Comemora-se a 25 de Maio, o Dia de África, data que foi instituída pela “Organização da Unidade Africana” em 1963. Em Julho de 2002, esta organização foi substituída pela “União Africana”. A União Africana (UA) foi fundada em 2002 e é a organização que sucedeu à Organização da Unidade Africana. Baseada no modelo da União Europeia (mas atualmente com atuação mais próxima à da Comunidade das Nações), ajuda na promoção da democracia, direitos humanos e desenvolvimento na África, especialmente no aumento dos investimentos estrangeiros por meio do programa Nova Parceria para o Desenvolvimento da África. Seu primeiro presidente foi o presidente sul-africano Thabo Mbeki.
Não existe no mundo um continente como África que tenha sofrido tantas desgraças desde há muitos séculos, e ainda hoje com o neocolonialismo, continua a sofrer, com guerras artificiais e artificiosas em muitos dos seus recantos, algumas com história de anos. A lista de desgraças é muito larga, embora tivéssemos que destacar que, por causas das guerras (que só beneficiam as máfias das empresas construtoras de armas dos EUA e outros países como a França, a Rússia e a China) existem muitos campos de refugiados, nos quais, como verdadeiros campos de concentração, famílias inteiras, mulheres e crianças moram na completa miséria. Estamos a pensar nos campos de refugiados de Sudão do Sul, da República do Congo e da capital da Etiópia, Adis Abeba. Sem esquecer os campos de refugiados do Sara, que levam décadas e já nem se fala deles. Embora, nos últimos tempos, a guerra da Síria esteja a provocar, como todos sabemos, a maior fugida de cidadãos da história que escapam da guerra, e na Europa, conforme os países, são acolhidos ou não, e muitos morrem pelo caminho e no mar. E ninguém lhe põe remédio a esta terrível guerra, em que também estão implicados os curdos, um povo que também muito tem sofrido. A exploração das matérias-primas do continente foi e continua a ser infame, uma verdadeira espoliação. Antes pelos países europeus como Inglaterra, Bélgica, França, Portugal, Espanha, Alemanha e Itália, que pelo tratado de Berlim se repartiram o bolo africano. E hoje pelos Estados Unidos e pela China, que se repartem metade a metade o “bolo africano”, com a aquiescência de muitos governos corruptos, que são comprados pelas multinacionais ianques e chinesas. E estas, a que só interessa o negócio, não se preocupam para nada com o cumprimento da declaração dos direitos humanos dos países que roubam, nem se o governo respeita a democracia ou aplica a ditadura pura e dura. Para além de tudo isto existe também a praga dos movimentos fundamentalistas de tipo muçulmano, que cometem verdadeiras atrocidades, ademais de atos terroristas. Não há muito pouco que esse grupo infame chamado “Boko Haram”, em troca de alguns dos seus membros que foram encarcerados pelo governo, libertou 82 meninas que tinham sequestradas, as quais foram forçadas como escravas sexuais e casadas à força (algumas chegaram a ter filhos dos soldados do grupo mencionado). Todos devemos lembrar que em 14 de abril de 2014, os militares de Boko Haram entraram à força e bem armados numa escola da localidade de Chibok, no nordeste da Nigéria, onde meninas de entre 12 e 17 anos estavam a fazer um exame, pois este grupo infame considera que receber ensino com o modelo ocidental é pecado. Naquele momento e pela força sequestraram 276 meninas, das que 57 conseguiram escapar dos raptores. Em outubro de 2016 libertaram 21, também em troca de vários de seus soldados presos. Ainda hoje estão em paradeiro desconhecido 113 meninas. O grupo fundamentalista de Boko Haram leva causado desde a sua criação mais de vinte mil mortos e um milhão e meio de deslocados internos e de refugiados. E ainda estão na nossa memória as terríveis matanças entre os “hútu” e os “tutsi”, duas etnias de Ruanda, sucedidas em 1993. Por culpa também do fundamentalismo, nos países do centro de África em especial, ainda hoje se pratica com as meninas a barbárie da ablação à força do seu clitóris, tema pelo que levam falecido muitas meninas e mulheres, que são operadas sem nenhum cuidado higiénico. No seu dia dediquei um depoimento da série ao filme “Moolaadé”, realizado pelo senegalês Ousmane Sembene, no qual, de forma muito acertada, se denuncia esta aberração e atentado contra da mulher em muitos lugares do continente africano.
Ademais de alguns dos países antes mencionados, tiveram e têm problemas graves outros como o Quénia, Mali, Chade, Camarões, Guiné Equatorial (com um governo ditatorial e corrupto infame), Somália, o Iémen, Senegal e Cabo Verde (estes dous com muitos emigrantes por diferentes lugares do mundo) e o Congo, Angola e Moçambique, por ter valiosas matérias-primas, que são um verdadeiro atrativo económico para muitos países. Pois a África é um autêntico supermercado das matérias-primas. Ainda é hoje o dia que as 40 empresas mais importantes da África têm a sua sede em Paris e não nos países explorados miseravelmente. E ainda teríamos que falar, para não acabar, dos problemas eternos, que levam décadas, entre Palestina e Israel. Sem encontrar ainda um acordo e um entendimento.
Por tudo o que mencionámos antes, considero que é de enorme importância sensibilizar os nossos escolares, para conseguir a sua solidariedade com o povo africano, ou povos africanos, sem esquecer-nos daquela longa e infame época do comércio de escravos cara Europa e especialmente cara a América. Uma atividade formosa poderia ser a organização nos nossos estabelecimentos de ensino dum ciclo cinematográfico com os filmes cujas fichas resenho a seguir.
FICHAS TÉCNICAS DOS FILMES:
Diretor: Jean-Louis Bertuccelli. Roteiro: J.L. Bertuccelli, segundo a obra Chebika de Jean Duvignaud. Fotografia: Andreas Winding. Música: Henri Texier e canções berberes por Taos Amrouche.
Produtoras: Ucelli-Office da França e Actualites Algeriennes da Argélia.
Atores: Leila Shenna (a jovem Rima), Jean-Louis Trintignant (o capataz), Kricheche e os vizinhos da aldeia argelina de Tehouda Schenna.
Argumento: Rima é uma jovem órfã de dezanove anos. A sua família adotiva vive numa aldeia remota da Argélia, perto do deserto do Sara. Analfabeta, quer descobrir e aprender, ela está cheia de curiosidade com sonhos de ter uma vida diferente, para além das areias do deserto. Na aldeia a vida é dura e os homens trabalham extraindo pedras das canteiras. As mulheres tiram a água dos poços, tecem e moem o grão Quando o capataz se nega a pagar-lhes um salário decente, decidem fazer uma greve pacífica. Mais tarde o exército francês de ocupação chega a intervir. As mulheres da aldeia sacrificam uma ovelha para protegê-los, diante dos soldados em perigo. A situação dura vários dias, enquanto que a cidade fica à espera
muito paralisada.
- Casa de lava. Portugal, 1994, 110 min., cor. Produtora: Atalanta Filmes.
Diretor: Pedro Costa.
Atores: Inés de Medeiros (Mariana), Isaach de Bankolé (Leão), Edith Scob (Edite) e Pedro Hestnes (fillho de Edite).
Argumento: O filme é um drama intenso sobre um operário cabo-verdiano que após acordar do coma é levado para a sua terra natal por uma enfermeira. Mas quando ela achava que o estava a devolver a um mundo cheio de vida, descobre que está a levar um vivo para um mundo praticamente morto.
- Lágrimas do sol (Tears of the Sun). EUA, 2003, 121 min., cor.
Diretor: Antoine Fuqua. Roteiro: Alex Lasker e Patrick Cirillo.
Fotografia: Mauro Fiore. Música: Hans Zimmer.
Produtoras: Columbia Pictures, Revolution Studios e Cheyenne.
Atores: Bruce Willis, Monica Bellucci, Cole Hauser, Tom Skerritt, Eamonn Walker, Nick Chinlund, Peter Mensah, Fionnula Flanagan, Malick Bowens, Johnny Messner, Chad Smith e Charles Ingram.
Argumento: A.K. Waters (Bruce Willis) é um dedicado e fiel tenente da Marinha, que recebe como missão ir até as selvas da Nigéria e resgatar a médica missionária Lena Hendricks (Monica Bellucci). Ao chegar ao local com sua unidade, Water precisa lidar com a imposição feita pela doutora: ou é levada juntamente a outros 70 refugiados de guerra, que seriam deixados na fronteira com Camarões, ou ficará onde está. Em dúvida entre cumprir sua missão e prestar ajuda humanitária aos refugiados, Waters decide atender ao apelo de Hendricks e levá-los com sua unidade. Porém logo a Marinha descobre que entre os refugiados está um homem procurado pela milícia rebelde nigeriana, o que põe toda a missão em perigo.
Diretor: Terry George. Roteiro: Terry George e Keir Pearson.
Fotografia: Robert Fraisse. Música: Rupert Gregson-Williams, Andrea Guerra e Afro Celt Sound System. Produtoras: Lions Gate Filmse e United Artists.
Nota: Pode ver-se completo entrando em:
Atores: Don Cheadle, Sophie Okonedo, Desmond Dube, Hakeem Kae-Kazim, Nick Nolte, Joaquin Phoenix, Cara Seymour, Fana Mokoena, Antonio David Lyons, David O’Hara e Jean Reno.
Argumento: Em 1994 um conflito político e uma guerra civil em Ruanda levou à morte de quase um milhão de pessoas em apenas cem dias. Sem apoio dos demais países, os ruandeses tiveram que buscar saídas em seu próprio cotidiano para sobreviver. Uma delas foi oferecida por Paul Rusesabagina (Don Cheadle), que era gerente do hotel Milles Collines, localizado na capital do país. Contando apenas com sua coragem, Paul abrigou no hotel mais de 1200 pessoas durante o conflito.
- O jardineiro fiel (The Constant Gardener). Reino Unido-Alemanha, 2005, 128 min., cor.
Diretor: Fernando Meirelles. Roteiro: Jeffrey Caine, segundo o romance de John Le Carré.
Fotografia: César Charlone. Música: Alberto Iglesias.
Produtoras: Focus Features e UK Film Council.
Atores: Ralph Fiennes, Rachel Weisz, Danny Huston, Hubert Koundé, Sidede Onyulo, Bill Nighy, Gerard McSorley, Daniele Harford, Pete Postlethwaite e Donald Sumpter.
Argumento: Uma ativista (Rachel Weisz) é encontrada assassinada em uma área remota do Quénia. O principal suspeito do crime é seu sócio, um médico que se encontra atualmente foragido. Perturbado pelas infidelidades da esposa, Justin Quayle (Ralph Fiennes) decide partir para descobrir o que realmente aconteceu com sua esposa, iniciando uma viagem que o levará por três continentes.
Diretor: Yared Zeleke. Roteiro: Y. Zeleke. Fotografia: Josée Deshaies. Música: Christophe Chassol. Produtoras: Gloria Films, Slum Kid Films, Heimatfilm, Film Farms, Dublin Films e Wassakara Productions.
Atores: Rediat Amare, Kidist Siyum, Wolela Assefa, Rahel Teshome, Bitania Aberaham e Rohama Demise.
Argumento: A vida de Efraim, um rapaz etíope, muda totalmente quando seu pai parte para trabalhar na cidade e se vê obrigado a deslocar-se para viver com sua avó e seus tios. Com a única companhia de um pequeno cordeiro como inseparável amigo, Efraim tenta adaptar-se à sua nova família, cozinhando saborosas empadinhas e trabalhando no campo. Porém, um dia seu tio anuncia-lhe que tem que sacrificar o seu cordeiro para a próxima comida festiva.
- Um reino unido (A United Kingdom). Inglaterra, 2016, 105 min., cor. Produtora: Pathé.
Diretora: Amma Asante. Roteiro: Guy Hibbert. Fotografia: Sam McCurdy. Música: Patrick Doyle. 
Atores: David Oyelowo, Rosamund Pike, Jack Davenport, Laura Carmichael, Tom Felton, Charlotte Hope, Jessica Oyelowo, Nicholas Lyndhurst, Arnold Oceng, Jack Lowden, Terry Pheto, Vusi Kunene, Abena Ayivor, Donald Molosi e Gareth Matthews.
Argumento: Biopic sobre o Príncipe Seretse Khama, o rei de Botsuana, que ao contrair matrimónio em 1948 com Ruth Williams, uma mulher branca britânica, originou um conflito internacional, já que o apartheid sul-africano não permitia os matrimónios inter-raciais. Em 1947 Seretse conheceu Ruth, uma empregada de escritório londrina. A atração foi imediata; ela fica apaixonada por ele pela sua visão dum mundo melhor, enquanto que ele ficou cativado pela disposição dela a aceitar essa visão. Eram o casal perfeito, embora a sua intenção de contrair matrimónio se enfrentasse à oposição, não só de suas famílias, como também dos governos britânico e sul-africano.
A COLONIZAÇÃO DA ÁFRICA:
O continente africano foi um dos últimos a ser colonizado pelos europeus. Nas Américas, o processo de colonização teve início ainda no século XVI. Três séculos mais tarde o continente americano já havia sido descolonizado e a Primeira Revolução Industrial se encontrava em plena expansão. Diante disso, os europeus buscaram novas fontes de recursos para abastecer as suas indústrias. No século XIX, as nações europeias, como Inglaterra, França, Bélgica, Holanda e Alemanha, começaram a explorar de maneira efetiva o continente africano e também o asiático. A Revolução Industrial motivou esses países a explorar matérias-primas, especialmente minérios, dentre os quais podemos destacar o ferro, cobre, chumbo, além de produtos de origem agrícola, como algodão e borracha; todos fundamentais para a produção industrial. As nações americanas que foram descolonizadas se tornaram um mercado promissor para os produtos industrializados europeus, tendo em vista que a procura na Europa por tais mercadorias estava em queda.
As potências europeias, para garantir matéria-prima, ocuparam os territórios contidos no continente africano. Logo depois, promoveram a partilha do continente entre os principais países europeus da época, dando direito de explorar a parte que coube a cada nação. A divisão do continente africano foi consolidada através de um acordo realizado em 1885. Esse evento contou com a participação da Inglaterra, França, Bélgica, Alemanha, Itália, Portugal e Espanha. Esse acordo foi executado na Conferência de Berlim. Porém, o processo de exploração da África aconteceu antes mesmo de haver a partilha do território, isso porque diversos países enviaram delegações de cientistas para o continente. Segundo eles, os cientistas tinham o propósito de realizar pesquisas de caráter científico, mas na verdade esses coletavam dados acerca do potencial mineral, ou seja, as riquezas do subsolo. Anos depois, grande parte do território africano estava colonizada. Os europeus introduziram culturas que não faziam parte da dieta do povo nativo. Os colonizadores rapidamente promoveram as plantações, com destaque para a produção de café, chá, cana-de-açúcar e cacau.
Outra atividade desenvolvida foi o extrativismo mineral, com destaque para a extração de ouro, ferro, chumbo, diamante, entre outros. Assim, os europeus conseguiram garantir por um bom tempo o fornecimento de matéria-prima para abastecer as indústrias existentes nos países europeus industrializados.
E no momento atual, desaparecido o modelo histórico da colonização, estamos a viver o neocolonialismo da África, no qual os principais atores são os Estados Unidos e a China, e por detrás a França e Inglaterra, que continuam a controlar muitas economias dos países que foram suas colónias. Que não é o caso de Espanha, Portugal, Alemanha, Itália, Holanda e Bélgica.
TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:
Servindo-se da técnica do Cinema-fórum, analisar e debater sobre a forma (linguagem cinematográfica: planos, contraplanos, panorâmicas, movimentos de câmara, jogo com o tempo e o espaço, truques cinematográficos, etc.) e o fundo dos filmes antes resenhados. Depois de organizar um ciclo com estes sete filmes de temática africana.
Podemos organizar no nosso estabelecimento de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a África, em que colaborem os escolares e os docentes. A mesma deve incluir trabalhos dos estudantes (textos, poemas, desenhos, mapas…), fotografias, murais, esquemas, livros, revistas e pequenos estudos históricos, geográficos, artísticos, paisagísticos, de literatos e intelectuais africanos, de artistas e músicos, de monumentos, de momentos históricos importantes, etc. Na internet há muitas páginas dedicadas a África e os seus muitos temas, que podemos consultar.
Depois de ler por todos o livro Os condenados da terra, escrito por Frantz Fanon em 1961, organizamos um Livro-fórum sobre o mesmo. Existem várias edições deste importante livro tanto no Brasil como em Portugal.



