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Como educar para a paz e a não-violência, no filme “Gandhi”

José Paz Rodrigues (*) – Há umas décadas, o pedagogo balear Llorenç Vidal teve a feliz ideia de propor a celebração em todos os centros de ensino, na data do 30 de janeiro, do Dia da Paz e a Não-Violência. Para lembrar também que em tal dia do ano 1948 em Nova Deli, fora assassinado por um fanático hindu o grande defensor da paz, Mahatma Gandhi.

Teve tal eco a proposta em Espanha, que hoje quase que em todas as escolas do país se celebra, com variados atos. Em que são envolvidos os alunos de todos os níveis, em atividades lúdicas, artísticas e festivas. Mantendo a ideia, que defendi sempre, de que a melhor maneira de criar nos rapazes aprendizagens apreciativas pacifistas é manter este espírito ao longo do ano e no dia a dia das aulas, não está mal que exista um dia no ano escolar, que sirva de estímulo e lembrança, em que se põe em destaque o importante que é ter atitudes pacifistas nas relações humanas. Porque desde a casa, que é a primeira escola, desde as aulas escolares, que são a segunda escola, e desde a terceira, configurada polos meios de comunicação, se pode e se deve ensinar as crianças a amar a paz e praticar sempre a não-violência. E os maiores profetas deste grande bem foram Jesus, Tagore e, claro está, Gandhi. Sobre o que foi realizado em 1982 um formoso filme. A que lhe dedicamos o comentário de hoje.

 

Ficha Técnica do Filme:

Título original: Gandhi.

Diretor: Richard Attenborough (Reino Unido, 1982, 188 min., a cores).

Música: Rovi Shonkor. Fotografia: Ronnie Taylor.

Intérpretes: Ben Kingsley (Gandhi), Candice Bergen, Edward Fox, John Gielgud, Trevor Howard, John Mills, Martin Sheen, Ian Bannen, Richard Griffiths e Daniel Day-Lewis.

Prémios: 8 Óscares em 1982 (filme, diretor, ator, guião, montagem, banda sonora, fotografia, direção artística, vestiário, som e maquilhagem).

Argumento: História biográfica de Gandhi, desde os seus anos na África do Sul, onde como jovem advogado, formado na Grã-Bretanha, defende os direitos dos indianos residentes nesse país, até o seu regresso à Índia, onde predica uma resistência não violenta contra os ingleses. Junto com outros líderes nativos leva a Índia finalmente a alcançar a independência. Sem embargo, não consegue cumprir o seu desejo: o de manter íntegro o território da União Indiana, incluindo o que hoje são três países independentes: Paquistão, Bangladesh e Sri Lanka. E a Índia continua hoje a pagar este erro de não fazer caso de Gandhi no seu momento. Quando tinha a razão toda.

 

 

Educar para a Paz seguindo Gandhi :

A melhor maneira de educar para a paz é, em primeiro lugar, que o mestre predique durante todo o ano com o exemplo. Sendo um modelo de pessoa, humanamente falando, que respeita os alunos, que os trata com agrado e bondade, que é alegre e ama a vida, que sabe motivar, que conta até cem antes de tomar uma decisão sobre algum aluno. Não pode educar para a paz um docente que não ama a paz e a não-violência, tanto na teoria, como na prática diária. Gandhi foi, neste senso, um exemplo de mestre e um modelo de educador para a paz.

Por isto preferimos que fale ele, na vez de fazê-lo nós. Pronunciou, como Jesus, formosas frases pacifistas, mas o mais formoso foi que tudo o levou à prática de forma muito disciplinada. Vejamos uma escolha das mesmas: “Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho”. “Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar a minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. A nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo”. “Olho por olho, e o mundo há de acabar cego”. “Cada dia a natureza produz o suficiente para a nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não haveria pobreza no mundo e ninguém morreria de fame”. “O amor é a força mais sutil do mundo”.”O amor nunca faz reclamações; dá sempre. O amor tolera; jamais se irrita e nunca exerce vingança”. “A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos”. “A violência é o medo aos ideais dos demais. O que se obtém com violência, somente se pode manter com violência”.

Finalmente é lapidário quando Gandhi diz: “A não-violência não existe se apenas amamos aqueles que nos amam. Só há não-violência quando amamos aqueles que nos odeiam. Sei como é difícil assumir essa grande lei do amor. Mas, todas as cousas grandes e boas não são difíceis de realizar? O amor a quem nos odeia é o mais difícil de tudo. Mas, com a graça de Deus, até mesmo essa cousa tão difícil se torna fácil de realizar, se assim queremos”.




Temas de debate e propostas :

– Fazer uma posta em comum com os alunos para refletir e comentar as frases de Gandhi antes citadas. Procurar na internet mais frases e informações sobre Mahatma Gandhi.

– Elaborar um projeto-programa de atividades para celebrar nas escolas o Dia da Paz e a Não-Violência. Não devem faltar no mesmo as seguintes: conta-contos, dramatizações, jogos, atividades musicais e artísticas, recitais literários, leituras, redações e fóruns de cinema.

 

 

(*) Didata e pedagogo tagoreano. Autor, igualmente, da coluna de opinião Dizer e Fazer.

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