Por Adela Figueroa Panisse
A NOSSA LÍNGUA
A minha língua vermelha
fumegante,
tampa a gorxa, lambe e larpa
e sabe fazer o amor.Minha língua colorida
como a tua:
canta, dança e vai brincar
pelos prados e pelas ruas
do meu povo que é cidade.Língua lingoreteira
de passeio ou a trabalhar :
com a língua muita gente
é capaz de ganhar seu pão .Língua minha proletária
língua de toda a gente
língua que constroi a fala
benfalada e maldicente.Fala, voltas-te idioma
ao compás duma caneta
ou dum prato preto/branco
onde os dedos gramam teclas.Língua ferinte, malfalada
carrinha de bisbilhoteces
arma mas forte que a espada
como os canhões da frente
armada de libertação
de tantos povos escravos.Língua de libertação
dos ilotas e alienados .Ferramenta de pactos e de doçuras
agarimos e alouminhos
calúnias e desventuras ,
espelho em que se miram
as palavras que me ubicam
no tempo e na paisagem
no consciente ou inconsciente
nas paredes da minha casa:lar , lareira, cogomelo
corredoira, vranha, queipo:
xisto, lage, minho, rego
gândara, chousa, pendelho,
aqui ficam encerradas
as minhas ânsias os meus anceios.Quem sou eu
e todos os meus ancestros.
