Ainda ficam alguns galegos dignos

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Por José Paz Rodrigues (*)

Poucos, e sem embargo bons e generosos. Ainda ficam no momento histórico que estamos a viver alguns galegos com dignidade. Que durante toda a sua vida realizaram pola Nossa Terra um labor profundo e nom sectário. Na defesa da nossa língua, da nossa cultura e do nosso ser galego. Naturalmente, a escolha que fago neste meu artigo é subjetiva, em concordância com a minha particular opiniom. Polo que aceito poder estar equivocado na escolma que fiz de galegos ilustres. Na qual tenho prioritariamente em conta o seu amor pola Galiza ao longo do tempo e o que nom foram sectários no labor desenvolvido, com outras pessoas e opiniões. Atitude, infelizmente, hoje pouco habitual neste noroeste peninsular, onde o livre-pensamento nom vende e, portanto, nom está na moda.

Em primeiro lugar, quero eu destacar como galego enormemente digno Isaac Diaz Pardo. Que vem de cumprir os seus noventa anos na localidade de Sada, na sua casa do complexo cultural e industrial de O Castro. Quanto lhe devemos os galegos a este homem! Que levou para a frente as nossas indústrias culturais mais importantes e mais autênticas: Sargadelos, cerâmicas e edições de O Castro, museu Carlos Maside e o Instituto Galego de Informaçom. Foi ele que manteve vivo o vínculo e o relacionamento com a emigraçom galega na América, e que conserva como um grande tesouro toda a documentaçom do Seminário de Estudos Galegos (SEG), que, desgraçadamente ainda nom temos recuperado. E recuperá-lo seria a melhor homenagem que lhe podíamos fazer a esta pessoa, que nos últimos tempos está a viver graves e injustas situações nas sociedades que criou com tanto amor à Terra.

Em segundo lugar, Francisco Fernández del Riego, com os seus nada menos que 97 anos de vida. Frutífera e modelar a favor da Galiza, nos seus múltiplos escritos, nas suas obras, na editorial Galáxia e na excelente Fundaçom Penzol de Vigo. Como presidente da RAG desenvolveu um labor magnífico, respeitando todas as opções, sendo o único – o que muito o honra – que apoiou que se lhe dedicasse o Dia das Letras Galegas a Ricardo Carvalho Calero. Proposta que nom teve sucesso no seu dia, nem o tem hoje.

Avelino Pousa Antelo, presidente da Fundaçom Castelao, é outro dos nossos homens dignos, bom e generoso que eu muito aprecio. E que conheço desde há muito tempo, pois tinha família em Carvalheda, aldeia próxima à minha de Corna, no concelho de Pinhor. O seu estupendo labor na quinta pedagógica de Barreiros e a promoçom da obra e pensamento de Castelao merecem o nosso aplauso mais sincero. Uma das cousas que eu, pessoalmente, mais lhe agradeço, é que, graças a ele, por nom ser sectário, os reintegracionistas pudemos participar em Compostela, de 24 a 29 de novembro de 1986, no Congresso Castelao, com motivo do centenário do seu nascimento, e as nossas palestras foram publicadas nas atas oficiais do congresso com a norma internacional do nosso idioma, que eu utilizo desde 1982. Ainda hoje há muitos jornais, revistas e editoras que nom o consentem. O que nom deixa de ser um ataque à liberdade de expressom. Este tema, quando por vezes me encontro com ele, sempre lho comento e lho agradeço.

Em quarto lugar, eu incluo entre os dignos o escritor José Neira Vilas, que mora em terras da Bandeira. Ainda me lembro do prazer que tinham os meus alunos da Escola Normal, dos anos setenta, ao ler o seu formoso livro Memórias dum Neno Labrego. Que eu propunha como leitura de pedagogia galega. Neira, aqui, e antes na emigraçom argentina e cubana, desenvolveu um magnífico labor a favor da nossa cultura, que sempre amou e defendeu.

Já, dentro das gerações mais próximas à minha, considero galegos muito dignos o carvalhinhês Filipe Seném López Gómez, assessor cultural da Deputaçom corunhesa, e antes diretor do museu arqueológico do castelo de S. Antom. O nosso melhor lexicógrafo Isaac Estraviz, com morada atual em Santa Marinha de Águas Santas. E o professor da universidade de Vigo, José Martinho Montero Santalha. Entre as mulheres dignas incluo eu Mª José Queizam e Marilar Aleixandre. E, entre os políticos, hoje absurdamente no desemprego, Camilo Nogueira, José Manuel Beiras, Pablo G. Marinhas e Claúdio López Garrido. Entre os políticos em ativo eu nom encontro nenhum com dignidade completa. O que sinto de verdade.


(*) Professor Numerário da Faculdade de Educaçom de Ourense.