Carta aberta ao honorável Isaac Díaz Pardo

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L’homme n’est qu’un roseau…; mais c’est un roseau pensant. Il ne faut pas que l’univers entier s’arme pour l’écraser : une vapeur, une goutte d eau, suffit pour le tuer. Mais, quand l’univers l’écraserait, l’homme serait encore plus noble que ce qui le tue, puisqu’il sait qu’il meurt, et l’avantage que l’univers a sur lui, l’univers n’en sait rien. Toute notre dignité consiste donc en la pensée. C’est de là qu’il faut nous relever et non de l’espace et de la durée, que nous ne saurions remplir.

Blais Pascale

 

Por Adela Figueroa Panisse

Querido Isaac,

Leio na imprensa a nova da tua destituição como Conselheiro Delegado do Grupo Sargadelos que tu criaste. Foste o único que conseguiste a difícil empresa de combinar a cultura com os rendimentos económicos. Tudo feito ao serviço duma causa: A Construção dum País, Galiza. Levaste nas tuas costas miúdas todo o peso da responsabilidade da justiça histórica para fazer que aquelas bocas que as bárbaras pistolas fascistas calaram recuperassem a sua voz trazida desde a Longa Noite de Pedra dos anos de Ditadura e de Franquismo.

O teu pai Camilo Díaz Valiño a fronte dessa “Alba de Glória” que tu lograste construir, sem amarguras sem estridências, só com o teu constante, teimoso e inteligente jeito de fazer. Conseguiste que, dessa empresa vivesse muita gente, mais de 400 empregados diretos e tantas galerias abertas por toda a Galiza, Barcelona, Madrid, Milão, etc. A ética e a estética vão juntas e tu demonstraste-o franca e claramente. O Património que salvaste tem um valor que nunca poderá ser calculado nos parâmetros do mundo capitalista em que estamos imersas/os. História, Literatura, Pintura, O legado do Laboratório Geológico de Laje de Isidro Parga Pondal, etc. E isso tudo dando trabalho digno na nossa Terra.

 

Entrega dos Prémios Oxigénio 2010 por ADEGA(Compostela 9/1/2010);
a Issac foi-lhe atribuído o Oxigénio de Honra

Nada que tivesse que ver com a cultura da Galiza te era alheio. Lembro ainda as viagens a Portugal contigo, Mimina, Valentim Paz Andrade e Pilar para divulgar a língua e cultura da Galiza: Conferência de Valentim e Placa comemorativa repetiram-se em Valença, Viana, Guimarães, e outras vilas do Norte. Na Placa a cita de Viqueira: “A Nossa língua floresce em Portugal”. Ainda fica uma dessas placas ao pé do castelo de Guimarães, perto da capela onde fora baptizado o Rei Afonso Henriques.

Agora o monstro do capitalismo cego, burro e torpe toma conta da tua obra. Não entendem nada, por isso têm que fazer um Processo de Regulação de Emprego para os trabalhadores que tu souberas manter por mais de 30 anos ao tempo que construías CULTURA. As alimanhas destroem e não sabem semear. Os seus nomes não passarão à história. Alguém os lembrará como “aqueles indivíduos que destruíram a maior empresa cultural dos tempos”. Não têm cultura, nem ética: não podem fazer arte.
Quem, na Galiza, não fez um presente com uma peça de Sargadelos ou do Castro? Orgulhosamente nossas.

Saberão eles o tamanho do que destroem? Começo a minha carta com uma cita de Blaise Pascal que eu estudava no Liceu e que nunca esqueci. Terão eles a categoria de SERES HUMANOS? Ou Serão unicamente legados dos “Dragões do Éden” que cita Carl Sagam no seu famoso estudo acerca da herança reptiliana ou complexo R? Todavia, não esqueçamos que, como diz o Cientista, o Neocortex ou cérebro inteligente representa ainda 85% da sua massa. Tenhamos esperança na espécie humana. Não todos os seus elementos são destrutores.

Meu querido e admirado Isaac. Afirmo que o povo galego é-te devedor. Os que lutam pela liberdade são os teus devedores. A II República Espanhola é a tua devedora.

O Mundo da Cultura procurou dar-te a honra que mereces em múltiplas homenagens. Eu, como galega e como pessoa são a tua devedora.

A Segismundo García, Javier Remeseiro, e outros dir-lhes-ei o que nos diziam nas casas em pequenos: “A avareza rompe o saco”, ou aquilo mais galego: “A cabra com o vício dá com os cornos no cu”.

O Governo galego deveria dar cumprimento ao pedido que apresentou teu filho Camilo Díaz Castro para guardar todo esse legado cultural que tu salvaste na Fundação Díaz Pardo. E todas/os os galegas/os apoiá-lo-íamos.

 

Isaac mais eu