Cancum, panos quentes para paliar o aquecimento global?

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Por Adela Figueroa Panisse

Com a única oposição da Bolívia aprovou-se, neste sábado (10/12/2010), um acordo sobre o clima que vai ficar sob a supervisão da ONU.

A Bolívia não quis assinar este acordo porque vê nele uma pose demasiado complacente para os Estados. Segundo assinala a Bolívia a aceitação da inevitabilidade de uma subida de 2º C para o Planeta, põe em risco muitos Estados que são ilhas, e muitos outros que se estabelecem à beira do mar (Holanda, ou Bangladesh) porque o nível deste continuará a subir inexoravelmente como consequência do derretimento das massas de gelo. Segundo reconhece o painel de peritos para o estudo das Alterações Climáticas (IPC), o facto de a temperatura da Terra aumentar 2º C dá uma probabilidade de 50% de que não haja um impacto irreversível para a vida no Planeta. Os representantes da Bolívia põem uma pergunta na mesa: Quem enviaria os filhos num autocarro que tivesse 50% de probabilidades de ter um acidente irreversível. Julgo que a pose da Bolívia exigindo medidas mais drásticas, com base nos dados fornecidos pelos peritos que aconselham a Cimeira é mais do que razoável.

Acho que o problema está em que, se bem sabemos que as Alterações Climáticas são um facto irrefutável, ainda não achamos que realmente isso nos vá afetar. Por esse motivo não estamos em Pé de luta para exigirmos aos governos que tomem medidas eficazes para compensar este processo. Ou será porque pensamos que se as medidas as tomam outros, poupamo-nos o esforço?

A Bolívia, que nos últimos 20 anos já tem perdido uma terceira parte dos seus nevados, diz que para eles a meta é garantir que daqui ao fim de século nenhum dos Estados que estão na cimeira de Cancum desaparecesse como os Estados insulares. Não me parece de somenos importância esta demanda.

O acordo de Cancum inclui um Fundo Verde Climático que vai canalizar as ajudas económicas controlado por 12 países do grupo dos ricos e 12 do grupo dos pobres. Mas a Bolívia põe isto em questão, pois não se definem quais vão ser a fontes para financiá-lo.

Muitas ONG têm saudado este acordo de Cancum, por considerar que tem a virtude do consenso geral e mais porque define linhas estratégicas como atrações a curto e longo prazo. Entre estas últimas estariam reduzir a desflorestação. Assunto do qual se leva falado demasiado e atuando pouco ou nada.

Para controlar a deterioração da atmosfera da Terra cumpre agir com mais contundência e energia sobre todas as fontes de emissões de gases com efeito de estufa.

Transportes e Produção de energia, as mais salientáveis. Mas, como se pode unir isso com o apoio às centrais térmicas de carvão como acaba de decidir a União Europeia, e que o Governo de Espanha apresenta como um êxito perante os trabalhador.

Com as Alterações Climáticas não valem panos quentes. Já está a aquecer bastante a Terra. Iriam mandar esses trabalhadores os seus filhos num avião que só tivesse 50% de probabilidade de aterrar com garantias. O Governo da Espanha e a União Europeia terão que tomar medidas corretas para arranjar a situação dos trabalhadores do carvão. Não aquelas que ajudem a pôr em risco o Planeta.

Pelo que respeita aos transportes, seria necessária uma normativa GLOBAL e potente, que obrigasse a reduzir as suas emissões, como seria a de promover o caminho-de-ferro eletrificado e outros transportes públicos. Aliás, o Governo galego, numa medida populista, vai dar ajudas para a compra de automóveis. Isso pode arranjar, de momento, um problema laboral, mas contribui para complicar mais o estado do planeta. Já por não falar da contradição ética que representa confrontar a eliminação dos 400 euros aos desempregados em face desta medida.

Pelo que parece Cancum conforma-se com ser só o limiar da próxima cimeira do Clima em Durban. Por enquanto esta é só uma porta que fica aberta.