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A Escola Popular e Cooperativa de Freinet, no filme “A Escola Buissonnière”

José Paz Rodrigues – O grande pedagogo francês Célestin Freinet (1896-1966) merece sobradamente ser incluído como excecional educador que foi, na nossa série sobre As Aulas no Cinema. Por muitíssimos motivos e, especialmente, porque eu considero este mestre como um modelo para os mestres e mestras da Galiza.

As suas famosas técnicas didáticas, adaptando-as aos nossos tempos, podem levar-se perfeitamente à prática nas aulas das nossas escolas primárias e muito especialmente nas rurais. Por isso eu durante os meus 38 anos formando futuros docentes, todos os anos dediquei a Freinet um amplo capítulo na disciplina de Didática Geral. As técnicas freinetianas (gostava mais de chamar-lhes técnicas que métodos), são fantásticas didaticamente falando, pois são o resultado da sua experiência pedagógica com os discentes da sua escola.

Para Freinet, acertadamente, primeiro é a prática e logo da mesma tira as suas teorias educativas. Em 1920 conseguiu vaga de mestre na localidade de Bar-sur-Loup, nos Alpes marítimos. Aqui iniciou a sua andadura dentro do grande Movimento das Escolas Novas, levando à prática os seus princípios didático-pedagógicos. Seis anos mais tarde, ao não poder pôr livremente em prática a sua pedagogia popular e cooperativa na escola pública, junto com a sua esposa Elise, cria a Cooperativa de Ensino Laico. Uma instituição privada que muito brilhantemente ainda funciona hoje, perto da cidade de Cannes, com o nome de Instituto Cooperativo da Escola Moderna. Que eu quero visitar proximamente.

O meu artigo não só quer servir de merecida homenagem a Freinet. Também aos mestres galegos que a finais dos anos setenta e princípios dos oitenta criaram na Nossa Terra o Movimento Cooperativo da Escola Popular Galega. Seguindo o modelo educativo freinetiano. E, entre eles, a Isabel Santos de Bande e António Espinosa, grande amigo meu, que levou as técnicas de Freinet nas suas escolas da comarca da Estrada de forma magistral e foi meu aluno na UNED de Ponte Vedra. Também à excelente mestra de pré-escolar Blanca González, que trabalhou nas suas escolas infantis com estas técnicas.

 

Ficha Técnica do Filme:

Título original: L´École buissonnière (A Escola Buissonnière)

Diretor: Jean-Paul Le Chanois (França, 1949, 99 min., Branco e Preto).

Guião: J.P. Le Chanois, apartir de uma sinopse de Elise Freinet.

Intérpretes: Bernard Blier, Juliette Faber, Édouard Delmont e Edmond Ardisson.

Argumento: Apresenta a pedagogia prática do mestre Freinet, através da personagem do mestre M. Pascal. Em 1920, num povo da Provença francesa, um jovem mestre, interessado polos problemas de seus alunos, decide mudar radicalmente os métodos empregados polo anterior mestre. Escuta os rapazes, inspira-se nas suas descobertas e coloca-os em contacto com a natureza, dando valor às capacidades de cada um dos seus alunos.

Nota importante: Dirigido Por Henri Portier e produzido polo ICEM, existe um documentário de 52 minutos intitulado Le Mouvement Freinet (O Movimento Freinet), composto de duas partes. Recentemente, no ano 2007, o diretor Daniel Losset realizou um formoso filme sobre a vida de Freinet, que foi passado na TV gala. No seu momento, depois de que por mim for visionado, dedicar-lhe-ei um outro artigo da série.

 

 

As Técnicas Didáticas de Freinet :

Tomando como base todos os princípios didáticos do Movimento das Escolas Novas, Freinet pôs em prática nas suas aulas um bom número de técnicas didáticas inovadoras, criativas e motivadoras. Entre elas quero destacar:

1.- Texto e Desenho Livres: Todos os dias os rapazes tinham que elaborar textos sobre temas por eles livremente escolhidos. E também desenhos. Logo de elaborados, entre todos escolhiam o texto e desenho do dia, que eram expostos no placar da aula.

2.- Cálculo vivo: A matemática era trabalhada tomando como base toda a realidade. Os problemas aritméticos não eram abstratos, mas sobre cousas reais, como as vendas e compras nas feiras, os objetos da envolvente…

3.- Correspondência interescolar motivada: Os estudantes mantinham correspondência postal com outros de outras escolas francesas ou do estrangeiro. Isto provocava, de forma muito motivadora para os rapazes, a troca de textos, desenhos, postais, selos e mesmo pacotes com conteúdos da vida artística, artesanal e natural.

4.- Jornal escolar: Os alunos, de forma cooperativa, elaboravam o jornal escolar, impresso na própria escola, pois Freinet foi um dos primeiros educadores que introduziu a imprensa na escola, o limógrafo e a imprensa de glicerina.

5.- Coutos escolares: Os rapazes cuidavam em lugar adequado animais domésticos e o horto escolar.

6.- Passeios escolares: Para conhecer a envolvente social e natural, todas as semanas os estudantes realizavam saídas escolares previamente preparadas, para que resultassem frutíferas.

7.- Biblioteca do trabalho: De forma cooperativa e em equipas os alunos elaboravam monografias sobre temas muito variados escolhidos livremente por eles. Era assim uma magnífica maneira de desenvolver o método científico de investigação. Aprendendo ademais a ser solidários e a colaborar no trabalho, que, por isso, se chamava cooperativo.

Não quero esquecer tampouco que Freinet foi um dos primeiros que utilizou as técnicas audiovisuais nas suas aulas.

 

 

Temas para Reflectir e Praticar :

– Em bate-papo (tertúlia), debater sobre este texto de Freinet: “A escola não deve desinteressar-se da formação moral e cívica das crianças, pois tal formação não só é necessária, senão imprescindível, já que sem ela não pode haver uma formação autenticamente humana”.

– Tratar de pôr em prática, os atuais mestres e mestras nas suas aulas, as técnicas Freinet, e refletir logo sobre o seu valor e sucesso didático.

 

 

(*) Didata e pedagogo tagoreano. Autor, igualmente, da coluna de opinião Dizer e Fazer.

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