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Educar para a esperança e a libertação, no filme “Paulo Freire contemporâneo”

José Paz Rodrigues (*) – Se nos artigos anteriores da série escrevi sobre destacados pedagogos, não podia esquecer-me de um muito importante, como é o brasileiro Paulo Freire (1921-1997). Que mereceu ser nomeado doutor honoris causa por mais de vinte universidades de todo o mundo.

Tenho reservados artigos para outros excelentes pedagogos e mestres, dos quais existem filmes ou documentários: Ferrer, Lorenzo Milani, Korczak, Neill, Robert Owen, Grundtvig, Nieto Caballero, La Salle, Calasanz, Cossio, Geheeb, Dewey, Kilpatrick, Edgar Morin, Lev Vygotsky, Jean Piaget, Manjón, Makarenko, Padre Américo, Padre Flanagan, Rosa Sensat, Gabriela Mistral, Froebel, Claparède, Rudolf Steiner, Henri Wallon, os pedagogos brasileiros da Escola Nova (Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo, Cecília Meireles e Lourenço Filho), as irmãs Agazzi e Ana Sullivan, entre outros.

Ao cumprirem-se os dez anos do falecimento de Freire, em 2007, o Ministério da Educação do Brasil, com grande acerto, convocou um concurso para a realização dum filme-documentário dedicado ao seu grande pedagogo. Houve perto de vinte propostas e afinal o júri escolheu o projeto do realizador Toni Venturi. Que recebeu 170 mil reais para poder levar a cabo a sua filmação. O documentário, de uns 55 minutos, mesmo recolhe imagens reais de entrevistas a Freire e foi passado na TV Escola do Brasil, com grande sucesso. Mais de 47 mil escolas públicas do grande país brasileiro recebem a programação da TV Escola, seja por meio de antena parabólica, analógica ou digital.

O documentário que comento pode ser visionado gratuitamente a partir da Internet nos nossos computadores. Entre os muitos trabalhos importantes de Freire destacam especialmente as suas experiências do método de alfabetização. Por épocas, com muitos problemas de aplicação, pola oposição de vários governos ditatoriais, que não olhavam bem que os camponeses e trabalhadores aprendessem a ler e escrever. Porque ademais o método freiriano conscientizava os cidadãos sobre a sua situação social.

Pola sua parte, a Paulus Vídeo de São Paulo tem editados cinco documentários interessantíssimos em DVD dedicados a Freire, dentro da série dos grandes educadores. Um sobre o seu sistema educativo dirigido por Ângela Antunes e Moacir Gadotti em 2006 (a cores e 56 min.). Os outros títulos são: “Paulo Freire Educação” (2008, 55 min.), “Paulo Freire Inspirações” (2008, 62 min.), “Paulo Freire Legado” (2008, 35 min.) e “Paulo Freire Biografia” (2008, 40 min.).

 

Ficha Técnica do Filme:

Título original: Paulo Freire Contemporâneo (Documentário)

Diretor: Toni Venturi (Brasil, 2007, 55 min., a cores)

Produtora: Olhar Imaginário, para a TV Escola da Secretaria de Estado da Educação a Distância

(Ministério da Educação do Brasil).

Argumento: O filme retoma as origens das primeiras experiências de alfabetização e de educação popular desenvolvidas por Freire, e mostra como seus pensamento e pedagogia ainda estão presentes nos dias atuais. Não é só um filme de memória, pois apresenta novas experiências baseadas, às vezes sem o saber, no método freiriano. Aparecem também cenas de entrevistas com o pedagogo e com outros educadores, com familiares, alunos e colaboradores.

Nota: Para poder ver o filme nos nossos computadores o melhor é entrar em Google Brasil. Entrar depois no portal Domínio Público. Na ferramenta de pesquisa temos que escolher a opção vídeo, selecionando DVD Escola, e no campo título, digitar o nome de Paulo Freire e clicar em pesquisar.

 

O Pedagogo dos oprimidos:

“Educar é libertar; libertar é educar”. Freire é o educador máximo representante da pedagogia libertadora, ou da esperança, problematizadora (oposta à “educação bancária”, termo acunhado por ele), conscientizadora e a favor da cultura popular e do diálogo. A verdadeira educação é a que serve para transformar, segundo ele. Nascido em Recife, no nordeste brasileiro, conheceu desde criança a realidade social do seu meio, onde até havia pouco se vivia na escravidão e por aqueles tempos as classes rurais sofriam de relações laborais opressivas, marginadas do processo social, político e económico e sem participação alguma nas decisões importantes para o país. Este contexto da sua primeira vida marcou-o para sempre e influiu nas suas ideias e métodos didáticos. Segundo ele o homem lê o mundo antes de ler a palavra. Por isto, o processo da aprendizagem deve estar vinculado ao contexto do aluno, possibilitando ao alfabetizando que deixe a sua condição de oprimido ao adotar uma postura crítica perante o mundo, só permitida pola educação. Por isso, acreditava ser impossível aprender sem adaptar a leitura do mundo do aluno à leitura das letras. Uma ideia básica de Freire é que a criança, sobretudo a das camadas mais pobres, precisa de uma atenção especial da escola pública e a perceção de que o contexto é a base do aprendizado, e de que o diálogo entre educador e educando é o que dá sustentação a uma prática pedagógica transformadora. Eis o legado sempre atual e inspirador de Freire. Também é muito original e inovador o seu método didático de alfabetização como caminho de libertação. Partindo de palavras geradoras provocadoras de diálogo, ao serem de objetos e/ou factos quotidianos do mundo dos educandos. Palavras que vão associadas com as suas imagens, em fotografias, diapositivos, desenhos ou cartazes.

Entre as formosas frases pedagógico-didáticas de Freire quero destacar estas:

– Há que desenvolver uma pedagogia da pergunta, no lugar da da resposta.

-Ensinar exige respeito aos saberes dos educandos e à sua autonomia. E segurança, capacidade profissional, generosidade e, sobretudo, saber escutar.

– O estudo não se mede polo número de páginas lidas numa noite, nem pola quantidade de livros lidos num semestre.

– Estudar não é um ato de consumir ideias, mas de criá-las e recriá-las. Aquela é a educação bancária, esta é a educação libertadora, criativa e transformadora.

– Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda.

– Educar é impregnar de sentido o que fazemos a cada instante!

– Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.

A UNESCO outorgou-lhe a Freire em 1986 o prémio internacional “Paz e Educação”.

 

Propostas para os nossos Docentes:

– Ver este filme e, se for possível, também os documentários antes resenhados, refletir sobre eles e fazer em grupo um debate-papo ou posta em comum.

– Procurar na Internet documentação sobre Paulo Freire e os seus métodos e estratégias didáticas.

– Adaptar o seu método de leitura crítica às nossas aulas, das turmas que começam a aprendizagem da leitura e da escrita.

 

(*) Didata e pedagogo tagoreano. Autor, igualmente, da coluna de opinião Dizer e Fazer.

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