O Dia Europeu da Música celebra-se a 21 de junho. Neste dia os amantes da música desfrutam de descontos especiais em algumas lojas, que oferecem até descontos durante todo o fim de semana da efeméride. As salas de espetáculos e os espaços culturais organizam também concertos (gratuitos em certos casos) de celebração da música. A música é um elemento essencial na vida de milhões de pessoas no mundo. Seja acompanhado ou sozinho, no Dia Europeu da Música deve ouvir (ou tocar) algumas das suas músicas preferidas. Partilhar os seus gostos musicais nas redes sociais para relembrar esta efeméride é outra sugestão de celebração para este melodioso dia.
Os objetivos fundamentais da comemoração são: promover a arte musical em todos os setores da sociedade; divulgar a diversidade musical; aplicar os ideais da UNESCO como a paz e amizade entre as pessoas, a evolução das culturas e a troca de experiências. Merece a pena destacar e resenhar com este motivo as seguintes frases sobre a Música: “A parte boa da música é que quando ela te atinge, não sentes dor alguma”. (Bob Marley). “A música não mente. Se há algo que tem de ser mudado neste mundo, apenas poderá acontecer através da música”. (Jimi Hendrix). “A vida, sem música, seria um erro”. (Friedrich Nietzsche). “A música pode mudar o mundo porque pode mudar as pessoas”. (Bono). “Onde as palavras falham, a música fala”. (Hans Christian Andersen).“A música é uma forma de arte que transcende a linguagem”. (Herbie Hancock).
Palavra de origem grega que significa “arte das musas”, a música está presente na vida das pessoas há muito tempo, sempre refletindo o período em que se encontra inserida. Porém foi no século XX que houve uma revolução nessa forma de expressão artística. Nessa época, surgiram diversas novidades, tendências e géneros musicais. Os músicos começaram a investir em vários instrumentos e a criar canções inovadoras, as quais tiveram grande influência no modo de agir, pensar e falar das pessoas. São muitos os exemplos de grupos e cantores cujas composições foram marcantes, como os Beatles e os Rolling Stones, além de artistas brasileiros que buscavam retratar a situação cultural do país, como Caetano Veloso e Chico Buarque. Além de representar uma forma de expressão de ideias e sentimentos, sobretudo, na adolescência (fase em que costuma servir como um desabafo social e pessoal), a música tem efeitos bastante positivos sobre o corpo e a mente. Estudos confirmam que ouvir determinadas canções após momentos estressantes ajuda a relaxar. O estilo clássico, por exemplo, pode fazer a pressão sanguínea ser reduzida a níveis controlados em pouco tempo. Além disso, é comprovado que ouvir música durante o trabalho ajuda a eliminar a tensão e a concentrar-se melhor, aumentando o desempenho. Há ainda outras pesquisas cujos resultados apontam que escuitar a sua canção favorita em períodos de dor pode elevar significativamente a tolerância a esse incómodo.
É importante trabalhar nas aulas dos diferentes níveis do ensino a música, organizar audições musicais, de grandes autores, de cantores importantes, monográficas de instrumentos musicais tanto clássicos como populares (flauta, harpa, violino, fagote, sitar, tabla, acordeão, guitarra, piano, trompeta, trompa, clarinete, gaita de foles, etc.). E também que os escolares aprendam canções e as cantem. E tudo isto, nada melhor que organizá-lo nas datas próximas ao 21 de junho, que é o dia europeu da música. Existem muitos filmes adequados para completar estas atividades. Desta vez escolhi duas versões fílmicas da famosa ópera composta pelo grande Mozart “A flauta mágica”. E também um filme brasileiro muito recente, de que se estão a fazer as estreias em vários países. O filme leva por título Tudo que aprendemos juntos, embora em muitos lugares é mais conhecido como O professor de violino.
FICHAS TÉCNICAS DOS FILMES:
- Título original: Trollflöjten (A flauta mágica).
Diretor: Ingmar Bergman (Suécia, 1975, 135 min., cor).- Roteiro: Emanuel Schikaneder e I. Bergman. Produtora: Sveriges Radio Productions.
- Fotografia: Sven Nykvist. Música: W. Amadeus Mozart.
- Atores: Josef Kostlinger, Irma Urrila, Hakan Hagegard, Elisabeth Erikson e Jane Darling.
- Argumento: Versão fílmica da ópera homónima repleta de simbolismos maçónicos de Mozart. A Rainha da Noite oferece sua filha, Pamina, a Tamino, um andarilho encontrado na floresta pelo servo da rainha, Papageno. Porém, para isso, Tamino precisa trazê-la de volta de seu pai e sacerdote que só pratica o bem, Sarastro, alegando que ele a sequestrou. Ambicionando o poder de Sarastro, a Rainha da Noite oferece uma flauta mágica a Tamino e sinos mágicos a Papageno, enviando os dous numa jornada de amor e autoconhecimento.
- Título original: The Magic Flute (A flauta mágica).
Diretor: Kenneth Branagh (Reino Unido, 2006, 135 min., cor).- Roteiro: Stephen Fry e K. Branagh, tomando como base a obra de Emanuel Schikaneder.
- Fotografia: Roger Lanser. Música: W. Amadeus Mozart.
- Atores: Joseph Kaiser, Amy Carson, Benjamin Jay Davis, Lyubov Petrova e René Pape.
- Argumento: Adaptação cinematográfica da famosa ópera de Mozart. Na véspera da 1ª Guerra Mundial (1914-1918), num mundo obscuro e sinistro, Tamino empreende uma arriscada viajem para libertar Pamina, a adorável filha da Rainha da Noite, que foi sequestrada pelo malvado Sarastro. O destino dos jovens amantes pode determinar a sorte das nações e a vida de milhões de pessoas.
- Título original: Tudo que aprendemos juntos (O professor de violino).
Diretor: Sérgio Machado (Brasil, 2015, 92 min., cor).- Roteiro: Mª Adelaide Amaral, Marcelo Gomes, Marta Nehring, António Ermirio de Moraes e S. Machado. Produtora: Guliane Filmes.
- Fotografia: Marcelo Durst. Música: Sílvio Baccarelli, Felipe de Souza, Alexandre Guerra e Edilson e Edimilson Venturelli.
- Atores: Lázaro Ramos, Kaique de Jesus, Elzio Vieira, Sandra Corveloni, Fernanda de Freitas, Hermes Baroli, Criolo, Rappin’ Hood, Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e Thogun.
- Argumento: Laerte é um violinista com grande talento que começa a dar aulas de música num colégio público de Heliópolis. Esta experiência vai mudar a sua vida e a dos seus alunos e alunas. O violinista Laerte, após não passar num teste para a OSESP, vai dar aulas numa favela na periferia de São Paulo. Lá ele descobre um garoto com talento excecional e por meio da música faz com que ele abandone o tráfico de drogas e dê um novo sentido para sua vida.
UM MESTRE DE VIOLINO EXEMPLAR:

O papel oferecido a Lázaro Ramos em “Tudo Que Aprendemos Juntos” era outro. Mas quando o ator leu o roteiro do filme, foi atrás do diretor e pediu para interpretar o protagonista. “Quando li a história, só me identificava com o Laerte”, comentou ele, referindo-se ao professor de violino que vive no longa, já exibido num festival da Suíça, onde emocionou 8 mil pessoas.
“Quando eu tinha 15 anos, entrei para o Bando de Teatro Olodum e o Mestre Zebrinha começou a cuidar de mim. Aliás, ele cuida até hoje”, sinalou Lázaro, que enxergou um pouco de si nos jovens que contracenam na trama. A maioria deles é músico do Instituto Baccarelli, que serviu de inspiração para o roteiro, ou morador de comunidades paulistanas. Na ficção, o violinista vai dar aulas numa escola, em Heliópolis, periferia de São Paulo, onde descobre que o som dos instrumentos representa mais do que música para sua turma. A presença de Laerte ali significa uma oportunidade de mudança social.

Mas esse processo de transformação não se limitou apenas à ficção. O diretor Sérgio Machado viu a música interferir na postura de seu elenco. “Via como o Elzio (um dos protagonistas), que era supertímido, foi ganhando uma megadesenvoltura”, diz o cineasta, que teve uma surpresa parecida com seu próprio filho, de 11 anos. “Ele disse que queria tocar violino, há três anos, quando visitou o set de filmagem. Desde então, tenho acompanhado a modificação na vida dele com a música”, lembra-se Sérgio.
Mas a mudança que o diretor se refere vai além do avanço nas notas musicais. Ele comemora a entrada do filho na Orquestra de Heliópolis e diz que, assim, “ele pode sair da bolha de classe média em que vive”. Edmilson Venturelli, diretor do instituto, conta que o maestro Silvio Baccarelli se sensibilizou com um grande incêndio ocorrido em Heliópolis, em 1996. Então, foi à comunidade oferecer aulas de música. O projeto começou com uma turma de 36 adolescentes. Mas cresceu tanto que, hoje, tem sede própria, vagas disputadíssimas e 1.300 alunos entre 4 e 28 anos. “No início, só aceitávamos jovens da comunidade. Mas percebemos que isso não era inclusão social. Resolvemos abrir vagas para pessoas de fora e de diferentes classes sociais para proporcionar uma convivência entre diferentes realidades”, explica Venturelli, que viu o filho passar pelo mesmo processo que o de Sérgio. “O meu filho, o Fernando Venturelli, está com 16 anos e estuda aqui desde os 7. Nunca vou esquecer do aniversário dele de 8 anos, quando disse que não dava para fazer uma festa sem os amigos de Heliópolis e que eu teria que dar um jeito de levá-los até a nossa casa. Mesmo morando no litoral de São Paulo, a 1h30 de distância de lá”, conta o diretor do instituto.
UM MÉTODO MODELAR PARA O ENSINO DA MÚSICA:
Todos sabemos da dificuldade que para as crianças tem a aprendizagem do solfejo tradicional, com a sua linguagem própria e singular. Por isto, no seu dia, o argentino Sérgio Aschero, que tivemos na Galiza em algumas das edições das Jornadas do Ensino da Galiza e Portugal, organizadas pela ASPGP, criou um método lúdico para o ensino da música a crianças e jovens, em que as notas foram substituídas por números e cores. Este método seu baseia-se em estabelecer vínculos entre a vista e o ouvido. Neste método substituem-se as notas musicais por “som-cores”, é dizer, imagens com sons. É um método que recorre às matemáticas e às cores fazendo-o atrativo e lúdico. É ademais perfeito para pessoas com alguma deficiência psíquica, já que é um método fundamentalmente prático. Também é adequado para a educação musical de todas as crianças e inclusive como um recurso de apoio para o professor de música.
Sérgio Aschero nasceu em Buenos Aires, a 8 de Junho de 1945, e doutorou-se em musicologia na Universidade Complutense de Madrid, tendo-se destacado como matemático, compositor, conferencista e pedagogo. Ele foi o criador da Numerofonia, um sistema de escrita musical que se baseia nas ciências matemáticas (geometria e aritmética), na ótica, na acústica e na linguística. O seu método de ensino da música foi denominado por ele como “Música para todos”. O seu sistema não convencional parte da utilização da cor para diferenciar a altura do som e, das figuras geométricas para elucidar a sua duração. Segundo o pedagogo, a música com notação convencional é usada apenas por 5% da população mundial, sendo que esta inovadora notação é para ser utilizada pelos 95% restantes. Este método inovador permite à criança compreender a essência da música, sem ter que recorrer á notação convencional. O mesmo autor defende que a educação científica deve ser revolucionada, assim, como aconteceu com a substituição dos algarismos romanos para os árabes.
Seguindo os postulados de Aschero, foi criado em Vila Nova de Gaia (Portugal), com o apoio de várias entidades, o primeiro Centro Mundial de Numerofonia, plataforma de cruzamento de várias sensibilidades e finalidades, tais como, a divulgação da Numerofonia, como conceito multidisciplinar de abordagem do ensino da música e espaço para atos investigativos sobre a matéria. Duas experiências estão a ser implementadas, no 5º ano de escolaridade, nas Escolas Básica de Santa Marinha e de Canidelo. Pensa‐se que uma colaboração, mais alargada, poderá ser concretizada com a Gaianima, no âmbito da intervenção desta empresa municipal, na abordagem da matemática nos bairros sociais do concelho.

A Numerofonia de Aschero, sistema alternativo de codificação musical, baseia‐se na relação que existe entre os algarismos, as cores e as formas. Trata‐se de um sistema de escrita que utiliza as doze cores do prisma solar, correspondendo cada uma, a um som. A Numerofonia é utilizada e praticada em alguns países, como Espanha e Itália (que a integram no quadro curricular do 1º ciclo), França, Brasil, Uruguai, tendo‐se revelado eficiente para o ensino de crianças a partir dos três anos de idade, reconhecendo simbologias simples iniciais, antes de se apresentar a representação numérica definitiva. Para a leitura de partituras, utilizado o sistema Numerofónico, apenas se exige o conhecimento de numerais, cores e tamanhos, conhecimentos estes, existentes em qualquer criança em idade escolar. Este sistema não foi criado para as pessoas portadoras de deficiências, antes pelo contrário, como sistema inclusivo que é, destina‐se a todos, sem exceções. Como Sérgio Aschero explica “este sistema baseia‐se na ciência e tem como base a matemática, a ótica e a acústica, permitindo, assim, que a escrita seja entendida por todo o mundo”. Ao basear‐se nas cores e na matemática (geometria e aritmética), os símbolos do sistema são universais. E porque vivemos num mundo de analfabetos musicais – Aschero sustenta que só 5% da humanidade consegue ler música – havia que encontrar um sistema de escrita e leitura universais, destinados a todos, numa metodologia inclusiva. Assim o sistema Numerofónico é um sistema lógico que permite que todos, sem exceções, possam ler, escrever, interpretar e criar música, culta ou popular, incluindo adultos, adolescentes, crianças ou pessoas especiais, sem “ter que cair no absurdo dos bemóis, sustenidos, claves, ou tantos outros símbolos anacrónicos que integram o sistema de notação tradicional”, como sinala o professor argentino. Afinal, os objetivos de Aschero foram os de melhorar a relação entre música e as pessoas.

Dada a importância do sistema Numerofónico de Aschero, a sua relevância quando trabalhado com crianças desde muito cedo e a sua pertinência no sentido do melhor apetrechamento de professores, pode constituir um primeiro passo para o desenvolvimento de uma cultura musical precoce e um modo de tornar a aprendizagem da gramática musical mais aliciante, mais fácil e acessível a todos, sem exceção. Portanto, trata‐se de um sistema inclusivo, de fácil compreensão e realização, de natureza sinestésica. A musicalização dos alunos torna‐se mais fácil, não literal e integrada, podendo este recurso desenvolver, mais facilmente, as competências comunicativa e expressiva, abordar o desenvolvimento das perceções e a consciência de si e do grupo. A Numerofonia constitui‐se numa ferramenta de privilégio, claramente, com vantagens em relação ao sistema tradicional de ensino de música, porque, também, permite, desde muito cedo, a aprendizagem da linguagem oral e a alfabetização matemática. Determinadas competências atitudinais, como a sociabilidade, a integração professor/aluno/escola, a valorização do ambiente escolar podem alterar‐se, porque serão apreendidas de um modo integrado e multidisciplinar, adquirindo dimensão expressiva. Mas também, competências técnicas como o desenvolvimento da motricidade, a identificação das cores, a memória rítmica, o cálculo métrico, ganham outra dimensão e declaram‐se disponíveis para serem potenciadas pela prática numerofónica.
O método Aschero é uma outra escrita musical. E se diz: Adeus ao pentagrama! A Numerofonia, sistema alternativo de codificação musical, baseia-se na relação entre algarismos, cores e formas. É hoje utilizada por mais de 300 mil músicos em todo o mundo, e tem-se mostrado eficiente para o ensino de crianças, que reconhecem simbologias simples, antes de lhes ser apresentada a representação numérica definitiva. Os estudos de Aschero são conhecidos sobretudo na Argentina, Brasil, Chile, Uruguai, Itália e Espanha e agora em Portugal, e as suas práticas têm sido apoiadas por músicos famosos (Luigi Nono, Darius Milhaud, etc) e cientistas, como Stephen Hawking.
TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:
Servindo-se da técnica do Cinema-fórum, analisar e debater sobre a forma (linguagem cinematográfica: planos, contraplanos, panorâmicas, movimentos de câmara, jogo com o tempo e o espaço, truques cinematográficos, etc.) e o fundo dos três filmes antes resenhados.
Organizamos nos estabelecimentos de ensino uma ampla amostra-exposição centrada no tema da Música. A mesma há de incluir pequenos trabalhos elaborados pelos escolares (desenhos, poemas, frases, textos livres…), fotos, retalhos da imprensa, aforismos, lemas, etc. Terá que incluir várias secções: a classificação dos instrumentos musicais, com fotos e desenhos dos mesmos, grandes compositores da história da música, importantes cantores e autores e um pequeno esquema da história musical, dos géneros musicais, da música popular e dos instrumentos musicais populares. A exposição pode incluir também livros sobre música e compositores, CDs e DVDs. Com tudo podemos editar ou policopiar uma monografia dedicada ao mundo da música em todos os seus aspetos.
Entre a ampla variedade de atividades educativo-didáticas que se podem organizar nas aulas e estabelecimentos de ensino dos diferentes níveis, que já citei em depoimentos anteriores da série, dedicados ao Dia Europeu da Música, proponho a organização de uma audição musical dedicada a um dos mais formosos instrumentos que existem, com a sua música doce que fomenta a calma e a relaxação mental e física, como é a harpa. Tal audição deve contemplar peças de harpa clássica, harpa gótica, harpa celta de Irlanda e Escócia, harpa dos Andes, harpa paraguaia, venezuelana dos Lhanos, harpa da Birmânia, harpa do Senegal, chamada “Kora”, e mesmo harpa galega, desse grande intérprete que é Emílio Cao. Ademais de Cao, foram grandes intérpretes de harpa o irlandês Alan Stivell, o basco Nicanor Zabaleta, o venezuelano Mário Guacarán, o senegalês Lamine Konté e o paraguaio Marcelo Rojas.
Nota: A audição musical pode ser de qualquer outro instrumento, perguntando antes aos escolares o instrumento que gostavam de ouvir: flauta, clarinete, violino, trompa, gaita de foles, sitar, etc., por exemplo.
