UM QUEIPO NO LAR

Eleições: Outra volta.



Que pode haver de mais importante que o ar que respiramos? A água que bebemos ou os alimentos que precisamos para não morrer de fome?

Isso seria uma petição razoável para quem pensa administrar o cativo orçamento de que vai dispor a Junta da Galiza . Um orçamento que depende da esmola que o Estado Espanhol queira livrar para nós. Porque nem sequer parece que haja vontade de mais exigências.

Eu gosto de respirar. A ser possível ar limpo e fresco. Segura de que não esteja empeçonhado com substancias que me danem. Mas isso não vai ser possível, em todos os lugares da Galiza. A cimenteira de Oural volta a queimar pneumáticos como combustível para fabricar o seu cimento Portlan que obtém de moer pedra de calcário. Pedra que tira das montanhas de Triacastela onde se topa a Cova de Eirós ( O Jazigo mais recuado no tempo de habitação humana da Europa. A única cova com pinturas rupestres da Galiza). ADEGA ganhara um pleito contra da fábrica porque, na altura demonstrar-se que a poluição que produzia com a queima de pneumáticos empeçonhava o ar até limites não saudáveis. Mas as leis mudaram e agora já podem fazer isso legalmente. A lei que o permite deve-se ao governo de Nunez Feijó. Também não vou poder respirar com tranquilidade em Pontevedra, a formosa, a luminosa vila do Lerez. Porque o Governo de Rajoi deu-lhe uma prorroga a fabrica de Celulose até 60 anos mais. Para que possa lixar o ar a vontade.

As estradas de toda Galiza foram regadas com ervicidas ( glisofato) de que se suspeita ser cancerígeno e se sabe que é inflamável e favorece a propagação do fogo… Um comboio especial carregado de veneno regou todas as vias do trem desde Ponferrada até Corunha, neste verão.

Os montes da minha terra são mais e mais inzados de eucaliptos, uma monocultura que favorece o lume, seca as fontes e não amortece a erosão por não criar mato em baixo dela. O Pedregal de Irimia está jaora arrodeado de eucaliptos. Nenhuma figura de proteção o ampara e a Confederação Hidrográfica tudo permite quando de fazer mal se trata ( falo por experiência de militante ecologista).

Não há qualquer controlo nas plantações de milho híbrido e dos ervicidas e pesticidas que acompanham esta cultura. O veneno está servido.

Este é o desgoverno que nos manda.

Para além disso temos paralisadas competências que iriam favorecer a nossa economia, como pode ser a transferência dos caminhos de ferro, possibilidade contemplada no nosso estatuto. Agora estão nas mãos do ADIF, ente semi-privado responsável pela segurança e mantimento de comboios e estruturas. Não faz falha que lembre o acidente do ALVIA em Compostela na véspera do dia da Pátria, ou o recente no Porrinho. Em ambos os dous casos o poder aponta para o culpado: O indefenso maquinista ( pobre homem, o do Porrinho morreu).

O ar na Galiza poderia estar mais limpo e nós poderíamos ter uma energia mais barata porque cá se produz mais do que se consome. Mas estamos a lha pagar aos consumidores de Madrid, onde não se produz nem um só Kilowatio. Pagamos nós o transporte.

A energia, os pesticidas e ervicidas, o milho híbrido, o betão são produtos controlados polas multinacionais. Em virtude da “livre competencia” asinada em Maastrich a sua implantação é favorecida a menos que um governo responsável ponha chatas ou negocie . Mas parece que sim o fazem. Por isso vemos a antigos políticos ocuparem postos de responsabilidade na administração destas empresas. Os acordos da União Europeia favorecem e eles lubrificam as facilidades para que as grandes corporações coloquem seus produtos cá ( milho híbrido, pesticidas, geradores de eletricidade, Celuloses,etc) destruíndo o tecido empresarial autóctone e emporcalhando o nosso ar, as nossas águas,o nosso leite, fazendo-nos cada vez mais dependentes e mais pobres.

Nisso tudo haverá que pensar antes de ir votar.

Nós não somos o único país atingido neste plano diabólico das multinacionais. Toda Europa o está. Deveríamos contrastar os nossos problemas com outros povos para centrar bem onde temos que por o alvo das nossas denuncias e evitar assim gastar a nossa força e salvas.

Agora temos as eleições galegas. Há certas coisas que ainda são competência da Galiza. Como as que acabo de citar: Plano Florestal, Transportes, Controlo das águas e das culturas agrícolas, produção de energia. Para alem das competências em educação e sanidade que mereceriam um artigo aparte. Todas estas coisas poderiam ser geridas pola administração galega (em eles querendo). Se até agora não fizeram é nossa responsabilidade lhe lo exigir. Escolhamos com jeitinho. E depois façamos valer os nossos direitos como cidadãos e reclamemos se eles não cumprirem as suas promessas.

Adela Figueroa Panisse

Adela Figueroa Panisse

Adela Clorinda Figueroa Panisse é de Lugo (Galiza), fazedora de versos, observadora do mundo e cuidadora de amizades. Trabalhadora no ambientalismo e na criatividade da palavra. Foi professora e lutadora pela recuperação da dignidade da Galiza e, ainda, pela solidariedade entre os seres humanos e a sua reconciliação com a terra. Gosta de rir, cantar e de contar contos. Também de escutar histórias, de preferência ternas e de humor.
Adela Figueroa Panisse

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  • abanhos

    gostei

  • http://www.isabelrei.com Isabel Rei Samartim

    Muito bem, Adela! Beijinhos.