A Abecásia é uma pequena região caucásica que tornou independente da Geórgia após a guerra civil de 1992-1993, ainda que segue a ter um reconhecimento internacional muito limitado. Durante o conflito georgiano-abecásio, a maior parte da população georgiana fugiu ou foi expulsa da Abécasia. Porém, o distrito de Gali, no extremo sul do país, continuou a ser habitado por um grupo étnico georgiano, os mingrelianos. Ele foi o único distrito da Abecásia onde as novas autoridades permitiram o ensino em georgiano depois da independência, num clima de confronto com a população local. Porém, no ano académico 2015-2016 o georgiano deixou de ser a língua veicular do sistema educativo.
Os mingrelianos de Gali sempre mantiveram um forte relacionamento com a vizinha Geórgia e até muito recentemente, as escolas públicas do distrito seguiam a ser financiadas pelo governo da Geórgia. Como consequência, a população mingreliana ficou isolada do resto da Abecásia, que a levou a uma situação de grave abandono por parte das autoridades. Em 2007, o governo aprovou uma lei com o objetivo de promover a língua abecásia, o que foi uma consequência lógica do seu processo de construção nacional. Deste modo, o abecásio passava a ser a língua empregada por todas as instituições governamentais (juntamente com o russo). Além disso, a nova regulação impunha a todos os cidadãos da República a obrigação de dominar o abecásio. Em linha com a nova legislação, o governador do distrito de Gali, Temur Nadaraya, anunciou em março de 2015 que todas as escolas do distrito passavam a ter um ensino em russo, ficando “Língua e literatura georgianas” como a única matéria a ser ministrada em georgiano. Em palavras do próprio governador Nadaraya, o objetivo desta medida era encorajar a integração da etnia georgiana de Gali na Abecásia. Além disso, os livros escolares trazidos da Geórgia para permitir a aprendizagem em georgiano suportavam as teses de Tbilisi a respeito do conflito entre os dois países, o qual era incompatível com o processo de construção nacional abecásio.
Em longo prazo, o plano era criar um sistema de cinco grados nos quais a língua veicular fosse o abecásio, trocando para o russo desde o sexto grado em diante, devido a que essa era a língua tradicional para a comunicação entre as diferentes etnias da Abecásia. No entanto, a falta de professores dispostos a ir morar para o degradado distrito de Gali fez com que, em verdade, o abécasio não pudesse ser lecionado na zona. Então, foi apenas o russo que substituiu ao georgiano no sistema de ensino. Por isso surge a seguinte ideia. Emboraseja certo que a nova política linguística permite ao governo progredir na sua política de quebra das ligações entre Gali e a Geórgia, semelha que é o russo a língua ganhadora do conflito porquanto o governo não tem possibilidade de introduzir o abecásio nas escolas.
+ Artigo original:
La política lingüística a Abkhàzia: promovent l’abkhaz o oblidant el georgià? (Nationalia.cat)
