José Carlos da Silva – A 21ª Bienal do Livro de São Paulo, que acontece até o dia 22 de agosto traz o tema “Lusofonia” para a sala de debates, na programação cultural do Salão de Ideias, tradicional espaço de polêmica e discussões, para o qual foram convidados os angolanos Ondjaki e José Eduardo Agualusa e o moçambicano Mia Couto.
Em reportagem do jornal O Estado de São Paulo, os escritores colocaram suas posições: «Eu vejo a lusofonia como uma ampla sala de visitas na qual todos os falantes da nossa língua têm o direito de acesso para trocar experiências e pensar em projetos conjuntos», acredita Agualusa. Já Mia Couto aprova o debate e defende uma pluralidade: «existem lusofonias. A ideia da comunidade lusófona é uma construção que corresponde a interesses políticos particulares», diz. Para Ondjaki, é preciso discutir a definição, o conteúdo e a pertinência do conceito.
Entre outras provocações, eles responderam a questão: «O que considera essencial discutir no debate sobre a lusofonia, proposto pela Bienal?»
Veja as respostas dadas pelos escritores ao jornal brasileiro:
Agualusa: Vejo a lusofonia como uma sala de visitas na qual todos os falantes da nossa língua têm o direito de aceder para trocar experiências. A partilha da língua, e de muitas histórias, de sons, de sabores,de memórias. Em que é que esta nossa família de língua portuguesa pode ajudar a melhorar o mundo, o que é que podemos trazer de novo no plano cultural?
Ondjaki: Talvez o importante fosse discutir o conceito. Existe lusofonia? Quem a faz? Se não existe, quem a quer? É umfantasma político, social? Os povos da comunidade de língua portuguesa sabem dela?Tudo na tal de “lusofonia” são questões. Não há políticas nem intenções comuns. Oque é uma pena. Tudo poderá até ser um grande equívoco, a começar pela designação. Ou não.
Mia Couto: Acho importante questionar a ideia da lusofonia. E perceber que o conceito é plural:existem lusofonias. A ideia da comunidade lusófona é uma construção que corresponde a interesses políticos particulares. Os criadores culturais devem ser capazes de questionar esse modelo único que nos é proposto.
