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C.C. Buril apresenta DVD “O Entroido na memória”

Colectivo Cultural Buril – Hoje, quinta-feira dia 16 de fevereiro, às 20h30, terá lugar a apresentaçom pública do DVD O Entroido na memória, vídeo-documentário realizado polo Coletivo Cultural Buril em 2001.

O ato decorrerá na sala de conferências de Burela (antiga biblioteca) e nele projetará-se este documento audiovisual no qual nem só veremos um retrato do entroido de Burela dos anos 80 e 90 do passado século, mas também nos achegaremos ao entroido de pós-guerra contado em primeira pessoa polos seus protagonistas.

Com esta reediçom em formato digital, queremos recuperar este documento com a vontade de fazê-lo chegar aos vizinhos e vizinhas de Burela e a todas as pessoas interessadas nesta temática. Para além do valor afetivo e sentimental que com certeza terá para muitos burelaos e burelás, O Entroido na memória constitui um documento de grande interesse tanto para o estudo da história local como para a etnografia e a historiografia galegas.

Do Buril, convidamos a todas as vizinhas e vizinhos a assistirem a este ato, especialmente a aquelas pessoas que participárom ou participam ativamente no entroido burelao.

O Entroido na memória

 

O Entroido na memoria nom é só um retrato do entroido da Burela de finais do século XX, mas também umha viagem ao entroido do passado, contado de viva voz polos nossos velhos e velhas. Aquel entroido popular, espontáneo, esmorgueiro e retranqueiro. O “entrudo chocalheiro” -como cantou o Zeca-, o dos excessos, da burla, do escárnio e do mundo ao revés. Em definitiva, o entroido tradicional, que o Buril quijo recuperar nos anos 80 e 90 do passado século, para que umha das manifestaçons mais genuínas da cultura galega nom caísse no esquecimento nem se visse desvirtuada polas alienantes modas do momento.

O entroido aldeám de outrora, o das carautas e disfarces artesanais a percorrer casas e corredoiras, tomava agora, da mao do Buril, forma de gincana polas ruas e bares de Burela, em que se realizavam as provas mais bizarras e extravagantes que podamos imaginar. Também se recuperavam tradiçons locais como a de “correr a auga”, que em palavras de Ricardo Pena, primeiro cronista oficial da vila, é umha das tradiçons mais ancestrais que partilham os povos marinheiros. Ao berro de “auga aqui”, os participantes alertavam da sua presença e faziam um chamamento popular à molheira coletiva, estabelecendo umha nova ordem social, na que nom havia privilégios de género, classe social, ou de qualquer outro tipo.

Mas a tradiçom também se renovava, e apareciam as comparsas que adaptavam a mofa e a burla populares à crítica social e política mais azeda. Deste jeito, o desfile de comparsas, convertia-se num foro público no que ridiculizar os poderes político, económico ou religioso. O entroido finalizava com o enterro da sardinha, no que a “corporaçom municipal”, eleita por legítima votaçom popular, acompanhava o defunto polas ruas de Burela. A comitiva completavam-na o crego, os gaiteiros e um grande número de vizinhos e vizinhas que ao som do infatigável pranto das choroas, desfilavam a passo lento qual Santa Companha para darem a última despedida ao entroido.

Assim é pois o entroido que podemos ver neste documentário e no que o Buril tanto colaborou. As pessoas que hoje conformamos o coletivo, queremos fazer o nosso humilde contributo ao conhecimento da nossa história recente e à consolidaçom da nossa memória colectiva, lembrando aquelas mulheres e aqueles homens que há quase 30 anos saírom à rua para berrar alto e forte: “Auga aqui!”.

 

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