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Carlos Garrido: “A codificaçom oficialista tem umha parte importante de culpa na regressom do galego”

Carlos Garrido é professor titular na Faculadade de Filologia e Traduçom da Universidade de Vigo e presidente da Comissom Lingüística da Associaçom de Estudos Galegos (AEG). Recentemente publicou a sua última obra, editada por Laiovento: O escándalo do léxico galego, livro que já está à venda.

Já se publicou o seu novo livro: O escándalo do léxico galego. Fale-nos acerca dele.

Este pretende ser um livro de alta divulgaçom. Eu já publicara outras obras e artigos sobre o léxico galego mas eram especializados, o público destinatário era mais restrito. Agora, penso que interessava alargar o público, entom aproveitei material que já tinha publicado mas aligeirando-o e acrescentando materiais mais accesíveis e divulgadores. Assim foi que preparei este livro da Laiovento e espero que sirva para pôr em circulaçom umhas ideias que me parecem fundamentais para regenerar o galego tanto do ponto de vista formal como do ponto de vista funcional.

Forom 15 anos de trabalho para a preparaçom deste livro. Podemos dizer que é umha das suas obras mais extensas?

A minha obra mais extensa é a monografia Traduçom do Ensino e Divulgaçom da Ciência. É certo que para o livro que agora publico, reutilizei algum material da monografia mas nom a reproduzo completamente. Também incorporei material que utilizei em artigos e há material totalmente novo. Trata-se de um livro que tem bastantes páginas mas que, em princípio, é ameno, para um largo público. A sua extensom deve-se a que também me interessava que fosse um livro em que ficassem bem documentados todos os fatores de degradaçom do léxico.

Falando sobre a propria língua galega. Qual é sua opiniom da normativa oficialista?

A minha opiniom acerca da norma hoje oficial, eleborada principalmente polo Instituto da Lingua Galega, é evidentemente negativa. Acho que a codificaçom oficialista tem umha parte importante de culpa na regressom que o galego viveu nos últimos anos, nomeadamente nos últimos 40. Essa codificaçom apresenta o galego como um código subordinado ao castelhano que em absoluto prestigia nem homologa o nosso idioma como língua de cultura. A triste realidade sociolingüística mostra que o galego está a ser abandonado já quase nom se produz transmissom intergeracional e eu acho que boa parte da culpa corresponde a esta codificaçom.

Qual é o objetivo último desta obra?

A obra tem dous alvos principais: por um lado, apresentar o que Carvalho Calero chamava “a história clínica do galego”, centrando-se no componente lexical da língua, quer dizer, analizar os diversos processos de degradaçom lexical que tenhem incidido sobre o galego. E por outro lado, o livro tem por finalidade assinalar as atitudes nom regeneradoras mostradas polas autoridades lingüísticas oficialistas.

Pode proporcionar alguns exemplos de degradaçom do léxico galego?

Alguns dos fatores de degradaçom lexical som a variaçom geográfica sem padronizaçom, para ilustrá-la temos o exemplo clássico de fiestra/janela/ventá que aínda está sem ressolver já que a RAG nom determina um padrom. Isto é uma amostra da inibiçom da Academia. Também está a intervençom despropositada, aquí temos o caso de ril/rim.; codificarom ‘ril’ mas ‘rim’ nom é menos galego e tem atrás de si 250 millons de falantes no mundo. Temos também a variaçom estilística de frequência, mesmo os utentes cultos da língua ignoran quais som as frequências de uso relativas entre sinónimos, o que é indispensável para cultivar o galego com eficácia. Podemos ilustrar isto com o exemplo de doença/enfermidade; ‘doença’ deveria ser o sinónimo mais usado.

Garrido fai umha síntese da sua obra

“A codificaçom oficialista no domínio do léxico galego (crescentemente degradado desde o século XVI), com as suas inibiçons e as suas intervençons despropositadas, estreitamente vinculadas ao desprezo pola coordenaçom com o luso-brasileiro, de forma escandalosa, hoje compromete gravemente a idiomaticidade, a coerência e a funcionalidade do galego, além de frustar o seu prestigiamento social ao impedir a atualizaçom de imensas potencialidades comunicativas”, explica. “Com a presente obra assumimos a tarefa de disseminar entre um largo público o conhecimento dos principais males que hoje afligem o sistema lexical galego e, portanto, que hoje prejudicam a personalidade e a funcionalidade da nossa língua”, acrescenta o autor da obra O escándalo do léxico galego, editado por Laiovento.

[Esta entrevista foi feita por Iago Suárez e publicada originariamente no Nós Diario]

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