Bico sem saída



fronteira-gz-portugalPara o dicionário da Priberam, um “Beco sem saída” é uma rua sem saída, uma rua estreita, um corredor escuro, um impasse finalmente. No sentido figurado, um beco sem saída, é uma situação ou problema sem solução à vista. Nos becos sem saída, sempre há hipótese de recuar, de voltar à origem. Em Santiago de Compostela, existe um beco sem saída, chamado “Rua Sae se podes”, onde somos bem avisados previamente do enredo. Ainda bem.

Tudo, polo contrário, ao que acontece na Divina Comédia onde na entrada ao inferno a pessoa é avisada com o sinal de “Lasciate ogni speranza voi ch’entrate” (Deixa toda a esperança, tu que entras). Isto é, assim que entrarmos, não podemos voltar a sair.

E tudo isto me véu à mente quando lim as cartas de amizade entre o presidente da AGAL (uma das organizações reintegracionistas), Professor Eduardo Maragoto, e o secretário da RAG (uma das instituições autonomistas), Professor Henrique Monteagudo, publicadas no jornal Nós. Nelas conversam sobre o futuro da língua, num tom público sem precedentes entre autonomistas e reintegracionistas.

Mas para além do tom, onde estamos, aonde vamos?

Para me explicar melhor, pode ser necessário partir do consenso onde sempre estivemos no seio do galeguismo linguístico (autonomistas e reintegracionistas) na relação com o português por razões diferentes. Para uns e outros o português deve ser um aliado importante para o galego, eis o consenso, eis onde estamos, eis onde sempre estivemos.

Para os autonomistas, o princípio 4 das normas do ILG-RAG afirma a importância do português como aliado no desenvolvimento do léxico e terminologia modernos. Para os reintegracionistas, o português não é apenas um aliado, mas a covariedade normalizada da nossa língua falada com sabores diferentes em oito estados de todo o mundo.

Para os autonomistas, o princípio 4 das normas do ILG-RAG afirma a importância do português como aliado no desenvolvimento do léxico e terminologia modernos. Para os reintegracionistas, o português não é apenas um aliado, mas a covariedade normalizada da nossa língua falada com sabores diferentes em oito estados de todo o mundo.

Esta é a grande divergência: duas olhadas diferentes para a língua implementadas em duas normas diferentes.

E desde estes princípios diferentes, os autonomistas decidiram por meio das instituições linguísticas e culturais galegas que a identidade linguística galega consiste num permanente equilíbrio entre a ameaça portuguesa (lusismos) e a ameaça castelhana (castelhanismos) que actuam em nós na mesma intensidade. Polo contrário, para os reintegracionistas a partir das suas organizações linguísticas e culturais, o português é um reforço e alargamento da identidade linguística galega, que não é só autonómica mas internacional. Portanto, estarmos expostos ao português nunca foi nem é uma ameaça.

Para os primeiros, melhor separados que coordenados. Para os segundos, melhor coordenados que separados. As duas visões legítimas, obviamente.

E assim estivemos muitos anos, com muitas feridas (mesmo muitas) polo caminho, especialmente nos e nas profissionais do galego que optaram polo reintegracionismo, até que uma Lei chamada Paz-Andrade reposicionou completamente o debate em outros termos: Para a Galiza é benéfico relacionar-se com o mundo de expressão portuguesa. E a isto ajuda a proximidade entre o galego e o português, que continuava para uns a ser uma língua independente e para outros uma covariedade.

E com este novo consenso, houvo mais de três unanimidades nas instituições políticas galegas, começando polo Parlamento.

Esta lei foi tão emocionante, que parecia que aqueles galeguistas linguísticos que escrevem o galego com nh (minoria) podiam começar a ter os mesmos direitos linguísticos que os galeguistas que escrevem o galego com ñ (maioria). E daí, o binormativismo à norueguesa, uma língua duas normas, uma língua dous jeitos complementares de trabalhar pola língua na Galiza, uma comunidade de maiorias e minorias respeitadas, numa casa comum que trabalha pola língua. Uma família finalmente reunida.

Esta lei foi tão emocionante, que parecia que aqueles galeguistas linguísticos que escrevem o galego com nh (minoria) podiam começar a ter os mesmos direitos linguísticos que os galeguistas que escrevem o galego com ñ (maioria). E daí, o binormativismo à norueguesa, uma língua duas normas, uma língua dous jeitos complementares de trabalhar pola língua na Galiza, uma comunidade de maiorias e minorias respeitadas, numa casa comum que trabalha pola língua. Uma família finalmente reunida.

E é aí que estas cartas de amizade entre estas duas pessoas muito competentes em questões linguísticas podem ser enquadradas. E está bem, é fantástico. Mas estamos numa nova avenida, ou entramos num “bico sem saída”, um impasse desta volta carinhoso?. E digo bico, obviamente à galega, porque em tempos da covid-19 é ainda mais necessário este gesto entre as duas famílias do galeguismo linguístico. Mas para além do bico qual é a saída?

Para isso o professor Maragoto parece que propõe um binormativismo à norueguesa onde existe a norma ILG-RAG e a norma da AGAL concretizada no livro da Ortografia galega moderna: “como sabes, o português escrito (com mais ou menos traços galegos), para além de poder ser conhecido, também deveria poder ser usado na Galiza por quem assim o entender”.

O professor Monteagudo responde: “Pero ao que ti chamas binormativismo eu chamaríalle recoñecemento do portugués, e, aínda que partillo a túa inquedanza, sosteño que a súa realización práctica vai depender das iniciativas de gobernos, institucións, cidadáns e empresas —de políticas activas e eficaces—, non do nome que lle poñamos.”

Ou seja, depois do bico sem saída, talvez a saída seja a entrada, o lugar da origem. E qual é a origem? O que já tínhamos, o novo consenso. Que a relação com o português é benéfica para todos os galegos independentemente do que falem ou pensem.

E para ir melhorar esta lei deve haver, para além de acelerar a sua implementação, alargarmos legalmente a presença do português no dia a dia dos galegos, e quem quiger viver na Galiza a partir daí, poda fazê-lo com os mesmos direitos. Traduzindo: para os reintegracionistas, um binormativismo de facto com outras melhorias posteriores e para os autonomistas um aliado para o léxico moderno e a terminologia do galego autonómico, que continuará a tentar ser independente entre o português e o castelhano. Traduzindo: alargar a Lei Paz-Andrade para dar um status legal ao português como língua estrangeira na Galiza.

E enquanto todos estes debates e bicos estão em curso, a Extremadura quijo e quer liderar a relação com Portugal ao contrário da Galiza. Assim no seu artigo 4 do Estatuto de Autonomia afirma: “Son elementos diferenciales de Extremadura, y han de orientar la actuación de los poderes públicos, la vitalidad de su reciente identidad colectiva, la calidad de su medioambiente y su patrimonio cultural, el predominio del mundo rural, su proyección en Portugal e Iberoamérica.”

Desde este artigo é possível a aprendizagem do português (com muito mais alunado que a Galiza actualmente), e também que o português de Portugal, de facto, seja uma língua com presença institucional e empresarial sem necessidade de grandes foguetes dialéticos.

No Estatuto de Autonomia da Galiza, Portugal não aparece nem uma única vez. No Estatuto de Autonomia da Extremadura aparece 4 vezes, tendo no artigo 71 um artigo intitulado “Cooperación con Portugal”.

No Estatuto de Autonomia da Galiza, Portugal não aparece nem uma única vez. No Estatuto de Autonomia da Extremadura aparece 4 vezes, tendo no artigo 71 um artigo intitulado “Cooperación con Portugal”.

Talvez ver isto, ver as demandas das Câmaras municipais de Tominho (Galiza) e Vila Nova da Cerveira (Portugal) demandando um espaço sem fronteiras a Madrid e Lisboa, porque não as há, e até observar que o dia 1 de Julho abre o espaço Shenguen entre a República Portuguesa e o Reino de Espanha, não polo lugar mais transitado economicamente (Galiza-Portugal), mas pola Extremadura, ajude a compreender melhor do que estamos a falar, que está muito além do debate legítimo e interessante entre linguistas.

José Ramom Pichel

José Ramom Pichel

José Ramom Pichel Campos nasceu em Santiago de Compostela (1972), mas cresceu em Vigo. Durante anos foi o rosto visível de imaxin|software, empresa de tecnologia linguística focada sobretudo na tradução automática com projetos como Opentrad. Pichel é co-autor, com Valentim Fagim, de 'O galego é uma oportunidade / El gallego es una oportunidad'. Atualmente o seu interesse é ocupado polo audiovisual, com um projeto de documentário em andamento, 'Porta para o exterior', codirigido com Sabela Fernández.
José Ramom Pichel


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  • Ernesto Vazquez Souza

    Bem destacado isso tudo aí.

    Eu não termino de compreender que seja a AGAL (que nasceu para tratar de reconduzir a proposta institucionalizada cara uma norma única de consenso mais reintegracionista) quem termine por validar e legitimar a proposta institucionalista isolacionista e renuncie de facto ao seu programa, e mais quando em realidade carece de norma alternativa e própria que legitimar?…

    Mas há quem aposta por esta estratégia… eu não a vejo e não participo. Mas, quem a veja que meta nelas tempo, energias, recurosos e vontade… está no seu direito.

    Para mim destes últimos 20 anos o único que tenho claro é:

    – que o reintegracionismo tem funcionado de motor e pulmão alternativo de um galeguismo linguístico moribundo, convertendo-se num think tank, espaço de reunião de gentes críticas e laboratório de formas do ativismo impressionante. Contra prognóstico tem movimentado o pessoal cara Portugal, Brasil e o português, e mesmo tem arrastado o o espaço institucionalista.

    – que a Paz Andrade é como as tábuas da lei… o único elemento simbólico e fulgurante que faz calar toda a gente, o discurso e programa que concilia vontades, consensos e permite circular novos caminhos práticos…

  • Eduardo Maragoto

    Obrigado por estas reflexões, Pichel, que em grande parte compartilho. No fundo, como bem dizia Monteagudo no último artigo, talvez todos estejamos a falar do mesmo com diferentes nomes… Fazer ver à nossa sociedade que o galeguismo todo pode ter objetivos partilhados pensando no seu progresso é o principal cometido agora das pessoas que temos algumha responsabilidade nos organismos (pre)ocupados pola saúde do galego.

    • Ernesto Vazquez Souza

      Para nada dizem (dizemos o mesmo) e para nada aspiramos ou queremos as mesmas cousas… antes bem são discursos e estratégias opostas; o galeguismo de uns e outros é tão semelhante como um carvalho a um pinheiro. Outra cousa é que todos sejamos galegos e patriotas e alguns sejades (outros não seríamos) capazes de partilhar projetos ou sentar-vos a falar na mesma mesa.

      Monteagudo teima e defende – até a morte sua ou do galego – que o galego é uma língua diferente do português, uma variante de ancestro comum, e por chiripa encontrou um oco aberto no discurso atual de parte da linguística e opinião portuguesa e brasileira que lhe permite dizer que tem direito a se incluir num fictício Poli-sistema de línguas variantes. Algo assim como se o português, o brasileiro, o angolano, o moçambiquês ou o madeirense fossem formas… do Chinês. Ideia à moda em universidades, gabinetes e ambientes académicos que permite o instutucionalismo isolacionista galego ir circulando com algum aplauso por Portugal, Brasil e a África.

      Nesse espaço de línguas, quanto mais diferencialistas nas formas e sonhos de nação, o galego entra barbaramente a calhar com todo o seu exotismo e vigor legendário de língua matriz.

      A mim esse discurso não me interessa. Nego e arrenego. Por aí não vou.

      O que dizemos outros é que não existem essas tais línguas, que as variações são mínimas e entram na margem de registos ou sabor local, que o que existem são os estados. E existe o facto da União Europeia que ao dar entrada a Portugal como estado membro em 1986 criou uma situação alfandegária e um conflito com a Indústria Brasileira e os PALOP, da que nasceram francamente tanto a preocupação acelerada por estabelecer o Acordo (uma ideia que já andava circulando sem sucesso desde princípios do século XX) quanto por reação a oposição ao Acordo por matizes identitários e interesses económicos protecionistas, num princípio oposição indefinida que no debate – e por intervenções e interesses particulares e teimas – arrastaram o discurso até o ponto no que nos andamos (vid supra).

      Por outra banda essa entrada de Portugal na UE, que fez que o Português “de Portugal” seja língua da Europa, que se abram programas e espaços inter-reg, e mecanismo de colaboração que implicam o espaço comercial europeu, desenvolvimento, programas e muitos quartos coincidiu com o facto da entrada da Espanha na UE, e com ela as suas comunidades autónomas entre as que está a GALIZA… com o que isto tudo, queiram ou não linguistas, historiadores, académicos, ativistas, implica… a PAZ ANDRADE abre imensas possibilidade para o impulso do reconhecimento do Português e de Portugal, para a circulação de mercadorias empacotadas em português e castelhano, com um status especial na Galiza (apenas e mesmo por ser parte da Espanha, com fronteira a Portugal), no ensino, e no espaço institucional e académico, no estilo de Estremadura é inevitável…

      E depois está, Eduardo, o que dizeis tu e os vários grupos de reintegracionistas modernos ou tradicionais com um discurso e estratégia a todas luzes impossível, político mas apenas localista, entre esses dous blocos de estratégias internacionais… um discurso que chega tarde e que do meu ponto de vista foi superado pelas novas realidades económicas e políticas internacionais.

      • Venâncio

        Caro Ernesto,

        Desce à realidade. E a realidade é que o Português brasileiro e o Português europeu FUNCIONAM, já, como línguas diferentes.

        O exemplo mais esclarecedor é este: não existem traduções de outras línguas, literárias ou outras, comuns a Portugal e Brasil. Nunca existiram, e tudo indica que nunca existirão, também. Todos os anos, centenas de livros traduzidos são produzidos nos dois países, sem o mínimo contacto.

        Eu sei do que falo. Colaboro há 30 anos em traduções do neerlandês, e a própria sugestão (que várias vezes fiz) de “aproveitar” uma tradução existente não recebeu nunca eco nenhum. Somos, linguisticamente, dois mundos.

        É um pouco ousado, não achas, pensar que a culpa é do Monteagudo. Que tal começar a acreditar que o Reintegracionismo galego assenta em fantasias?

        Abraços.

        • Ernesto Vazquez Souza

          Fernando… eu não nego a realidade o que aponto é que é uma questão alfandegaria, não linguística.

          E convinha a dizer porque as alfandegas, os mapas, os passaportes e os exércitos e academias que as defendem e justificam são os que fazem nações… a bibliografia a respeito é imensa… do nosso amigo Fernando de Oliveira em diantes… ocupa bibliotecas inteiras a me darem a razão…

          Montegaudo? não pinta nada, apenas a nível local… aconteceu que passava, como tantas vezes tanta gente, o Constantino Garcia sem ir mais longe, por aí, apostou e as cartas lhe
          vieram dadas…

          saúde

          • Ernesto Vazquez Souza

            P.s. e o que estou a dizer, se não se decatou, aí no final, é que o reintegracionismo (todo ele) não é que seja uma fantasia é – do meu ponto de vista – um discurso ultrapassado e já impossível… no meio de interesses e estratégias internacionais que envolvem os países de língua portuguesa, e os interesses de Portugal e Espanha na UE…

          • Venâncio

            Mas, caro Ernesto, não são só as estratégias dos Estados (que existem, por Zeus!) o que aqui conta, mas também a realidade linguística do Português.

            E eu ando a dizer-vos, aqui, que toda a estratégia do Reintegracionismo galego assenta numa ignorância (perdoável, mas inadmissível) da realidade da língua portuguesa.

            Para ser mais claro: quando se fala em “Português” é, desde já, indispensável esclarecer de qual dos dois “Portugueses” se fala.

            O Reintegracionismo galego projecta sobre o Português o ideal linguístico espanhol.

          • Ernesto Vazquez Souza

            Assenta sim… é o que eu estou a dizer há anos, e a propor outros caminhos…

          • Venâncio

            Sim. Mas esses outros caminhos terão de ser informadamente linguísticos, ou continuarão a ser puras fantasias.

          • Ernesto Vazquez Souza

            Para nada… os caminhos são sempre os económicos e os políticos… têm de ser… os outros são secundários…

          • Venâncio

            Questão “alfandegária”, dizes tu. Achas que dois países gastariam todos os anos milhões para a cultura… por questões alfandegárias?

            Mas eu sei. Admitir que a questão é “linguística” serra as pernas do Reintegracionismo galego.

            Há uns anos, alguém escrevia, aqui, que brasileiros e portugueses são “preguiçosos” e por isso não lêem as traduções uns dos outros.

            Vós tendes lábia até vos enterrardes cantando.

          • Ernesto Vazquez Souza

            meu Fernando… gastariam isso e mais… a economia é que movimenta o mundo…

            volvo insistir: nunca fui reintegracionista, não acredito no reintegraconismo, e considero o reintegracionismo uma estrategia e discurso errados e hoje totalmente obsoletos…

          • Venâncio

            Ernesto:

            Diz-me uma coisa: se tivessem algum sentido traduções mexicanas ou argentinas de Dostoievsky ou de Umberto Eco, a Economia as teria esquecido?

            Pois bem: Dostoievsky ou Eco serão sempre traduzidos separadamente para o Brasil e para Portugal. Nós é que somos os génios… económicos, não é?

          • Ernesto Vazquez Souza

            Meu amigo…

            Isso que hoje acontece pode vir perfeitamente amanhã a não acontecer…

            Porque com a música, que eu saiba, não acontece… e a letra impressa é menos distante que a cantada…

            Como se explica?

          • Venâncio

            Sim, Erensto, talvez um dia haja traduções, literárias e outras, mexicanas e argentinas. Quando o Mexicano e o Argentino forem “sentidos” como idiomas diferentes do Espanhol.

            Esta é, hoje já, a realidade do Português. Ele é “sentido” pelos seus utentes (e pelos melhores deles, os seus leitores) como línguas diferentes.

            Acontece, porém, que o Reintegracionismo galego, fixado na “ortografia”, tem um ângulo cego para a realidade linguística como um todo.

            Mas pior ainda: a linha de pensamento e a linguagem do Reintegracionismo, erotizando uma “unidade da língua” à espanhola, são as mesmas dos reaccionarismos espanhol e luso-brasileiro.

            Eu sempre vos disse: estais na pior das companhias.

          • Ernesto Vazquez Souza

            Fernando… eu não nego que exista esse sentimento, nem que não tenham direito ao defender e até a fazer realidade…

            Pode terminar por ser verdade… perfeitamente… pelo momento não vejo assim tão clarinho… por mais que me diga… Claro que eu sei menos dessas realidades, sou outsider… e nem termino de enxergar quem e por que… nem vejo as vantagens para além das relativas a processos identitários nacionais… Mas já digo… será possível… este tipo de processos de unidade e divisão são os que geram línguas e nações… aconteceu e acontecerá… iremos vendo…

            Agora… a mim isso tudo não me produz nenhuma paixão. Procuro uma explicação racional e histórica (não linguística) a esse movimento que abrolhou com força e estamos a contemplar… estarei enganado, mas acho suspeitosamente coincidente a cronologia e acho relevante a entrada de Portugal na UE em 1986 como ponto central…

            Por outra banda… eu sem ser mui acordista, nem anti-acordista, como também não sou reintegracionista… entendia que para Galiza o Acordo e a existência do totem da língua comum era útil, para propaganda, para a causa nacional e para a fixação de um padrão aproveitando a corrente… podia ser interessante. Há uns anos quando menos… agora que sei eu…

            Que a lógica do nosso tempo nos leva a outros cenários e esse modelo não serve… pois pronto… Português de Portugal ou de Brasil, ou da África, ou misturados… com medieval e galego contemporâneo e popular… qualquer cousa nos val para recomeçar….

            Estou a dizer claramente o que eu penso, o que logicamente tem que ser diferente ou contrário ao que nos expõe e defende uma e outra vez.

            Tudo bem, nenhum fazemos mal, passamos muito bem debatendo e imos aprendendo mil cousas a respeito e arredor…

            Mas eu desta o único que pretendia dizer a Eduardo que o que ele diz e propõe não é o de Monteagudo… nem o que outras gentes pensamos, defendemos e imos fazendo…

            saúde

          • Venâncio

            Nada a fazer, Ernesto.

            Todos tendes um ângulo cego para o Português brasileiro, que tem uma morfologia, uma sintaxe, uma semântica e uma pragmática próprias, inteiramente diferentes das minhas.

            Não o vedes, porque não estais interessados em vê-lo… nem quereis vê-lo. [Esta minha frase é marciano arcádico para um brasileiro 😉 ]

            Quando o vísseis, veríeis também desmoronar-se esse castelo de cartas ideológico, que é o Reintegracionismo.

            O Reintegracionismo galego é, essencialmente, uma forma de negacionismo.

          • Ernesto Vazquez Souza

            Sem dúvida… eu não vejo… e também não me preocupa ver…
            de feito é um assunto que me aborrece, tanto ou mais que a questão reintegracionista-isolacionista galega…

            Para mim que o que acontece cá é que são dous estados,
            institucionalmente potentes, plenos de estruturas: um europeu e outro Americano (mas o único estado entre os Latinos com a potência e estrutura dos USA, CANADÁ ou Austrália… a diferença dos estados latinos de língua espanhola que salvo México e Argentina não são verdadeiros mercados internacionais nem mesmo internamente a respeito de livros, publicações e modelo de língua), com características sociais e culturais que condicionam dous mercados e tendências.

            Que usos, costumes e hábitos sejam diferentes, que haja variantes morfológicas, sintácticas e semânticas, que haja modernalhadas de único uso cá e lá… não empece a comunicação… e desde logo não sei que seja argumento para afirmar a existência de duas línguas que existam traduções e com elas escolas, tradições de tradução exclusivas ou diferentes…

            Que para muitos hoje o português e o brasileiro são línguas
            diferentes… perfeito… não lho vou debater..

            Agora, não fosse pelas campanhas e debates acontecido nos últimos 25, 30 anos e onde chegou a gente dacavalo da sua argumentação e acho que ninguém com sentido afirmaria que o Português e o Brasileiro são hoje duas línguas diferentes…

            A mim, que sejam ou não é-me irrelevante, o que me fascina –
            talvez como historiador amador – é detetar essas mudanças e ver como aparecem metáforas, troppos e argumentos repetidos que modificam e justificam as mudanças que se quer ver acontecer ou que se julga ver acontecer.. isso sim me apaixona… e do mesmo jeito que posso tirar da hemeroteca para ver o que andou e mudou a ideia de língua e perspetivas na Galiza desde 1980 até hoje (e de 1863 a 1963, e de 1963 a 1980…), mesmo internamente entre discursos possíveis… vejo também a mudança entre o que afirmava a gente ou era moda em 2000 e 2020… mas a constância de continuidades e fidelidades em bandos e a respeito das metáforas e líneas de pensamento vigentes próprias dos tempos em que nos tocou viver…

            Saúde

          • Venâncio

            Ernesto,

            Se calhar sou eu que não me faço compreender.

            Eu não digo que PB e PE sejam duas línguas. Não são. Melhor, ainda não são. O que eu disse foi que, no terreno das traduções, FUNCIONAM como línguas diferentes.

            Para todos nós (menos para os lusófonos e reintegratas fundamentalistas), a existência, dentro do Português, duma norma linguística brasileira e duma norma linguística europeia é uma realidade óbvia, indiscutível, pacífica. Entendemo-nos bem, mas usamos diferentes gramáticas.

            Pois bem: no espaço do Espanhol, não existe senão uma única norma linguística. Tu não vais traduzir uma obra literária para ‘Mexicano’, ou para ‘Argentino’.

            Mas eu sei, eu sei há muito, muito tempo que nenhuma cabeça reintegracionista entende estas realidades. Porque acha que isso atenta contra a “unidade da língua”… uma preocupação tipicamente espanhola.

            Amigos: sois bem mais “espanhóis” do que gostaríeis. Mas, nisso, ninguém vos pode valer.

            Ou mudais o ‘chip’ espanhol, ou jamais entendereis a realidade do Português. E tudo quanto dizeis acerca de ‘língua’ soa a falso.

          • Ernesto Vazquez Souza

            Não tal…

            E claro que o meu chip é espanhol… isso diz no meu passaporte, formação cultural e conhecimento… e queira ou não o meu galego, o meu português, o meu inglês e francês vão espelhar isso sempre… é-me útil, de proveito e funcional e como se a mim me importasse ou como se fosse a ocultar o que é o meu patrimônio e originalidade…

            Agora… Surpreenderia-se se conhecesse a rica tradição livraria argentina, mexicana, cubana, venezuelana… partes todas onde os galegos andaram…

            E surpreender-se-ia de compreendesse que esses países nomeadamente México e Argentina têm um duplo mercado editorial e portanto duas variantes formais da língua culta e literária… um pensado para um mercado editorial internacional (no que editoras espanholas participam têm parte importante) e outro potentíssimo mas local… as varintes formais de língua para ambos são diferentes e uma delas – a local- que se exporta a outros países latinos é como as da música, o cinema (o mexicano, o argentino) ou as novelas da Tv…

            A situação é diferente, aparentemente… mas apenas no mundo literário… porque o Mercado literario mexicano e Argentino tem uma história muito diferente a de Portugal e Brasil e um hoje diferente do brasileiro…

            A unidade da língua do castelhano é uma fição… é so conhecer em profundidade por riba das madrilenadas de propaganda…

            Recomendo-lhe uma vista rapidinha as Gramáticas de Bello y Cuervo e à importante tradição que deixaram no castelhano americano e ainda no castelhano dos liberais espanhóis e republicanos de antes de 1885…

            saúde,

          • Venâncio

            Ernesto,

            Claro, que existe um mercado literário próprio do México e da Argentina, com as suas “couleurs locales”. Mas não é disso que eu falo. Eu falo de traduções de literatura estrangeira.

            Thomas Mann, ou Italo Calvino, ou “Harry Potter”, e mil outros autores e livros, não são traduzidos para Espanhol e para Mexicano, ou para Espanhol e para Argentino.

            Mas todos eles, todos, todinhos, são traduzidos, sempre, e separadamente, para Português brasileiro e para Português europeu. E porquê? Porque, nas suas versões literárias cultas, PB e PE funcionam como línguas diferentes, e são sentidos pelos seus muitos milhões de utentes como línguas diferentes.

            Eu sei que reconhecer isso equivale ao enterro deste Reintegracionismo galego. E compreendo que prefirais viver num reino de fantasia a declarardes o empreendimento falhado.

            Mas, senhores e amigos, esta é, também, uma oportunidade para reinventardes o Reintegracionismo, um que tenha por base a realidade do Português, e não as vossas espanholíssimas receitas “unitárias”.

            Percebeste agora, meu caro?

          • Ernesto Vazquez Souza

            HOJE Fernando, HOJE… entre 1880 e 1980 as traduções de autores a castelhano vinham da América…

          • Venâncio

            Certo. Mas não tinham depois uma tradução ESPANHOLA.

          • Ernesto Vazquez Souza

            PORQUE O MERCADO ERA ÚNICO… por circunstâncias históricas… e comerciais…

          • Venâncio

            Não! Porque o Espanhol foi SEMPRE UM E ÚNICO.

            Não é o caso do Português. No plano do imenso mercado da edição literária, existem dois. As recentes traduções da Ilíada e da Odisseia, de Frederico Lourenço, são REESCRITAS em edição brasileira.

            Como é que uma pessoa inteligente como tu não compreendeu ainda aquilo que tentei explicar-te de dez maneiras diferentes?

          • Ernesto Vazquez Souza

            Não tal… Fernando… essa é a propaganda da RAE e de Madrid…

            E se são a mesma língua porque agora já não se reeditam as maravilhosas traduções de Losada dos anos 40 e 50 e se traduz de novo a esquemas mais modernos e mais castelhanos ??

            Acho que aplica o imaginário português à realidade do castelhano… e não conhece a história da língua castelhana e do mundo editorial do castelhano… (pouca gente conhece na realidade em profundidade)…

          • Venâncio

            Eu estou-me a c*gar para o cenário castelhano.

            Espero que um dia entendas o que tentei dizer-te do cenário do Português, e que não seja tarde.

          • Ernesto Vazquez Souza

            mas eu entendo perfeitamente o do cenário do Português … (entendo bastante bem o que me conta) vejo-o claro como a luz do dia…

            O que digo é que é o resultado de conjunções de fatores políticos, culturais, econômicos … alfandegários por tanto… não, per se, ou intrinsecamente linguísticos… os linguisticos é dizer a existência consagrada de uma tradução propositadamente desenhada para públicos diferentes e a existência de normas funcionais independentes e com tendência acelerada a divergir… são consequência…

          • Venâncio

            Não, meu grande historiador.

            Espanha e Portugal tiveram, sempre, em toda a sua história colonial, uma atitude LINGUÍSTICA inteiramente diferente. Portugal abandonou o seu idioma, no Brasil, à sua sorte. E ele nasceu independente.

            Sabes que, aquando da grande reforma ortográfica de 1911 (quando o Português teve, por primeira vez na História, uma ortografia estável), o Brasil não foi sequer informado?

            Estuda (se quiseres) a história do Português, e verás que os resquícios unitaristas que houve foram sempre de sectores reaccionários, inspirados no Espanhol. Não convenceram. Não venceram.

            Talvez não tenhas reparado, mas nós não somos Espanhóis.

            Abraços.

          • Ernesto Vazquez Souza

            E isso em que nega o que eu digo? ou onde é que eu afirmo o contrário do que me conta?

            o que digo é que Brasil é enorme… mas Portugal hoje parte da UE… e que o castelhano foi e é menos unitário do que a propaganda espanhola sonha e predica…

            Fossem os estados do Brasil umas quantas repúblicas e as repúblicas de língua castelhana uma duas ou três e talvez o conto era justo a contrário…

          • Venâncio

            Por outras palavras: aquilo que eu tento explicar-te da História Linguística (!) do Brasil não te interessou puto.

            Continuas a malhar noutros factores, e nem por um momento reconheces a existência das nossas duas NORMAS linguísticas, gramaticais e o dianho a quatro.

            Tens, como todo o Reintegracionismo galego, um viés cognitivo, nesta matéria.

          • Ernesto Vazquez Souza

            Defeito meu… cegueira, burrice ou talvez que não sou português ou brasileiro…

            Deixemos cá…. rogo… e não se preocupe que eu escuto e trato de entender e aprender… se me falta tato com isso tratarei de não mexer mais… afinal é o seu assunto… no que os galegos não pintamos nada…

            Saúde

          • Venâncio

            Não, meu caro. O teu, o vosso, é um problema identitário.

            No momento em que admitísseis as duas normas linguísticas do Português, iria pelos ares o edifício do Reintegracionismo.

            Mas olha: o estúpido, o parvo, o apatetado sou eu. Eu deveria ter compreendido que o Reintegracionismo galego é um caso psiquiátrico, perdão, identitário (e mais nada!) no dia de 2006 em que, neste mesmo PGL, o sábio e lunático Álvarez Cáccamo se insurgiu contra o facto de eu, numa conferência na Irlanda, ter ousado comparar Galego e Português.

            Abraços desconsolados.

          • Ernesto Vazquez Souza

            homem… claro que é um problema identitário e que tem uma solução política ou:

            – A assimilação total como espanhóis com um simpático dialeto regional…

            – A Constituição de um estado galego…

            até chegarmos a um ou outro ponto… tudo são perigrinações por caminhos tortos, na brétema e com guias meio cegos…

      • Eduardo Maragoto

        Obrigado Ernesto. Eu nom tenho muito interesse em resolver a questom de se o galego, o português (com ou sem brasileiro) som a mesma língua. É umha questom de fé(s) e aí é difícil chegar a acordos. Ora bem, penso que é mui evidente, para cada vez mais pessoas de cada vez mais setores, que a comunidade que fala galego necessita do reforço linguístico português para respirar. Isso é o que temos que resolver urgentemente agora, à margem de outras considerações: como lhe damos esse reforço e como fazemos que ele seja eficaz para a saúde do galego. É nesse debate que todos os contributos vam ser interessantes: este teu que acabas de dar, o do Pichel, o do Monteagudo, etc.

        • Ernesto Vazquez Souza

          ah… desculpa que não vira, andava falando com o Fernando e não reparara…

          Não sei que dizer… para mim os “contributos” vão uns a entradas e outros a saídas… e se os de Monteagudo sumam será que os meus restam… ou vice-versa…

          Não sou capaz de ver nada disso do que falas…e para mim as urgências são outras e outras as estratégias que não passam por esta via política… lamento imenso… mas tanto tem… talvez tu tenhas razão… e eu não vejo…

          Saúde,

  • Arturo Novo

    Eu que levo pouco tempo nestas lérias, mas um tempo muito intenso, desde a minha atalaia opino o mesmo que o Ernesto Vazquez Souza. Que podemos nós, a Agal, negociar com a Rag? Se a Rag fosse o interlocutor certo, no seu dia, quando já existia a Rag, o Estado não criaria o ILGA. O Estado no seu dia criou o ILGA para fazer de menos a Rag. Só quando se asegurou que a Rag serviria os seus interesses lhe devolveu o protagonismo que em realidade inicialmente lhe correspondia. A Rag não é uma instituição independente, a Rag é um organismo totalmente subvencionado polo poder. Embora quiser, não poderia negociar nada em contra do poder político que a subvenciona. Em caso contrário, perderia os seus privilégios.

    • https://pglingua.org/index.php abanhos

      Com o assunto da língua somos roubados, e a RAG na realidade mais que verdadeira, funciona como um seguro para sermos roubados,pois mas calando a boca, que eles certificam que não é roubo

  • Joám Lopes Facal

    O reintegracionismo, como programa reabilitador do galego no espelho português, em absoluto periclitou como invariante cultural galego que já é. E por sinal, nunca tam vivo como hoje.
    Que lhe seja denegado o direito de cidadania desde supostos regionalistas de cunho espanhol a ninguém pode surpreender.
    O que si tem periclitado, sumindo os seguidores no desconcerto segundo observo, é a inocente aventura de pretender identificar galego e português – duas entidades autónomas, intimamente conexas – num disparatado relato um pontinho excêntrico que começou num “new deal” para o galego que acabou extraviado em fiordes noruegueses e em humilhantes rogativas ante os apoderados oficiais do galego-profissionalmente habilitante-de curso legal.
    Quanto à questom da crescente cisom entre o português europeu e o brasileiro e a da pertinência ou nom do AO90, cabem opinions mas som questons alheias e marginais para o programa reintegracionista cuja tenaz vitalidade é manifesta e cuja virtualidade espera apenas a conjuntura política propícia para se desvendar em plenitude.
    Ars longa, meus amigos, a língua galega fica à espera da política galega que é o seu par. Com Lisboa como espectador privilegiado e passivo e Madrid como supervisor coercitivo, caso for preciso.

    • Venâncio

      Caro Joám, uma confissão.

      Quando ouço a qualidade do galego de certos empenhadíssimos reintegracionistas, deixo de acreditar sequer na consistência do Universo.

      Abraços gratos.

      • Joám Lopes Facal

        Caro Fernando, com vontade de esclarecimento permite-me ensaiar umha breve liçom de antropologia cultural: a resistência é a ciência dos vencidos, disso sabemos algo os galaicos de norte a sul.
        A cultura galega diferenciada mantivo-se firme contra vento e maré até hoje graças ao mecanismo de transmissom oral ininterrupta e ao alento dos nossos bardos particulares: escritores, poetas e políticos comprometidos, a Geraçom Nós em especial.
        Em perigo iminente de colapso a transmissom oral agora, o nosso futuro cultural pende no presente do concurso e lealdade activa da coorte de neofalantes (alguns deles em formaçom precoce nas Escolas Semente) e falantes conscientes, e dum processo de homeopático de internacionalizaçom propiciado polo mundo digital em que estamos.
        Dous estorvos percebo neste caminho: o estólido imobilismo institucional e a precipitada fuga a um salvífico cenário pan-lusófono inevitavelmente percebido como alienígena pola consciência social.
        A sociedade, que diferencia já galego coloquial e “galego da Xunta” deve ser incitada a ampliar o seu horizonte linguístico mais além das fronteiras provincianas, evitando a armadilha de arrombar o galego secular como fardo inservível a substituír por um português imaculado inevitavelmente percebido como alienígena.
        Precisamos de um processo de paciente pedagogia política capaz de estimular a abertura do galego ao português, como irmão maior tutelar, mediante umha delicada acomodaçom ortográfica sem inoportunos alardes que provoquem resistência identitária.
        Esse e nom outro é o programa reintegracionista; disparatado para o conservadorismo imobilista, arcaico e inoperante para o cosmopolitismo lusista.
        Entre a involuçom regionalista provinciana e a fantasia cosmopolita, apenas disponível para minorias selectas e isoladas, estamos condenados a perseverar.
        O reintegracionismo é a única promessa de futuro em espera ainda a sua Geraçom histórica. A de um Nós ampliado.
        No entanto, só resta exercitar a sabedoria dos vencidos.

        • Venâncio

          Caro Joám,

          A adaptação ortográfica ao português é, de tudo, o menos urgente. Mas, eu sei, na ânsia “identitária” em que o Reintegracionismo sempre andou, a Ortografia é muito, e às vezes tudo.

          Reina entre vós a convicção duma “ortografia histórica” do português, que seria também a ‘autêntica’ do galego. Acontece que um “ortografia histórica” do português nunca existiu. Ela é, até na própria designação, uma invenção do Reintegracionismo galego.

          Só em 1911 houve um princípio de arrumação na nossa ortografia, e o Brasil acabou por desenvolver uma própria. Ainda hoje, apesar desse desaforado “Acordo Ortográfico de 1990”, existem milhares de palavras com ortografia diferente nas duas normas.

          Mas há mais. Qualquer indivíduo de língua portuguesa interessado na Galiza e no galego aprende facilmente a ler a ortografia RAG. Nós não somos intelectualmente destituídos.

          *

          Muito mais importante que a Ortografia é o Léxico. Em 2010, expus, numa importante revista galega, vários passos a dar num aproveitamento de tipo lexical do Português.

          O Léxico é um terreno em que pode intervir-se inteligentemente, e que produz muito menos “anticorpos” do que a Ortografia, até porque esse aproveitamento começaria, oh milagre, no próprio galego, pelo incentivo do muito que os nossos dois léxicos têm em comum. E tu conheces certamente os meus trabalhos de investigação nesse sector.

          Existem, portanto, ideias, existem recursos materiais. O que falta é vontade. O Reintegracionismo tem essa fixação fetichista na Ortografia, e com isso perde tempo e perde muitas energias.

          Mas lá está: o Reintegracionismo teria de deixar de ser “identitário”, para ser finalmente “linguístico”. Só que, para isso, precisaria de linguistas, e não os tem.

          Abraços.

          • Joám Lopes Facal

            Prezado professor, afirmas que a adaptaçom ortográfica do galego ao português é tudo menos urgente e que a fixaçom do reintegracionismo na questom ortográfica revela umha sorte de angústia identitária.
            Discrepo frontalmente. A funçom ortográfica, longe do seu papel meramente instrumental e acessório, insistentemente postulado desde estreitas posiçons positivistas, desempenha umha eminente funçom simbólica; no nosso caso, a de separar nitidamente o campo linguístico próprio do da ecúmena castelhana. Funçom essencial para qualquer língua menorizada.
            Tal acontece com o dígrafo catalám “ny” (ñ espanhol) ou com o capa euskárico “k” para representar a oclusiva velar xorda em lugar do consabido “c” espanhol em tal funçom.
            Inocente capricho? Apenas para quem subestime o poder identificativo do símbolo. Por ele chega-se a matar mesmo, como bem sabemos.
            Escrever à espanhola ou escrever à portuguesa é umha declaraçom de princípios só dispensável para quem desfrute de posiçons de predomínio.
            Cordiais discordâncias, caro amigo

          • Venâncio

            Joám,

            Sabes (não sabias, mas sabes agora) que eu colecciono paradoxos, também chamados oximoros? Pois essas tuas “cordiais discordâncias” é desde já um dos mais lindos que vi.

            Vou ser breve, e vou ser mau.

            Não fazes ideia de quantos textos assinados, aqui no PGL, são escritos EM ESPANHOL com ortografia portuguesa.

            Daí a minha descrença nessa teima da ortografia simbólica… Simbólica para vós. Reveladora para quem vê de fora.

            Abraços mil.

          • Joám Lopes Facal

            Caro professor, o galego subsiste desde há seculos em desigual confronto com a esmagadora presom do castelhano, no qual somos educados e socializados.
            O português experimentou também o seu repousado banho-maria no castelhano, três vezes secular desde 1400, como bem documenta Assim nasceu uma língua. Mestiçagem linguística? Efectivamente, como em toda a parte; o inglês cresceu impregnado de francês e ninguém se importa.
            Sobre a qualidade linguística do PGL nom me corresponde a mim julgar mas penso que cumpre honestamente o seu papel de ágora de informaçom e debate livre, afável em ocasions displicente em outras, dependendo de temperos persoais e humores passageiros.
            Um abraço amigável ao professor, desta vez sem oximoros para nom contribuir a carregar em excesso a sua colecçom.

            PS: O meu empenho limita-se à escrita correcta do galego, cedo-lhe de bom grado o português aos numerosos especialistas competentes.

          • Venâncio

            Caro Joám,

            O galego foi, durante séculos, a língua (a única, claro) de Portugal. A partir de 1400, os portugueses do Sul, vitoriosos contra Castela, decidiram também cortar com o Norte, criando uma língua ponto por ponto anti-galega, e aberta ao castelhano. É esta em que me exprimo.

            É evidente: muito ‘galego’ nos ficou, e em certa medida é no ‘nosso galego’ que nos exprimimos. O português é um produto galego-castelhano-português deveras interessante. Eu estudo-o dia e noite.

            *

            Conto-te a última.

            Um amigo e colega meu linguista português, a quem despertei para a questão da língua na Galiza, e a quem recentemente mandei várias ligações para o PGL, disse-me ontem ao telefone:

            «Esses teus fulanos culpam a outros pelo decréscimo no uso do galego, mas o que eles próprios fazem é praticar o português».

            Eu não disse nada. Fiquei só a pensar.

            Que lhe dirias tu?

          • Joám Lopes Facal

            Convidaria o amigo a distinguir a potência hegemónica e cultural dos Estados frente à fragilidade dos movimentos contra-hegemónicos.
            E mesmo entre a longue durée dos historiadores e a circunstáncia política contingente.
            E por fim, tentaria convencê-lo de olhar o problema em perspectiva sociológica, nom ideológica.

          • Venâncio

            Joám,

            Nós temos um verbo delicioso: «desconversar». Significa ‘responder, falando doutra coisa’. Isto é: fazer-se desentendido.

            Os galegos reintegracionistas são muito bons em desconversar. Falam mil vezes sobre ‘língua’, mas quando se lhes faz perguntas sobre ‘língua’, respondem-nos com outro assunto.

            Um caso sociológico deveras intrigante.

          • Venâncio

            P.S.

            Joám, se alguma coisa entendo a vosso respeito, é isto:

            o Reintegracionismo galego (desde os discretos da AEG aos alti-falantes da AGLP) existe só para uma coisa: assustar Madrid com o português.

          • Venâncio

            Assim se explica, caro Joám, o vosso completo desinteresse pela materialidade do idioma.

            Isto é: se usais interferências do espanhol, se usais pseudo-lusismos ou hiperlusismos (habitualmente induzidos pelo mesmo espanhol), se existem, e existem muitos, “falsos amigos” semânticos entre espanhol e português, e igualmente entre galego e português.

            Nada disto vos interessa, sobre nada disso falais.

            Importa é continuardes a sonhar com esse feito homérico de “assustar Madrid”. Os materiais com que assediais a fortaleza madrilena pouco vos importam. Só conta o efeito.

            Mas algo me diz que Madrid desconhece sequer a vossa existência. Só que, no dia em que vos conhecer, há-de ter pronta para vós uma etiqueta: “quixotescos”.

          • Joám Lopes Facal

            Assustar Madrid? nom sei a quem poderia pretender tal cousa, Madrid é um longínquo espaço burocrático só perceptível desde o observatório da Junta da Galiza.
            Mais perspicaz seria apontar à hipótese de umha eventual vontade de seduzir Lisboa – a intelectualidade lusitana – se tal propósito nom se vir frustrado pola sombra assustadora projectada por Madrid, mais operativa aí polo que observo.
            Ao contrário que em Portugal, caro Fernando, o peso da capital na Espanha é mais que tolerável, somos de facto um país federalizado. A campanha eleitoral galega e basca podem servir de prova.
            E, por se de algo servir, de mim podo dizer que em Madrid estudei e trabalhei, que ali nasceu um dos meus filhos e que amo essa cidade onde vivim 10 anos, como amo também a cultura espanhola. Escuso confessar que abomino de qualquer sectarismo como germe que é de fanatismo, nisso reclamo-me ilustrado. Isso si, som galego de naçom.
            O programa reintegracionista a que adiro é inmune a fobias e miragens proféticas porque afinca no ámbito cívico das convicçons morais e políticas.
            Seria óptimo poder contribuir umha pisca a tentar escorrentar preconceitos que obnubilam o cabal entendimento das incruentas batalhas culturais que por vezes agitam este país cuja língua e cultura contribuíste a vindicar.
            E abonda por hoje, amigo.

          • Venâncio

            «O programa reintegracionista a que adiro é inmune a fobias e miragens proféticas porque afinca no ámbito cívico das convicçons morais e políticas.»

            Belas palavras, Joám, e julgo que muito verdadeiras. O vosso é, efectivamente, um movimento “moral” e “político”.

            Pena é que tenteis dar uma impressão de ser ele, também, um movimento “linguístico”, com uma Associaçom Galega da Língua, uma Academia Galega da Língua Portuguesa, um Portal Galego da Lingua.

            Vou dar-te um exemplo dessa vossa estranha encenação. Conheces certamente aquele “Léxico da Galiza” com que a AGLP tenta vender-se no estrangeiro… mas que ela própria nunca usa. Será um exagero chamar-lhe Academia de Opereta?

            Desculpa eu falar-te sempre, sempre de língua. Fosse eu astrofísico, e era de astros que te falava.

            Fica bem, meu.

          • Miro Moman

            Caro Fernando,

            Língua é política.

            A língua tal é como a conhecemos hoje como “língua nacional” própria dum “estado-nação” nasce da revolução francesa.

            Na linguística há aspetos científicos como a fonologia e outros.

            Mas, o grosso da linguística é só e unicamente política.

            O teu discurso, por exemplo, o teu livro, é político no cento por cento.

            A historiografia também é política. É o intuito de de converter um conjunto inconexo de mitos e fábulas que já eram propagandísticos em origem, numa narrativa mais ou menos coerente que justifique realidades presentes ou futuras.

            Tu estás aqui a fazer política por razões puramente ideológicas.

            Porque tens medo de que o galego polua o português académico.

            É uma obsessão, não apenas política, como também puramente irracional.

            Não faz mal. Cada um temos as nossas teimas.

            Mas tentar disfarçar o que fazes de “linguística” é desacreditar ainda mais uma disciplina já demasiado politizada.

            Saúde,

            O Miro

          • Venâncio

            Miro,

            Se há coisa que detesto são insinuações, Mormente quando se pretende saber o que intimamente move os outros. Tu pretendeste saber o que me move a mim. Escreveste:

            «Tens medo de que o galego polua o português académico».

            A minha primeira reacção: Vai prò caralho.

            A minha segunda reacção: se leste bem o meu livro, terás visto que, se alguma coisa receio, é que através de vós, activistas reintegracionistas galegos, nos entre ainda mais espanhol.

            Volta a ler, sobretudo págs. 233-235, e verás.

            Abraços desolados.

  • Luis Trigo

    O tema dos mercados pode ser bastante pernicioso e abordado com bastante cuidado, pois pode causar bastantes ressentimentos. Em pt o capitalismo lusófono, como se o capital tivesse nacionalidade – mas foi assim que foi vendido – foi marcado agora mesmo pela nacionalização do capital angolano na EFACEC e da compra do capital brasileiro na TAP pelo estado. Já para não falar de como se arruinou uma Portugal telecom. É certo que a economia é demasiado importante para estar só entregue aos economistas, mas os mercados não devem ser um interesse totalitário. E muitas das discussões entre linguistas não perdiam nada se fossem sobre linguística. É que por vezes parece que uma certa Carolina Michaelis não existiu.

    • Venâncio

      Caro Luís,

      Conviria falar ainda mais claro, sobretudo diante de amigos galegos.

      A “Lusofonia” foi uma invenção fundamentalmente ECONÓMICA, entregue a indivíduos já arrumados nas suas carreiras, e destinada a facilitar arranjos com os capitalismos brasileiro e angolano. A “língua portuguesa” foi sempre um pretexto, em que os parvos acreditaram.

      Hoje, sabemos que, até economicamente, a “Lusofonia” acabou num descalabro. Os exemplos que Vc dá (a PT, a TAP, a Efacec… e esqueceu o BES!) são a prova provada de que nem como capitalistas são inteligentes.

      Dá tanta pena ver galegos em êxtase perante a “Lusofonia”, esse bezerro de barro.

      • Luis Trigo

        Caro Fernando Venâncio, é verdade que para os portugueses as coisas ficam bastante assustadoras. Basta ver como um ex-governante que saiu do governo na sequência de uma licenciatura universitária anulada e que agora também tem interesses ligados à banca ocupou uma prateleira da língua portuguesa no Brasil:

        https://expresso.pt/politica/relvas-vai-ser-alto-comissario-da-casa-olimpica-da-lingua-portuguesa=f824159

        Alguém percebeu porquê? Certamente não foi pelos dons de oratória.

        Mas também não desprezo por completo a importância dos mercados, nomeadamente através desta ligação pelo norte de Portugal. Acho apenas que se deve ter cuidado e sentido crítico. E dar também importância a outros factores para além da economia. E de qualquer maneira também vi no texto de Monteagudo algumas ilusões tanto nesta cena económica, como até na projecção da norma oficial do galego em Portugal – pela mesma lógica também colocava o castelhano na lusofonia. Acho que não percebem que um português apesar de valorizar a sua norma não é tão esquisito como um espanhol em relação a outras línguas.

        Um abraço

        • Venâncio

          Caro Luís,

          No âmbito universitário (artigos, etc.), a Norma RAG é corrente, tanto em Portugal como no Brasil. Mas mesmo fora desse âmbito, achamos publicação de textos nessa norma.

          Creio que um maior contacto com o Galego pode revitalizar sectores do nosso léxico que entraram em desuso, não raro com a vantagem de substituírem castelhanismos nossos.

          Abraços.

      • Miro Moman

        A lusofonia, a francofonia a anglofonia, a germanofonia, a hispanofonia…

        São questões de interesses. É óbvio.

        Como tem de ser.

        O natural é defendermos os nossos interesses.

        Apenas os burros fazem o contrário.

        O nosso objetivo é trazer o bem-estar à nossa gente (e à humanidade no seu conjunto) e para isso cumpre termos uma influência no cenário global.

        Ao cabo, foi Portugal quem inventou a globalização.

        E deveria estar orgulhoso da sua façanha.

        • Venâncio

          Incrível, Miro, a vossa capacidade para idealizar (para glorificar…) Portugal.

          «Foi Portugal quem inventou a globalização»? E daí? Tudo isso é, também, idealização, é uma leitura ‘a posteriori’. Tudo isso tem sido intenso campo de debate entre nós. Com os ‘desglorificadores’ Eduardo Lourenço ou Onésimo Almeida, entre outros.

          Mas aos reintegracionistas não interessa o nosso debate. Já nos glorificastes incondicionalmente.

          E isso é uma má acção. Porque confirmais os portugueses nos seus mitos, bastantes deles criados para combater (imitando-a!) a mitologia espanhola.

          • Miro Moman

            Não é um mito. A façanha de circumnavegar África para chegar a Ásia é o facto fundacional do mundo moderno. Em termos de tecnologia e investimento hoje seria o equivalente do que quer fazer o Elon Musk: colonizar Marte.

            A negação disto também é ideológica e tem muito a ver com a desconstrução pós-moderna da civilização europeia.

          • Venâncio

            O nosso debate sobre o Portugal de Quinhentos não nega esse “facto fundacional”. Ninguém o nega, e importa não inventares essa negação, Miro.

            O que se debate entre nós é o COMPORTAMENTO dos portugueses no Oriente, em África e no Brasil. Que esteve longe de ser exemplar, como quer algum “luso-tropicalismo”.

            Quanto a Musk e Marte… caramba, pá. Estás a entrar em órbita.

            Ninguém tinha circum-navegado o Cabo, é verdade. Mas havia um intenso comércio em todo o Índico ocidental. E, uma vez contornado o Cabo, quem levou os portugueses até à Índia foi um piloto árabe.

          • Miro Moman

            O comportamento do Império Português foi o próprio da época. Não apenas dos europeus da época, se não o de todas as civilizações que até então tinham existido.

            Bem está que tenhamos avançado.

            Mas cumpre lembrar que o avanço foi fundamentalmente também um avanço da civilização europeia: a abolição da escravatura, a democracia, o livre comércio, os direitos humanos, os direitos dos trabalhadores, os direitos das mulheres, os direitos das minorias, o ecologismo, os direitos dos animais, etc. Isso são todas conquistas da nossa civilização, que soube evoluir, melhorar e adaptar-se.

            Outros…

          • Venâncio

            Este discurso apologético da “civilização europeia” vem a propósito de quê?

          • Miro Moman

            É evidente. Vem a propósito de que não faz sentido julgar o comportamento das pessoas há 500 anos com os valores de hoje. Até por que os valores de hoje hão ser outros amanhã.

            Aliás, é intrínseca à nossa civilização a capacidade de evoluir e se reinventar em muito pouco tempo.

            Estes nossos valores são o resultado da evolução duma civilização da qual Portugal foi precursor.

          • Venâncio

            Oh, Miro. Poupe-me a essa vossa doentia idealização de Portugal. Já chega de mitologia, por favor.

          • Miro Moman

            Eu não idealizo nada. Nem Portugal nem outra coisa. Mas, quando há que condensar ideias complexas em poucas palavras, o resultado vai ser sempre a hipersimplificação.

            Cela dit, entre a idealização e a autoflagelação, quase fico com a primeira. Para auto-ódio já temos bastante os galegos.

          • Venâncio

            😉

  • Venâncio

    Porra, pá! Quando se escreve “Tens medo de que o galego polua o português académico”, está-se a pretender entrar no espírito alheio.

    E o produto desse abuso são insinuações. Já os latinos o percebiam: in-sinu, dentro do seio.

    A insinuação é o estratagema do fraco.

    • Miro Moman

      Eu não vejo insinuações. São afirmações absolutamente explícitas. Não vejo como poderiam possivelmente ser mais explícitas.

      E, sim, ínfero quais sejam suas intenções. Não é difícil após tantos anos, embora para mim eram claras já do primeiro dia…

      Escrevi mais um artigo. Poderia vir ser publicado hoje neste portal. Recomendo seja lido com galeguice: relativismo e sentido do humor. Do contrário poderia resultar pernicioso para a saúde.

      Saúde pois!

      • Venâncio

        Ouve, pá. Não és, aqui no PGL, o primeiro a julgar, e a insinuar, que os meus receios seriam os duma ‘contaminação’ do português pelo galego.

        Não entendeis nada, portanto, das minhas posições a respeito do vosso idioma, e das suas relações com o meu. Essas posições, formulei-as claramente, tanto num artigo há 10 anos como recentemente num livro de três centenas de páginas.

        Se algum receio alimento, e tornei explícito, é o duma adicional castelhanização mútua. E disso dei exemplos claríssimos e numerosos, como dum linguista poderia esperar-se.

        Meu caro, tu, em matéria de língua, és como todos vós: vago e insuficiente.

        Que pena, um linguista português não achar, no reintegracionismo galego, um interlocutor.

        • Miro Moman

          Irrelevante.

          • Venâncio

            Exactamente. Que um linguista português não encontre entre vós um interlocutor é irrelevante. Direi mais: ainda que houvesse entre vós um linguista, não se entenderiam.

            E sabes porquê? Porque toda a visão que o Reintegracionismo galego tem de Portugal, da sua história e da sua língua é a exacta visão que os espanhóis têm da sua.

            O que os vossos desvairados sociolinguistas (sim, a esses, tende-los: o Gil, o Cáccamo, o Herrero) dizem de Portugal, da sua história (que quase nada lhes interessa) e da sua língua é aquilo que os espanhóis dizem da Espanha, da sua história e da sua língua.

            O Reintegracionismo galego é intrinsecamente espanhol.

          • Miro Moman

            O fanatismo é muito espanhol. Semelha que o português também…

          • Venâncio

            Exactamente. E os reintegracionistas galegos tentam imitar o fanatismo português.

            Para tua informação: não tenho nacionalidade portuguesa. Como estrangeiro informado, limito-me a informá-los, aos portugueses, sobre eles próprios.

            Quanto ao resto, tudo é muito natural, muito oitocentista. O que é anti-natura é haver galegos alimentando-se de mitologias portuguesas.

            Fica bem. Ou o melhor possível.