Alexandre Banhos – O Congresso Jenaro Marinhas del Valle foi umha bela homenagem a quem foi membro de honra da AGAL e representou a tradiçom galeguista-republicana-liberal, que afirmava a unidade da nossa língua além e aquem Minho, unidade que o franquismo e a restauraçom borbónica tentarom e tentam banir, e de que somos coerentes continuadores os homens e mulheres da AGAL e todo o reintegracionismo.
A homenagem começou com um esforço de visibilizaçom do reintegracionismo na Corunha e redondezes com o repartimento de cem mil impressos nas caixas dos correios dos moradores dos concelhos da Corunha, Oleiros e Colheredo. Os actos de estudo e debate foram todos decorrendo conforme a programaçom e as comunicaçons, todas de grande altura (a AGAL vai editar as actas), ultrapassaram mesmo o tempo estrito que estava agendado.
No Congresso foi estudado Jenaro Marinhas desde distintas ópticas: a bibliográfica, a familiar, a sua experiência literária, a sua condiçom de poeta, a sua obra e o seu exemplo vital, a sua relaçom e implicaçom na AGAL. Vinhemos a saber que a inquietaçom reintegracionista aparece já num poema dele de 1927, o qual fala do ambiente em que foram socializadas as percepções nacionalistas integrais do autor. Soubemos que foi um nacionalista galego integral sempre.
Soubemos, igualmente, muito da sua história silenciada. Por exemplo, foi um empresário de sucesso e um amador do futebol, chegou a ter o nº 3 de sócio do Desportivo da Corunha, e chegando a viajar a vários campeonatos mundiais de futebol, o primeiro Suécia’1952. Soubemos que nom existe dele, e deve ser exemplo único, qualquer texto em espanhol.
O Congresso deu a conhecer, ainda, a cidade da Crunha e o seu papel fulcral na geraçom do galeguismo, de facto todos os assistentes (re)descobrimos Corunha. O Roteiro galeguista da cidade, foi um outro impacto do congresso. A AGAL doou perto de mil exemplares ao Concelho.
No dia 27 à tarde, depois da recepçom no Concelho e da comida, guiados por Felipe Seném e Henrique Rabunhal Corgo, houve um ameno percurso, seguindo aspectos do roteiro. Percurso e intervenções dos guias que foram todas gravadas e que vam dar lugar a uma curta de uns 30 minutos elaborada profissionalmente. Salientarmos que numeroso público alheio ao evento foi-se somando ao mesmo lá onde os guias se detinham.
Esse mesmo dia 27 houve no número 17 da Praça de Ponte Vedra, última morada de Jenaro Marinhas, um emocionante acto: procedeu-se ao descobrimento de uma placa de bronze bastante grande, a primeira placa que se coloca assinada pola AGAL. O acto foi emotivo, foram bastantes os vizinhos e amigos lá estiveram. A gaita tocou uma alvorada e outras peças e a seguir o hino galego que todos cantaram, e ainda houve umas palavras minhas, como presidente da AGAL, de Pablo Gonzalez Marinhas, sobrinho de Jenaro, e de uma vizinha emocionada por que aquilo se levasse a cabo.
No sábado continuou o Congresso e mais uma vez foi impossível cumprir os horários, eram cerca das duas e ainda se seguia a falar e debater com a última palestra do presidente da Academia Galega da Língua Portuguesa, Matinho Montero Santalha.
Texto inédito de Jenaro Marinhas del Valle (*)
Lembranças de Braga
I
Para Amadeu Torres
pelo mundo que andei e mais que andara
a Braga não esqueço que é cidade
sempre presente em minha saudade.
Gardo a sua imagem nítida, tão clara
como não ha mais outra claridade.
Foi a melhor e mais frutal seara
quando o povo galaico bracarara
em apertado abraço de irmandade.
Galiza e Portugal únen-se em Braga
com laço que perdura e continua
levando adiante antiga e nobre saga.
Eu galego do Norte em pleitesia
com vénia rendo à magestade sua
cantos de amor e louros de poesia.
II
No Nogueira da Silva houve pousada,
nunca tal eu merecera recompensa
apropriada a outra mais alta eminência.
Alcoba nobremente mobiliada
amplo leito de madeira bem labrada
vestido de abrigoso e fino lenço
que me proporcionou sono que penso
nunca uma noite achei melhor sonhada.
Sobre a minha cabeceira uma pintura,k
é de Lucas Giordano, uma madona
de impar napolitada formosura
que “il fa presto” pintou com sua falécia.
Baixo ela sonhei: Que? minha dona,
Que Fenix outra vez floria Gallecia.
III
No Bom Jesús do Monte certo dia
que permanez no meu recordo intato
disfrutei em singelo e ledo ato
com camaradas da lusofonia.
alí em convivio e amistoso trato
de africanos em grata companhia
e brasileiros, que tambem havia,
galegos, portugueses… todo um fato
humano reunido alí a eito,
as falas e os sotaques misturados
trençavan-se entre todos de tal jeito
que ninguem percebia a diferênça
sentindo-mo-nos todos irmanados
por uma lingua de comum licença.
(*) Apresentado por Pablo González Marinas, sobrinho de Marinhas del Valle.
