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Chora Ferrín de alegria?

Maria Espantoso – Com o rosto visivelmente emocionado, o presidente da Real Academia Galega, Xosé Luís Méndez Ferrín, estreita as mãos do secretário-geral da Cultura, Anxo Lorenzo, e do conselheiro da Cultura e a Educaçom, Jesús Vázquez.

Ferrín, a quem algumhas pessoas lembramos polos seus versos épicos e o temos idealizado como pessoa combativa, exibia a sua face mais sensível. A fotografia é clara, e as emoções abrolham no seu rosto. A visom da cena completa nom deixa pé a dúvidas. O rosto de Xosé Luís, às portas mesmas de cair algumha lágrima, é de pura gratidom.

Mas, por que umha pessoa como Ferrín, presidente da RAG, e ativo combatente político e cultural contra a espanholizaçom, havia de exibir gratidom cara a Anxo Lorenzo e Jesús Vázquez, pessoas fortemente criticadas desde os âmbitos cultural e educacional da Galiza? Por que deveria estar agradecido um defensor da luita obreira e da normalizaçom da nossa

Captura de ecrã do El País
[prima aqui para alargar a imagem]

língua com um conselheiro, Vázquez, que continua a financiar centros educacionais classistas e que promoveu um retrocesso normativo para o galego? Por qual razom Xosé Luís deveria estreitar a mão de Anxo Lorenzo, ex-sociolingüista —nas suas próprias palavras—, e rosto visível do desmantelamento de dúzias de equipas de normalizaçom —agora «dinamizaçom»— lingüística em toda a Galiza?

Segundo lemos no El País, a fotografia realizou-se durante umha visita de cortesia na qual Vázquez e Lorenzo comprometêrom a Ferrín «apoio económico» para os projetos de investigaçom da RAG. Na ediçom para a Galiza do diário madrileno nom se especifica a quanto ascenderia esse compromisso monetário, mas nestes tempos de duríssimas políticas económicas de ‘ajuste’, provavelmente o dinheiro nom baste para cobrir o custo do grande trabalho que realiza a RAG. Desde o ano 2007 a Junta tem assinado com a RAG vários convénios que nem sequer chegam ao meio milhom de euros.

Nom vou fazer como que investiguei nada, apenas tomei emprestadas algumhas referências do tuiteiro Outeiro, a quem agradeço que tenha tomado a moléstia. Em 2007, ainda com o bipartido BNG-PSOE no poder, foi assinado um convénio de 76.000€ com a RAG para a «produçom de serviços e conteúdos de interesse galego na web». Alguns pensávamos que serviria para, por fim, a Real Academia contar com um dicionário online atualizado. Mas nom foi assim, e esse projeto continua a acumular atrasos.

Também em 2007 foi assinado um convénio para trabalhos no âmbito da lexicografia e a gramática… só 150.000€ para o que provavelmente seja um volumoso trabalho, ainda que desde o vulgo nom conheçamos os resultados. Em 2008, novo convénio, novamente 150.000€, e novamente para trabalhar em gramática e lexicografia… um âmbito no qual há muito por investigar, e… nom há dinheiro que o pague, já dixemos.

Um outro convénio em 2009 no período de transiçom do bipartido para o governo de Feijóo. O de menor quantia, 75.000 míseros euros para, adivinham? Com efeito, para investigar no léxico e a gramática.

Pessoas mal-pensadas dirám que o (magnífico) Dicionário Estraviz está em linha desde há muitos anos sem ter recebido apoios públicos, ou que a Comissom Lingüística da AGAL ou a Academia Galega (a da Língua Portuguesa, nom a Real) também trabalham nos âmbitos do léxico e a gramática sem por isso assinarem convénios com a Junta… Mal-pensadas, insisto. Nom há dinheiro que pague os esforços da RAG por melhorar a prolixa investigaçom no léxico e a gramática, e comprovaremo-lo na próxima semana, data na qual, segundo o El País, a RAG por fim terá um dicionário online atualizado à reforminha praticada… há quase umha década, em 2003. E daquela, quando o virem, comprovarám que eram só pessoas mal-pensadas.

E, no entanto esse dia nom chegar, voltemos deitar a olhada sobre o rosto emocionado do presidente da nossa Real Academia, quem provavelmente alvisca novos projetos de investigaçom em léxico e gramática, vitais para qualquer utente de galego, e que nom há dinheiro que os pague… de momento.

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