PGL – O diário Galicia Hoxe publica nesta data umha alargada reportagem na qual diferentes especialistas falam acerca do risco de dialectizaçom do galego. A raiz de um recente debate cibernético entre Carlos Callón e Filipe Díez, tomam a palavra Xosé Manuel Sánchez, Henrique Monteagudo, Méndez Ferrín, Fernández Rei, Carlos Garrido, Freixeiro Mato, Valentim R. Fagim, Maurício Castro e Goretti Sannmartín.
Na réplica de Díez ao presidente da Mesa pola Normalizaçom, umha das questões que este critica é que, em sua opiniom, o galego nom padece um problema de hibridaçom, como sustém Callón, mas em todo caso de substituiçom lingüística. A primeira voz em falar na reportagem é o filólogo Xosé Manuel Sánchez, quem opina que o galego pode desaparecer quer por simples mudança de língua, quer mediante um processo de hibridaçom com o castelhano. Em sua opiniom, “a confluência vai na direçom do espanhol, porque é a língua dominante”.
O presidente da Comissom Lingüística da AGAL, Carlos Carrido, acha que o galego “leva anos a perder traços genuínos em diversos âmbitos, nom só o léxico”, e aponta entre outros o fonológico -como a perda da oposiçom entre vogais fechadas e abertas-, o morfológico -como fazer os plurais com -es no canto de -ais– ou a sintaxe -cada vez se escuita menos o infinitivo flexionado-.
Dissente desta visom ex secretário do Conselho da Cultura Galega, o também filólogo Henrique Monteagudo, para quem a qualidade da língua é importante, mas “neste momento secundária”. Apela a “graduar”, e a exigir mais às pessoas “que agem como modelos de língua”. Finaliza a sua exposiçom com umha reflexom acerca do cânon: “às vezes, no mundo inteletual, opta-se por umha língua rebuscada, artificial, um modelo que nom tem a sua base no que fala o povo”.
Também aparece na reportagem o presidente da Real Academia Galega. Xosé Luis Méndez Ferrín concorda com Monteagudo em que as pessoas que fazem um úso público do galego, sendo referentes sociais, cuidem a sua qualidade, e coloca como exemplo o uso da conjunçom copulativa “i” em lugar de “e”, que critica especialmente aos líderes nacionalistas.
O académico e membro do ILG Francisco Fernández Rei discorda de Callón ou Sánchez, para quem as pessoas galego-flantes “utilizam um muito bom galego”, mesmo apesar “das interferências do castelhano no léxico”. Salienta especialmente a qualidade fonética, morfossintática, fraseologia e “estrutura em geral”, incidindo em que o galego-falante de sempre “nom coloca mal os pronomes”, e até assegura que “há castelhanismos que fôrom recuando… eu nom vejo tal hibridaçom”.
À hora de procurar a razom de que se produzam estas misturas, Filipe Díez afirma que as interferências léxicas do espanhol visam solucionar “a dificuldade de compreensom” para um falante de castelhano, e castelhanismos como conexo ou abuela nom seriam marca de subordinaçom do galego. Discorda deste parecer Xosé Ramón Freixeiro Mato. “Se umha pessoa fala galego e outra castelhano, entendem-se sem problema”, e salienta que atualmente “as interferências do galego no castelhano, hoje, som mínimas” porque cada vez se domina mais o castelhano devido à escolarizaçom maciça ou aos meios de comunicaçom. Porém, “há umha autêntica invasom” de interferências do castelhano sobre o galego. Para este filólogo e sociolingüista, o castelhano é a língua A e o galego a B, e som os falantes da B, o galego, quem renunciam.
Entrada de castelhanismos
Quanto aos âmbitos polos quais entram os castelhanismos, o presidente da AGAL, Valentim R. Fagim, explica que quando numha comunidade humana a maioria das pessoas se comunicam com falantes da mesma língua, esta mantém-se estável do ponto de vista formal, ainda que entrem palavras novas e se perdam ou caiam em desuso outras. Mas no caso galego há umha língua central e dominante, o castelhano, e umha periférica, o galego. Portanto, quando há problemas de comunicaçom, é o galego o que cede.
Maurício Castro, membro da Comissom Lingüística da AGAL, acrescenta que o galego tem um “défice funcional histórico” que fai com que tenhamos umha riqueza expressiva “nos âmbitos ligados à intimidade e à vida tradicional”, mas que careçamos de “vocabulário urbano, técnico e científico”, nos quais se utilizou o castelhano para complementar o galego. Aliás, a qualidade lingüística, “enorme na época dos nossos avós”, retrocedeu em duas gerações. “A hibridaçom léxica e fonética é clara na gente nova urbana”. Também critica a qualidade lingüística da classe política, para a qual “o galego é como un código secundário, pois falam como se estivessem a tomar umhas cervejas”.
Goretti Sanmartín incide na importância de cuidar a qualidade do idioma em Sobre o racismo lingüístico (Laiovento) e Calidade da lingua e planificación (Xerais). Defende a necessidade de afianzar un modelo culto e o mais consensuado possível, e advirte contra os discursos do “sempre se dixo assim” e da “artificialidade” do padrom. A isto responde Castro, para quem “todos os padrões som artificiais: ninguém fala na rua o inglês da BBC”.
+ Ligações relacionadas:
