Por Adela Figueroa Panisse
Agora já não é preciso demonstrar conhecimento do idioma galego para ser funcionária/o da “Xunta de Galiza”. Nos exames próximos vão ser suprimidos como obrigatória qualquer prova que indique competência linguística para acesso à função pública. Lembro vários casos de imposição do espanhol por parte de funcionárias.
Vou referir apenas dois por recentes e por chocantes:
Numa ocasião foi uma funcionária do Distrito Florestal de Lugo que me recriminou, fortemente, por lhe ter dado maçada, repetidamente, acerca duma tala de carvalhos que tinha sido feita sem a correspondente permissão. Muito agriamente respondeu-me em castelhano negando-se ao fazer em galego, idioma que disse não conhecer e que se negava a apreender.
Numa outra ocasião foi na Secretaria do anterior Vice-presidente da Xunta, Sr. Anxo Quintana. Uma funcionária respondeu em espanhol ao meu requerimento. Ao lhe pedir eu, educadamente (pois incluí a fórmula “por favor”) que me falasse em galego, fez contestação e assegurou que defendia seus direitos de falar no idioma nacional, porque, segundo dizia estávamos na Espanha.
Em ambos os dois casos fiz queixa formal e por escrito do meu mal estar e da exigência de serem respeitados os meus direitos, quer-se dizer: ser atendida , na Administração galega, em galego.
Isso acaba de ser posto em causa. Ganharam as duas mulheres extremistas e todos os fundamentalistas que não gostam da diversidade, da pluralidade de ideias e de opiniões, e de respeitar os direitos legítimos dum Povo. Ganhou a política do slogan “imposição do galego” contra a da realidade imposição do espanhol, na Galiza.
Julgo que ,neste momento, a cidadania deveria-se de perguntar seriamente, se está interessada em que idioma galego desapareça da Galiza ou não.
No primeiro dos casos (que desapareça, por inútil -sic-) As políticas que foram anunciadas e que estão a ser implementadas pelo Governo do Sr. Feijão, em matéria linguística cumprem essa finalidade. Se, pelo contrário, a cidadania da Galiza não quer que o seu idioma desapareça terá que tomar uma posição activa na sua defesa.
É no dia-a-dia que se faz uma língua útil e viva
A jornalista Belén Regueira denunciou, publicamente, quando recebeu o Prémio Mestre Mateu, o desconhecimento que muitos meninos, menores de 12 anos, tinham do nosso idioma. Isso significa que nem na escola nem na casa lhes fora ensinado. Implica que em muitas escolas não se cumpre a lei de Educação que marca como obriga a aprendizagem do galego, na Galiza, junto com outros saberes do curriculum escolar. Não sei o que será mais grave: o incumprimento legal ou o desleixo duns pais e mães que privam aos seus filhos dum conhecimento de si próprios e do povoa que pertencem, que as/os faria mais completos, mais seguros na vida e lhes tiram o aceso a uma literatura cada vez mais rica e mais variada. Paradoxalmente a este ataque institucional à língua do País, as manifestações culturais galegas e em galego são cada vez mais importantes, música literatura, filmes, etc, estão a ferver neste País, Recanto Verde da Península Ibérica, Norte de Portugal e berço da língua Galaico-Portuguesa.
As crianças galegas merecem um respeito, a nossa historia e as administradas/os também. A cidadania também merece ser tratada como adulta e inteligente para não semear demagogias e mentiras que, em definitiva, procuram uma massa de gente sem critério e sem diferenciação. Fácil de manipular. Pasto de Políticos sem escrúpulos. Na passada semana num Simpósio cientifico, em Pontevedra, discutiu-se acerca das características genéticas do “Feijão Comum” (planta de grande interesse agrícola). Que coisa acontece com o “Feijoo Presidente”? Deixo as averiguações aos inteligentes leitores/as.
