José Paz Rodrigues (*) – Com este artigo dentro de “As Aulas no Cinema” dou início a uma série dedicada aos grandes educadores e educadoras da história da educação mundial: Maria Montessori, Ovídio Decroly, J. Henrique Pestalozzi, J. Amós Comênio, Paulo Freire, Lorenzo Milani, Francisco Ferrer i Guàrdia e S. José de Calasanz.
No presente quero fazer uma homenagem a excelentes mestras de pré-escolar nossas, já reformadas e felizmente entre nós. Em primeiro lugar, a Branca Neves González, grande mestra de infantil, que tão bom labor desenvolveu nas escolas que regeu, elaborando ela mesma os recursos didáticos. Também a Maribel Gil, magnífica mestra do nível mais importante do ensino que é a escola infantil. Prima da minha esposa Ana e filha dos grandes mestres João José Gil e Isabel Suárez. A Encarna Varela, criadora de uma escola infantil inovadora em Ourense, dum horto escolar no centro da Carvalheira e da primeira ludoteca ourensana. Em exercício neste momento, entre outros e outras, quero destacar a Júlia Vila, Montserrat Fernández e David Mazaira.
A maioria dos didatas e pedagogos consideramos que a pedagoga modelo para a escola infantil foi e é Maria Montessori. Famosa em todo o mundo e, mesmo na Índia, as escolas infantis denominam-se “Escolas Montessori”. Porém, o primeiro criador de uma escola infantil foi Robert Owen na Escócia a princípios do dezanove. Pouco mais tarde, Federico Froebel cria na Alemanha os “Kindergarten” ou Jardins da Infância. E utiliza como recursos didáticos os seus “Dones” ou brinquedos infantis. Outros grandes pedagogos deste nível educativo (sem descuidar os outros níveis) foram o suíço Pestalozzi, o belga Decroly, o galo Celestin Freinet, a argentina Clotilde Guillén e o espanhol Pablo Montesino, junto com Aurora Medina. Capítulo à parte merecem as italianas Rosa e Carolina Agazzi, criadoras do excelente método educativo para crianças pequenas na sua escola de Mompiano. E como mestra modelo de pré-escolar a doutora Maria Montessori, à qual neste artigo dedico filme e comentário pedagógico.
Ficha Técnica do Filme :
Título original: Maria Montessori, una vita per i bambini (Maria Montessori, uma vida para as crianças)
Diretor: Gianluca Maria Tavarelli (Itália, 2007, 100 min., a cores).
Intérpretes: Paola Cortellesi, Massimo Poggio, Gianmarco Tognazzi e Lisa Gastoni.
Argumento: O filme, que foi uma minissérie para a televisão, relata a vida e obra da grande pedagoga e educadora italiana, aprofundando na sua vida privada e no seu labor pedagógico, posto em prática em Roma na Casa dei Bambini, escola que ela fundara em 1907. Onde desenvolveu o seu famoso método, com recursos didáticos inovadores, para as crianças. Que logo se difundiu por todo o mundo.
O Método Montessori :
Maria Montessori chegou a dizer algo muito importante: ”A criança, com o seu enorme potencial físico e intelectual, é um milagre frente a nós. Este facto deve ser transmitido a todos os pais, educadores e pessoas interessadas nas crianças, porque a educação desde os inícios da vida poderia mudar verdadeiramente o presente e o futuro da nossa sociedade. Temos que ter claro, isso sim, que o desenvolvimento do potencial humano não está determinado por nós. Só podemos servir ao desenvolvimento da criança, pois este realiza-se num espaço em que existem leis que dirigem o funcionamento de cada ser humano e cada desenvolvimento tem que estar em harmonia com todo o mundo que nos rodeia e com todo o universo”. A partir deste conceito básico Montessori vai elaborando o seu método didático, experimentando na prática das aulas, atividades e recursos didáticos variados (os seus famosos materiais). Dentro dos seus múltiplos princípios educativos, quero destacar especialmente os que a seguir resenho:
1.- Caráter absorvente da mente das crianças: A sua mente tem uma capacidade maravilhosa e única, para adquirir, de forma inconsciente, infinidade de conhecimentos.
2.- Etapas evolutivas com períodos muito sensíveis: Neles as crianças podem adquirir habilidades com muita facilidade.
3.- Organização básica do ambiente: É necessário preparar bem o ambiente da aula para fomentar a autoaprendizagem e o crescimento das crianças. A aula interior e exterior deve ser o mais formosa possível. Pela sua influência positiva nos meninos.
4.- O papel do mestre ou mestra é muito importante: O docente tem que ser um guia carinhoso, sabendo respeitar a criança, o seu ritmo da aprendizagem, a sua psicologia e natureza, a sua liberdade e autonomia e os seus gostos e interesses.
5.- Os recursos didáticos montessorianos: A pedagoga concebeu e elaborou variados recursos para utilizar nas aulas, de forma individual ou em grupo. Estes materiais são a base de muitos dos brinquedos educativos atuais. Entre eles convém destacar aqueles que procuram o desenvolvimento das capacidades sensoriais das crianças, como o gosto e olfato, o tato, a vista e o ouvido. Muitos dos quais se podem construir aproveitando materiais de desperdício. Como muito bem faziam as irmãs Agazzi e, entre nós, Blanca González.
Temas para refletir e propostas didáticas:
– Realizar um debate-papo para refletir sobre a importância suprema que tem o nível de educação infantil frente a outros níveis educativos. Por isto, é quando mais esmero didático há que praticar.
– Aproveitar para comparar as diferentes alternativas que houve e há para levar as aulas da escola infantil. Fazendo uma síntese dos métodos criados por Montessori e os pedagogos e pedagogas acima citados.
– Conceber, e a seguir construir, recursos didáticos alternativos para a escola infantil, aproveitando materiais de desperdício e reciclagem, e aqueles que o ambiente e a natureza oferecem. Fazemos esta proposta aos atuais docentes das nossas escolas infantis de todos os países que integram a lusofonia. E que depois experimentem com eles.
(*) Didata e pedagogo tagoreano. Autor, igualmente, da coluna de opinião Dizer e Fazer.


