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Como som as pessoas neofalantes na comunidade LGTB+

A identidade sexual e o neofalantismo podem ter mais ligaçom da que aparentemente semelha. Assim o quis demonstrar a filóloga Inés Allariz Pena, quem a través do seu trabalho de fim de grau “Identidade a través da lingua: sáficas neofalantes”, mergulhou no uso da língua galega dentro da comunidade LGTB+.

Seis entrevistas com pessoas consideradas como sáficas é o fio principal desta investigaçom, que pretende ser um precedente para estudos posteriores, que ajudem a entender o uso do galego para além de investigações baseadas em termos que a autora considera “desfasados”. “Devemos atender as novas realidades sociais e sermos flexíveis com as etiquetas na sociolinguística, para nom apagar histórias e realidades por querermos classificar todo dum jeito talhante”, explica no seu trabalho. “Se se considera que o género é determinante para os estudos linguísticos”, reflexiona ao observar dados que indicam um maior número de falantes de castelhano entre as mulheres a respeito dos homens, “por que nom vás considerar a orientaçom sexual?”

“Se se considera que o género é determinante para os estudos linguísticos”, reflexiona ao observar dados que indicam um maior número de falantes de castelhano entre as mulheres a respeito dos homens, “por que nom vás considerar a orientaçom sexual?”

Atendendo essas novas realidades sociais é como chegou Inés Allariz Pena ao tema do seu Trabalho de Final de Grau. Allariz é ciente de que nos seus círculos mais achegados nom predomina a heterosexualidade, o que lhe serviu para pensar arredor da importáncia da orientaçom sexual na hora de falar um idioma. “Das pessoas sáficas que conheço, sejam amigas ou nom, a maioria som galegofalantes e neofalantes”, admite.

É por isso que às definições existentes de neofalante, ela achega alguns matizes criando umha nova: “pessoa que fala castelhano nas primeiras etapas da sua vida nos âmbitos externos ao fogar e à família; mas que, num processo de mudança consciente, se converte na adolescência ou vida adulta em galegofalante habitual (monolingue ou bilingue), independentemente de se a sua língua inicial é o galego, o castelhano ou outra”. Com isto, quer englobar todas as possibilidades de muda de idioma, para além da descriçom padrom da pessoa educada em castelhano que adota o galego como língua principal.

Para ela, é necessária umha atualizaçom da definiçom que contemple mais realidades, como a de aquelas pessoas que ainda sendo a sua língua mãe o galego, também podem ser neofalantes em contextos externos ao fogar. “Por muito que fales galego na tua casa, nom vás fazer nada a nivel social se nom o conservas e o transmites”, acrescenta. A isto, suma a importáncia de desterrar estereótipos como a relaçom entre o âmbito urbano e o neofalantismo: “Há estudos que equiparom aos neofalantes com falantes de galego padrom e galego urbano, e ignoram-se muitíssimas realidades”.

“Há estudos que equiparom aos neofalantes com falantes de galego padrom e galego urbano, e ignoram-se muitíssimas realidades”.

Em isto coincide Catalina Eirea, estudante de Jornalismo e Comunicaçom Audiovisual que se define como neofalante bisexual. Para ela, que sim conheceu o galego na casa, neofalantes som “a gente que falava sempre em castelhano e agora fala sempre em galego”. No seu caso, nunca pensara a possibilidade de que a identidade sexual e a sociolinguística pudessem estar ligadas, mas sim que analisa como na sua própria pele viveu um processo de reconhecer-se como bisexual quase à par com um maior apego pola língua e a sua cultura.

Inés Allariz destaca que a través do seu trabalho fica demonstrado que para as suas informantes si existe relaçom entre converterem-se em neofalante e reconhecerem-se como sáficas, um termo que recolhe mais realidades que o lesbianismo, pois contempla outras identidades de género – como as pessoas nom binárias – e de orientaçom sexual – bisexualidade ou pansexualidade. Na maior parte das pessoas entrevistadas por Allariz Pena, o processo de muda “sucedeu à vez ou pouco depois da sua saída do armário”, pois “quando reparas em certos aspetos da perceçom da tua própria identidade, mudam muitas cousas da tua personalidade, também a nível linguístico”.

Na maior parte das pessoas entrevistadas por Allariz Pena, o processo de muda “sucedeu à vez ou pouco depois da sua saída do armário”, pois “quando reparas em certos aspetos da perceçom da tua própria identidade, mudam muitas cousas da tua personalidade, também a nível linguístico”.

Os resultados, ainda que se limitam à experiência de seis pessoas sáficas neofalantes, ponhem sobre a mesa diferentes questões a respeito da mudança de idioma. O mantimento das raízes e a consciência da situaçom sociolinguística do galego som alguns dos motivos de mudança de língua que as entrevistadas partilham. Eirea coincide com isto, pois a sua experiência fora da Galiza fijo que se sentisse mais apegada à sua cultura: “acho que, quanto mais te afastas do teu sítio, mais sentes isso da morrinha e das raízes”. A isto, soma-lhe a fugida da heteronormatividade e o compromisso com as causas sociais. Isto último fai que as pessoas que Allariz Pena entrevistou coincidissem no apoio a grupos oprimidos, nom apenas dentro do coletivo LGTB+, mas além deste campo, como pode ser o compromisso coma defensa do galego.

“É habitual as pessoas pertencentes a grupos oprimidos empatizarem mais com outros grupos em umha situaçom similar e se implicarem em causas sociais”, explica a autora no seu estudo.

Allariz Pena recalca que mudar de língua é um processo multifatorial. Contudo, con este trabalho quer fazer ver outras realidades, que também se podem contemplar dentro da sociolinguística, para além dos campos tradicionais. “Do mesmo jeito que nos estudos sociolinguísticos se tenhem em conta mudanças de residência, amizade, centro educativo… também é mui relevante considerar a percepçom da tua própria identidade”. O seu estudo serve para abrir caminho dentro do estudo da sociolinguística, que deveria ter presentes novos aspetos, “pois nom incluí-los é invalidar realidades”.

[Este artigo foi publicado originalmente em neofalantes.gal]

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