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CICERONES IV. Cursos aPorto 2018

 

antonio-mendesAntónio Mendes Pereira está a coordenar os cursos aPorto nesta primeira semana da edição 2018.

Ele também respondeu às nossas perguntas como já fizeram as outras pessoas que atuarão de cicerones pelo Porto com o intuito de desenvolver interessantes conversas e continuar a descobrir a cidade invicta.
 
 
Porque razão, o Porto é a “tua” cidade? O que não podes deixar de fazer, no Porto?
 
O Porto é a cidade onde nasci.
Desde então sempre vivi na Póvoa de Varzim (a 26km), o Porto era a cidade onde, na infância, ia com os meus pais e o meu irmão ao médico, às compras mais especiais, à Feira Popular, ou apenas passear. E também, pontualmente, porque eram tempos do pós-“25 de Abril” e de intensa actividade política, a alguns comícios e manifestações.
O Porto da minha infância tinha também algo de muito marcante, para quem vivia numa pequena cidade: a dinâmica, o bulício, típicos de um lugar que ao longo de séculos construiu e consolidou a sua justíssima fama de “cidade de trabalho”. Ah, o cheirinho das torrefacções de café… Nessa altura, não só o comércio como a pequena indústria ainda se encontravam largamente instalados dentro da cidade. E havia os carros eléctricos e os trolley-car a circular…
A adolescência, com a maior autonomia que ela naturalmente me deu, trouxe-me uma outra perspectiva do Porto. Por um lado, a percepção mais aprofundada do que essas primeiras impressões encerravam, e por outro, a sensação da interacção directa com a espontaneidade e a generosidade das pessoas do Porto. E os edifícios e a(s) sua(s) arquitectura(s) passaram, obviamente, a fazer mais sentido para mim… As minhas idas ao Porto de comboio (que nessa altura percorria o que hoje é a linha B do Metro do Porto, entre a Póvoa de Varzim e a estação da Trindade), tinham como objectivos principais, a busca (e a compra, se possível…) de algumas coisas que então eram uma paixão: o modelismo, a música, mas principalmente, a banda desenhada. Todos as livrarias, alfarrabistas, pequenos quiosques, estavam no meu “mapa mental”…
A idade adulta levou-me, geograficamente, para outras áreas: a universidade em Braga, o trabalho em diversas localidades que não o Porto… A própria cidade foi mudando, “globalizando-se” com a implantação de grandes cadeias internacionais, “turistificando-se” em massa. Mas na essência, as pessoas é que continuam a ser a alma do Porto. E é isso que conta. Por isso, continua a ser um prazer regressar, para conviver com amigos, para (re-)descobrir algum lugar… Enfim, para viver a cidade!
 
O que pensas fazer ou onde pensas levar, o grupo que vais gerir? À volta de quais questões imaginas que possam decorrer as conversas com esse grupo?
O ponto de partida para o roteiro que tenho em mente, tem a ver com algo de que gosto, não só pelo seu conteúdo, que me desperta a mente, mas também, e muito, pela estética e percepção sensorial (texturas, cheiros…) que faz de cada objecto único, com a sua história individual…
Como dizemos por cá, “as conversas são como as cerejas”. Haja bons conversadores, e haverá seguramente boas conversas, engatadas umas nas outras!
 
A Galiza e o norte de Portugal, não apenas partilham fronteira, mas, também, língua e cultura. Quais achas que deveriam ser as ações para estreitar esses e outros laços?
 
À partida, e embora pareça uma banalidade o que vou dizer: conhecermo-nos mutuamente. Viver uns (muitos) dias da forma que os locais vivem nas suas terras: fazer o que fazem, comer o que comem, conversar e procurar saber mais sobre as gentes e as culturas. Acho que ainda há muito desconhecimento de parte a parte. Espanha e Portugal ainda são a maneira de muita gente ver a Galiza e o Norte de Portugal. E não são necessariamente equivalentes…
Daí, virá o resto! Penso que o estreitamento de laços não pode ser nem promovido (nem impedido!) à força, por políticos. Tem de partir da genuína vontade das pessoas.
Mas como é evidente, será necessário promover cada vez mais essa aproximação, proporcionando às pessoas da Galiza e do Norte de Portugal, experiências sociais, culturais, linguísticas e também laborais e económicas, que sendo bem sucedidas, mostrarão caminhos para essa maior proximidade. Mais do que os decretos de Lisboa e Madrid, diria eu…
Obviamente, tenho de salientar o trabalho muito meritório da AGAL, nomeadamente através dos cursos aPorto, e de todas a pessoas e associações que pelas suas iniciativas, promovem o que é natural: a cada vez maior aproximação dos dois “ramos da família” Galiza – Norte de Portugal.
Já agora, últimos dias para se inscrever no Curso aPorto Docentes de 6 a 10 de agosto. Toda a informação no site do aPorto banner-aporto

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