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A Pedagogia da Escola Waldorf no filme-documentário “Rudolf Steiner”

José Paz Rodrigues (*) – Durante as últimas décadas está, por sorte, a estender-se por todo o mundo a denominada “Pedagogia Waldorf”, que em grande parte compartilho, por dar-lhe muita importância a todas as artes, à natureza, às aprendizagens apreciativas, à criatividade, à alegria das crianças e à inteligência emocional, relacionada com os sentimentos e a afetividade. Ou o que é o mesmo: tudo aquilo que por desgraça menos se cultiva nos sistemas educativos do mundo ocidental.

E é esta uma das razões pelas que a crise da sociedade é tão profunda neste momento. A “Pedagogia Waldorf” é um dos desenvolvimentos das teorias educativas de Rudolf Steiner. Introduzida por este grande educador austríaco, ao criar a sua escola em 7 de setembro de 1919, em Estugarda, Alemanha, uma das principais caraterísticas desta pedagogia é o embasamento na conceção de desenvolvimento do ser humano, criada pelo próprio Steiner, que leva em conta as diferentes caraterísticas das crianças e jovens, segundo a sua idade aproximada. Um mesmo assunto é abordado várias vezes durante o ciclo escolar, mas nunca da mesma maneira, e sempre respeitando a capacidade de compreensão da criança. Para atingir a formação do ser humano, este modelo pedagógico atua no desenvolvimento físico, anímico e espiritual do aluno, incentivando o querer agir por meio da atividade corpórea das crianças em quase todas as aulas. O sentir é estimulado na constante abordagem artística e nas atividades artesanais específicas para cada idade. O pensar é cultivado paulatinamente, desde a imaginação incentivada por meio de contos, lendas e mitos, no início da escolaridade, até o pensar abstrato rigorosamente científico do Ensino Médio.

Uma das caraterísticas principais do sistema Waldorf é o facto de não se exigir do aluno, ou cultivar precocemente o pensar abstrato ou intelectual. Propõe-se que as aulas sejam um preparo para a vida. Procuram-se desenvolver as qualidades necessárias para que os jovens floresçam e saibam lidar com as constantes e velozes mudanças que se apresentam no mundo, com criatividade, flexibilidade, responsabilidade e capacidade de questionamento. Entende-se que o jovem, cada vez mais, precisa ser articulado e capaz de se comunicar claramente, tanto abrindo-se para o que os outros têm a dizer, como encontrando a melhor forma para expressar os seus pensamentos ao mundo. Por isto o modelo pedagógico representado pela “Pedagogia Waldorf”, segundo os seus adeptos, permanece revolucionário até os dias de hoje. Não deve, portanto, admirar que hoje existam no mundo, espalhadas por infinidade de países, mais de 900 escolas Waldorf, que, mantendo a sua autonomia e peculiaridades próprias, levam à prática os princípios educativos e didáticos básicos do modelo pedagógico iniciado em 1919 por Steiner, e, claro, a sua filosofia educativa. Tendo que lembrar também que nos anos noventa a UNESCO concedeu apoio à extensão deste modelo pedagógico, por considerar que é capaz de respostar acertadamente aos desafios educacionais, especialmente em áreas com grandes diferenças culturais.

Com os educadores brasileiros Teixeira, Azevedo e Lourenço Filho, e com o germânico Froebel, iniciei, dentro de “As Aulas no Cinema”, uma série de artigos sobre grandes educadores do mundo. Esta é a vez de Rudolf Steiner, tão importante como bastante pouco conhecido, ao não aparecer na maioria dos dicionários pedagógicos e manuais de história da educação, e sobre quem no Brasil foi editado um DVD no ano 2011, ao redor do qual gira este nosso artigo. É de justiça lembrá-lo, pois possivelmente seja o seu modelo pedagógico aquele que mais se está a estender pelo planeta, existindo muitos grupos dinâmicos, escolas, federações, coordenadoras e centros de formação de docentes no modelo Waldorf em muitos lugares da Terra, mesmo na Galiza, em Portugal e no Brasil, onde nesta altura existe uma Federação de Escolas Waldorf para mais de uma dúzia de escolas filiadas que existem no país.

Rudolf Steiner nasceu em Kraljevec, fronteira austro-húngara, a 27 de Fevereiro de 1861, e faleceu em Dornach, Suíça, a 30 de Março de 1925. Foi filósofo, educador, artista e esoterista. Foi fundador da Antroposofia, da Pedagogia Waldorf, da agricultura biodinâmica, da medicina antroposófica e da Euritimia, está última criada em conjunto com a colaboração de sua esposa, Marie Steiner-von Sivers. Os seus interesses eram variados: além do ocultismo, se interessou pela agricultura, arquitetura, arte, drama, literatura, matemática, medicina, filosofia, ciência e religião. A sua tese de doutoramento na Universidade de Rostock foi sobre a teoria do conhecimento de Fichte. Após terminar os estudos dedicou-se a partir de 1883 a editar as obras científicas de Johann Wolfgang von Goethe. Tornou-se profundo conhecedor da obra de Goethe, escrevendo inúmeras obras sobre este, dedicando-se à explicação do pensamento do autor alemão. Ao mesmo tempo escrevia sobre assuntos filosóficos. Destacou também no tratamento de crianças com a Síndrome de Down, dentro da Pedagogia Curativa. Oferecendo alternativas além das condições materiais de soluções de todos os problemas dos quais tratou, Steiner obteve reconhecimento mundial.

 

Ficha técnica do filme-documentário:

Título original: Rudolf Steiner.

Produtora: Atta Mídia e Educação (Brasil, 2011, 43 min., a cores e branco e preto, documentário).

Editora: Paulus Editora. Coleção: Grandes Educadores.

Roteiro e Apresentação: Peter Biekarck (pedagogo com especialização em Pedagogia Waldorf no Emerson College de Inglaterra. Foi professor na Escola Waldorf Rudolf Steiner de São Paulo por 25 anos. Atua na coordenação de cursos de fundamentação e formação de professores no Brasil. Palestrante e conferencista internacional. Colaborador da Federação das Escolas WALDORF no Brasil e membro da Sociedade Antroposófica no Brasil).

Argumento: Rudolf Steiner foi o criador da antroposofia que se expressou na área da educação através da Pedagogia Waldorf, conjunto de conceitos e práticas pedagógicas espalhadas em escolas por todo o mundo. Neste programa Peter Biekarck, um dos maiores estudiosos do assunto no Brasil, aborda e explica a fundamental contribuição contida no legado pedagógico de Rudolf Steiner.

Conteúdos do Documentário: Biografia. Antroposofia. Andar, falar e pensar. Corpo, alma e espírito. A dimensão do desenvolvimento do homem. O primeiro septénio (0 a 7 anos). O segundo septénio (7 a 14 anos). O terceiro septénio (14 a 21 anos). Autoeducação. A totalidade e a importância do fazer. O legado.

 

 

Ideias pedagógicas de Rudolf Steiner:

Para entender o pensamento pedagógico de Steiner é melhor que fale ele. Sobre as suas ideias educativas, expostas nos seus livros, escolhi as palavras seguintes:

“Não temos que perguntar-nos o que o ser humano necessita saber e conhecer para a ordem social, mas que potencial há no homem e pode desenvolver-se nele? Assim será possível fornecer à ordem social novas forças procedentes da geração jovem. Desta maneira sempre subsistirá nesta ordem social o que façam dela os homens íntegros que se incorporem à mesma e não se fará da nova geração o que a ordem social quer fazer dela”.

“No espaço anímico, a interação de duas formas que se encontram depende das qualidades interiores das mesmas. Quando afins, elas se interpenetram, se entroncam. Quando as suas naturezas se contrastam elas se repelem mutuamente”.

“O processo evolutivo de cada ser humano em particular só pode ser compreendido quando se considera que o ser humano evolui juntamente com outros seres, cuja consciência está noutros mundos diferentes do seu”.

“O sono comum é um sono em relação ao mundo físico exterior, enquanto a consciência diurna é, atualmente, um sono em relação ao mundo espiritual… O homem dorme em relação à sua vontade enquanto está acordado, e dorme em relação à sua capacidade de formar representações mentais enquanto está adormecido”.

“Autoconhecimento verdadeiro só é dado ao homem quando ele desenvolve interesse afetuoso por outros; conhecimento verdadeiro do mundo o homem só alcança quando procura conhecer o seu próprio ser”.

“Um dia, o indivíduo perceberá que antes do seu nascimento teceu as causas que necessariamente tiveram de reconduzi-lo de volta à vida… Somente neste mesmo mundo visível poderá ser levado à sua perfeição… E ele compreenderá que a morte não poderá separá-lo para sempre deste mundo, pois terá de dizer a si mesmo: ‘Vim um dia a este mundo pela primeira vez porque era, naquele tempo, um ser que necessitava da vida neste mundo, a fim de adquirir para mim qualidades que não poderia adquirir em nenhum outro mundo. E terei de estar ligado a este mundo até haver desenvolvido em mim tudo quanto nele possa ser conquistado. Somente poderei, um dia, vir a ser um colaborador útil em um outro mundo se, no sensorial visível, adquirir todas as qualidades necessárias para tanto”.

“Não há, basicamente, em nenhum nível, uma educação que não seja a autoeducação. … Toda educação é autoeducação e nós, como professores e educadores, somos, em realidade, apenas o ambiente da criança educando-se a si própria. Devemos criar o ambiente mais propício para que a criança se eduque junto a nós da maneira como ela precisa educar-se por meio de seu destino”.

 

 

O modelo pedagógico Waldorf:

Quando as crianças relacionam o que aprendem com a sua própria experiência, sentem-se cheias de interesse e de vida, e o que assim aprendem converte-se em algo que lhes é próprio. As escolas Waldorf estão pensadas para promover este tipo de aprendizagem. A educação Waldorf tem as suas raízes nas investigações do pensador e científico austríaco Rudolf Steiner (1861-1925). Segundo a filosofia antroposófica de Steiner, o homem é um ser trimembrado (tem corpo, alma e espírito), cujas capacidades se desdobram ao longo de três períodos de desenvolvimento na marcha para a idade adulta: a primeira infância, a infância intermédia, e a adolescência.

Em abril de 1919, Steiner visitou a fábrica Waldorf Astória de Estugarda, Alemanha. A nação alemã, derrotada na guerra, debatia-se no caos económico, social e político. Steiner falou aos trabalhadores sobre a necessidade de uma renovação social, de encontrar uma nova forma de organizar a sociedade e a sua vida política, cultural e económica (a tri-formação social). Emil Molt, o proprietário da fábrica, pediu a Steiner que organizasse e conduzisse uma escola para os filhos dos empregados da companhia. Steiner acedeu, mas com quatro condições, todas as quais iam contra o que era costume na época:

Que a escola estivesse aberta a todas as crianças; que fosse para ambos os sexos; que compreendesse até o 12º grau; que quem estivesse em verdadeiro contacto com as crianças, quer dizer, os mestres, tivesse a condução pedagógica da escola, com a menor interferência possível por parte do Estado. Em 7 de setembro de 1919 abriu as suas portas a primeira escola Waldorf da história. A partir de então, o movimento educativo Waldorf estendeu-se pela Alemanha e outros países, mas, na década dos 30 foi proibido na Alemanha pelo regime nazi. Ao terminar a Segunda Guerra Mundial, a escola de Estugarda reabriu as suas portas e registou-se uma proliferação de escolas desse tipo por todo o mundo.

Rudolf Steiner retomou a ideia que havia na antiga cultura grega, onde se dividia a vida humana em dez períodos de sete anos, ou septénios, e as fundamentou para o ensino aplicado à Pedagogia Waldorf. Do período entre a infância e adolescência dá-se importância aos três primeiros septénios, nas faixas de 0 a 7 anos, de 7 a 14 anos e de 14 a 21 anos (as idades são aproximadas devido a fatores que antecipam alguns acontecimentos), período em que a criança e o jovem recebem educação na escola.

 

 

A.- Os Septénios:
Primeira Infância: De 0 a 7 anos (maturidade escolar)
A criança está aberta ao mundo; tem confiança ilimitada; recebe impressões sensoriais; não elabora julgamento ou análise; está na fase do desenvolvimento motor; as perceções inadequadas são armazenadas no inconsciente (não compreende o pensamento dos adultos); aprendizado por imitação; o educador Waldorf deve ser digno de ser imitado, pois nessa imitação inconsciente estará fundamentando a sua moralidade futura. Caraterística: O bom.
Infância Intermédia: De 7 a 14 anos (maturidade sexual)
Desenvolvimento anímico; emancipação da vida corporal; interage e reage aos estímulos que recebe; necessita de explicações conceptuais; interesse pela admiração que as coisas causam; vivência na área dos sentimentos (sai sentido entra sentimento); puberdade (12/14 anos) perturba a harmonia anímica; o professor Waldorf deve saber o que é bom ou não para o seu aluno e entusiasmá-lo, deve ter “autoridade amorosa”; Caraterística: O belo.
Adolescência: De 14 a 21 anos (maturidade social)
Liberdade das forças anímicas; desenvolvimento do lógico, analítico e sintético; separa-se do mundo (vê o mundo de fora); quer explicações conceptuais e intelectuais; quer ser compreendido; o professor Waldorf deve ser digno de respeito. Caraterística: O verdadeiro.

As caraterísticas do processo evolutivo da aprendizagem e transmissão do conhecimento requerem um grande conhecimento por parte do professor Waldorf, e a ação pedagógica deve ser o agente facilitador deste processo, pois quando as respostas às expetativas dos estudantes são atendidas a aprendizagem tem caráter significativo. O estudante deve ter um acompanhamento do seu desenvolvimento integralmente, pois passa da infância à adolescência na escola. É a educação transcendendo a transmissão de conhecimento e cultivando devagar e com carinho o intelecto e a sensibilidade humana. A Pedagogia Waldorf trabalha a formação do indivíduo, é o chegar, fazer e ser. Ter mais sabedoria do que conhecimento e o professor deve atar tudo isso com um laço de amor partilhado.

B.- Os Níveis Educativos:

Jardim da Infância:
Seguindo os princípios dos Septénios, o foco está no brincar imitativo e na imaginação para que se desenvolva o pensamento crítico, preparando-as para o segmento escolar. A criança é tratada com individualidade sendo respeitado o desenvolvimento do seu talento e capacidade. Os mestres trabalham com o intuito de criar na escola um ambiente harmónico incentivando a criatividade, e para que isso ocorra, as atividades propostas são: cuidar do jardim, criar brinquedos, fazer pão para a merenda, brincadeiras livres com materiais naturais, tais como: lã, tecidos diversos, pedras, conchas, etc.
Escola Primária:
Além de possuir o mesmo currículo doutras escolas, mas virado para os objetivos da educação Waldorf, o jovem é preparado para o exercício da cidadania plena e cultivado nele o espírito científico investigativo, dando significado à aprendizagem. As atividades que complementam o currículo são: música, trabalhos manuais, marcenaria, atividades artísticas, euritmia, astronomia, filosofia, geometria, jardinagem, inglês e alemão. As matérias são revistas várias vezes, dando uma nova e mais profunda visão do conteúdo para que se respeite o desenvolvimento da criança.

Escola Secundária:
A preocupação é com uma formação abrangente e integrada as solicitações do mundo atual com um pensamento objetivo e crítico. Os alunos do Ensino Médio das Escolas Waldorf têm conseguido êxitos posteriores, provando que o conteúdo curricular atende as necessidades dos alunos na busca da graduação. Nas Escolas Waldorf não há repetições de ano e nem atribuição de notas, a avaliação é feita numa espécie de relatório com observações do desenvolvimento do aluno. Nos oito primeiros anos, cada turma tem um professor responsável para acompanhar o desenvolvimento da criança, e do nono ao décimo-segundo ano, o acompanhamento dos jovens é feito por tutores e os vários professores das demais disciplinas. No décimo-segundo ano, quando finalizam os seus estudos nas Escolas Waldorf, os jovens apresentam um trabalho de pesquisa com um tema da sua preferência, como numa monografia.

C.- Um exemplo de Aula Waldorf:

A jornada escolar começa com uma aula estendida, que pode chegar às duas horas, na qual se trabalha em profundidade sobre uma matéria. Esta aula estendida, chamada aula principal, permite ao mestre desenvolver uma ampla variedade de atividades ao redor do tema que se esteja a tratar. Incluem-se exercícios rítmicos com movimentos corporais que ativam a circulação, harmonizam o grupo e estimulam a concentração. Ademais, trabalha-se por épocas, quer dizer, que a aula principal está dedicada a uma só matéria durante toda uma época que abrange várias semanas. Isto permite que a criança possa concentrar-se sobre uma matéria de aprendizagem e trabalhar sobre ela exaustivamente. Depois, o tema fica em “repouso” enquanto se trabalha com outra matéria. Os conhecimentos têm assim oportunidade de serem processados e decantar, para ser reflutuados depois, ao cabo dum tempo, na seguinte época da mesma matéria. Depois da aula principal, trabalha-se com as matérias especiais: línguas, música, pintura, ginástica, trabalhos manuais, horta, etc. Os mestres das aulas especiais trabalham em estreita colaboração com o mestre de grau tratando de articular as suas matérias ao redor dos temas que se tratam na aula principal. Os mestres de grau acompanham os seus alunos desde o primeiro ao último ano da escola primária. Isto permite que o mestre chegue a conhecer profundamente os seus estudantes e possa crescer e desenvolver-se com eles. O ter que preparar-se para novos temas cada ano favorece a renovação e evita o estancamento. Oferece à criança um sentimento de unidade e um referente que lhe proporciona segurança. O programa de estudos de uma escola Waldorf pode-se equiparar a uma espiral ascendente: à medida que as crianças maduram, conectam-se com cada matéria a um nível diferente de experiência. É como se cada ano alcançassem uma nova janela na espiral ascendente da qual se vê o mundo através da lente de cada matéria. Todas as crianças participam das atividades sem importarem as suas aptitudes pessoais. O objetivo de estudar as diferentes matérias não é converter-se em profissionais das mesmas – matemáticos, historiadores, biólogos –, mas despertar e educar as capacidades que o ser humano necessita para desenvolver-se harmónica e plenamente.

D.- As artes e atividades práticas:

As artes e as atividades práticas desempenham um papel essencial no processo educativo em todos os graus. Não são consideradas como atividades secundárias, mas como elementos fundamentais para o crescimento e o desenvolvimento pessoal. A educação Waldorf não concebe o ser humano só como um cérebro, mas como um ser que tem coração e extremidades, quer dizer, sentimentos e vontade, para além de intelecto. Para assegurar que a educação não produza indivíduos unilaterais, atrofiados na sua saúde emocional e a sua capacidade volitiva, estes aspetos menos conscientes da natureza humana devem ser constantemente exercitados, alimentados e guiados. É ali onde as artes e as atividades práticas fazem a sua maior contribuição, exercitando não só o coração e a mão como também, de maneira bem real, o cérebro. A arte, por outra parte, não está relegada às matérias específicas (desenho, pintura, música, etc.), mas faz parte do ensino de todas as matérias. O docente deve encarar e transmitir todo o que ensina de uma maneira artística e imaginativa. As crianças que trabalharam ao longo da sua educação com a cor e a forma, com o tom, a música, a atuação dramática, a linguagem, com a argila, a madeira, a cera, a aguarela, a lã, com a terra e as plantas, não só trabalharam criativamente ativando, clarificando e fortalecendo as suas emoções, como puseram em prática o seu pensamento e o seu sentimento e exercitado a sua vontade. E essa é a aspiração da educação Waldorf: educar a totalidade do ser humano: a sua cabeça, o seu coração e as suas mãos.

 

 

Temas para refletir e realizar:

Depois de ver o documentário, organizar um debate-papo ou tertúlia, sobre os diferentes aspetos que sobre a figura de Rudolf Steiner aparecem no mesmo. Refletir sobre o seu pensamento educativo e comentar, dando alternativas concretas, sobre como se poderia pôr em prática hoje nas nossas escolas a didática prática e a pedagogia Waldorf. Poderia pesquisar-se também na internet sobre as escolas que hoje funcionam no mundo seguindo a pedagogia de Steiner, e também os estabelecimentos de ensino que levam à prática o seu modelo educativo-didático, na Galiza, Portugal, Brasil e América.

Elaborar uma monografia, procurando informações em livros e na Internet, sobre a Pedagogia Waldorf, incluindo na mesma as experiências práticas de escolas que hoje funcionam em diferentes países seguindo o modelo da escola de Steiner. Com fotos, textos, cartazes, retalhos de imprensa e materiais elaborados, poderia organizar-se nas escolas um magna exposição sobre este modelo pedagógico, que tanto se está estendendo pelo planeta Terra.

Desenhar um projeto de atividades artísticas e lúdicas, seguindo o modelo Waldorf, para desenvolver nas nossas escolas dos diferentes níveis educativos. Poderia estabelecer-se também um intercâmbio epistolar com escolas Waldorf de outros países e continentes, nomeadamente do Brasil, Argentina e México.

 

(*) Académico da AGLP, Didata e Pedagogo Tagoreano.

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