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Diversidade linguística no Sudão do Sul

Vítor M. Lourenço – O Sudão do Sul, com uma extensão superior à da França, está pronto para se tornar o mais novo Estado do mundo. Tem a sua capital em Juba e uma população dentre 7.500.000 e 9.700.000 habitantes, a maioria dos quais praticam religiões tradicionais africanas bem como o cristianismo, a diferença do resto do Sudão, que é maioritariamente muçulmano.

 

A população do Sul representa uma grande diversidade étnica, e os grupos que destacam são os dinka, os nuers e os shilluk. Esta diversidade manifesta-se, também, na variedad de línguas territoriais que se falam. As principais são o dinka -a língua com mais falantes nativos-, o nuer, o shilluk, o bari e o zande.

No entanto, as únicas línguas oficiais reconhecidas até o momento são o inglês e o árabe -o árabe de Juba é a fala que serve como língua franca-. A maior parte das línguas territoriais faladas no Sudão do Sul pertencem à família nilo-saariana ou bem à nigero-congolesa.

O Sudão do Sul foi delimitado, tal e como o conhecemos hoje em dia, durante a época da dominação britânica no território (primeira metade do século XX). A priori, Londres tratou o território como uma colónia diferenciada do Sudão, mas os nacionalistas sudaneses sempre tiveram na sua agenda a anexão do Sudão do Sul em qualquer futuro Sudão independente.

A história contemporânea do Sudão do Sul, destarte, está marcada pelo conflito armado com o norte, com duas longas guerras civis que se remontam à independência da República do Sudão, em 1956, quando do sul viram insatisfeitas as demandas de autonomia e perceberam as políticas, dominadas por Jartum, como uma grande tentativa de arabização de todo o território ao longo da bacia do Nilo.

O primeiro conflito estendeu-se entre 1955 e 1972, mas fechou-se em falso, e em 1983 retornou com mais crudeza, e com o Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLA) como principal grupo rebelde independentista do sul. Este conflito alongou-se até 2005, e calcula-se que acabou com a vida de 1.900.000 pessoas.

Em 2005 começaria a lenta estabilização do território, com a aprovação de uma Constituição pelo Sudão do Sul e uns órgãos de governo próprios, que concederiam a toda a região uma verdadeira autonomia política. Ademais, na negociação com Jartum, o Movimento Popular de Libertação do Sudão (SPLM pelas suas siglas em inglês), ramo político da SPLA e força hegemónica no território, conseguiu patuar as condições para o referendo de independência que finalmente foi realizado entre 9 e 15 de janeiro de 2011, o qual, muito provavelmente, resultará numa vitória ampla do sim.

 

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