Olizinho (*) – Assim, como soa. Cueiros. Nom sei, cecais sou eu que vejo o mundo desde um prisma que o complica tudo; mas creio que nom é tal. Nom foi hoje, mas hoje foi quando lembrei escrever sobre o que me aconteceu.
O meu pequeno vai à escola; umha escola infantil, dessas com várias salas, múltiplas professoras, cozinheiras que preparam o jantar e directora que dirige; umha dessas directoras que dirigem a sua escola desde que o mundo é mundo -seica há cousa de 20 anos já estava onde agora-.
Quantas crianças terá visto? Nom me atrevo a dizer um número. Quantos pais? Quantas maes? Centos de seguro! As estatísticas dizem que uns poucos de todos esses progenitores falam galego; nom o digo eu, dizem-no as estatísticas! E decerto é verdade. Como também é verdade que galego falam Shin-chan, Doraemon, Son Gokuh e, às vezes, os Teletubbies.
Eu suponho que umha directora de umha escola infantil terá ouvido centos de vezes falar a pais em galego; terá textos da Xunta em galego; seguro que as normativas a respeito da sanidade, salubridade, segurança…. todas, todas chegárom às suas maos em galego nalgum intre da sua vida. Umha directora terá visto algumha vez filmes animados em galego, ou?
É por isso que ainda hoje sigo a meditar sobre o acontecido. Assim foi que passou, quando me voltei antes de sair pola porta, e, olhando para ela com a criança no colo, dixem:
– Desculpa, o neno tem caca, podes dizer-lhe à sua mestra que me traia um cueiro?
E aconteceu que ela ficou parada um segundo e respondeu:
– Oye papi, un cueiro, dime lo que es un cueiro que yo no sé.
E assim, calado, olhos abertos, com o meu neno cagado no colo e a boca semi-aberta estivem eu por uns segundos, pensando em esses emigrantes que vivendo em países alheios tivérom de passar por explicar em língua que nom é própria algo tam simples.
Mas eu nom estou em pais alheio… Ou estou?
(*) Olizinho é um pai galego «luitando contra vento e maré». Podes consultar o seu blogue aqui.
