Às portas de um novo primeiro de maio temos que recomendar aos docentes dos diferentes níveis do ensino, que aproveitem esta data para organizar nas suas aulas atividades didáticas variadas que sensibilizem os escolares sobre o tema do trabalho e o Dia Internacional dos Trabalhadores
No dia 1º de Maio de 1886, 500 mil trabalhadores saíram às ruas de Chicago, nos Estados Unidos, em manifestação pacífica, exigindo a redução da jornada para oito horas de trabalho. A polícia reprimiu a manifestação, dispersando a concentração, depois de ferir e matar dezenas de operários. Mas os trabalhadores não se deixaram abater, todos achavam que eram demais as horas diárias de trabalho, por isso, no dia 5 de Maio de 1886, quatro dias depois da reivindicação de Chicago, os operários voltaram às ruas e foram novamente reprimidos: 8 líderes presos, 4 trabalhadores executados e 3 condenados a prisão perpétua. Foi este o resultado desta segunda manifestação.
A luita não parou e a solidariedade internacional pressionou o governo americano a anular o falso julgamento e a elaborar novo júri, em 1888. Os membros que constituíam o júri reconheceram a inocência dos trabalhadores, culparam o Estado americano e ordenaram que soltassem os 3 presos. Em 1889 o Congresso Operário Internacional, reunido em Paris, decretou o 1º de Maio, como o Dia Internacional dos Trabalhadores, um dia de luto e de luita. E, em 1890, os trabalhadores americanos conquistaram a jornada de trabalho de oito horas. 116 anos depois das grandiosas manifestações dos operários de Chicago pela luita das oito horas de trabalho e da brutal repressão patronal e policial que se abateu sobre os manifestantes, o 1º de Maio mantém todo o seu significado e atualidade.
Nos Estados Unidos da América o Dia do Trabalhador celebra-se no dia 3 de Setembro e é conhecido por “Labor Day”. É um feriado nacional que é sempre comemorado na primeira segunda-feira do mês de Setembro e está relacionado com o período das colheitas e com o fim do Verão. No Canadá este feriado chama-se “Dia de Oito Horas”. Tem este nome porque se comemora a vitória da redução do dia de trabalho para oito horas.
Na Europa o “Dia do Trabalhador” comemora-se sempre no dia 1 de Maio. Em Portugal, segundo declarações do Secretário-geral da UGT, Eng. João Proença, “o Dia do Trabalhador é da maior importância para o movimento sindical e para aqueles que representa, mas também para todos os que defendem uma sociedade mais justa e solidária. Em Portugal é o dia em que afirmamos os valores do sindicalismo e a necessidade do progresso económico e social”.
Os trabalhadores aproveitam este dia para alertar o Governo e outras entidades para algumas das suas necessidades, tais como: direitos dos trabalhadores, aumento de salários e melhores condições. Em Portugal, segundo as declarações do secretário-geral da UGT, os direitos dos trabalhadores têm evoluído positivamente, ” hoje os trabalhadores vivem melhor que há 15 anos mas continuamos muito afastados da média comunitária, da qual nos estamos a aproximar a um ritmo demasiado lento. Temos maiores salários, mas continuam os mais baixos e desiguais da União Europeia; o mesmo acontece com as pensões. Os avanços legislativos não se traduzem muitas vezes na prática, face às violações sistemáticas da Lei. A sinistralidade laboral é a 1ª na Europa. A negociação coletiva começa a estar bloqueada e urge o relançamento da concertação”.
Todos os anos este feriado é comemorado com a realização de algumas atividades. Para este ano, segundo o engenheiro João Proença, este dia vai ser passado “em unidade, em luita e em festa vamos todos à Torre de Belém em Lisboa, onde os vários Sindicatos expõem os seus Comunicados e as suas atividades. O discurso da UGT exporá as reivindicações da Central, os problemas e as propostas de solução. Haverá também iniciativas pontuais em pontos mais afastados como Bragança e as Regiões Autónomas”.
Muitos países em todos os continentes celebram o dia 1 de maio como Dia do Trabalhador, Dia do Trabalho, Dia Internacional do Trabalhador ou Dia de Maio, embora o termo Dia de Maio ainda se refere ao significado original em muitos deles que ainda celebram esse feriado. Em países onde o dia 1 de maio não é feriado oficial, demonstrações são organizadas nesse dia em defesa dos trabalhadores.
Muitos foram os realizadores de cinema que levaram às telas fílmicas a problemática dos trabalhadores, as suas luitas, as suas greves e as suas reivindicações. Apresento a seguir uma listagem de 20 filmes básicos da filmografia mundial, que podem servir para organizar ciclos cinematográficos sobre tão importante tema.
O DIA DO TRABALHADOR NO CINEMA: 20 FILMES BÁSICOS:
1. A Greve (Stachka). Rússia, 1925, 82 min., preto e branco.
Diretor: Sergei M. Eisenstein. Fotografia: Eduard Tissé.
Argumento: No primeiro longa do grande mestre da vanguarda do cinema soviético, operários entram em greve na Rússia Czarista e são violentamente reprimidos. O filme é conhecido por suas sequências de montagem, sobretudo a que alterna o ataque aos grevistas com imagens de gado sendo abatido.
2. A quem pertence o mundo? (Kuhle Wampe oder: Wen gehört die Welt?).
Alemanha, 1932, 74 min., preto e branco. Música: Hanns Eisler. Fotografia: Günther Krampf.
Diretor: Slatan Dudow. Roteiro: Bertolt Brecht e Ernst Ottwald.
Argumento: Escrito por Bertolt Brecht, retrata a história de uma família levada pelo desemprego a se mudar para um acampamento nas cercanias de Berlin em plena crise da República de Weimar. Censurado em 1932, foi relançado com cortes após protestos. Não foi visto novamente até o fim da Guerra e hoje encontra-se restaurado.
3. Tempos modernos (Modern Times). EUA, 1936, 89 min., preto e branco.
Diretor: Charles Chaplin. Música e Roteiro: Ch. Chaplin. 
Fotografia: Rollie Totheroh e Ira Morgan. Produtora: United Artists.
Atores: Charles Chaplin, Paulette Goddard, Henry Bergman, Chester Conklin, Stanley Stanford, Hank Mann, Louis Natheaux e Allan Garcia.
Argumento: Talvez o mais conhecido entre as clássicas comédias de Chaplin, Tempos Modernos nos confronta com a maquinização da vida de um trabalhador fabril.
4. A terra treme (La Terra Trema). Itália, 1948, 152 min., preto e branco.
Diretor: Luchino Visconti. Roteiro: L. Visconti, segundo a obra de Giovanni Verga.
Fotografia: G.R. Aldo. Música: Willy Ferrero. Produtora: Universalia.
Atores: Maria Micale, Sebastiano Valastro, Antonio Arcidiacono, Giuseppe Arcidiacono, Salvatore Vicari, Antonino Micale e Nelluccia Giammona.
Argumento: Numa pequena vila de pescadores na Itália uma família de trabalhadores pescadores são convencidos pelo filho mais velho a hipotecar a casa para investir na pesca e venda na tentativa de não terem que lidar com os comerciantes atacadistas. O filme é uma adaptação do livro I Malavoglia do escritor Giovanni Verga.
5. Os companheiros (I Compagni). Itália, 1963, 128 min., preto e branco.
Diretor: Mario Monicelli. Roteiro: M. Monicelli, Agenore Incrocci e Furio Scarpelli.
Fotografia: Giuseppe Rotunno. Música: Carlo Rustichelli.
Atores: Marcello Mastroianni, Renato Salvatori, Annie Girardot, Folco Lulli, Gabriella Giorgelli, Bernard Blier e Raffaella Carrá.
Argumento: No final do século XIX um grupo de operários grevistas em Turim decidem radicalizar seu movimento. O filme mostra as dificuldades do movimento grevista bem como a repressão que ele enfrenta.
6. A classe operária vai ao Paraíso (La classe operaia va in paradiso).
Itália, 1971, 125 min., cor. Produtora: Euro International Film.
Diretor: Elio Petri. Roteiro: Elio Petri e Ugo Pirro.
Fotografia: Luigi Kuveiller. Música: Ennio Morricone.
Atores: Gian Maria Volonté, Mariangela Melato, Gino Pernice, Salvo Randone, Luigi Diberti, Donato Castellaneta, Giuseppe Fortis, Corrado Solari, Flavio Bucci, Carla Mancini, Mietta Albertini, Renata Zamengo, Marisa Rossi, Ezio Marano e Federico Scrobogna.
Argumento: Um operário, Lulu Massa (Gian Maria Volonté), depois de sofrer um acidente de trabalho em que perde um dedo se aproxima de grupos de esquerda radicais.
7. 1900 (Novecento). Itália, 1976, 314 min., cor. 
Diretor: Bernardo Bertolucci. Roteiro: Franco Arcalli, Giuseppe Bertolucci e B. Bertolucci.
Fotografia: Vittorio Storaro. Música: Ennio Morricone. Produtora: Paramount Pictures.
Atores: Gérard Depardieu, Robert De Niro, Dominique Sanda, Stefania Sandrelli, Donald Sutherland, Burt Lancaster, Sterling Hayden, Francesca Bertini, Laura Betti, Werner Bruhns, Stefania Casini, Anna Henkel, Ellen Schwiers, Alida Valli e Romolo Valli.
Argumento: Neste épico do cinema italiano, Bertolucci põe em cena dous homens de origens sociais opostas, um filho de proprietário de terras e o outro um camponês bastardo, no conturbado início de século, com a ascensão do Fascismo.
8. Norma Rae. EUA, 1979, 113 min., cor. Produtora: 20th Century Fox.
Diretor: Martin Ritt. Roteiro: Irving Ravetch e Harriet Frank Jr.
Fotografia: John A. Alonzo. Música: David Shire.
Atores: Sally Field, Beau Bridges, Ron Leibman, Pat Hingle, Barbara Baxley, Gail Strickland, Robert Broyles, John Calvin, Morgan Paull e Booth Colman.
Argumento: Numa pequena cidade do sul do Alabama, Norma Rae (Sally Field) é convencida pelo sindicalista Reuben Warshowsky (Ron Leibman) a se engajar no sindicalismo para luitar por melhores condições dos trabalhadores na indústria têxtil local.
9. Eles não usam Black-Tie. Brasil, 1981, 120 min., cor.
Diretor: Leon Hirszman. Roteiro: Gianfrancesco Guarnieri e Leon Hirszman.
Fotografia: Lauro Escorel. Música: Adoniran Barbosa, Chico Buarque de Hollanda e Gianfrancesco Guarnieri. Produtora: Embrafilme.
Atores: Gianfrancesco Guarnieri, Fernanda Montenegro, Carlos Alberto Riccelli, Bete Mendes e Lélia Abramo.
Argumento: Baseado na peça de mesmo nome de Gianfrancesco Guarnieri e estreado em 1958 no Teatro de Arena, o filme retrata o conflito familiar que divide um pai, líder grevista, e seu filho, que decide furar a greve por causa de sua esposa que está grávida.
10. Cabra marcado para morrer. Brasil, 1984, 119 min., cor, documentário.
Diretor: Eduardo Coutinho. Roteiro: E. Coutinho. Fotografia: Fernando Duarte e Edgar Moura. Música: Rogério Rossini. Produtora: Mapa Filmes.
Argumento: Interrompido durante a instauração do Golpe Militar, Cabra Marcado Para Morrer é um filme simbólico, não só sobre as tratativas da repressão aos mais pobres, pelo braço duro do estado, como também pela disseminação do ódio aos homens do campo. A sabotagem que Eduardo Coutinho acompanha famílias atacadas pelos membros do alto escalão do exército e servem de exemplo do montante de ações que dividiam os membros do campesinado, bem como a perseguição aos formadores dessas ligas equivalente aos sindicatos que habitavam o urbano. Talvez a obra mais conhecida da filmografia de Coutinho, Cabra Marcado exibe o melancólico retrato dos campestres, impotentes diante dos fomentadores do Regime, excluídos e assassinados como se fossem animais indo para o abate.
11. Roger e Eu (Roger and Me). EUA, 1989, 91 min., cor, documentário.
Diretor: Michael Moore. Roteiro: M. Moore. Fotografia: Chris Beaver, John Prusak, Kevin Rafferty e Bruce Schermer. Produtora: Warner Bros.
Argumento: Nos idos de 1989, o forte tom de denúncia e crítica à sociedade moderna, com toques refinados de sarcasmo já eram presentes no primeiro trabalho do polêmico Michael Moore. O documentário traz Moore em sua saga ao tentar dialogar com Roger Smith, presidente da General Motors, responsável pelo fechamento de onze indústrias da GM, o que acarretou em mais de 30.000 desempregados na cidade natal de Moore, Flint. O documentarista é incisivo ao ilustrar a perversidade inerente à logica incessante da busca pelo lucro, a concentração de riqueza nas mãos de um pequeno grupo e as desigualdades sociais que se alastram ao redor do globo.
12. O ABC da greve. Brasil, 1990, 100 min., cor, documentário.
Diretor: Leon Hirszman. Roteiro: L. Hirszman. Fotografia: Adrian Cooper.
Atores: Vinicius de Moraes, Ferreira Gullar e Lula.
Argumento: Acompanhando as greves ocorridas no estado de São Paulo pelos idos de 1979, O ABC da Greve reverberava as reclamações da classe operária por maiores direitos trabalhistas, apoiando veemente o fortalecimento dos sindicatos. A experiência do diretor e roteirista Leon Hirzsman em dramas passados nos anos pós chumbo, como em Eles Não Usam Black Tie já mostrava a indignação com o modo como o Regime Militar tratava o proletariado, fazendo deste documentário uma obra pessoal para o cineasta. Lançado postumamente, o filme serve para quebrar o silêncio que os militares tentavam impor aos líderes do movimento que propunham os mesmo direitos que os poderosos sempre tiveram, comumente associados a opressão daqueles que causaram medo e terror aos mais necessitados. O grito e o canto de revolta merece ser mais propagado dado que o filme é completamente subestimado pela crítica de cinema brasileira, mesmo hoje.
13. Germinal. França, 1993, 158 min., cor. Produtora: Coprodução França-Bélgica-Itália.
Diretor: Claude Berri. Roteiro: C. Berri e Arlette Langmann, segundo o romance de Émile Zola. Fotografia: Yves Angelo. Música: Jean-Louis Roques.
Atores: Gérard Depardieu, Renaud, Miou-Miou, Jean Carmet, Jean-Roger Milo, Judith Henry, Laurent Terzieff, Jean-Pierre Bisson, Bernard Fresson, Jacques Dacqmine e Anny Duperey.
Argumento: Baseado na novela homônima de Émile Zola, Germinal é a história de uma greve de mineiros no Norte da França, nos anos 1860. No drama, até então o mais caro do cinema francês, a greve é duramente reprimida pelas autoridades.
14. Billy Elliot. Reino Unido, 2000, 111 min., cor.
Diretor: Stephen Daldry. Roteiro: Lee Hall.
Fotografia: Brian Tufano. Música: Stephen Warbeck
Produtoras: Working Title Films, BBC Films e The Arts Council of England.
Atores: Jamie Bell, Julie Walters, Gary Lewis, Jamie Draven, Adam Cooper, Jean Heywood, Stuart Wells e Nicola Blackwell.
Argumento: Também ambientado na greve de 1984, o filme tem como protagonista o filho de um mineiro enfrentando os estereótipos de masculinidade ao aspirar a carreira de dançarino.
15. Pão e rosas (Bread and Roses). Reino Unido, 2000, 110 min., cor.
Diretor: Ken Loach. Roteiro: Paul Laverty. Fotografia: Barry Ackroyd. Música: George Fenton. Produtoras: Co-produção GB-Alemanha-Espanha.
Atores: Pilar Padilla, Adrien Brody, Elpidia Carrillo, George López e Jack McGee.
Argumento: Duas imigrantes mexicanas que trabalham como faxineiras em um prédio comercial nos Estados Unidos luitam pelo direito à greve, colocando em risco seus empregos e estadia no país. Entre outros, recebeu o prêmio de melhor filme europeu no Festival do Rio de 2000.
16. O Corte (Le couperet). França, 2005, 122 min., cor. Coprodução França-Bélgica.
Diretor: C. Costa-Gavras. Roteiro: Costa-Gavras e Jean-Claude Grumberg, segundo o romance de Donald Westlake. Fotografía: Patrick Blossier. Música: Armand Amar.
Atores: José García, Karin Viard, Geordy Monfils, Christa Theret, Ulrich Tukur, Olivier Gourmet, Yvon Back, Thierry Hancisse e Olga Grumberg.
Argumento: Costa-Gavras é conhecido pelo seu trabalho ao retratar temas pungentes em um cinema mais político, principalmente ligado a questões envolvendo a luta de classes. Em O Corte isso fica mais uma vez evidente. Sempre preciso, e por vezes impiedoso, Gavras não poupa o espectador e mostra o impacto da perda de um emprego na sociedade atual e o drama familiar decorrente disso. Está tudo ali: perda de identidade, baixa autoestima, impessoalidade, desespero, decadência financeira, o efeito desagregador no seio familiar, como também a opressão de uma entrevista de emprego e a atmosfera de competitividade reinante num ambiente corporativo.
17. As neves do Kilimanjaro (Les neiges du Kilimandjaro).
França, 2011, 109 min., cor. Produtoras: Agat Films, Cie Ex Nihilo e France 3 Cinéma.
Diretor: Robert Guédiguian. Roteiro: R. Guédiguian, segundo o poema de Victor Hugo.
Fotografia: Pierre Milon. Música: Pascal Mayer.
Atores: Ariane Ascaride, Jean-Pierre Darroussin, Gérard Meylan, Maryline Canto, Grégoire Leprince-Ringuet, Anaïs Demoustier, Adrien Jolivet, Robinson Stévenin, Karole Rocher, Julie-Marie Parmentier e Pierre Niney.
Argumento: Robert Guédiguian, cineasta francês de origem armênia, utiliza o poema Os Pobres, de Victor Hugo, como ponto central do filme. A trama nos apresenta Michel, um sindicalista que acaba demitido por decidir sortear seu nome em uma lista de cortes, por se recusar a receber um tratamento especial pela sua posição junto ao sindicato. Como se isso não fosse o bastante, ao celebrar seu aniversário de casamento ao lado de sua esposa, as personagens são assaltadas e perdem um grande valor em dinheiro, além de uma viagem para Tanzânia que receberam como presente. O filme discute as questões classistas envolvidas nas relações cotidianas e a violência decorrente delas. Apesar de por vezes cruzar a linha entre o moralismo e a moralidade, o filme é um belo exemplo de que as relações sociais são elementos catalisadores de transformações maiores de uma sociedade.
18. O duplo (The Double). Reino Unido, 2013, 89 min., cor. 
Diretor: Richard Ayoade. Roteiro: R. Ayoade e Avi Korine, segundo o romance de Fiódor Dostoievski. Fotografia: Erik Wilson. Música: Andrew Hewitt.
Atores: Jesse Eisenberg, Mia Wasikowska, Noah Taylor, Wallace Shawn, James Fox, Cathy Moriarty, Yasmin Paige, Chris O’Dowd, Sally Hawkins, Paddy Considine, Rade Serbedzija, Phyllis Somerville, Gemma Chan e Craig Roberts.
Argumento: Baseado no romance de Dostoievski, o filme de Richard Ayoade apresenta um micro universo sombrio e mecânico, semelhante às distopias vistas em Brasil e em outros filmes de Terry Gilliam. O cenário é uma tela em branco para a narração das desventuras de Simon (Jesse Eisenberg) que vê sua vaga no trabalho ser aos poucos tomadas por uma pessoa cujas expressões são idênticas às suas. A citada contra parte, chamada de James, rouba benefícios, atas e a confiança de seu opressor chefe, utilizando seus esforços para mostrar o quão obsoleto e descartável Simon é para a vida e, consequentemente, para o mercado, fazendo dele uma peça completamente desimportante e substituível da engranagem, encerrando a profecia de mercantilização da vida humana, com o capital tratando o homem como o ser diminuto, cuja proposição proveio dele mesmo.
19. Dous dias, uma noite (Deux jours, une nuit). Coprodução França-Bélgica.
Bélgica, 2014, 96 min., cor. Fotografia: Alain Marcoen.
Diretores e Roteiristas: Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne.
Atores: Marion Cotillard, Fabrizio Rongione, Pili Groyne, Simon Caudry, Catherine Salée, Batiste Sornin, Alain Eloy, Myriem Akeddiou, Fabienne Sciascia e Olivier Gourmet.
Argumento: O filme dos irmãos Dardenne trata prioritariamente sobre a questão da depressão, utilizando a personagem Sandra – magistralmente interpretada por uma propositalmente modificada Marion Cotillard – como maior exemplo dos malefícios da doença. No entanto, o background mostra o agravo e manifestação da doença após uma demissão, fruto da total insensibilidade de seu patrão que, como um barão industrial, corta-a do quadro de funcionários e divide aos empregados um bônus que serviria de resolução para a permanência de Sandra. Sua epopeia ao tentar modificar a situação é prodigiosa em mostrá-la como uma pária. O modo como alguns é tratada se assemelha a de alguém com uma doença contagiosa, repulsa mais caraterizada pela demissão do que pela depressão. Ao final, Sandra nota o ardil de seu antigo superior, mas não o culpa, ao contrário, utiliza o fato como trampolim para sair da letargia mental em que se encontrava, finalmente desenvolvendo uma expressão que não fosse de total miséria existencial. Símbolo da vitória não só sobre sua condição, mas também a quebra do paradigma de “escravidão assalariada”.
20. Orgulho (Pride). Reino Unido, 2014, 120 min., cor. Produtora: Calamity Films.
Diretor: Matthew Warchus. Roteiro: Stephen Beresford.
Fotografia: Tat Radcliffe. Música: Christopher Nightingale.
Atores: Ben Schnetzer, Monica Dolan, George MacKay, Bill Nighy, Andrew Scott, Imelda Staunton, Dominic West, Paddy Considine, Joseph Gilgun, Sophie Evans, Jessie Cave, Freddie Fox e Faye Marsay.
Argumento: O drama cômico conta a história de uma greve de mineiros na Inglaterra de Margaret Tatcher surpreendidos pela ajuda de ativistas do movimento gay. O filme recebeu o prêmio Queer Palm no Festival de Cannes.
O VALOR HUMANO E SOCIAL DO TRABALHO:
Por considerá-lo muito acertado, escolhi o seguinte depoimento da brasileira Dilti Xavier Lopes, sobre os valores do trabalho humano.
“Refletindo sobre o texto que li no blog de uma amiga, não pude evitar o pensamento de que apenas as pessoas de espírito ainda inferior almejam vida fácil. Aqueles que já alcançaram maior grau de evolução compreendem o valor do trabalho, sentem-se honrados com a oportunidade de servir, e trabalham o tempo todo em favor dos mais necessitados. Mas para nós, que ainda engatinhamos nas sendas da evolução, o bom mesmo é ter sombra e água fresca, e quando damos ao mundo o esforço do nosso trabalho, olhamos primeiro para o nosso umbigo e para as nossas necessidades. Muitas vezes consideramos o trabalho um mal necessário, um esforço que fazemos para garantir a nossa sobrevivência. Reclamamos tanto da vida, e das tarefas que executamos por obrigação, que até esquecemos que a conquista de uma vida feliz passa primeiro pelo suor do trabalho bem feito. Muitos ainda não sabem que o planeta Terra é escola e oficina, e que nós só estamos aqui com o propósito de trabalhar, aprender, e evoluir. Triste de quem pensa que veio ao mundo a passeio, este ainda não sabe que vai precisar colocar a “mão na massa” para conquistar as virtudes necessárias a uma vida feliz. Quem não acredita na força do trabalho não conhece a história da borboleta, que morreu justamente por ser poupada do maior esforço da sua vida. Mas uma coisa é certa, tudo de bom ou de ruim que acontece conosco, é resultado das nossas próprias escolhas e atitudes. Sendo assim, basta mudarmos de atitudes e de pensamentos para conquistarmos uma vida feliz.
Lembrem-se, nada cai do céu sem o devido merecimento, e aqueles que parecem ter vida fácil, ou estão colhendo os frutos da semente bem plantada, ou serão cobrados pela vida por suas negligências e falta de comprometimento. Pois é, apesar de saber que o trabalho edifica o homem, o lazer e o descanso também são necessários e muito bem vindos. A diversão sadia faz bem para a saúde física e mental de todo ser humano, ajuda a relaxar e restaura os bons pensamentos, provenientes de uma mente higienizada e sadia. Só não vale se empolgar, perder o bom senso, e meter os pés pelas mãos. Liberdade com responsabilidade, esta é uma dupla que sempre dá certo. Portanto, trabalhe muito, divirta-se bastante, aprenda cada vez mais, e seja muito feliz!”
TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:
Servindo-se da técnica do Cinema-fórum, analisar e debater sobre a forma (linguagem cinematográfica: planos, contraplanos, panorâmicas, movimentos de câmara, jogo com o tempo e o espaço, truques cinematográficos, etc.) e o fundo dos filmes que escolhamos da listagem anterior para organizar um ciclo cinematográfico sobre o trabalho e os trabalhadores no cinema.
Organizamos no nosso estabelecimento de ensino, com a colaboração dos escolares e dos professores, uma ampla amostra monográfica dedicada ao Trabalho, a sua história e o seu mundo. Terá que incluir, ademais de textos e trabalhos dos estudantes, fotos, desenhos, murais, frases e livros e revistas. Paralelamente podemos organizar um Certame Literário de contos, relatos e poemas, tomando o trabalho e as luitas históricas dos trabalhadores como tema principal.
Podemos organizar na nossa escola ou centro educativo uma mesa redonda ou um debate público, com pessoas que convidemos vinculadas de uma ou de outra forma ao mundo do trabalho: sindicalistas, operários agrícolas e industriais, advogados de direito do trabalho, desempregados, empresários, etc.
