Carta a Isaac Díaz Pardo

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Por Adela Figueroa Panisse

Querido Isaac,

Ficaram muitas cousas ainda por fazer. Muitas por sabermos e muitas por che dizer. Sempre acontece. Cuidamos que o tempo de que dispomos é infinito, mas nom é assim. E sempre nos surpreende com o seu devalar autônomo e independente. Independente coma ti, Isaac. Livre e autônomo por méritos próprios.

Sempre tive forte interesse em saber de onde é que tiravas a energia que te movimentava. De onde é que vinha a força que che fazia criar obras de arte na pintura ou construir um Império da Cultura Independente de políticos e de políticas. Poda que da força dos teus olhos, sempre ajejando todo com o teu aquele de curiosidade própria da juventude que, se calhar, nunca te tivesse abandonado.

Ficam em Galiza, para sempre, um Museu de Arte Moderno e as formosas Formas do Laboratório de Galiza que criaste com o teu admirado Luis Seoane a quem sempre rendeste tributo de respeito na estética e na ética.

Ficam na nossa memória mil atividades e manifestações culturais num amplo abano que vai desde a ciência do Laboratório Geológico de Laje que protegeste do abandono ou a destruição. Por respeito ao ilustre Isidro Parga Pondal. Até a mais pura expressão da arte e da criatividade, na pintura, literatura ou na escultura.

 

Com Isaac Díaz Pardo na homenagem a Camilo Díaz Valinho

Tu construíste uma Galiza que governantes profissionais nom souberam ou nom quiseram fazer. Diversa, autêntica, com respeito para as pequenas diferenças que uns e outras/os tivemos na interpretação da nossa galeguidade. Separando o importante do intranscendente e unindo, ávido, qualquer manifestação que ajudasse a construção da identidade galega. Varrendo sempre para casa. Para o Lar comum.

Temos vivido junto a ti muitas “aventuras”: Com Valentim Paz Andrade, Mimina e Pilar a deixar testemunho em Portugal da sua origem Galega pondo Placas comemorativas em Guimarães, Viana do Castelo e outras vilas. Temos usufruído as instalações do Castro para múltiplas atividades culturais como Jornadas do Ensino Conferências, colóquios, ou assistido a eventos internacionais como a Jornadas de Geologia durante vários anos. Temos assistido contigo à homenagens comprometidos como o dos mártires de Monte Cubeiro dando apoio a Sarille no seu justo empenho de lembrar a aqueles infelizes assassinados pelos falangistas ao pé da sua igreja .

Temos acompanhado a homenagem a Camilo Diaz Balinho e Sixto Aguirre deitados nas bermas baixas da curva de Ludeiro, mas também temos admirado a tua integridade e honestidade intelectual a prova de vaidades . Ainda te lembro no Aeroporto de Santiago aguardando os restos de Castelão, mas do lado de fora do valado, partilhando com o povo a sua indignação pola farsa que o estamento oficial estava a fazer, utilizando ao Ilustre Vulto da Cultura Galega em seu proveito político, ainda que as autoridades che tinham pedido que entrasses na pista . Ti respostaste que o teu lugar estava cm o povo, como sempre tinha sido.

 

Entregando a Isaac um exemplar de Madeira de Mulher

Por isso é que o povo da Galiza nunca te abandonou. Nom sei se ti chegaste a sentir o carinho, afeto e admiração que as galegas e os galegos te professamos. Nomeadamente tentando compensar-te do episódio malfadado e injusto acontecido com as Empresas que ti criaste: Cerâmicas de Sargadelos e o Castro.

Mália os avatares da economia a tua obra sempre ficará conosco. Como obra comprometida com a Galiza que nunca poderá agradecer bastante a obra de gigante que por ela tens feito.

Ficam como monumento imortal à memória histórica que resgataste para nós dando voz a aqueles que lhes fora tirada na barbárie fascista nascida da Guerra Civil doe1936. Ficam as diferentes coleções literárias da Editorial do Castro criando um corpus de conhecimento e uma estética galega suporte da nossa dignidade como povo.

Galiza foi afortunada por ter tido Isaac Diaz Pardo como filho.

Castelão seguro que te espera na sua Alba de Gloria para percorrerdes juntos o Caminho das Estrelas.

Querido Isaac, muito obrigada.

 

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