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Após 111 anos, as galegas e galegos de Lisboa recuperam o “Amaro Navegante”

As galegas e os galegos em Lisboa constituiram durante muitos anos a principal comunidade de imigrantes na capital de Portugal.

amaro-navegante-2022Nosso era aquele ofício de aguador, que transportava a água desde as fontes até as casas dos lisboetas e que acudia prestes quando um incêndio deflagrava. Nesta época, quando éramos muitos e muitas, tínhamos uma festa de referência, que convertemos em romaria, juntando-nos todos os dias 15 de Janeiro por volta da Capela de Santo Amaro, hoje à sombra da Ponte 25 de Abril.
Mas há 111 anos que não se celebrava esta Romaria, assim que este ano recupera-se, com um evento durante a tarde de hoje no templo das galegas de Lisboa, a capela de Santo Amaro. Diz-se que a capela foi mandada levantar por padres franciscanos galegos, que de caminho às missões para se salvarem de um naufrágio se puseram sob a proteção do santo, cena que está reproduzida nos azulejos da própria capela, mas que não deixa de ser uma lenda. Foi em 1911 que se realizou a última romaria, quando a outrora extensa comunidade galega foi aos poucos desvanecendo e integrando-se na cidade.
Foi em 1911 que se realizou a última romaria, quando a outrora extensa comunidade galega foi aos poucos desvanecendo e integrando-se na cidade.
Assim, na jornada deste sábado, recupera-se aquela festa com a presença de Xurxo Souto, um grande nome da cultura galega. O multifacetado músico e escritor corunhês fala do “Amaro navegante”, uma bela metáfora das viagens das comunidades galegas, na procura da Ilha do Paraíso. Por outro lado, Carlos Callón e Maria Dovigo, ambos poetas e professores, também partilharão algumas histórias sobre a comunidade galega em Lisboa, da que fazem parte. Com um pouco de sorte e bom vento, não irá faltar no encontro alguma canção cantada a coro de forma improvisada pelos ali presentes. O vinho e negro licor café galego também não poderão faltar. Também vai haver gaitas de foles a acompanhar o evento.
Esta nova romaria de tempos modernos, será ao ar livre, ao pé da capela, com todos os cuidados necessários nesta situação pandémica.

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