Partilhar

A pretendida reforma dos modelos linguísticos na Nabarra marítima

Andoni Herrera – Na Nabarra marítima, termo popularizado pelo historiador Tomas Urzainki para se referir aos territórios arrebatados ao Reino da Nafarroa por volta do ano 1200, temos um novo tema de actualidade: a tentativa de reforma dos modelos linguísticos.

Sim, Nabarra marítima, ou ainda não está suficientemente claro que todos os bascos somos, politicamente falando, nabarros? Bom, mas não percamos o fio da questão. O caso é que nesta Nafarroa marítima, também conhecida como C.A.B. ou mesmo Euskadi, o sistema dos três modelos linguísticos precisa duma mudança urgente.

Hoje em dia o ensino nos territórios bascos de Araba, Bizkaia e Gipuzkoa está baseado em três modelos: A, língua veicular o espanhol e o éuscaro como matéria; B, éuscaro e espanhol em idêntica percentagem ; D, língua veicular o éuskaro e o espanhol como matéria. Pois bem, até o Governo basco soube de que o sistema não funciona e, portanto, não garante a consecução do seu fim último: alunos plenamente bilingues uma vez finalizado o ensino obrigatório.

A tal efeito, o Departamento de Educação do Governo basco, sob responsabilidade de Eusko Alkartasuna, está a preparar um projecto de lei que pretende substituir os três modelos por um só. A proposta consiste em estabelecer um mínimo de 60% das matérias não linguísticas em éuscaro e, a partir daí, seria o próprio centro de ensino o que decidisse em que língua impartir o resto das matérias.

Como era de esperar os partidos unionistas (PPSOE) puseram o berro no céu falando da nova ‘imposição’ nacionalista. Mas, o que não esperava o conselheiro Tontxu Campos é que as críticas viessem do mesmo Governo basco, concretamente do PNB, que não gosta em absoluto do invento. Julgam os ‘jeltzales’ atrevido demais o projecto e que não há que se precipitar. Bom, após 25 anos com um sistema claramente demonstrado ineficaz, acho eu que, não se pode falar em precipitação, mas sim em desleixo, incompetência e submissão ao império.

Agora EA tem que entrar num processo de negociações com o sócio maioritário do governo, o PNB, para tentar aprovar o seu projecto. E já quase não fica tempo, a presente legislatura está a findar e em Dezembro reúne-se por última vez a Assembleia legislativa.

De todos os jeitos e seja como for, o projecto está longe de ser tudo o esperançador que pudesse ser. Se bem é certo que elimina o vergonhoso modelo A, também cumpre manifestar que não garante em absoluto a aplicação de algo semelhante ao único modelo satisfatório, o D, já que deixa nas mãos do centro de turno a distribuição de 40% de matérias. Por não falar de que o projecto nada diz a respeito da necessária euskaldunização dos professores e das escolas de magistério. Também não se determinam medidas para impulsionar o emprego do éuscaro, introduzir a língua nas actividades extra-escolares, pessoal não docente bilingue etc.

Se verdadeiramente pensamos que o sistema de modelos deve ser superado, agora toca agir com responsabilidade e convicção. Em defensa da língua comum dos bascos, a língua navarrorum.

A Semente de Lugo festeja o seu décimo aniversário com um programa de atividades para desfrutar em família

Lançamento do livro, Tourists, go home? em Compostela

Lançamento do livro, Tourists, go home? em Vigo

Tratado de interculturalismo woke para integrar migrantes e salvar línguas

MAITE CARAMÉS

Lucas de Fontela: “Não consideramos um ‘problema’ a perda da língua própria”

A Semente de Lugo festeja o seu décimo aniversário com um programa de atividades para desfrutar em família

Lançamento do livro, Tourists, go home? em Compostela

Lançamento do livro, Tourists, go home? em Vigo

Tratado de interculturalismo woke para integrar migrantes e salvar línguas