Celebra-se a 10 de Junho, data da morte do poeta Luís Vaz de Camões, além do dia do poeta autor de Os Lusíadas, o “Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas ou Lusófonas” espalhadas pelo mundo. Camões representa o génio da pátria e da língua portuguesa, sobretudo devido à forma esplendorosa como descreveu a História dos Portugueses na sua magna obra. O Dia de Portugal comemora-se desde 1924. O Dia de Camões a partir do Estado Novo. Até ao 25 de Abril de 1974, o 10 de Junho era conhecido como o Dia de Camões, de Portugal e da Raça. Em 1978 passa a designar-se Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Nesta comemoração alia-se a portugalidade com o génio do poeta e com o espírito aventureiro dos portugueses, que, tal como nos tempos da expansão marítima, de grandiosidade portuguesa, em que Portugal “deu mundos ao mundo”, continuam espalhados pelos vários continentes, levando consigo o saber, a língua, a cultura e as raízes nacionais. Esses portugueses “dos quatro cantos do mundo” são deveras importantes para a expansão da importância de Portugal, daí a justiça da associação das Comunidades Portuguesas ao feriado que comemora o dia de Portugal e de Camões.
No âmbito das celebrações do dia 10 de junho multiplicam-se os eventos alusivos a esta data, sobretudo com propostas de índole cultural, como festivais, exposições, concertos e cinema. Em diferentes países do mundo, são várias as ofertas para celebrar no próprio dia ou, em alguns casos, para datas próximas, já que alguns dos eventos se prolongam durante toda a semana ou até ao final do mês. Na sua maioria, as comemorações são organizadas pelas embaixadas de Portugal nos diferentes países, com o apoio do Instituto Camões, e contam com a participação de artistas portugueses. Com a comemoração se celebra a idiossincrasia da portugalidade, esse mito onde a palavra saudade tem mais força, criado numa terra exígua onde os portugueses nasceram, embora, tenham o mundo inteiro para morrer, como escrivia Miguel Torga. Portugal, país velho de oito séculos, pela espada e pelo astrolábio expandera a língua, a cultura e o poderio marítimo, entre mar salgado desbravando o desconhecido, e nele vertendo o que o poeta chamou “as lágrimas de Portugal”. Celebrar Portugal é celebrar a força do desafio, a coragem de ousar, ultrapassando os adamastores da História no labirinto no qual se navega.
Para comemorar e lembrar este importante dia, fazendo propostas de atividades a organizar nas aulas dos estabelecimentos de ensino, decidi elaborar uma antologia filmográfica ao redor dos/as mais importantes literatos/as portugueses/as, e daquelas das suas obras que foram levadas às telas do cinema por diferentes realizadores.
ANTOLOGIA FILMOGRÁFICA DA LITERATURA PORTUGUESA:
(T.O.: Título Original; D.: Diretor/a; R.: Roteiro; A.: Argumento. Todos os filmes são de nacionalidade portuguesa, agás no caso em que se expresse outra nacionalidade, ou que sejam em coprodução).
A) Filmes sobre escritores/as:
Luís Vaz de Camões (1524-1580):
- T. O.: Camões (1946, 118 min., preto e branco).
- D.: José Leitão de Barros. R.: J. Leitão de Barros e António Lopes Ribeiro.
- Atores: António Vilar (Camões), José Amaro (Dom Manuel de Portugal, comendador de Vimioso), Igrejas Caeiro (André Falcão de Resende), Paiva Raposo (Pero de Andrade Caminha), Leonor Maia (Leonor), Idalina Guimarães (Inês), Vasco Santana (Mal-Cozinhado), Eunice Munhoz (Beatriz da Silva), Carmen Dolores (Catarina de Ataíde), João Villaret (Dom João III de Portugal), Dina Salazar (Burguesa do Coimbra), Virgínia de Vilhena (Luisa), Armando Martins (D. Sebastião, Rei de Portugal), José Vítor (Frei Bartolomeu Ferreira), Mª Manuela Fernandes (Dinamene) e Manuel Lereno, Carlos Moutinho, Júlio Pereira e Eduardo Machado (os 4 amigos de Caminha).
- A.: O filme relata a vida e os feitos do grande poeta Luís Vaz de Camões. Concorreu à primeira edição do Festival de Cinema de Cannes em 1946.
Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004):
- T. O.: Sophia de Mello Breyner Andresen (1969, 19 min., p. e b. Curtametragem).
- D.: João César Monteiro. R.: J. César Monteiro.
- A.: O filme é um documentário sobre a sua obra poética. O olhar reverente e contemplativo da poetisa é acompanhado pela atenção com que ouve a voz de Sophia a dizer a sua poesia. O filme é, no final, dedicado à memória de Carl Theodor Dreyer, grande cineasta danês.
Antero Tarquínio de Quental (1842-1891):
Dous filmes:
a) T. O.: Santo Antero. Vida e obra de Antero de Quental (1979, 92 min., cor).
- D.: Dórdio Guimarães. R.: Natália Correia.
- A.: Percurso biográfico sobre o poeta açoreano, como ele poderia ter reorganizado mentalmente, nos momentos que antecederam o seu suicídio em Ponta Delgada. Discurso literário/oral (em “off”), na primeira pessoa, sublinhando a complexa personalidade do “cavaleiro” errante. Abordagem aos anos 60 e 70 do século XIX, implicando conhecidas figuras literárias (Oliveira Martins, Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão, Guerra Junqueiro) e acontecimentos culturais determinantes (as Conferências do Casino, os Vencidos da Vida, o Grupo dos Cinco).
b) T. O.: Anthero – O Palácio da Ventura (2009, 115 min., cor. Telefilme).
- D.: José Medeiros. R.: J. Medeiros e André Palmeiro, a partires de um esboço de Vasco Pereira da Costa.
- A.: O filme recorda a vida e obra do poeta, um dos maiores vultos da cultura portuguesa. Recitam poemas de Antero Filipa Pais e Mariana Abrunheiro. Atuam uns 30 atores profissionais e amadores e 50 figurantes.
Manuel Mª Barbosa du Bocage (1765-1805):
Dous filmes:
a) T. O.: Bocage (1936, 124 min., p. e b.).
- D.: Leitão de Barros. R.: Pereira Coelho, Rocha Martins e Gustavo de Matos Sequeira.
- A.: Vida e obra do grande poeta portugués do século XVIII.
b) T. O.: Bocage, o Triunfo do Amor (Brasil-Portugal, 1997, 85 min., cor).
- D.: Djalma Limongi Batista. R.: Djalma e Gualter Limongi Batista e José Carvalho Motta.
- A.: Filme inspirado na vida, obra e lenda do poeta português Manoel Maria Barbosa du Bocage, símbolo libertário da sexualidade dos países de língua portuguesa. Num painel que abrange poemas de todos os géneros, o filme abre com o episódio baseado no poema que conta a história da bela e requintada cortesã Manteigui que, ao apaixonar-se pelo poeta indomável, acaba redimindo-se no amor. Também é narrado o episódio baseado na poesia que conta a história de duas amigas, Olinda e Alzira, seduzidas e enganadas por Bocage disfarçado. Há o episódio da morte de Josimo, fiel amigo de Bocage, no qual o poeta canta a saudade, sentimento maior da lírica da língua portuguesa. Victor Wagner asume o papel do poeta Bocage.
José Sobral de Almada Negreiros (1893-1970):
T. O.: Almada Negreiros, vivo, hoje (1969, 23 min., p. e b. Curtametragem).
- D.: António Macedo. R.: A. Macedo.
- A.: Rasgos básicos da vida e obra de Negreiros, com a participação de Natália Correia e David Mourão-Ferreira que lê alguns poemas do Mestre. Um precioso documento de uma época que já não volta, e um retrato do grande vulto que foi Almada Negreiros.
- Nota: Em 2013 Ernesto de Sousa organizou um espetáculo multimédia sob o título de Almada, um nome de guerra, em que se projetou este filme, junto com a entrevista que lhe realizaram a Almada em 1969 para o programa da televisão “Zip Zip”.
George Agostinho Baptista da Silva (1906-1994):
T. O.: Agostinho da Silva-Um pensamento vivo (2004, 79 min., cor. Documentário).
- D.: João Rodrigues Mattos. R.: Pedro Agostinho e J. R. Mattos.
- A.: Vida, obra, pensamento e legado do grande pensador portugués, que por um tempo morou também no Brasil. Uma grande oportunidade de conhecer melhor a vida exemplar desta figura de pensamento fervilhante e atividade imparável: traduções, estudos clássicos, educação popular, insubmissão perante regimes ditatoriais, prisão, autoexílio no Brasil, fundação de Universidades e Centros de Estudos, domínio de 15 línguas, publicações sobre pedagogia, ciência, literatura, filosofia.
Flor Bela Lobo (Florbela Espanca) (1894-1930):
T. O.: Florbela (2012, 119 min., cor).
D.: Vicente de Alves do Ó. R.: Vicente de Alves do Ó.- A.: A poetisa Florbela Espanca não consegue levar uma vida de dona de casa e esposa numa região rural. O seu desejo de descobertas leva-a a acompanhar o irmão Apeles na grande Lisboa, onde pode enfim conhecer tudo o que desejava: festas, amantes, movimentos populares… Embora o marido tente trazê-la de volta, e o irmão seja obrigado a partir, Florbela sente que encontrou seu lugar. Nesta cidade surge a inspiração para os seus maiores poemas.
B) Filmes baseados em Obras Literárias:
De Camilo CASTELO BRANCO:
Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco foi um escritor romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor. Foi ainda o 1.º Visconde de Correia Botelho, título concedido pelo rei D. Luís. Nasceu em Lisboa a 16 de março de 1825, e faleceu em Vila Nova de Famalicão o 1 de junho de 1890. Recebeu muitas influências de Camões e dos escritores franceses.
T. O.: Amor de perdição (1921, preto e branco).
- D.: Georges Pallu. R.: Obra homónima escrita em 1862.
- A.: Primeira versão fílmica sobre o clássico de Camilo Castelo Branco, com argumento do jornalista Guedes de Oliveira. Uma aventura arrojada para a época, em esforço de produção, e na precária dimensão da indústria cinematográfica lusa, devida aos cuidados postos pela Invicta Film, em manter fidelidade ao espírito romanesco do Século XIX. Beiras, século XIX. O fatalismo arrebatado e a tragédia amorosa entre Teresa de Albuquerque e Simão Botelho, que sobrevive ao litígio intolerante entre as suas nobres famílias. Destaque para a letal rivalidade de Baltazar Coutinho, primo e pretendente de Teresa, para a incondicional proteção do ferreiro João da Cruz, e para a resignada adoração de sua filha Mariana por Simão.
T. O.: Amor de perdição (1943, 128 min., preto e branco).
- D.: António Lopes Ribeiro. R.: Obra homónima escrita em 1862.
- A.: Similar filme anterior.
T. O.: Amor de perdição (1978, 262 min., cor).
- D.: Manoel de Oliveira. R.: Obra homónima escrita em 1862.
- A.: Similar filmes anteriores.
T. O.: Um amor de perdição (2008, 81 min., cor).
- D.: Mário Barroso. R.: Obra homónima escrita em 1862.
- A.: Esta poderia ser a história de um encontro entre Simão e Teresa, sob fundo de conflito entre duas famílias da burguesia portuguesa. Simão é um adolescente quase criança, solitário, intransigente, narcisista, destrutivo e suicidário que atrai como uma aura fatal, uma luz negra, a maior parte das pessoas com quem se cruza. Mas Teresa existe, ou é apenas uma ideia, uma imagem, um reflexo? Teresa é uma aparição. Um pretexto para uma revolta amoral e violenta, para Um Amor de Perdição.
T. O.: Mistérios de Lisboa (2010, 272 min., cor).
- D.: Raúl Ruiz. R.: Obra homónima escrita em 1854.
- A.: O filme mergulha-nos num turbilhão imparável de aventuras e desventuras, coincidências e revelações, sentimentos e paixões violentos, vinganças, amores desgraçados e ilegítimos numa atribulada viagem por Portugal, França, Itália e Brasil. Nesta Lisboa de intrigas e identidades ocultas encontramos uma série de figuras que dominam o destino de Pedro da Silva, órfão de um colégio interno: padre Dinis que de aristocrata e libertino se converte em justiceiro, uma condessa roída pelo ciúme e sedenta de vingança, um pirata sanguinário tornado próspero homem de negócios; que atravessam a história do séc. XIX e a procura de identidade da nossa personagem.
De EÇA de QUEIRÓS:
José Maria de Eça de Queiroz foi um dos mais importantes escritores portugueses da história. Foi autor, de romances de reconhecida importância, de Os Maias e O Crime do Padre Amaro. Um dos maiores estudiosos da sua vida e obra foi o galego Ernesto Guerra da Cal. Nasceu a 25 de novembro de 1945, na Praça do Almada, e faleceu em Neuilly-sur-Seine (França) o 16 de agosto de 1900.
T. O.: O primo Basílio (1923, 151 min., preto e branco).
- D.: Georges Pallu. R.: Obra homónima escrita em 1878.
- A.: Durante a ausência de Jorge, engenheiro de minas, Luísa, a mulher, deixa-se seduzir por Basílio, um parente com quem rompera anos antes, que fora para o Brasil. Juliana, ambiciosa criada de Luísa, faz chantagem a propósito dumas cartas comprometedoras, o que leva a recear um escândalo. Basílio deixa Lisboa e Luísa, de cabeça perdida pelas sucessivas exigências de Juliana, acaba por tombar de fatal enfermidade.
T. O.: O primo Basílio (1959, 138 min., preto e branco).
- D.: António Lopes Ribeiro. R.: Obra homónima escrita em 1878.
- A.: Similar filme anterior.
T. O.: O primo Basílio (1988, 824 min., cor). Minissérie da TV do Brasil (16 episódios), escrita por Gilberto Braga e Leonor Bassères .
- D.: Daniel Filho. R.: Baseado na obra homónima escrita por Eça em 1878.
- A.: Similar filmes anteriores.
T. O.: O primo Basílio (2007, 106 min., cor).
- D.: Daniel Filho. R.: Obra homónima escrita em 1878.
- A.: Similar filmes anteriores.
T. O.: Amor & Cia (Brasil,1999, 99 min., cor).
- D.: Helvécio Ratton. R.: Baseado na obra Alves e Cia escrita por Eça e publicada em 1925.
- A.: Em São João d’El-Rei, no final do século XIX, vive Alves, um próspero negociante. Um dia ele vai para casa mais cedo para comemorar com Ludovina os quatro anos de casados, mas a encontra com Machado, seu sócio, em atitude suspeita. Apesar de, aparentemente, nada de muito grave ter acontecido, Alves expulsa a mulher de casa no mesmo dia e pensa em desafiar seu sócio e ex-amigo para um duelo, no qual apenas uma arma estaria carregada e a distância seria de dous passos. Entretanto, os acontecimentos tomam um rumo inesperado.
T. O.: O crime do Padre Amaro (França-Espanha-Argentina-México, 2002, 120 min., cor).
- D.: Carlos Carrera. R.: Adaptação da obra homónima publicada no Porto em 1875.
- A.: O jovem padre Amaro acaba de ser ordenado e em breve irá para Roma continuar seus estudos, graças à boa relação que mantém com o bispo. Antes, contudo, deve trabalhar em uma paróquia. Ele é enviado para Los Reyes para atuar sob as ordens do padre Benito, o vigário que aparentemente vive uma existência corrupta e contraditória. Lá Amaro conhece a linda e devota Amélia, filha de Sanjuanera, dona do restaurante mais importante da cidade e amante do padre Benito. Diante do mundo real, Amaro é confrontado com a hipocrisia da Igreja, que condena as guerrilhas mas convive com chefes do tráfico de drogas.
T. O.: O crime do Padre Amaro (2005, 100 min., cor).
- D.: Carlos Coelho da Silva. R.: Obra homónima escrita em 1875.
- A.: Amaro é um jovem padre, acabado de sair do seminário, que vem a Lisboa substituir um falecido padre. A paróquia a que chega situa-se num bairro social, tomado pela delinquência. Desde logo, é apadrinhado pelo seu antigo professor, o Cónego Dias, que lhe arranja estada na casa da devota Joaneira. Aí, o jovem Amaro conhece Amélia, uma jovem sensual e sedutora, que provoca ao padre sentimentos nunca antes experimentados. Amaro faz de tudo para resistir à tentação, mas Amélia não desiste. Será que um homem de Deus consegue vencer o desejo carnal?
T. O.: O mistério da estrada de Sintra (2008, 103 min., cor).
- D.: Jorge Paixão da Costa. R.: Segundo a obra homónima escrita por Eça, em colaboração com Ramalho Ortigão, e publicada em 1870 em Lisboa.
- A.: 1890. A entrega do Ultimato da Coroa Inglesa a Portugal provoca grande manifestação, levando a população de Lisboa às ruas. Impulsionadas pelo nacionalismo exacerbado, as pessoas passam a atirar pedras nas residências oficiais do governo, por considerar que o ato é uma ingerência inglesa em questões portuguesas. Neste clima de tensão o cadáver do capitão Rytmel, o mensageiro que levou o Ultimato para Lisboa, gera polémica. Rytmel foi morto por sua amante, a jovem Condessa de Valada, num ato de desespero. Na tentativa de encobrir o crime, o morto é enterrado o quanto antes. Este trabalho fica por conta de Vasco, primo de Rytmel, que apaga as pistas que levam à descoberta do ocorrido, com o apoio do aristocrata Ferrão e do médico Sidônio.
T. O.: Singularidades de uma rapariga loira (2009, 63 min., cor).
- D.: Manoel de Oliveira. R.: Segundo o conto homónimo de Eça publicado em 1874.
- A.: Macário trabalha como contador no armazém de seu tio Francisco, em Lisboa. É seu primeiro emprego. Do outro lado da rua mora Luísa Vilaça, uma jovem loira por quem se apaixona de imediato. Logo resolve se casar com ela, mas o tio não concorda com a ideia e, além de despedi-lo, o expulsa de casa. Macário parte de Lisboa, mas tem certeza que não esquecerá Luísa. Em Cabo Verde ele enriquece e, ao voltar, recebe a aprovação do tio para o casamento. O que ele não esperava era se surpreender com o caráter de sua paixão.
T. O.: Os Maias (Brasil, 2001, 40 min. cada episódio, cor). Minissérie da TV do Brasil (44 episódios), escrita por Maria Adelaide Amaral, João Emanuel Carneiro e Vincent Villari.
- D.: Emílio di Biasi e Del Rangel. R.: Adaptação da obra homónima de Eça publicada no Porto em 1888. Incluem-se no roteiro temas e personagens de outras dous romances de Eça, A relíquia (1887) e A capital (1925).
- A.: Retrato da decadente aristocracia portuguesa, na segunda metade do século XIX, através da trágica história de uma tradicional família lisboeta.
T. O.: Os Maias (2014, 185 min., cor).
D.: João Botelho. R.: Segundo a obra homónima de Eça publicada no Porto em 1888.- A.: Entre Afonso da Maia e o seu neto Carlos, constrói-se o último laço forte da velha família Maia. Formado em medicina na Universidade de Coimbra e posteriormente educado numa longa viagem pela Europa, Carlos da Maia regressa a Lisboa no Outono de 1875, para grande alegria do avô. Nos catorze meses seguintes, nasce, cresce e morre a comédia e a tragédia de Carlos como a tragédia e a comédia de Portugal. A vida ociosa do médico aristocrata, invariavelmente acompanhado pelo seu par amigo, o génio da escrita e de obras “inacabadas”, o manipulador João da Ega, leva-o a ter amigos, a ter amantes e ao dolce fare niente, cheio de convições. Até que se apaixona de verdade por uma mulher tão bela como uma madona e tão cheia de mistérios, como as heroínas da estética naturalista. Uma personagem nova num romance esteticamente revolucionário. A vertigem: paixão louca para lá dos negrumes do passado, um novo e mais negro precipício, o incesto. Mesmo sabendo que Maria Eduarda é a irmã a paixão de Carlos não morre e vai ao limite. E depois termina abruptamente porque o velho Afonso da Maia morre para expiar o pecado terrível do seu neto, neto que era a razão da sua existência. E então em vez da morte do herói, nova invenção de Eça. Carlos e Ega partem para uma longa viagem de ócio e de pequenos prazeres. Dez anos depois, voltam a encontrar-se em Lisboa tão diferente e tão igual, a capital de um país a caminho da bancarrota. “Os Maias”, escrito pelo genial Eça de Queiroz, grande, melodramático, divertido e melancólico, aponta um destino sem remédio, tanto para a família Maia como para Portugal.
De José SARAMAGO:
José de Sousa Saramago foi um grande escritor português galardoado com o Nobel de Literatura de 1998, o único que temos na nossa língua. Também ganhou, em 1995, o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Nasceu a 16 de novembro de 1922 em Azinhaga, e faleceu em Tias o 18 de junho de 2010.
T. O.: A jangada de pedra (Portugal-Espanha-Países Baixos, 2002, 105 min., cor).
- D.: George Sluizer. R. Segundo o romance homónimo publicado em 1986.
- A.: Na sequência de um cataclismo, a terra treme e a Península Ibérica separa-se do continente europeu. É uma jangada de pedra à deriva no Atlântico. Antes do sucedido surgiram sinais: Joana traça um risco no chão que não se apagará jamais, Joaquim lança sobre o mar uma pedra com um peso desmesurado, um bando de estorninhos segue José, Maria desfaz um pé-de-meia, Pedro sente a terra a tremer. Três homens, duas mulheres e um cão que o ocaso reuniu… ou talvez o destino.
T. O.: Janela da alma (Brasil, 2001, 73 min., cor. Documentário).
- D.: João Jardim e Walter Carvalho. R.: Entrevista, entre outros, a Saramago.
- A.: Dezanove pessoas com diferentes graus de deficiência visual, da miopia discreta à cegueira total, falam como se veem, como veem os outros e como percebem o mundo. O escritor e prémio Nobel José Saramago, o músico Hermeto Paschoal, o cineasta Wim Wenders, o fotógrafo cego franco-esloveno Evgen Bavcar, o neurologista Oliver Sacks, a atriz Marieta Severo, o vereador cego Arnaldo Godoy, entre outros, fazem revelações pessoais e inesperadas sobre vários aspetos relativos à visão: o funcionamento fisiológico do olho, o uso de óculos e suas implicações sobre a personalidade, o significado de ver ou não ver em um mundo saturado de imagens e também a importância das emoções como elemento transformador da realidade se é que ela é a mesma para todos.
T. O.: Dona Nieves (2002, 27 min., cor. Documentário).
- D.: Miguel Gonçalves Mendes. R.: Participação especial de José Saramago na voz off.
- A.: Dona Nieves é um trabalho documental que parte da ideia da proximidade cultural existente entre Portugal e a Galiza, as suas raízes históricas, as suas razões mais profundas e as suas consequências. No decurso da rodagem em Deva, Dona Nieves (natural da aldeia) acaba por se sobrepor a este mote, tornando-se o motor da ação. No fundo, este é um filme sobre o porquê da memória e a saudade, esse sentimento tão português e galego que nos faz acreditar que, em algum possível momento, estes dous povos foram um só.
T. O.: A maior flor do mundo (Galiza, 2006, 10 min., cor. Curtametragem de animação).
- D.: Juan Pablo Etcheberry. R.: Segundo o conto homónimo de Saramago, que também é o narrador no filme, com a sua própria voz em off. O conto foi publicado em 2001, e de ele existem edições em vários idiomas.
- A.: E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar? A Maior Flor do Mundo tem como premissa o conto de José Saramago e visa uma perspetiva sobre os adultos na literatura infantil. Saramago transforma-se numa personagem e conta-nos que uma vez teve uma ideia para um livro infantil, inventou uma história sobre um menino que fez nascer a maior flor do mundo.
T. O.: Ensaio sobre o teatro (2006, 90 min., cor. Documentário).
- D.: Rui Simões. R.: Gravação cinematográfica da obra teatral de Saramago, interpretada pelo grupo O Bando.
- A.: Partindo da adaptação teatral pelo Teatro O Bando, da obra literária do Prémio Nobel José Saramago “Ensaio sobre a Cegueira”, Rui Simões realiza um longo documentário sobre todo o processo criativo, até à estreia, constituindo em si um ensaio sobre a arte de fazer teatro.
T. O.: Ensaio sobre a cegueira (Brasil-Canadá-Japão, 2008, 118 min., cor).
- D.: Fernando Meirelles. R.: Segundo a obra homónima publicada em 1995.
- A.: Uma inédita e inexplicável epidemia de cegueira atinge uma cidade. Chamada de “cegueira branca”, já que as pessoas atingidas apenas passam a ver uma superfície leitosa, a doença surge inicialmente num homem no trânsito e, pouco a pouco, se espalha pelo país. À medida que os afetados são colocados em quarentena e os serviços oferecidos pelo Estado começam a falhar as pessoas passam a luitar por suas necessidades básicas, expondo os seus instintos primários. Nesta situação a única pessoa que ainda consegue enxergar é a mulher de um médico, que juntamente com um grupo de internos tenta encontrar a humanidade perdida.
T. O.: Embargo (Portugal-Brasil-Espanha, 2010, 83 min., cor).
- D.: António Ferreira. R.: Baseado no conto Objecto Quase, publicado em 1978.
- A.: O filme conta a história de Nuno, um homem que trabalha numa rulote de bifanas, inventou uma máquina que promete revolucionar a indústria do calçado – um digitalizador de pés. A ação passa-se durante um embargo petrolífero em que Nuno tenta obcecadamente vender a máquina, ofuscado por um sucesso que o fará descuidar-se de algumas cousas importantes da sua vida, como a família. Quando Nuno fica estranhamente preso no seu próprio carro e perde uma oportunidade única de finalmente produzir o seu invento, vê inesperadamente a sua vida embargada.
T. O.: O homem duplicado (Canadá-Espanha, 2014, 90 min., cor).
- D.: Denis Villeneuve. R.: Segundo a obra homónima publicada em 2002.
- A.: Um pacato professor de história descobre acidentalmente a existência de um sósia seu, um ator, quando assiste a um filme banal. Ele, então, resolve ir atrás de seu duplo, envolvendo sua namorada e a esposa dele, em uma trama de suspense que muda a vida de todas as personagens.
De Agustina BESSA-LUÍS:
Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa escreveu livros de diversos tipos, mas a maioria são romances. Com o romance Mundo Fechado estreou-se como romancista. Contudo, o romance A Sibila é que lhe trouxe enorme prestígio. A sua escrita opõe-se a qualquer tentativa de contextualização, em termos de correntes, na história da literatura portuguesa. A escritora surgiu no panorama literário português numa altura em que a oposição entre o neo-realismo e o modernismo do movimento da Presença atingia o seu auge. Dedicou-se quase inteiramente à criação literária e desde sua estreia em 1948 manteve um ritmo de publicação pouco usual nas letras portuguesas. Conhecida não só como romancista, mas também como autora de peças de teatro, guiões de cinema, biografias, ensaios e livros infantis, a sua obra conta até ao momento com mais de meia centena de títulos. Muitas das suas obras foram levadas ao cinema pelo grande realizador Manoel de Oliveira (1908-2015). Nasceu a 15 de outubro de 1922 em Vila Meã-Amarante, e com 93 anos felizmente ainda vive e mora no Porto, embora, com problemas de saúde.
T. O.: Francisca (1981, 166 min., cor).
- D.: Manoel de Oliveira. R.: Baseado na obra Fanny Owen, publicada em 1979.
- A.: Um jovem rapaz, filho de um oficial inglês, vive no Porto. Lá, ele conhece uma bela jovem chamada Francisca, por quem nutre uma paixão funesta, que o leva à desgraça.
T. O.: Visita ou Memórias e confissões (1982, 73 min., cor. Documentário).
- D.: Manoel de Oliveira. R.: Baseado num diálogo com Agustina Bessa-Luís.
- A.: Um casal encontra uma casa aparentemente vazia no campo e, ao entrar nela, passa a explorar os cômodos do local. Em determinados momentos surge em cena o próprio diretor, Manoel de Oliveira, que explica o porquê de estar se mudando daquela casa, onde viveu por mais de 40 anos, e ainda faz um retrato de sua vida e carreira. Manoel de Oliveira quis que a exibição do filme fosse póstuma, não porque quisesse ocultar qualquer facto, mas porque tem a ver com a vida dele. É uma memória pessoal.
T. O.: Vale Abraão (1993, 203 min., cor).
D.: Manoel de Oliveira. R.: Baseado no romance homónimo publicado em 1991, que por sua vez é uma adaptação de Madame Bovary de Flaubert em Portugal contemporâneo.- A.: Ema é uma jovem de beleza estonteante. Ainda nova, ela casa-se com Carlo, amigo de seu pai, sem o amar. Os dous mudam-se para o Vale de Abraão, onde firmam um casamento estável mas, sem amor. Carlo ama-a profundamente e decide dormir num quarto separado para evitar acordá-la durante a noite, quando precisa voltar tarde. Infeliz em seu casamento, ela decide arrumar um amante.
T. O.: O convento (1995, 92 min., cor).
- D.: Manoel de Oliveira. R.: Segundo o romance O Mosteiro, publicado em 1980.
- A.: Michael Padovic, um professor americano que trabalha numa tese com a que pretende demonstrar que Shakespeare era de origem espanhola e não inglesa, chega com a sua mulher a um convento português, onde espera encontrar os documentos que provem a sua teoria.
T. O.: Inquietude (1998, 110 min., cor).
- D.: Manoel de Oliveira. R.: Em parte baseado no livro A Mãe de um Rio de Bessa Luís, publicado em 1981.
- A.: Tríptico composto da adaptação, a princípio improvável, de três textos heterogéneos: Os Imortais, peça teatral de Prista Monteiro, Suzy, romance de Antonio Patrício, e Mãe de Um Rio, narrativa mítica reformulada por Agustina Bessa-Luis. A primeira, em tom falsamente filosófico, debruça-se sobre os tormentos de um velho pai que induz o filho ao suicídio para que ele passe à imortalidade. A segunda, com toques de romantismo, acompanha as desventuras de uma prostituta da região do Porto, nos anos 30, cortejada por um homem destroçado pelo amor. E a terceira, influenciada pelo estilo folclórico, narra a lenda de uma jovem que descobre ter dedos de ouro.
T. O.: O princípio da incerteza (2002, 133 min., cor).
- D.: Manoel de Oliveira. R.: Baseado numa trilogia de romances publicados entre 2001 e 2003.
- A.: António Matos é o filho herdeiro de uma família rica, deixado aos cuidados da governanta da casa, Celsa. Celsa decide arrumar uma esposa para António, e acha a jovem Camila, uma bela vizinha. No entanto, António está apaixonado pela sedutora Vanessa, assim como seu grande amigo, José Luciano. Aos poucos ele começa a se envolver também com Camila e decide pedi-la em casamento.
T. O.: Espelho mágico (2005, 137 min., cor).
D.: Manoel de Oliveira. R.: Segundo a obra A alma dos ricos, publicada em 2002.- A.: José Luciano acaba de deixar a prisão. Levado pelo irmão, Flórido, ele vai trabalhar na casa da rica Alfreda. Lá fica conhecendo o maior desejo da moça: presenciar a aparição da Virgem Maria, para confrontá-la. O responsável por este desejo é um estranho pesquisador bíblico, o professor Heschel, ao revelar a Alfreda que a virgem era rica. O único interesse de Bahia, marido de Alfreda, é ouvir música. Enquanto isso uma trama está sendo armada para realizar o desejo de Alfreda.
De Fernando PESSOA:
Fernando António Nogueira Pessoa, foi um poeta, escritor, astrólogo, crítico e tradutor português. Fernando Pessoa é o mais universal poeta português. Nasceu a 13 de junho de 1888 em Lisboa, e faleceu o 30 de novembro de 1935 na mesma cidade.
T. O.: Filme do Desassossego (2010, 118 min., cor).
- D.: João Botelho. R.: Baseado no Livro do Desassossego, publicado em 1961.
- A.: Lisboa, hoje. Um quarto de uma casa na Rua dos Douradores. Um homem inventa sonhos e estabelece teorias sobre eles. A própria matéria dos sonhos torna-se física, palpável, visível. O próprio texto torna-se matéria na sua sonoridade musical. E, diante dos nossos olhos, essa música sentida nos ouvidos, no cérebro e no coração, espalha-se pela rua onde vive, pela cidade que ele ama acima de tudo e pelo mundo inteiro. Filme desassossegado sobre fragmentos de um livro infinito e armadilhado, de uma fulgurância quase demente mas de genial claridade. O momento solar de criação de Fernando Pessoa. A solidão absoluta e perfeita do eu, sideral e sem remédio. Deus sou eu!, também escreveu Bernardo Soares.
T. O.: Lisbon revisited / Lisboa revisitada (2014, 62 min., cor).
- D.: Edgar Pêra. R.: Recreação onírica sobre a vida, a obra e os heterónimos pessoanos.
- A.: Uma viagem onírica vista através dos olhos espantados de um transumano e uma kino-sinfonia de vozes dos inúmeros heterónimos de Fernando Pessoa. “Pensar é estar doente dos olhos”, disse Alberto Caeiro, o mais sensorial deles. Lisbon Revisited vive através desta doença, mostrando formas alternativas de ver (a cidade) e ouvir (Pessoa). Nova montagem do filme homónimo apresentado anteriormente.
De Fernando NAMORA:
Fernando Gonçalves Namora foi um médico e escritor português, autor duma extensa obra, das mais divulgadas e traduzidas nos anos 70 e 80. Existe uma escola secundária com o seu nome em Condeixa-a-Nova. Nasceu a 15 de abril de 1919 nesta localidade, e faleceu em Lisboa o 31 de janeiro de 1989.
T. O.: Retalhos da vida de um médico (1963, 93 min., preto e branco).
D.: Jorge Brum do Canto. R.: Segundo a obra homónima publicada em 1966.- A.: O filme conta várias histórias passadas por Fernando Namora, enquanto exercia medicina no interior de Portugal, entre os anos 1943 e 1963. João Eduardo, um jovem médico inexperiente, vai exercer para uma aldeia, a convite de um colega, aliás desleal e oportunista. O clima de desconfiança, entre a comunidade, converte-se enfim – após alguns casos bem-sucedidos – em estima pelo novo clínico, que entretanto se afeiçoa a Luísa, uma rapariga chegada de fora.
Nota importante: Fernando Namora escreveu este famoso livro acerca da sua vida sobretudo como médico de aldeia: Retalhos da Vida de Um Médico. É esse romance que Artur Ramos transpôs para televisão em 1979/80 com o ator José Peixoto como protagonista. Com adaptação de Artur Ramos, Bernardo Santareno, Carlos Coutinho, Olga Gonçalves, Urbano Tavares Rodrigues e Dinis Machado, esta série chegou a ser um dos maiores êxitos da RTP no início dos anos 80. No primeiro episódio intitulado, A Prima Cláudia, assistimos à infância do futuro médico e às suas dificuldades para entrar na Universidade, já que é um pobre provinciano, filho de pais pobres. E fala-se do seu primeiro caso humano como médico: a doença e a morte do marido da sua prima Cláudia.
Retalhos da Vida de um Médico, segundo obra de Fernando Namora, com adaptação cinematográfica de Bernardo Santareno, Carlos Coutinho, Olga Gonçalves, Urbano Tavares Rodrigues e Dinis Machado.
T. O.: O trigo e o joio (1965, 90 min., p. e b.).
- D.: Manuel Guimarães. R.: Segundo a obra homónima publicada em 1954.
- A.: O Baixo Alentejo com seus tipos de camponeses e ganhões, os “montes” a pintalgar de branco a planície imensa, as crendices, a nostalgia das canções, a labuta do trabalhador nas ceifas, pela conquista do pão. O dinheiro mal gasto na feira, que era destinado à compra duma burra – indispensável para que a courela se transforme num mar de trigo – serve de pretexto ao drama particular que se relata, sobre a família de Loas, um pequeno lavrador em decadência.
De José Mª FERREIRA de CASTRO:
Emigrante, homem do jornalismo, mas sobretudo ficionista, é hoje em dia, ainda, um dos autores com maior obra traduzida em todo o mundo, podendo-se incluir a sua obra na categoria de literatura universal moderna, precursora do neorrealismo, de escrita carateristicamente identificada com a intervenção social e ideológica. É um dos maiores vultos de sempre da cultura portuguesa, e um trabalhador incansável, na verdadeira acepção do termo. Nasceu a 24 de maio de 1898 em Oliveira de Azeméis, e faleceu no Porto o 29 de junho de 1974.
T. O.: Terra fria (1992, 100 min., cor).
D.: António Campos. R.: Segundo o romance homónimo publicado em 1934.- A.: Rodado em 1991 em Trás-os-Montes. Nos anos 40, na aldeia de Padornelos, Montalegre, Leonardo procura sobreviver negociando em peles de marta e de raposa. Ermelinda, sua mulher é a rapariga mais bonita da aldeia, trabalha como criada na casa de Santiago, por alcunha o “americano”, acabando por ter um filho dele. Num acesso de fúria, Ermelinda mata o “americano” e Leonardo assume a autoria do crime.
T. O.: A selva ( 2002, 105 min., cor).
- D.: Leonel Vieira. R.: Adaptação do romance homónimo publicado em 1930, que retrata experiências de Ferreira de Castro durante a sua permanência no Brasil.
- A.: 1912. Alberto é um jovem português que está exilado em Belém, no Pará. Através de seu tio ele é contratado para trabalhar no seringal de Juca Tristão, em pleno coração da Amazônia. Já no seringal Alberto fica sob a proteção de Firmino, indo trabalhar no armazém local e enfrentando dificuldades para se adaptar. Logo ele se envolve com Dona Yayá, a esposa do gerente local.
De Carlos de OLIVEIRA:
Carlos Alberto Serra de Oliveira nasceu a 10 de agosto de 1921 em Belém do Pará (Brasil), e faleceu o 1 de julho de 1981 em Lisboa. Foi um destacado poeta, contista e romancista.
T. O.: Uma abelha na chuva (1972, 76 min., p. e b.).
D.: Fernando Lopes. R.: Segundo o romance homónimo publicado em 1953.- A.: O filme é a leitura cinematográfica de Fernando Lopes do romance homónimo de Carlos de Oliveira, num filme que encena de forma admirável um Portugal rural desencantado, sombrio e enclausurado, no final da década de 60, e que um crime brutal vem abalar. As paisagens sonoras abstractas, a impressionante fotografia e as inesquecíveis interpretações de Laura Soveral e João Guedes juntam-se numa obra de excelência do cinema português.
De Vergílio FERREIRA:
Embora formado como professor, foi como escritor que mais se distinguiu. O seu nome continua atualmente associado à literatura através da atribuição do Prémio Vergílio Ferreira. Em 1992, foi galardoado com o Prémio Camões. Nasceu a 28 de janeiro de 1916 em Melo-Gouveia, e faleceu em Lisboa o 1 de março de 1996.
T. O.: Manhã Submersa (1980, 131 min., cor).
- D.: Lauro António. R.: Segundo o romance homónimo publicado em 1954.
- A.: A experiência desencantada de um jovem seminarista, vindo da aldeia e de modestas origens, sob a proteção de uma senhora austera que, assim, se propõe arrancá-lo a um ambiente de miséria e ignorância. Sem vocação, António cederá à subtil prepotência de Dª. Estefânia, sacrificando-se pela promoção social da família. É simultaneamente a observação lúcida da única possibilidade de um jovem pobre do campo sair dessa classe (a proteção de uma família de proprietários para uma carreira eclesiástica) e uma análise do conflito entre o espírito e a carne.
De Manuel da FONSECA:
Manuel Lopes Fonseca, considerado um vulto destacado do neorrealismo, nasceu em Santiago do Cacém, em 15 de Outubro de 1911, mas cedo veio para Lisboa, onde iniciou a sua atividade literária. Poeta, romancista, contista e cronista, toda a sua obra é atravessada pelo Alentejo e o seu povo. Ligado ao neorrealismo, evoluiu no sentido de um regionalismo crescente, ligado ao seu Alentejo natal, retratando o povo desta região e a miséria por ele sofrida. Contestatário e observador por natureza, a sua escrita era seguida de perto pela censura. Colaborou em várias publicações periódicas. Faleceu a 11 de Março de 1993 em Lisboa, com 81 anos de idade.
T. O.: Cerromaior (1980, 90 min., cor).
D.: Luís Filipe Rocha. R.: Segundo o romance homónimo publicado em 1943.- A.: Após frustrada tentativa de evasão, o jovem Adriano é reconduzido ao abúlico seio de família, dominante numa povoação alentejana onde a exploração tradicional dos trabalhadores agrícolas é, desde 1937 (em que escassos ecos de liberdade chegam, pela rádio, da guerra civil espanhola), representada pelo arrogante e prepotente primo Carlos, símbolo e esteio do salazarismo que se consolida. O percurso de Adriano afirmar-se-á entre sombras e fantasmas, conformismo e preconceito, demência e suicídio, raiva e confrontação.
De David MOURÃO-FERREIRA e Mário de CARVALHO:
David de Jesus Mourão-Ferreira, Licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1951, onde mais tarde em 1957 foi professor, tendo-se destacado como um dos poetas contemporâneos do Século XX. Nasceu a 24 de fevereiro de 1927 em Lisboa, e faleceu na mesma cidade o 16 de junho de 1996.
Mário Costa Martins de Carvalho, é um romancista, contista, dramaturgo e argumentista português. Nasceu a 25 de setembro de 1944 em Lisboa.
T. O.: Sem sombra de pecado (1983, 104 min., cor).
D.: José Fonseca e Costa. R.: Segundo o conto E aos costumes disse nada.- A.: Enquanto presta o serviço militar, Henrique, um jovem proveniente de uma família burguesa abastada, começa a receber misteriosos telefonemas por parte de uma mulher que o leva a encontros sem consequências, através dos quais ele é obrigado a descobrir que o amor e a guerra têm muito em comum: as estratégias, as táticas, os inimigos e os aliados. O jogo começa a revelar-se pouco a pouco, à medida que Henrique se sente preso numa armadilha à qual não sabe resistir: a vingança.
De Alexandre HERCULANO:
Foi um escritor, historiador, jornalista e poeta português da era do romantismo. Como liberal que era teve como preocupação maior, estabelecida nas suas ações políticas e seus escritos, sobretudo em condenar o absolutismo e a intolerância da coroa no século XVI para denunciar o perigo do retorno a um centralismo da monarquia em Portugal. Nasceu a 28 de março de 1810 em Lisboa, e faleceu em Santarem o 18 de setembro de 1877.
T. O.: O Bobo (1987, 123 min., cor).
- D.: José Álvaro Morais. R.: Segundo o romance homónimo escrito em 1843.
- A.: Num bar de marinheiros nas margens do Tejo, Rita Portugal e Francisco Bernardes esperam que o dia acabe: João foi assassinado nessa manhã. O corpo foi encontrado num canto do estúdio, durante o ensaio da última cena de O Bobo. Um carpinteiro encontrou-o quando se acenderam as luzes. Há cerca de um ano, Francisco tinha decidido adaptar a novela de Herculano para teatro. João tinha sido o único a encorajá-lo desde o início. Foi ele mesmo que sugeriu que a peça fosse montada no antigo estúdio da Lisboa Filmes. Não tinha sido fácil, com meia dúzia de atores e técnicos amigos, trabalhando praticamente de graça. A estreia estava marcada para o meio da semana seguinte. Mais tarde, no fim do verão, Francisco planeava mudar-se para Nova Iorque. Se João conseguisse vender as armas e arranjar o dinheiro para a viagem. E se Rita aceitasse ir com ele.
De Álvaro do CARVALHAL:
Álvaro do Carvalhal Sousa Teles foi um escritor português famoso hoje, principalmente, por contos com temáticas fantásticas e de horror. Nasceu a 3 de fevereiro de 1844 em Valpaços, e faleceu o 14 de fevereiro de 1868 em Coimbra.
T. O.: Os Canibais (Portugal-França-Itália-Suiça-Alemanha,1988, 90 min., cor).
D.: Manoel de Oliveira. R.: Segundo a obra homónima escrita em 1866.- A.: Inspirado em um conto popular português do século XIX, o filme é contado na forma de ópera com música de João Pais. O Visconde d’Avelede e Margarida, uma bela moça, se apaixonam perdidamente. No entanto, seu amor é proibido por Don João, que nutre ódio pelo Visconde e deseja derrubá-lo a qualquer custo.
De Jorge de SENA:
Jorge Cândido Alves Rodrigues Telles Grilo Raposo de Abreu de Sena foi poeta, crítico, ensaísta, ficionista, dramaturgo, tradutor e professor universitário português. Nasceu a 2 de novembro de 1919 em Lisboa, e faleceu o 4 de junho de 1978 em Santa Bárbara-Califórnia.
T. O.: Sinais de fogo (Portugal-Espanha-França, 1995, 101 min., cor).
D.: Luís Filipe Rocha. R.: Segundo a obra homónima publicada postumamente.- A.: Portugal, Julho de 1936. A ditadura de Salazar está consolidada e controla totalmente o país. Um grupo de adolescentes passa as suas férias de verão na Figueira da Foz. Do outro lado da fronteira começou a Guerra Civil da Espanha e, apesar da distância, a sua violência vai repercutir-se na vida destes jovens, lançados num turbilhão de intrigas políticas e paixões desencontradas que marcará tragicamente a sua passagem à idade adulta.
De José CARDOSO PIRES:
José Augusto Neves Cardoso Pires nasceu a 2 de outubro de 1925 em São João do Peso, no concelho de Vila de Rei. Faleceu o 26 de outubro de 1998 em Lisboa. Foi um extraordinário romancista e contista. Ademais do filme que resenhamos, outras das suas obras foram adaptadas ao cinema: A Rapariga dos Fósforos, realização de Luís Galvão Teles (1978);
Casino Oceano, realização de Lauro António (1983); Ritual dos Pequenos Vampiros, realização de Eduardo Geada (1984) e Balada da Praia dos Cães, realização de José Fonseca e Costa (1987).
T. O.: O Delfim (Portugal-França, 2002, 88 min., cor).
- D.: Fernando Lopes. R.: Segundo o romance homónimo publicado em 1968.
- A.: Portugal, finais dos anos 60. Tomás Palma Bravo, o Delfim, o Infante, é o herdeiro de um mundo em descomposição. É ele o dono da Lagoa, da Gafeira, de Maria das Mercês, sua mulher infecunda, de Domingos, seu criado preto e maneta, de um mastim e de um “Jaguar E”, que o leva da Gafeira a Lisboa e às prostitutas. Um caçador, detetive e narrador, que todos os anos volta à Lagoa para caçar patos-reais, descobre, um ano depois, que Domingos apareceu morto na cama do casal Palma Bravo e que Maria das Mercês apareceu a boiar na Lagoa. Quanto a Tomás Palma Bravo e ao mastim, dizem-lhe que desapareceram sem deixar rasto. E que da neblina da Lagoa se ouvem agora misteriosos latidos.
De Lídia JORGE:
Lídia Guerreiro Jorge (Loulé, Boliqueime,18 de junho de 1946) nasceu no Algarve e passou alguns anos decisivos em Angola e Moçambique. Formou-se em Filologia Românica na Universidade de Lisboa, deu aulas, escreveu mais de vinte livros, editados em várias línguas, entre eles romances, antologias de contos, e uma peça de teatro.
T. O.: A Costa dos Murmúrios (2004, 120 min., cor).
- D.: Margarida Cardoso. R.: Segundo o romance homónimo publicado em 1988.
- A.: No final dos anos 60, Evita chega a Moçambique para casar com Luís, um estudante de matemática que ali cumpre o serviço militar. Evita rapidamente se apercebe que Luís já não é o mesmo e que, perturbado pela guerra, se transformou num triste imitador do seu capitão, Forza Leal. Os homens partem para uma grande operação militar no norte. Evita fica sozinha e, no desespero de tentar compreender o que modificou Luís, procura a companhia de Helena, a mulher de Forza Leal. Submissa e humilhada, Helena é prisioneira na sua casa onde cumpre uma promessa. É ela quem revela o lado negro de Luís. Perdida num mundo que não é o seu, Evita apercebe-se da violência de um tempo colonial à beira do fim. Um tempo de guerra, de perda e de culpa.
De Ana Mª MAGALHÃES e Isabel ALÇADA:
Ana Maria Magalhães, nome literário de Ana Maria Bastos de Oliveira Martinho (Lisboa, 14 de abril de 1946), é uma escritora portuguesa, principalmente direcionada para a literatura infanto-juvenil. É principalmente conhecida por ter escrito a coleção Uma Aventura, em dupla com Isabel Alçada, ex-Ministra da Educação. Conheceu Isabel em outubro de 1979, no primeiro dia do ano letivo, na sala de professores da Escola Básica Fernando Pessoa, em Lisboa. Ambas docentes de Língua Portuguesa nessa escola, publicaram o primeiro livro da saga, Uma Aventura na Cidade, em 1982. O número mais recente foi escrito e publicado em 2014. Maria Isabel Girão de Melo Veiga Vilar, conhecida como Isabel Alçada (Lisboa, Alvalade, 29 de maio de 1950), é uma professora e escritora portuguesa.
T. O.: Uma aventura na casa assombrada (2009, 92 min., cor).
- D.: Carlos Coelho da Silva. R.: Segundo o conto homónimo das duas autoras, da série Uma aventura.
- A.: O “Espírito do Mundo”, um diamante vermelho com poderes sobrenaturais, roubado cinco séculos antes das mãos do último imperador asteca, é o centro desta aventura numa casa amaldiçoada nos confins da serra de Sintra. A herdeira da casa, Filipa, suscita a ajuda dos nossos heróis em busca da pedra preciosa, mas há inúmeros obstáculos a ultrapassar. Enfrentando fantasmas de guerreiros índios, estátuas que ganham vida, morcegos, alçapões, passagens secretas e um temível assassino alemão em busca de vingança, os nossos heróis terão de reunir todas as suas forças e perspicácia para chegar ao mítico diamante antes que seja tarde demais.
De António LOBO ANTUNES:
Escritor prolífico e psiquiatra, que nasceu em Lisboa a 1 de setembro de 1942.
T. O.: Cartas da guerra (2016, 105 min., p. e b.).
- D.: Ivo Ferreira. R.: Segundo a obra homónima publicada em 2005.
- A.: Baseado no romance de António Lobo Antunes, são reunidas um conjunto de cartas de um jovem soldado, médico e aspirante a escritor, que foram enviadas para sua esposa de Angola entre os anos de 1971 e 1973, durante a Guerra Colonial Portuguesa, um confronto de Portugal com antigas províncias ultramarinas.
Nota importante: A maioria dos filmes da listagem podem baixar-se para ser vistos, no Youtube ou noutros sítios da internet, tanto em Google Portugal como Brasil.
TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:
Com a técnica do cinema-fórum, analisar o fundo e a forma dos diferentes filmes da larga listagem filmográfica resenhada antes.
Organizar nos estabelecimentos de ensino algum ciclo cinematográfico com filmes da filmografia anterior. Podem tomar-se como critérios: por autores/escritores, por realizadores, por temas dos filmes, por âmbitos geográficos em que se desenvolve a ação das diferentes fitas, etc. Antes de cada projeção deve ser apresentado o filme correspondente e, depois de ser visto, organizaremos com os assistentes um debate-papo.
De comum acordo entre estudantes e docentes escolhemos um livro para ler por todos, dentre os que serviram como base para os roteiros dos filmes resenhados antes. Depois de lido, organizamos um livro-fórum, e posteriormente procedemos a visionar o filme que se baseou no seu roteiro no livro que entre todos lemos. Isto vai-nos dar elementos muito importantes para analisar a obra literária e a obra fílmica, a psicologia das personagens e a acertada ou não adaptação que se fez da obra nas telas do cinema.
Podemos organizar nos estabelecimentos de ensino alguma amostra/exposição dedicada a algum literato ou literata mencionados antes, com livros seus, capas dos mesmos, fotografias, textos, fragmentos, poemas, etc. Com o material que recolhamos também podemos redigir uma monografia seguindo o modelo da Biblioteca do Trabalho de Freinet. Que também podemos editar ou policopiar.
