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Catalunha e a nova regulação de imigrantes -pela caladada noite-

Alexandre Anhel Cuquejo – No dia 28 de março saía em toda a imprensa que o governo do premiê Rajoi preparava uma nova legislação reguladora do processo de obtenção da nacionalidade espanhola, e que ia, processualmente,  tomar uma forma muito mais séria e exigente. Era a resposta a um pedido da União Europeia, que não ficara muito contente com as regulações de imigrantes do premiê Zapatero.

Na primeira semana de abril o CNI, segundo fontes da máxima fiabilidade, fazia um relatório para o governo sobre o papel que podiam jogar os estrangeiros (são 7 milhões no Estado espanhol), num processo de tomada de decisão sobre a independência de alguma parte do Estado.

Segundo as minhas fontes, o CNI informava que os estrangeiros comunitários e os não procedentes da hispanofonia eram muito sensíveis aos processos de independência e que simpatizavam demais com esses processos, e que haveria que tomar medidas que lhes deixassem as cousas claras.

Imediatamente aparecia na imprensa que um marroquino firme partidário da independência catalã era expulso a proposta do CNI. E começavam atividades – algumas pouco dissimuladas – a pressionar entre os coletivos de estrangeiros mais favoráveis.

O relatório do CNI recomendava dar a nacionalidade espanhola, sem andar com questiúnculas, a todos os hispano-americanos e sem olhar muito para as normas de cada caso.

Segundo o CNI os hispano-americanos são muito mais mais firmes contra o separatismo que os “próprios espanhóis”.

Lembrava o relatório que a demanda contra o catalão, que vinha de chegar aos tribunais, e produzira o surpreendente e incrível auto de que se um só aluno quer o castelhano, há que mudar a língua de toda a turma, fora impulsionada por um casal argentino (apesar de, teoricamente, parte do casal ter ancestrais catalães).

Dizia o relatório que havia que estar a todas as circunstâncias que se pudessem dar. E que o número significativo deles (hispano-americanos) na Catalunha, e o facto de serem os mais beligerantes na defesa supremacista do castelhano, fazia que fosse muito importante tê-los em conta.

O CNI tem muita influência. O governo do premiê Rajoi agachou todo o assunto de nova regulação da nacionalidade, e desde já há algum tempo (segunda quinzena de abril), estão entupidas todas as comissarias do estado, incluídas as da Galiza, num processo de darem a nacionalidade de modo maciço aos hispanófonos (um milhão oitocentas mil pessoas).

Na semana passada vários jornais galegos publicavam (v.g. La Región), a grande diminuição que se está a produzir recentemente no número de imigrantes hispano-americanos na Galiza.

Na sua inocência a imprensa desconhecia que não é que se desse uma volta destes aos seus países de origem, se não que que ao nacionalizá-los deixam de contar como imigrantes.  Já mais de 50 por cento obteve ou está muito perto de obter a nacionalidade, e o resto espera obtê-la muito em breve. Isso é o que faz que estejam, como dizia, as comissarias policiais entupidas, nesta regulação pela calada da noite

Na Galiza os hispano-americanos são maioritariamente peruanos e bolivianos, ligados ao trabalho no mar,  muitos deles indigenas e com as suas línguas nacionais, porém esforçãm-se para que não as saibam os seus filhos (música comum a submetidos) , e agem com fóbia a respeito do português da Galiza; a eles somam-se argentinos e outros.

A velocidade como se estão a produzir estas cousas no Estado mostra que o governo espanhol quer jogar com todas as cartas do baralho, e que não acredita muito que no quadro do direito internacional seja suficiente a apelação a constituições e leis nascidas da guerra e da violência, pactuadas algo, porém, após o reconhecimento dos ganhos que a fogo e sangue foram conquistados, quer dizer, os direitos históricos (sempre só de Castela-Hespanha).

A cousa fai-se pela calada da noite, pois vai no sentido contrário das directrizes europeis. Os imigrantes mais qualificados que estavam no estado espanhol estão voltando a sua terra ou a outras, acompanhando aos qualificados do estado a emigrarem, entanto consolida-se uma imigração adaptada as novas tabelas salariais e do mercado, de muito faixa formação, justo ao contrário das recomendações europeias para incentivar o desenvolvimento.

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