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Argumentos, dogmatismo e agentes decisores

Tupinamba – Na sequência do artigo Modelos económicos e estratégias linguísticas de Pablo Gamalho, publicado esta semana no PGL, gostava de chegar uma contribuição com o intuito de enriquecer a reflexão ativada pelo mesmo.

Muito obrigado ao Pablo pela fantástica análise e por se ter dado à trabalheira de fundamentar com claridade as bases do paralelismo que estabelece.

Entendo que o Pablo razoa da seguinte forma:

Existem semelhanças entre os âmbitos da teoria económica e da filologia galega.

1) No âmbito da teoria económica argumenta-se e faz-se marketing político também (igualmente no debate filológico galego).
2) A argumentação resulta pouco eficaz em ambos os âmbitos teóricos/políticos devido ao alto grau de dogmatismo existente.
3) Em conclusão, parece resultar mais útil avançar no desenvolvimento de marketing político do que insistir na argumentação. Na teoria económica faz-se e no âmbito filológico galego está-se a fazer também já.

Acho que o paralelismo não seria exato em 2.

No âmbito das políticas económicas existem nos agentes decisores (cidadãos, lobbies, partidos políticos) posicionamentos de carácter ético-político que condicionam completamente o debate da implementação de um determinado modelo económico à margem da sua validade científica (teorias de justiça igualitaristas versus libertaristas).

Pelo contrário, no âmbito das politicas linguísticas:

a) Se excluirmos da consideração aqueles que rejeitam a sua implementação,
b) se concordarmos na progressiva quebra do romanticismo político e paralelo ascenso do utilitarismo, os agentes decisores teriam um posicionamento ético-político comum (valor do incremento do número de falantes e o incremento da competência linguística). Por isso, no conjunto deles haveria um grau inferior de dogmatismo e seriam mais permeáveis à argumentação.

Acho que providenciar a presença do debate argumentado continuaria sendo uma estratégia eficaz ao internacionalismo (sem excluir a utilidade do marketing político), em função da queda dos argumentos principais sustentados pelo essencialismo:

1) O galego a promover deve ser aquele que se fala no meu território (não achega razões para a  subsistência do recurso).
2) O galego a promover deve ser aquele que conserva a essência (não achega razões para a subsistência do recurso)
3) O galego a promover deve ser aquele em que o acesso à competência linguística resulte mais fácil porque dessa forma haverá mais falantes (o mais forte, mas como o Pablo indica, demonstrou-se que não é assim).

Pelo contrário, o argumento do internacionalismo:

(i) a língua que permite a comunicação internacional é mais útil;
(ii) uma língua mais útil ganha falantes;
(iii) se quisermos que o galego tenha mais falantes deveremos preferir o galego internacional.

Parece incontestável neste momento, por isso a sua expansão resultaria progressivamente eficaz. Poderia-se objetar que a condição de quebra do romanticismo político e ascenso do utilitarismo (b) não se esta a produzir no conjunto dos agentes decisores. Isto poderia ser certo no caso de agentes vinculados a um nacionalismo político tradicionalista (que, defendo, seriam hoje minoritários no global), mas não no conjunto dos que defendem a implementação de políticas linguísticas. Esta distinção permite-nos, isso sim, concluir que o marketing político poderia resultar mais eficaz na interlocução com os agentes que se adscrevem a essa tendência tradicionalista.

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