Caminhos-de-ferro na Galiza: unanimidade na Câmara de Deputadas/os Galegas/os

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Por Adela Figueroa Panisse (*)

No dia 15 deste mês de junho, a deputada do BNG Teresa Táboas conseguiu a unanimidade da Câmara galega para solicitar as transferências em matéria de transportes de médio curso e de proximidade para o comboio na Galiza.

Esta possibilidade está contemplada no nosso estatuto. Era só fazê-lo cumprir.

Foram múltiplas as vezes que ADEGA tem demandado a reclamação destas competências por parte do parlamento da Galiza. Os comboios de médio curso ou de proximidade são de interesse primordial para a comunicação no nosso país. E nisso estamos no último lugar do Estado Espanhol.

Como pode ser que não podamos ir de Lugo a Ourense de comboio, quando existe a via? Seria tão só uma questão de vontade pôr as ligações em Monforte de maneira a assegurar, ao menos, dous comboios de manhã e dous à tarde. Autocarros há três de manhã e três de tarde. Isso quer dizer que há procura, pois uma empresa privada não vai arriscar a sua economia pelo bem público e social.

Como pode ser que a boa gente de Lugo não poda ir a Compostela e ligar ali com o aeroporto e com a cidade? Para isso bastaria simplesmente com uma ligação entre Cúrtis e Lavacolha de quase trinta quilómetros. Compare-se com a enorme despesa que representa o AVE, a autoestrada do Cantábrico, ou a anunciada entre Lugo e Compostela. Compare-se também com o impacto ambiental de qualquer destas duas infraestruturas. De Lugo temos perdido serviços com a Corunha e a via férrea contínua a ser a mesma que inaugurara a Rainha Isabel II no século XIX.

O caminho-de-ferro é o transporte mais ecológico, mais económico e seguro. Pode combinar transporte de mercadorias e de passageiros utilizando uma máquina locomotora. A quantidade de toneladas que o comboio pode transportar não tem comparação com o mesmo processo noutro tipo de transporte. Ainda, o caminho-de-ferro tem de ser eletrificado. Desta maneira iríamo-nos independentizando do petróleo (que temos que importar) e utilizaríamos a energia elétrica de que Galiza e excedentária. O Governo do Sr. Feijoo deitou abaixo, muito alegremente, um Plano eólico que implicava os rendimentos de um “cânone” para a Galiza. Será que prefere dar-lhe mais facilidades aos seus amigos de IBERDROLA e outros? Mais lhe teria valido ter incrementado os ingressos económicos pelo “cânone” de produção elétrica que andar a reduzir todos os serviços públicos como está a fazer atualmente. (mais nos teria valido aos cidadãos que iríamos usufruir de uma situação mais saneada e não da atual de miséria galopante)

Por isso, junto com as transferências do caminho-de-ferro galego deveriam ser negociadas as relações económicas da produção de eletricidade na Galiza. Não podemos estar a oferecer como um presente os nossos montes e as nossas melhores paisagens naturais, para as grandes companhias elétricas , multinacionais e monopolistas, perdendo capital ambiental sem qualquer restrição, para que a energia elétrica seja enviada alhures. Isso é um desgoverno. Entretanto estamos a emagrecer a função pública até acabarmos com ela, e eliminando funcionários que trabalhem, aumentando com isso o alargado número de desempregados/as.

Galiza tem hipótese, porque produz energia e tem uma posição no mundo que é privilegiada. Só precisa de ter bem conectados os seus portos com o interior, e este bem comunicado internamente e com o resto do mundo. Fazer isto através de uma rede de caminhos-de-ferro electrificados de velocidade média-alta, é bem mais barato que os esbanjamentos em AVEs ou autoestradas de duvidosa necessidade.

Um bom plano de caminhos-de-ferro galegos criaria uma rede de comunicação interior imprescindível para a coesão do País, para rendibilizar os portos, e para favorecer a vida no rural.

Há propostas como as que se podem encontrar na página de Salva o Comboio ou na de CAMFERGAL que convido a consultar: http://www.camfergal.info/; http://salvaotren.netai.net/; ou www.adega.info.

Insistimos, é só vontade do fazer. É pôr os interesses da Galiza por cima dos partidos e das multinacionais que controlam estes. Em definitivo: Democracia real já!

 

(*) Adela Figueroa Panisse é Vogal de Transportes de ADEGA.