didaticamente. Tanto para incentivar a escrita, como para promover e dinamizar a leitura das crianças e dos estudantes.
Durante muitas décadas e em muitos lugares as formas tradicionais de alfabetização inicial consistiam num método no qual o professor transmitia os seus conhecimentos aos seus alunos. Porém, muitos desses não estavam capacitados para compreender algumas dificuldades que a criança enfrenta antes de entender o verdadeiro sentido da leitura e escrita. As primeiras escritas feitas pelas crianças no início da aprendizagem devem ser consideradas como produções de grande valor, porque de alguma forma os seus esforços foram colocados no papel representando algo. Na aprendizagem inicial as práticas utilizadas eram muitas vezes, baseadas na junção de sílabas simples, memorização de sons e cópias. Fazendo com que a criança se tornasse um espectador passivo ou recetor mecânico. Não participando do processo de construção do conhecimento. Em contraposição a isto aparece o modelo renovador de Ferreiro, ao revelar os processos de aprendizagem das crianças, levando a entender que puseram em questão os métodos tradicionais de ensino da leitura e da escrita. Emília chegou à conclusão de que as crianças têm um papel ativo de aprendizagem. Elas constroem o seu próprio conhecimento. Segundo ela, a construção do conhecimento da leitura e da escrita tem uma lógica individual, na escola ou fora dela. No processo de aprendizagem a criança passa por etapas com avanços e recuos, até dominar o código linguístico. O tempo para o aluno transpor cada uma das etapas é bem variado. Duas consequências importantes a ser respeitadas em sala de aula é respeitar a evolução de cada criança e compreender que o desempenho mais vagaroso não significa que a mesma seja menos inteligente. A aprendizagem não é provocada pela escola, mas pela própria mente das crianças, elas chegam ao seu primeiro dia de aula com conhecimento. O processo inicial é considerado em função da relação entre método utilizado e o estado de maturidade ou de prontidão da criança. As dificuldades que a criança enfrenta, são dificuldades conceituadas a respeito da construção do sistema e pode-se dizer que as crianças reinventam esse sistema. Não é reinventar as letras ou números, mas compreende-se o processo de construção e as suas regras de produção.
De acordo com a teoria exposta na sua Psicogénese da Língua Escrita, toda a criança passa por quatro fases até a sua alfabetização:
- pré-silábica: não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada;
- silábica: interpreta de sua maneira, atribuindo valor a cada sílaba;
- silábico-alfabética: mistura a lógica da fase anterior com a identificação de cada silaba;
- alfabética: domina o valor das letras e sílabas.
O processo de conhecimento da criança deve ser gradual dependendo da sua assimilação e de uma reacomodação dos esquemas internos, que necessariamente levam tempo. É por utilizar esse sistema e não repetir o que ouvem, que as crianças interpretam o ensino que recebem. Nada mais revelador do funcionamento da mente de um aluno do que os seus supostos erros, porque evidenciam como ele releu o conteúdo aprendido.
Emília Ferreiro critica a alfabetização tradicional, porque a prontidão das crianças para o aprendizado da leitura e da escrita por meio de avaliação de perceção e de motricidade (coordenação). O peso para o aspeto externo da escrita é excessivo, deixando de lado as suas características como a compreensão da escrita e a sua organização. Seguindo esse raciocínio o contacto da criança com a organização da escrita é adiado para quando ela for capaz de ler as palavras isoladas, embora a relação com os textos inteiros seja enriquecida. Portanto a alfabetização também é uma forma de se apropriar das funções sociais da escrita. Por isto, Emilia Ferreiro chegou a dizer: “O desenvolvimento da alfabetização ocorre, sem dúvida, em um ambiente social. Mas as práticas sociais assim como as informações sociais, não são recebidas passivamente pelas crianças”.
Atualmente, os professores definem o processo de alfabetização como sinónimo de uma técnica. Entretanto no processo de alfabetização inicial, nem sempre esses critérios são utilizados. Os professores ensinam da mesma maneira como aprenderam quando eram alunos, e não aceitam os erros que os seus alunos cometem. A nossa pedagoga defende, que de todos os grupos as crianças são as mais fáceis de alfabetizar e estão em processo contínuo de aprendizagem, enquanto os adultos já têm formas de conhecimento mais difíceis de modificar, ressalta. Tradicionalmente, as decisões a respeito da prática alfabetizadora têm como foco a polémica sobre os métodos utilizados. A metodologia normalmente utilizada pelos professores parte daquilo que é mais simples, passando para os mais complexos. Levando a uma polémica entre dous tipos fundamentais: método sintético e método analítico.
O método sintético preserva a correspondência entre o oral e o escrito, entre som e a grafia. O que se destaca é o processo que consiste em partir das partes do todo, sendo as letras os elementos mínimos da escrita. O método analítico insiste no reconhecimento global das palavras ou orações. Então para Emília Ferreiro, o que seria correto é interrogar, “através de que tipo de prática a criança é introduzida na linguagem escrita, e como se apresenta esse objeto no contexto escolar”.
Existem práticas que levam a criança à convicção de que o conhecimento é algo que os outros possuem e que só se pode adquirir da boca destes, deixando assim, de ser participante da construção. Algumas práticas levam a pensar que o que existe para conhecer já foi estabelecido, como um conjunto de cousas que não serão modificados. Algumas práticas fazem com que a criança, fique sem a prática do conhecimento, como recetor daquilo que o professor ensina. Ainda para Ferreiro ”nenhuma prática pedagógica é neutra. Todas estão apoiadas em certo modo de conceber o processo de aprendizagem e o objeto dessa aprendizagem”. Então, para que o professor seja eficaz deverá adaptar o seu ponto de vista ao da criança.
TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:
Servindo-se da técnica do Cinema-fórum, analisar e debater sobre a forma e o fundo dos 5 filmes documentários anteriormente resenhados.
Organizar nos estabelecimentos de ensino de todos os níveis uma amostra monográfica sobre as ideias sobre a alfabetização de Emília Ferreiro. A mesma terá que incluir fotos, textos, frases educativas, cartazes, autocolantes, desenhos e mesmo textos dos próprios estudantes. Deve aproveitar-se o que há na internet sobre a sua figura. Com todo o material podemos editar e/ou policopiar uma monografia dedicada à pedagoga argentina. Paralelamente a esta amostra, podemos projetar os filmes documentários anteriormente resenhados e organizar um debate-papo sobre os métodos para ensinar as matérias instrumentais da leitura e da escrita.
Organizar um Livro-fórum, depois de ler, estudantes e professores, um livro escolhido por todos, relacionado com o tema. Entre eles podemos escolher o livro de Ferreiro Cultura escrita e educação, da editora Artemed (2001). Também o de Telma Weisz O Diálogo entre o Ensino e a Aprendizagem, que editou no Brasil a editora Ática. E ainda a monografia Emília Ferreiro: a construção do conhecimento, editada por Segmento Duetto de São Paulo em 2005, dentro da coleção “Memória da Pedagogia” (volume nº 5).
