PGL – Há duas semanas, a escritora portuguesa Maria do Céu Nogueira iniciou uma turnê por três centros educativos do sul da Galiza, no IES do Couto (Ourense), no IES de Bande e no IES Martaguisela do Barco. Agora oferecemos duas crónicas muito especiais, a de uma das equipas organizadoras e a da própria Nogueira.
Cumpre lembrar que a escritora portuguesa apresentou Mais perto do Céu, livro editado pola AGAL, e que nos três centros estivo acompanhada polo professor Isaac Alonso Estraviz, quem apresentou o seu dicionário.
Os amigos da AGAL pedem algo sobre o que senti. Difícil falar de sentimentos. Por vezes faltam as palavras ou, embora não raramente, escreve-se muito e diz-se pouco. Eu não gostei, adorei. Senti-me em casa, melhor, numa casa aconchegada, plena de simpatia, ternura e amor. Fui recebida em todo o lado como uma rainha, quer pelo corpo docente das escolas, quer pelos jovens que estiveram sempre atentos às minhas palavras e eu fiquei com a sensação de que me entenderam muito bem, mesmo os que não frequentavam a classe do português. Países bem irmãos, a Galiza e Portugal, no seu cantinho minhoto.
Grande parte deste sucesso deve-se ao professor Estraviz que me acompanhou sempre e me apresentou a todos com aquele jeito brincalhão que tem, dizendo que eu sou meia galega e, generosamente, tecendo sempre grandes elogios à minha pessoa.
Quando fomos ao Barco deu para ver quanta beleza natural, quanta pureza, a Galiza contém. Verifiquei, com os meus próprios olhos a verdade contida numa frase de Rosalia de Castro no seu livro Cantares Galegos: «A Galiza onde tudo é espontâneo na natureza e onde a mão do homem cede o seu posto à mão de Deus». Na verdade, pelas quebradas da serra, nalguns pontos coroada de neve reluzente aos raios avaros do sol que de vez em quando aparecia, o verde do pinheiro fazia uma harmonia perfeita com o amarelo abundante das mimosas. E a frase da Rosalia, se calhar, introduzia na natureza espontânea da Galiza, o elemento humano. É que, se os tempos eram de frio, vento e neve, tudo era compensado pelo calor humano que senti nas pessoas que me receberam.
Maria do Céu Nogueira

Maria do Céu Nogueira e Isaac Estraviz no IES de Bande

Mirada atenta dos alunos e alunas do IES de Bande

Maria do Céu Nogueira apresentou Mais Perto do Céu
A 17 de fevereiro veio ao IES Martaguisela a escritora portuguesa Maria do Céu Nogueira para nos apresentar a sua obra em geral, e em particular o livro Mais perto do Céu, para cuja publicação a autora escolheu a Galiza.
Maria do Céu não vinha sozinha, mas estava acompanhada pelo doutor galego Isaac Estraviz. Foi ele que começou a palestra, a relatar experiências da sua vida que mostram o grande valor que têm os livros e a leitura.
A seguir, Isaac Estraviz falou do seu dicionário que não termina nunca, porque sempre há palavras novas para acrescentar e pediu-nos para o ajudarmos, contribuindo com algumas palavras.
A intervenção da escritora Maria do Céu Nogueira começou pelo seu último livro Na Fenda, que traz como presente a História do penso que pensa. A seguir centrou-se no livro Mais perto do Céu, realizando uma leitura expressiva do conto da Benilde completo, uma trágica história duma menina da aldeia que ficou grávida, que nos impressionou bastante.
Depois passámos à secção de perguntas. Aí a gente ficou envergonhada e não ousava ou não sabia o que perguntar. Mas afinal desenrascámo-nos bem, graças à ajuda de Isaac Estraviz, que nos segredou as perguntas que podíamos fazer.
Enfim, os/as alunos/as ficaram enfeitiçados/as pelo sotaque da escritora e a graça de Isaac Estraviz e com vontade de repetir a experiência.
Pedro Rainho e colegas da turma de português
do IES Martaguisela

Maria do Céu Nogueira ante as alunas e alunos do Couto

Isaac Estraviz acompanhou Maria do Céu Nogueira
para apresentar o seu dicionário, o e-Estraviz
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