O Dia Internacional da Informação sobre o Desenvolvimento celebra-se a 24 de outubro. Este dia foi estabelecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1972, com o objetivo de chamar a atenção da opinião pública mundial para os problemas de desenvolvimento e para a necessidade de unir esforços internacionais para os resolver. E a necessidade de intensificar a cooperação internacional. Foi escolhido o dia 24 de outubro para a celebração do dia mundial da informação sobre o desenvolvimento já que foi neste dia, em 1970, que se aprovou a Estratégia Internacional para o Desenvolvimento. Neste dia celebra-se também o Dia das Nações Unidas, organização fundada a 24 de outubro de 1945.
O acesso à informação é um elemento-chave para o desenvolvimento econômico e social de comunidades e grupos sociais. A capacidade de obter informações, além dos contornos restritos da própria comunidade, é parte do capital relacional dos indivíduos e grupos. As transformações dependem das redes existentes entre os indivíduos do grupo e atores localizados em outros espaços sociais, ou seja, do capital social da comunidade. Por ser tratado como capital, da mesma forma que o capital humano ou financeiro, investimentos para sua ampliação devem permitir retornos ou benefícios, servindo de base para o desenvolvimento, o que tem sido amplamente pesquisado. O uso da metodologia de análise de redes sociais vem se difundindo rapidamente, nos últimos anos, trazendo contribuições significativas para a compreensão do papel do capital social no desenvolvimento. A construção de redes sociais e a consequente aquisição de capital social estão condicionadas por fatores culturais, políticos e sociais. O próprio conceito de capital social é multidimensional, o que significa incorporar vários níveis e unidades de análise. A combinação da metodologia de análise de redes com uma base teórica sólida amplia os espaços de pesquisa, em um espectro que vai das pesquisas sobre o acesso às informações básicas sobre saúde pública em comunidades urbanas ao comércio internacional, passando pela análise do desenvolvimento regional, através do estudo dos arranjos produtivos locais.
Um dos objetivos de Desenvolvimento Sustentável é assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos. Com este objetivo, voltado para educação, e as metas a ele associadas, a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável reconhece que a educação é essencial para o sucesso de todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A educação está incluída, ainda, em objetivos de saúde, crescimento e emprego, consumo sustentável e produção, bem como de mudança climática. Ao longo dos dous últimos anos, a Unesco facilitou as consultas a seus Estados-membros e às principais partes interessadas na agenda futura de educação, culminando no Fórum Mundial de Educação, que ocorreu em Incheon, Coreia do Sul, em maio de 2015. Com a Declaração de Incheon, a comunidade envolvida com educação se comprometeu com a Educação 2030, agenda que está abrangida neste objetivo. A Declaração de Incheon confia à Unesco a responsabilidade de liderar e coordenar a Educação 2030. “Conhecemos o poder da educação para erradicar a pobreza, transformar vidas e promover avanços em todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, afirmou a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, no discurso de abertura do Fórum Mundial de Educação.
A Declaração de Incheon é um compromisso histórico para transformar vidas por meio de uma nova visão para a educação, com base no compromisso mundial de Educação para Todos, iniciado em Jomtien, em 1990, e reiterado em Dakar, em 2000. Ao mesmo tempo, busca lidar de maneira eficaz com os desafios atuais e futuros no campo da educação, seja no âmbito nacional ou no plano global. E nos tempos atuais é fundamental preparar a crianças e jovens para que saibam utilizar de forma adequada as novas tecnologias, os novos meios e recursos técnicos. Com a finalidade de conseguir um desenvolvimento social, cultural e económico positivo em todo o planeta. Com a maior preocupação sobre aqueles territórios e países menos desenvolvidos e com maiores problemas de tipo social e educativo.
Por isto é muito importante trabalhar nas aulas dos diferentes níveis do ensino, aproveitando a data comemorativa do 24 de outubro, o importante que é a informação para conseguir em todo o mundo o desenvolvimento positivo dos cidadãos, com o fim de que tenham uma vida o mais digna possível. Um interessante filme para poder refletir sobre este tema é o que desta vez escolhi, realizado no ano 2000, sob a direção de Mimi Leder.
FICHA TÉCNICA DO FILME:
Título original: Pay it Forward (A corrente do bem / Favores em cadeia).
Diretora: Mimi Leder (EUA, 2000, 122 min., a cores).
Roteiro: Leslie Dixon, segundo o romance de Catherine Ryan Hyde.
Fotografia: Oliver Stapleton. Música: Thomas Newman.
Produtoras: Warner Bros, Tapestry Films, Bel-Air Entertainment e StudioCanal.
Nota: Pode ver-se completo dublado em português entrando em:
https://www.youtube.com/watch?v=9D2KGGrCABI
Atores: Kevin Spacey (Eugene Simonet), Helen Hunt (Arlene MacKinney), Haley Joel Osment (Trevor MacKinney), Jay Mohr (Chris Chandler), Jim Caviezel (Jerry), Jon Bon Jovi (Ricky), Angie Dickinson (Grace), David Ramsey (Sidney Parker), Marc Donato (Adam), Kathleen Wilhoite (Bonnie), Liza Snyder (Michelle), Tina Lifford (Principal), Jeanetta Arnette (educadora de infância) e Shawn Pyfrom (Shawn).
Argumento: Eugene Simonet, um professor de Ciências Sociais, faz um desafio aos seus alunos em uma de suas aulas: que eles criem algo que possa mudar o mundo. Trevor McKinney, um de seus alunos, incentivado pelo desafio do professor, cria um novo jogo, chamado “pay it forward”, em que a cada favor que recebe você retribui a três outras pessoas. Surpreendentemente, a ideia funciona, ajudando o próprio Eugene a se desvencilhar de segredos do passado e também a mãe de Trevor, Arlene, a encontrar um novo sentido em sua vida. A base fundamental do filme é amostrar o importante que é fazer favores de forma desinteressada.
UM FILME EDUCATIVO SURPREENDENTE:
O especialista brasileiro em educação João Luís de Almeida Machado realizou no se dia uma acertada análise do filme. Aproveitamos os seus comentários da fita para este nosso depoimento, por considera-los muito úteis. Pensar na escola como sendo um lugar que pode gerar uma transformação tão grandiosa que ultrapasse os limites espaciais da vida de um estudante é algo que nos parece longe demais, no entanto, o filme a A corrente do Bem parte dessa premissa, parece querer nos dizer que o aquilo que nos parece aparentemente impossível pode estar ao nosso alcance. A história do filme tem um grande mérito em seu currículo, já foi capaz de promover o surgimento nos Estados Unidos de um movimento assemelhado ao que foi apresentado nas telas, portanto, como dizemos na gíria, “moveu montanhas”.
O filme recolhe a história de um garoto de 12 ou 13 anos, portanto um aluno da última turma de educação primária, com as aulas começando, em seu primeiro dia. Quando o rapaz e seus colegas chegam à sala de aula, encontram o professor de geografia aguardando-os, sentado em uma cadeira, a meditar sobre os pontos que pretende desenvolver nesse primeiro encontro com seus novos alunos. Quando todos estão sentados e instala-se um necessário silêncio, o professor inicia suas atividades apresentando-se e falando sobre os propósitos de seu curso e das dificuldades de se trabalhar com adolescentes; apesar de ter marcado o mapa na lousa em diversos pontos, o professor despreza o material e propõe uma atividade diferenciada, pergunta aos alunos sobre a possibilidade de desenvolvimento de um projeto, mas não um simples trabalho escolar, algo que vá além, que gere consequências, que provoque transformações.
Apesar de inicialmente termos a ideia de que tal professor (vivido pelo oscarizado Kevin Spacey, premiado pelo seu trabalho no crítico Beleza Americana) é conservador e que suas aulas devem corresponder a sua postura e atitude diante do grupo, esta proposta inicial nos coloca diante de uma nova perspetiva, mais bela, mais poética, mais revolucionária. Se ficamos interessados pela proposta, imaginem então, como reagiriam alunos de 12 ou 13 anos. Isso mesmo, a princípio, com grande indiferença, a não ser por um dos escolares, de nome Trevor, personificado pelo impressionante Haley Joel Osment (do surpreendente suspense O Sexto Sentido e do instigante AI – Inteligência Artificial), que cria a A corrente do Bem. Essa corrente funciona como as pirâmides através das quais as pessoas tentam ganhar dinheiro ou livros, por exemplo, só que ao invés de utilizar essa artimanha para multiplicar os ganhos materiais, a proposta do rapaz encaminha-se no sentido de fazer com que as pessoas pratiquem o bem para os outros, sem esperar qualquer devolução ou retorno. Cada pessoa teria que fazer o bem para 3 indivíduos e, pedir que os outros continuassem fazendo o mesmo, ou seja, praticando o bem para outras pessoas e pedindo que elas estendessem essa corrente indefinidamente. De 3 benfeitorias ou benefícios prestados passaríamos numa segunda etapa para 9, dos 9 para 27 e, assim sucessivamente. Perceberam como, uma simples ideia lançada numa sala de aula acabou por se tornar uma verdadeira revolução no pensar e no agir?
Além de nos provocar para que, como professores procuremos fazer com que nossos pequenos esforços se tornem grandes em seus resultados gerais para nossos alunos e nossas comunidades, o filme traz ainda discussões importantes acerca do respeito pelas diferenças, das dificuldades de relacionamento familiar nos tempos em que vivemos e, mais especificamente, da dificuldade que temos em entender os mais jovens (parecemos não querer escutá-los, mesmo quando nos mostramos atentos; parecemos não nos importarmos com o que os jovens pensam, quando deveríamos participar nossas opiniões e saber escuitar a deles; apesar de toda rebeldia, muitos deles querem e precisam muito de nosso apoio).
O filme é muito interessante no sentido de despertar diálogos, de nos fazer entender pelos jovens e de nos fazer atentos a suas colocações, de nos fazer promover uma possibilidade de maior entendimento entre pais e filhos (fundamental para a educação!) e de aproximar as escolas daquilo que seja significativo para os estudantes, a comunidade e mesmo para nós, professores!
O VALOR DA INFORMAÇÃO PARA CONSEGUIR O DESENVOLVIMENTO DOS POVOS:
Um dos maiores desafios do mundo e sociedade atual é explicar a todos os governos e comunidades a utilidade da informação para resolver os problemas do desenvolvimento. Na famosa declaração do milnio das Nações Unidas, com acerto, se vinculava o desenvolvimento e a erradicação da pobreza com o bom governo e a transparência. E concluiu-se que a liberdade de imprensa era fundamental para conseguir um bom nível de desenvolvimento. Infelizmente, todos sabemos que são ainda muitos os lugares e países em que tal liberdade não é respeitada. Mesmo no nosso, nos últimos anos, nunca esteve tão ameaçada, ao estarem controlados a maioria dos jornais e televisões pelo partido político mais corrupto que houve em toda a história no nosso país e pretende seguir “governando”.
Como ferramenta de desenvolvimento, a imprensa é tão eficaz como o investimento e a educação, e o mesmo se pode afirmar dos meios de comunicação digitais, que se baseiam nas TIC e cuja importância vai em aumento. Por tudo isto é muito importante a alfabetização informacional dos cidadãos, para favorecer que as pessoas, seja qual for a sua atividade, aprendam a pesquisar, avaliar, utilizar e criar informação para atingir os seus objetivos pessoais, sociais, laborais e educativos. As pessoas que dominam as bases da informação são capazes de aceder à informação relativa à sua saúde, o seu entorno, a sua educação e o seu trabalho, assim como o poder tomar decisões críticas sobre as suas vidas e relações sociais. Num mundo digital como o atual, a alfabetização informacional requer que os usuários contem com as competências necessárias para utilizar as tecnologias da informação e da comunicação e as suas aplicações, com o fim de poder aceder à informação e poder também criá-la. É também importante, para construir as sociedades de conhecimento, que nos preocupemos de preservar e conservar a informação, agora que já não só existem bibliotecas, museus e arquivos, ao existir as tecnologias digitais, não sendo nada fácil conservar no tempo os documentos em formato eletrónico que se estão a gerar. Dentro de muito pouco será difícil poder aceder a estes novos documentos se os responsáveis dos mesmos não se preocuparem de tema tão importante.
Outro tema vital é sem dúvida o da ética da informação. Existe já um debate internacional sobre os valores éticos e os aspetos jurídicos e sociais das aplicações das tecnologias da informação e da comunicação (TIC). Que devem estar inspirados pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, mas que, por desgraça, cada vez são mais os países que os não cumprem e os conculcam, o que faz perigar o bom desenvolvimento do nosso planeta. E finalmente é necessária a clarificação da importância que tem que todos os cidadãos do mundo possam aceder à informação sem limitações, com facilidade, fornecendo ademais ajudas e meios ali onde for necessário. Sem esquecer que o melhor lugar para que os cidadãos do futuro possam aprender a usar (e não abusar) da informação, são as aulas educativas dos estabelecimentos de ensino dos diferentes níveis.
TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:
Servindo-se da técnica do Cinema-fórum, analisar e debater sobre a forma (linguagem cinematográfica: planos, contraplanos, panorâmicas, movimentos de câmara, jogo com o tempo e o espaço, truques cinematográficos, etc.) e o fundo do filme anteriormente citado, realizado em 2000 por Mimi Leder.
Realizamos nos estabelecimentos de ensino um grande mural, que acolha um mapa-múndi em que apareçam os países do mundo com maiores problemas relacionados com a informação e o desenvolvimento. No mesmo podem ir fotos, textos e frases dos estudantes.
Podemos ler por todos (estudantes e docentes) o livro Desenvolvimento sustentável, o desafio do século XXI, da autoria de José Eli da Veiga, e depois de lê-lo organizamos um Livro-fórum sobre o mesmo.

