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Curso de verão na USC: «Soberania(s). corpo, hábitos e territórios»

Esta semana decorre na Faculdade de Filologia da Universidade de Santiago de Compostela o curso de verão «Soberania(s). corpo, hábitos e territórios». De 15 a 18 de julho, as pessoas inscritas aproximarão-se do surgimento do conceito «soberania» como «expressão de rebeldia». Por sinal, uma das partes deste curso terá a ver com a soberania nacional e a ortográfica, uma oportunidade para as aluna e alunos se debruçarem sobre a questão da língua através das palestras de Carlos Quiroga, Celso Álvarez Cáccamo, Valentim Fagim e Isabel Rei. A atividade é dirigida por Teresa Moure e secretariada por Vítor Míguez.

A seguir, reproduzimos as informações que aparecem no programa deste curso.

OBJETIVOS

Curso de verão 2014 (USC)Hoje a opinião pública aceita acriticamente que vivemos tempos de globalização: a comunicação internacional faz-se em inglês, as normas são ditadas pela empresa e os sujeitos fazem parte duma engrenagem que move o mundo sem possibilidades de réplica. No entanto, a palavra soberania surge en distintos discursos como expressão de rebeldia. Os feminismos referem-se à soberania sobre o próprio corpo para evocar os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e também as liberdades sexuais, as mais íntimas, de toda a população. Em política, a soberania assegura os direitos nacionais num momento em que alguns territórios, como a Escócia ou a Catalunha, dão forma às suas reivindicações de independência. Em ecologia e economia a soberania alimentar identifica-se com os direitos das pessoas consumidoras a conhecerem e controlarem o processo de produção dos alimentos. Na crítica da cultura, a soberania refere-se à criação de qualquer tipo de nova identidade, incluído o caso sociolinguisticamente constatado de conflitos ou normas ortográficas que se sobrepõem. Em consequência, dentro duma análise crítica do discurso, urge analisar o concepto de soberania de maneira integral, dado que algumas das práticas mais dissidentes da atualidade social estão a ser convocadas sob esta etiqueta, o que incita a revisá-la com todas as ferramentas inteletuais para o debate em sessões interdisciplinares destinadas nem só ao estudantado universitário, mas a toda a sociedade galega.

PROGRAMA15 de julho: Soberania sobre o corpo

  • 09:30 Credenciamento e inauguração do curso
  • 10:30 As femen e as práticas discursivas para deconstruírmos o género. Teresa Moure, prof.ª titular de linguística da USC e escritora.
  • 12:30 As novas identidades de género: soberania sobre o próprio corpo. Elvira de Burgos, prof.ª titular de filosofia da Univ. de Zaragoza. / Beatriz Suárez Briones, prof.ª titular de teoria da literatura da Univ. de Vigo.
  • 16:00 Corpos, géneros e sexualidades. A pergunta pela liberdade e pela dissidência. Laura Bugalho, ativista transfeminista e sindicalista.
  • 18:30. A soberania sobre o corpo. Para onde caminha o feminismo na Galiza? Laura Bugalho, supra. / Rocío Fraga, socióloga e ativista feminista em Non me pises o freghao. / Paula Ríos, linguista e ativista feminista em Mulheres Nacionalistas Galegas

16 de julho: Soberania nacional e soberania ortográfica

  • 10:00 O conceito de nação aqui e agora: Soberania nacional e história da Galiza. Carlos Morais, historiador, secretário-geral de Primeira Linha.
  • 12:00 Galiza pela soberania. Que significa soberania nacional na época da globalização? Uxío-Breogán Diéguez, historiador e integrante da GpS. / Joam Péres, porta-voz de Causa Galiza e integrante da GpS. / Ana Viqueira, jornalista e integrante da coordenadora nacional da GpS.
  • 16:00 Escribir/escrever en/em galego: o que implica mudar a norma? Carlos Quiroga, prof. titular de filologia portuguesa na USC e escritor.
  • 18:30 Estratégias de domínio-submissão no caso galego: O combate entre normas ortográficas e a sua incidência na soberania nacional. Celso Álvarez Cáccamo, prof. titular de linguística na UDC e escritor. / Valentim Fagim Rodrigues, professor de português, editor e vice-presidente da AGAL. / Isabel Rei Samartim, professora de música no conservatório de Compostela e ativista reintegracionista.

17 de julho: Soberania sobre os hábitos.

  • 10:00 Decrescentismo para viver melhor. Pensamentos alternativos na economia e na sociedade. Carlos Taibo, prof. titular de ciências políticas da UAM e escritor.
  • 12:00 Soberania alimentar. Feminismo e decrescentismo, um projeto comum? Carlos Taibo, supra. / Isabel Vilalba, filóloga, secretária-geral do Sindicato Labrego Galego / Modera: Teresa Moure, supra.
  • 16:00 Projeção e debate do documentário: “Stop! Rodando el cambio”, um projeto de ação mundial.
  • 18:30 Economia feminista: na procura da soberania dos tempos e dos cuidados. Eva Aguayo, prof. contratada doutora de economia e coord. da Oficina de Igualdade e Género da USC.

18 de julho: Soberanias.

  • 10: As conclusões à luz: O reto das soberanias duma perspetiva anti-globalizadora. Teresa Moure, supra.
  • 11:30 Apresentação de comunicações.
  • 16:00 Clausura e reparto de diplomas.

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