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DIDEROT E D´ALEMBERT, CRIADORES DA ENCICLOPÉDIA

 

Em 24 de outubro comemora-se o Dia Mundial do Desenvolvimento da Informação. Para celebrar tão importante data nada melhor que lembrar os principais criadores da Enciclopédia Francesa no século XVIII, Denis Diderot (1713-1784) e Jean le Rond D´Alembert (1717-1783), do qual precisamente este ano se celebram os 300 anos de seu nascimento. Ambos, que foram grandes vultos da humanidade, ocupam na série que iniciei com Sócrates os números 16 e 17. Para o desenvolvimento da Enciclopédia contaram com os trabalhos e artigos de grandes vultos da cultura, como Condorcet, Voltaire, Condillac, Montesquieu e Rousseau.

DIDEROT:

Denis Diderot *oil on canvas *81 x 65 cm *signed: L. M. Van Loo / 1767
Denis Diderot

Segundo a pequena biografia escrita pelo brasileiro Alex Federle do Nascimento, Denis Diderot foi um grande escritor francês, enciclopedista e ainda filósofo. Nasceu em Langres-França (região da Champagne) no ano de 1713 e morreu em 1784 na cidade de Paris. Ficou conhecido por sua grande produção literária e pelas reformas realizadas nas enciclopédias. Diderot, foi um dos autores iniciais que fez da literatura um ofício (mesmo assim, nunca esqueceu que antes de tudo ele era um filósofo e não um literário), sempre se preocupou com a natureza do homem. Era sem dúvidas um grande admirador da vida. Era ateu e extremamente materialista, no entanto, antes tinha estudado com os jesuítas e iniciado a sua carreira como eclesiástica, mas isso não o impediu de ser ateu. Graduou-se em Artes na cidade de Paris entre os anos de 1729-1732, mas foi um grande estudioso de leis, literatura, filosofia, e ainda, matemática. Além disso, Diderot foi um grande inspirador da Revolução Francesa e um dos grandes símbolos iluministas.

Durante o ano de 1745 foi contratado pelo produtor Andre Le Breton com o intuito de traduzir uma enciclopédia inglesa. Depois disto, passou a trabalhar com o filósofo Jean Le Rond d’Alembert, organizando outra enciclopédia. Esta foi de grande inspiração racionalista e materialista e de grande influência e inspiração aos líderes da Revolução Francesa, propondo uma imediata separação entre a Igreja e o Estado, e ainda, o combate as superstições e as diversas manifestações de pensamento entre elas as instituições religiosas. Sua filosofia, exposta fragmentariamente, às vezes contraditória, foi a primeira a ser elaborada com base em dados fornecidos pelas ciências exatas, numa espécie de materialismo científico. Meditando sobre as descobertas dos sábios de sua época, chegou a conclusões realmente geniais, tendo pressentindo as teorias da evolução, a constituição celular dos seres vivos e esboçado métodos que pressentem os de Lamarck, Claude Bernard e Taine. Não esquecendo, as obras de Diderot voltadas para a literatura desdobrou-se em diversos gêneros, porém, de forma contraditória e irregular.

Os seus trabalhos realizados mais importantes foram: Pensées philosophiques (1746), Lettre sur les aveugles à l’usage de ceux qui voient (1749), Prospectus (1750), Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers (1750), Encyclopédie (1751-1772), Discours préliminaire da Enciclopédia, e Jacques le Fataliste et son maitre (1796), La Religieuse (1796), Eléments de physiologie (1774-1780) e Le Neveu de Rameau (1821). Publicou também, peças teatrais sem ter obtido êxito, destacou-se mais nos romances, seguindo as normas dos humoristas ingleses. A peça inicial de cunho literário em sua carreira foi Lettres sur les aveugles à l’usage de ceux qui voient (resumindo o seu pensamento do deísmo ao cepticismo e o materialismo ateu).

D´ALEMBERT:

dalembert-desenhoJean Le Rond d’Alembert tornou-se famoso pelo enunciado de um princípio básico de mecânica, conhecido como princípio de d’Alembert, bem como pelo estabelecimento das equações a derivadas parciais de segunda ordem. Filho natural do general Destouches e de Madame de Tencin, d’Alembert foi abandonado na igreja de Saint-Jean-Le-Rond, perto da Notre-Dame de Paris. Confiado à mulher de um vidraceiro, a quem devotou durante toda a vida profundo reconhecimento, iniciou seus estudos no Collège des Quatre Nations, sob a direção dos jansenistas. Aos 18 anos, substituiu o sobrenome de Daremberg, até então adotado, por d’Alembert. Formou-se em direito em 1738 e no mesmo ano iniciou seus estudos de medicina. Renunciou logo depois ao direito e à medicina, voltando sua atenção à matemática. É famoso pelo seu teorema matemático. Aos 22 anos publicou Memória sobre o cálculo integral, obra que lhe valeu o ingresso à Academia de Ciências de Paris. Dois anos depois, na sua Memória sobre a refração dos corpos sólidos, apresentou pela primeira vez uma bela exposição teórica, na qual explicou a razão por que um corpo passa de um fluido para outro mais denso, seguindo uma direção oblíqua em relação à superfície que separa os dois fluidos. As considerações de d’Alembert sobre a aplicação dos novos métodos introduzidos por Leibniz e Newton à integração das equações diferenciais lineares e ao estudo e desenvolvimento das derivadas parciais são de uma clareza e de um rigor científico notáveis para a época. Deve-se também a d’Alembert o enunciado do teorema fundamental da álgebra, conhecido como teorema de d’Alembert, apresentado em 1740 à Academia de Berlim: “Toda e qualquer equação algébrica que representa uma função racional inteira, admite sempre uma raiz”.

Em 1743, d’Alembert publicou o Tratado de dinâmica, no qual expõe o princípio fundamental que tomou o seu nome. Alicerçou a mecânica em três conceitos básicos, a saber: a inércia, o movimento composto e o equilíbrio entre dois corpos. Combinando os dois últimos conceitos, estabeleceu o princípio que pode ser assim enunciado: “Num sistema as forças internas de inércia são iguais e opostas às forças que produzem a aceleração”.

Editor, ao lado de Diderot, da Enciclopédia ou Dicionário racional das ciências, das artes e dos ofícios, publicada em 1751, d’Alembert também escreveu o famoso “Discurso preliminar”, peça magistral, de grande conteúdo filosófico-literário, que despertou a atenção do mundo científico para os novos campos do conhecimento. Além disso, praticamente toda a parte de matemática da Enciclopédia foi elaborada por d’Alembert. O rigor científico e a clareza com que expôs os conceitos recentemente introduzidos por vários matemáticos da época fazem com que alguns de seus verbetes sejam lidos ainda hoje com interesse.

LISTAGEM DE DOCUMENTÁRIOS E VÍDEOS:

1. Diderot e a obra de arte total.

Série: Fronteiras do Pensamento (Palestra de Roberto Romano).

Roberto Romano, professor de Ética e Filosofia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), elogia a obra “O Sobrinho de Rameau”, do polímata iluminista francês Denis Diderot. Para ele, uma ópera trágica e política, uma obra de arte total. Conferencista do Fronteiras do Pensamento 2007.

https://www.youtube.com/watch?v=FPflQgpa8BU

2. Iluminismo: Enciclopédia – Diderot e D’alembert – Vídeo Aula 8.

https://www.youtube.com/watch?v=Z3r_jofjfIE

3. Diderot e D’Alembert – Trabalho de História.

https://www.youtube.com/watch?v=Su-B7859zTo

4. Diderot – Filosofía – Educatina.

https://www.youtube.com/watch?v=0MelYeArW54

5. Enciclopédia de Diderot (Diderot´s Encyclopédie).

Comentário: Kristel Smentek (Professora de História da Arte).

https://www.youtube.com/watch?v=C71vkrsiyKE

6. Denis Diderot: O Poder do Conhecimento (The Power of Knowledge).

https://www.youtube.com/watch?v=myF5sHLPunw

7. Denis Diderot: Biografia.

https://www.youtube.com/watch?v=2cJsiiuEAM8

8. Denis Diderot: Trabalho de história.

https://www.youtube.com/watch?v=UYeuGIX7am0

9. Diderot e a Enciclopédia.

https://www.youtube.com/watch?v=Qs2f4FgQWCU

10. Frases de Diderot.

https://www.youtube.com/watch?v=8hu0cgP2Knc

11. Diderot e a Enciclopédia.

https://www.youtube.com/watch?v=2-ZZO5tIV1A

12. Emissão Cogito Diderot (Émission cogito: Diderot).

https://www.youtube.com/watch?v=aV25VdEMiBM

13. A Enciclopédia de Diderot e D´Alembert (L’ Encyclopédie de Diderot & d’Alembert).

https://www.youtube.com/watch?v=lze28Z-SciU

14. Filosofia Moderna: L’Enciclopedia di Diderot e D’Alembert e La religione nel Settecento.

https://www.youtube.com/watch?v=28Ld5eFAOGc

15. Denis Diderot.

https://www.youtube.com/watch?v=0Ln9h178MdM

16. Diderot e a Ilustração.

https://www.youtube.com/watch?v=LPQvzHCadmE

17. A emancipação do pensamento por Diderot e d’Alembert.

https://www.youtube.com/watch?v=0SEjldcbDBw

18. Teorema de D’Alembert (parte 2).

https://www.youtube.com/watch?v=onVT_bclrbg

19. Objeto Enciclopédia: A irradiação do Iluminismo.

Quantas vezes vocês consultaram um dicionário ou até mesmo Wikipédia em busca de respostas? Já se perguntaram como o Iluminismo e a Enciclopédia pode estar presente na sua vida e não apenas nos livros de História ou na sala de aula?

https://www.youtube.com/watch?v=hfGQumrXYs8

20. O século XVIII: século das luzes.

https://www.youtube.com/watch?v=L8GmXkiwaBA

Sobre a Revolução Francesa existe o seguinte documentário:

21. Revolução francesa.

Documentário completo sobre a revolução francesa, criado pelo canal de televisão History Chanell (90 min.)

Ver entrando em: https://www.youtube.com/watch?v=cL5rH_ifLGs

O OBJETIVO PRINCIPAL DA ENCICLOPÉDIA ERA SUBSTITUIR A FÉ PELO CONHECIMENTO:

Por considerá-lo muito acertado, tomo como base o depoimento escrito sobre este tema por Matthias von Hellfeld e revisado por Simone Lopes.

encyclopedie_de_dalembert_et_diderot_-_premiere_page_-_enc_1-na5

Coordenada por D’Alembert e Diderot, a Enciclopédia foi elaborada entre 1751 e 1780. Com base nos ideais iluministas, filósofos pretendiam, através do saber, criar o “cidadão esclarecido”. No decorrer dos séculos 17 e 18, os cientistas haviam acumulado conhecimentos que suplantavam tudo o que até então era considerado saber válido. Descobriram-se as relações do sistema planetário e o emprego da força hidráulica, novos continentes foram explorados, e ficara provado que a Terra não era plana. Cada vez mais se impunha o princípio de que o saber, e não a fé, deveria nortear a busca de respostas às questões da vida. Isso, contudo, também invalidava em grande parte o modelo explicativo da Igreja Católica. Pois sua definição da vida repousava, basicamente, numa existência no temor de Deus, com perspectivas a abundante recompensa no Além. Durante séculos, as Sagradas Escrituras e a interpretação apostólica forneceram às pessoas um sentido sobrenatural para a vida. Isso facilitava, para uns, suportar as injustiças terrenas e, para outros, justificá-las.

Mas não foram só as injustiças gritantes que marcavam a vida a possibilitar uma penetração cada vez maior do pensamento iluminista. Processos por heresia, a Inquisição e o ódio abismal entre adeptos de diferentes confissões haviam arruinado a reputação da fé como um todo. Pouca credibilidade mereciam tanto uma religião que origina ódio, e não amor, quanto uma Igreja que atormenta e persegue. Se o conhecimento devia passar a ser a nova máxima, então era necessário compilar e tornar acessível todo o saber gerado pela ciência. A partir de 1751, os filósofos franceses Denis Diderot (1713-1784) e Jean-Baptiste Le Rond d’Alembert (1717-1783) se impuseram essa tarefa. Até 1780, portanto ao longo de quase 30 anos, eles elaboraram a Encyclopédie ou Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers, cujos 35 volumes continham praticamente todos os dados sobre as ciências naturais e humanas da época.

Os enciclopedistas tomaram o esclarecimento como chave para a liberdade. O acúmulo de saber e uma educação norteada pela razão deveriam fomentar a capacidade de raciocinar de modo autônomo e a responsabilidade própria. Essa imagem de mundo excluía tanto a superstição e o êxtase religioso como a repressão por um governante absolutista. Assim, a Enciclopédia foi uma obra-chave do Iluminismo, cujo projeto era libertar o ser humano da “dependência autoimposta”, como formularia o filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804).

O cidadão tornado responsável através da educação e do saber teria direito a participar das decisões políticas de sua sociedade. Na visão de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), esse “cidadão esclarecido” é tão abrangentemente educado, que pode se submeter ao “contrato social” sem abrir mão de suas liberdades pessoais. Esse ideal de uma “vontade geral” (volonté générale) influenciou numerosos pensadores e filósofos do século 18.

As ideias do Iluminismo se difundiram rapidamente. Na Alemanha, Immanuel Kant, Johann Gottlieb Fichte (1762-1814), Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) e mais tarde também Karl Marx (1818-1883) devoraram as obras dos iluministas franceses. De início as influências foram limitadas, mas entre os esses intelectuais germinava um clima de ruptura, voltado para a libertação do indivíduo e da oprimida “nação alemã”.

ACERTADAS FRASES DE DIDEROT:

Denis Diderot pronunciou no seu momento muitas e interessantes frases, das quais neste depoimento, para poder compreender o seu pensamento, realizo uma pequena escolha das mesmas.

-“A ignorância não fica tão distante da verdade quanto o preconceito”.

-“Do fanatismo à barbárie não há mais do que um passo”.

-“É fácil criticar corretamente; e difícil executar mediocremente”.

-“Se, quando somos ricos, temos tudo, qual o interesse em termos mérito e virtude?”

-“Não existe nada tão raro como um homem inteiramente mau, a não ser talvez um homem inteiramente bom”.

-“Devem exigir que eu procure a verdade, não que a encontre”.

-“Ter escravos não é nada, mas o que se torna intolerável é ter escravos chamando-lhes cidadãos”.

-“Aquele que de algum modo condena o seu semelhante à felicidade, é feliz”.

-“Perguntaram um dia a alguém se havia ateus verdadeiros. Você acredita, respondeu ele, que haja cristãos verdadeiros?”

-“A voz da consciência e da honra é bem fraca quando as tripas gritam”.

-“O que hoje é para nós um paradoxo, será para a posteridade uma verdade demonstrada”.

-“A maior infelicidade para um artista é ter um adversário sem talento”.

-“É tão arriscado acreditar em tudo como não acreditar em nada”.

-“Só se recorre à injúria quando faltam as provas”.

-“A cólera prejudica o sossego da vida e a saúde do corpo, ofusca o julgamento e cega a razão”.

-“É que há tantos malvados neste mundo, que nem vale a pena reter aqueles a quem apetece sair dele”.

-“O consentimento dos homens reunidos em sociedade é o fundamento do poder. Aquele que só se estabelece pela força, só pela força pode subsistir”.

-“Aquele que contigo fala dos defeitos dos demais, com os demais fala dos teus”.

-“Aquele que se analisou a si mesmo, está deveras adiantado no conhecimento dos outros”.

-“Existem, hoje, cinquenta mil patifes que dizem o que querem a dezoito milhões de imbecis”.

-“Nenhum homem recebeu da natureza o direito de mandar nos outros”.

-“As coisas de que mais se fala entre os homens são quase sempre aquelas de que menos se sabe”.

-“Há muito tempo que o papel de sensato é perigoso entre os doidos”.

-“A superstição ofende mais a Deus do que o ateísmo”.

-“Os erros passam, a verdade fica”.

-“Em qualquer país em que o talento e a virtude não produzam progresso, o dinheiro será a divindade nacional”.

-“Saber conter-se é uma das primeiras coisas que deve aprender”.

-“O primeiro passo para a filosofia é a incredulidade”.

-“De todos os sentidos, a vista é o mais superficial. O ouvido, o mais orgulhoso. O olfato, o mais voluptuoso. O gosto, o mais inconstante. E o tato, o mais profundo”.

-“Erra tanto o que suspeita demais, quanto o que demais confia”.

-“O homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre”.

-“Todos querem ter amigos mas ninguém quer ser”.

-“A natureza não criou amos nem escravos, eu não quero dar nem receber leis”.

-“Coisas das quais nunca se duvidou, jamais foram provadas”.

-“A prosperidade revela os vícios, a adversidade, as virtudes”.

Muitas das frases anteriormente citadas surpreendem pela grande atualidade que têm na sociedade de hoje, que tantos valores perdeu, especialmente em Ocidente.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

Servindo-se da técnica do Cinema-fórum, analisar e debater sobre a forma e o fundo dos vídeos e documentários resenhados antes.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada à Enciclopédia Francesa e aos seus principais criadores Diderot e D´Alembert. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias.

Podemos levar a cabo nos nossos estabelecimentos de ensino uma tertúlia ou debate-papo, em que participem estudantes e docentes, e mesmo intelectuais da localidade, sobre o importante relacionamento entre a Enciclopédia e a Revolução Francesa. Depois de documentar-nos suficientemente em livros e na internet. Podemos tirar também conclusões, e, entre elas, a influência que tiveram noutros movimentos sociais no mundo.

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